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Gasto por aluno do ensino básico cresce acima de 100% em apenas seis anos, graças a mais gastos e menos alunos

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Publicado por Folha de S.Paulo

Uma das deficiências mais notórias do ensino público brasileiro foi drasticamente atenuada da década passada para cá, como mostram dados ainda pouco divulgados e analisados.

De acordo com números apurados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, ligado ao MEC), o gasto dos governos por aluno da educação básica mais que dobrou em apenas seis anos.

Em média, cada aluno da educação básica mereceu dos cofres federais, estaduais e municipais, em 2011, R$ 4.267. O valor não passava de R$ 1.933 em 2005, em valores corrigidos pela inflação.

A expansão das despesas foi impulsionada pelo Fundeb (Fundo da Educação Básica), uma das principais inovações da administração petista. Além dos repasses obrigatórios ao fundo, o governo Dilma também elevou as verbas para convênios com Estados e prefeituras.

Já a queda do número de alunos resulta das transformações demográficas do país: as famílias, incluindo as mais pobres, têm cada vez menos filhos.

A educação é a principal despesa dos governos estaduais e municipais, e uma das que mais crescem na União. Nos Estados e nas prefeituras, a saúde é possivelmente a despesa que mais cresce.

Com tais progressos, caiu a disparidade entre o gasto público no ensino básico _infantil, fundamental e médio_ e no ensino superior, uma das distorções do modelo brasileiro.

Cada aluno das universidades públicas custou, em média, R$ 20.690 em 2011, quase cinco vezes a despesa nas escolas da educação básica. Em 2001, eram mais de dez vezes.

Apesar de obviamente positivos, os números são tratados com discrição no setor; possivelmente, porque enfraquecem a bandeira dos militantes que defendem a elevação do gasto público em educação dos atuais 5% para 10% do Produto Interno Bruto.

A elevação da despesa por aluno não produziu, ao menos até agora, um ganho da mesma proporção do desempenho dos estudantes _o que pode ser interpretado tanto como um sinal de necessidade de mais dinheiro quanto como uma evidência de gestão insuficiente. Ou, simplesmente, de que é preciso mais tempo.

Leitura e conhecimento

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Luiz Carlos Amorim, na Gazeta de São João Del Rei

Ensinar Literatura nas escolas no Ensino Fundamental implica levar o aluno a ter prazer em ler – não significa obrigá-lo a ler. Se ali não conseguirmos incutir-lhes o gosto pela leitura, o problema será muito maior quando estiverem no Ensino Médio: lerão, quando muito – e por obrigação – apenas resumos e orelhas dos livros.

A Literatura é o registro da realidade, de costumes, espaço e tempo de um povo, ainda que visto por ângulos diferentes. E aí reside a sua riqueza. Ela sempre estará associada a alguma realidade: são realidades verdadeiras, possíveis ou apenas imagináveis, dependendo do que o leitor conseguir recriar.

Isso porque sabemos que a obra literária existe enquanto lida, enquanto está sendo recriada pelo leitor. E cada leitor pode recriá-la com nuances diferentes, pessoais. Essa é a característica mais marcante da literatura ficcional. A emoção do autor, ao produzir seu texto, não será, necessariamente, a mesma do leitor ao recriá-la.

Então a leitura nos provoca emoções, nos dá referência, faz-nos refletir, pode mudar nossa maneira de pensar e até de agir. Ela é viagem pelo desconhecido, é aquisição de conhecimento, é aprendizado e exercício de criatividade, é experiência adquirida. Isso é Literatura e é isso que os nossos leitores em formação precisam buscar nas páginas de um livro. Ou de vários. O ensino da Literatura dividindo-a em “escolas”, acaba fazendo-a parecer, para o estudante, uma coisa velha, ultrapassada, sem utilidade imediata. Faz a produção literária parecer algo feito a partir de receitas, como se fosse um bolo, sem originalidade, sem criatividade.

Literatura é arte, por isso não pode ser tratada como uma disciplina estanque. Precisa ser explorada como algo dinâmico e estimulante, que alarga os horizontes de quem lê, algo que vai acrescentar subsídios para o crescimento do leitor.

