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Brasil terá ‘Bridget Jones 3′ já em novembro

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Publicado na Veja on-line

Após treze anos sem novidades, a personagem Bridget Jones está de volta à literatura pelas mãos de sua criadora, Helen Fielding. A terceira parte da série sobre a solteirona atrapalhada está sendo escrita e chegará às livrarias em novembro, mesmo mês de lançamento em português no Brasil, pela editora Paralela, selo comercial da Companhia das Letras.

A narrativa, que conquistou o público ao retratar sem pudores o cotidiano da jornalista londrina sem sorte no amor e nas dietas, nasceu em uma coluna escrita por Helen em um jornal do Reino Unido na década de 1990, e mais tarde deu origem ao livro O Diário de Bridget Jones, de 1996.

O sucesso da obra levou à continuação Bridget Jones: o Limite da Razão, de 1999. Juntos, os livros venderam mais de 15 milhões de exemplares, foram publicados em 40 países e ganharam duas adaptações para o cinema, com Renée Zellweger no papel principal, e Hugh Grant e Colin Firth como Daniel Cleaver e Mark Darcy, respectivamente.

Segundo Helen, o novo episódio trará uma fase diferente na vida da protagonista, que agora tem mais de 40 anos e ainda vive dilemas parecidos, como a eterna vontade de perder peso e suas tentativas frustradas de parar de beber e fumar. Em entrevista à rádio BBC, a autora disse que costuma rir muito enquanto escreve, e espera que os leitores se divirtam tanto quanto ela.

Ao falar sobre o famoso cabeçalho dos capítulos, que trazia informações sobre quantos cigarros a personagem havia fumado, ou quantas calorias havia perdido, a escritora disse que novos itens mais modernos serão adicionados, como a quantidade de seguidores no Twitter.

A fase informatizada também deve trazer influências sobre a vida amorosa de Bridget. Helen se diz interessada por amores virtuais e sobre como pessoas conseguem ter relacionamentos inteiros através de mensagens escritas e se sentirem emocionalmente satisfeitas. Vale avisar que o retorno dos dois grandes amores da protagonista, Daniel e Mark, não está confirmado.

Atualmente, um terceiro filme de Bridget Jones está sendo produzido com Renée Zellweger e Hugh Grant no elenco, porém a história não será baseada no livro que está por vir, e sim em alguns dos contos antigos da escritora. O longa está previsto para estrear em 2014.

Troca de poema de Caio Fernando Abreu por música de Gilberto Gil adia publicação

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Marco Rodrigo Almeida, na Ilustrada

A notícia atiçou a curiosidade de leitores no final do ano passado: finalmente a poesia de Caio Fernando Abreu (1948-1996) seria reunida em livro.

Análise: Versos retratam ressaca que se deu sobre a geração de Caio Fernando Abreu

Quando morreu, aos 47 anos, Caio já era um autor consagrado de dezenas de contos, dois romances, crônicas, peças de teatro e artigos para jornais e revistas.

E também de centenas de poemas. Mas, fora um ou outro verso, Caio nunca publicou sua produção poética, desconhecida mesmo por fãs e especialistas em sua obra.

O escritor Caio Fernando Abreu - Folhapress

O escritor Caio Fernando Abreu – Folhapress

Em novembro, essa faceta oculta do escritor esteve prestes a vir à tona. A editora Record anunciou que no dia 30 chegaria às livrarias o livro “Poesias Nunca Publicadas de Caio Fernando Abreu”.

Organizado pelas pesquisadoras Letícia da Costa Chaplin e Márcia Ivana de Lima e Silva, o livro, que nasceu como tese de doutorado de Chaplin, traria 116 poemas.

O título chegou a ser distribuído para a imprensa, mas, poucos dias depois, a editora cancelou a distribuição dos 3.000 exemplares para as livrarias. Alegou apenas que a atitude foi tomada em “virtude de um erro editorial”.

Se o livro tivesse sido publicado, não seria difícil para um fã de MPB detectar o erro: a página 49 trazia, como se fosse poema de Caio, a letra de “Barato Total”, de Gilberto Gil.

Os versos da canção foram localizados pelas organizadoras em um diário de Caio de 1976. Ao lado da letra há rostos de mulheres desenhados com caneta preta. Um deles seria o retrato da cantora Gal Costa, que gravou a música no disco “Cantar” (1974).

Procuradas pela reportagem, as organizadoras não responderam aos recados até o fechamento desta edição.

A Record informou que o livro está em processo de análise e que uma edição corrigida será lançada. A data ainda não foi definida.

Paula Dip, autora da biografia “Para Sempre Teu, Caio F.” (ed. Record), vai revisar o livro. Ela conta que proporá a substituição de “Barato Total” por um poema que não integrava a versão recolhida e o acréscimo, na introdução, de um texto que explique o erro.

Além disso, Dip quer incluir as palavras que as organizadoras não conseguiram identificar nos manuscritos originais e que aparecem no livro com a legenda “palavra ilegível”.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

VERSOS OCULTOS

Os manuscritos dos poemas de Caio estão hoje na PUC -RS, em Porto Alegre, que mantém seu acervo. A maior parte do material foi doada pelo amigo e diretor de teatro Luciano Alabarse; o restante estava em diários com a família.

O material a que as organizadoras tiveram acesso mostra que ele escreveu poesia durante toda a carreira. Os primeiros versos são de 1968, o último, de 1996. Curiosamente, o autor nunca manifestou intenção de publicá-los.

“Ele era muito perfeccionista. Dizia ‘não sou poeta, escrevo poesia muito mal’. Ele se via mesmo como contista”, diz Dip, que foi amiga do autor.

Apesar disso, seus contos e poemas têm forte ligação. Nos dois casos sobressaem temas como a solidão e o desencanto. As referências musicais são outro ponto em comum.

Caio usou trechos de letras de Caetano Veloso e citou músicos como Tom Jobim em alguns poemas. À intérprete de “Barato Total” ele dedicou, além de desenho no diário, um verso do poema “Rômulo”: “Fomos ver o show da Gal cantando deixa sangrar”.

Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida?

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Bruna Chagas, no Livros e Afins

Certa vez, uma professora muito querida de semiótica, na empolgação da aula, parou alguns instantes, olhou para a turma e contou uma situação que nunca mais me saiu da cabeça: um casal de amigos se casou por causa de Fernando Pessoa. É isso mesmo. O rapaz se apaixonou pela moça assim que ela declamou o enorme, porém belíssimo, poema Tabacaria, do heterônimo Álvaro de Campos, só que num lugar bastante inusitado: um bar, no meio daquela agitação maluca, música alta, bebida, muita gente. Eles se descobriram enamorados e desde lá nunca mais se separaram.

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A história parece até simples e