PI: sem mesas, alunos de melhor Ideb estudam no chão; diretora pede ajuda

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Devido à falta de carteiras escolares, estudantes do município de Redenção do Gurgueia (PI) são obrigados a assistir aulas no chão da escola Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

Devido à falta de carteiras escolares, estudantes do município de Redenção do Gurgueia (PI) são obrigados a assistir aulas no chão da escola
Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

Yala Sena, no Terra

Estudantes do município de Redenção do Gurgueia, no Piauí (a 691 quilômetros de Teresina), são obrigados a assistir aulas no chão da escola devido à falta de carteiras escolares. A Unidade Escolar Marcos Parente, escola de melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no município piauiense e a segunda melhor na região, enfrenta problemas estruturais. Devido à escassez de mesas e cadeiras para os alunos, a direção da escola pede ajuda.

Apelo ao governo, por favor, para nos enviar os equipamentos
Ângela Guerra
diretora da Unidade Escolar Marcos Parente

Segundo a diretora da escola, Ângela Guerra, a escola tem 287 alunos matriculados e a escassez de carteiras está criando problemas para a educação das crianças e adolescentes. “Já solicitamos à Secretaria de Educação o envio das carteiras, mas até agora nada. É uma escola de quase 50 anos que já formou todos os filhos de Redenção e hoje enfrenta essa dificuldade, mesmo com os dados positivos obtidos pela unidade. Apelo ao governo, por favor, para nos enviar os equipamentos”, declara a diretora.

A diretora informou ainda que trabalha a conscientização dos alunos para não depredar os assentos na escola, mas todo dia há registro de carteiras quebradas. “Queremos também da Secretaria uma reforma, a construção de sala de biblioteca e refeitório mais adequado”, disse Ângela Guerra.

Reação da Secretaria
O secretário estadual de educação, Átila Lira, foi informado pela equipe do Terra sobre a reclamação da diretora. Ele disse a falta de equipamentos não deveria acontecer, já que há ordens expressas de cumprir a demanda nas escolas. “A ordem é atender todo mundo”, disse Átila Lira.​

Ele informou ainda que existe uma fábrica em Teresina para recuperar as carteiras danificadas. “Além disso, adquirimos novas carteiras com o padrão do Ministério da Educação”, disse.

Por ano, uma média de 50 mil carteiras são destruídas e recuperadas nas 630 escolas estaduais. O Piauí tem hoje mais de 320 mil alunos matriculados no ensino estadual.

A direção da Secretaria de Educação e Cultura do Piauí (Seduc) informou ainda que enviará técnicos para verificar as necessidades das escolas nos municípios.

A Unidade Escolar Marcos Parente é a escola de melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no município piauiense e a segunda melhor na região Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

A Unidade Escolar Marcos Parente é a escola de melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no município piauiense e a segunda melhor na região
Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

A Secretaria de Educação e Cultura do Piauí informou que enviará técnicos para verificar as necessidades das escolas nos municípios Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

A Secretaria de Educação e Cultura do Piauí informou que enviará técnicos para verificar as necessidades das escolas nos municípios
Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

O secretário estadual de educação, Átila Lira, foi informado pela equipe do Terra sobre a reclamação da diretora. Ele disse a falta de equipamentos não deveria acontecer, já que há ordens expressas de cumprir a demanda nas escolas Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

O secretário estadual de educação, Átila Lira, foi informado pela equipe do Terra sobre a reclamação da diretora. Ele disse a falta de equipamentos não deveria acontecer, já que há ordens expressas de cumprir a demanda nas escolas
Foto: Unidade Escolar Marcos Parente / Divulgação

Humpfs

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Érico Assis, no Blog da Companhia

Contexto: era uma aula. Eu era aluno. Eu tinha que fazer uma apresentação do projeto que iria desenvolver dali em diante no curso. O projeto — ou “princípio para o projeto de um projeto”, como chamei — tem a ver com quadrinhos. As pessoas para quem eu ia apresentar não tinham grande familiaridade com quadrinhos, mas sim com Literatura.

Então preparei uma introdução para explicar que (1) quadrinhos não são literatura infantojuvenil e (2) tampouco são literatura. Que quadrinhos são uma linguagem ou mídia própria ou autônoma e, por serem linguagem ou mídia própria ou autônoma, não se comportam do mesmo jeito que um suporte só com letrinhas, nem se restringem a uma só faixa etária de leitores.

Seguiram-se slides de Eisner, Spiegelman, Bechdel, do Chris Ware. Expliquei que alguns destes autores, fora não serem direcionados ao público infantojuvenil, haviam ganhado prêmios ligados ao sistema literário. Expliquei “graphic novel”. A partir do Ware, passei às explorações formais contemporâneas: Jon McNaught, OuBaPo, Shintaro Kago, Laerte.

Foram só uns dez minutos de introdução para dizer que, reconhecidos os trocentos mil anos de desenvolvimento da Literatura, quadrinhos também tinham alguma história, algum desenvolvimento, alguma variedade, alguma experimentação e, humpf, não eram só a Mônica.

Enquanto eu apresentava o restante do trabalho, deixei circular pela turma exemplares de Você é minha mãe? e Jimmy Corrigan. Para não ficar só nos slides.

Um dos professores (pós-doutorado na França etc.) folheou o Você é minha mãe?, leu a quarta capa, um pouquinho da orelha, perguntou se Bechdel era homem ou mulher e também “você acha que minha filha de 17 anos vai gostar?”

* * * * *

O professor Paulo Ramos (pós-doutorado na Unicamp etc.) recentemente publicou dois textos no Blog dos Quadrinhos comentando a mania pelas adaptações literárias em quadrinhos no ensino brasileiro. O grande estimulador é o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), que há sete anos tem selecionado HQs para comprar (em grande quantidade) e levar às bibliotecas de escolas públicas. Na conta de Ramos, mais da metade das HQs selecionadas este ano — 61% — são adaptações literárias. Quanto a isso, o texto expõe alguns prós e vários contras.

No segundo texto, o professor comenta a declaração de uma representante do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla (mestrado na PUC etc.), que apoia a utilização dos quadrinhos em sala de aula. Porém, diz ela: “eu acho que [a HQ] pode ser um meio, nunca um fim. Porque o quadrinho pode até trabalhar algum conteúdo, mas o faz de forma superficial. Como incentivo à leitura, ele pode ser um mobilizador.”

Para Ramos, humpfamente, “há uma infinidade de obras que poderiam ser utilizadas como exemplos do quão equivocada é essa leitura”. Humpf, sem dúvida. (E poucas dessa infinidade seriam adaptações literárias.) Zoara Failla não é a primeira a quem se atribui um pensamento retrógrado sobre os quadrinhos. E os avaliadores do PNBE aparentemente pensam parecido. O fato é que os exemplos da impropriedade em chamar HQ de “nunca um fim” ou “superficial” estão por aí, são comentados e explicados a torto e a direito. Mas a carga de pré-concepção e de humpfs para as HQs ainda vence.

* * * * *

Queria ter respondido que “Humpf! Sim, acho que sua filha pode gostar. Mas não só a sua filha. O engraçado é que o senhor não mencionou sua filha quando a gente estava comentando Literatura. Aliás, a autora de Você é minha mãe? é até mais velha que você, professor.”

Mas só respondi que “sim… se ela tivesse uns 13 anos, eu diria que não, mas com 17 acho que sim.”

O que rendeu um “humpf” e reprimenda do outro professor na sala (doutorado na Bélgica etc.), que não gostou da minha aparente desconfiança quanto à capacidade de leitura ou intelectual de adolescentes de 13 anos.

Tive que me justificar: “Não é por capacidade. Só acho que alguém de 13 anos tem mais chance de considerar chata uma história em que a autora analisa a relação com a mãe com base em teoria psicanalítica.” Ou seja, que não só existem quadrinhos para faixas etárias variadas mas que, por conseguinte, alguns deles não são atraentes para o público infantojuvenil.

Em resposta, levei outro “humpf”. A discussão nunca acaba.

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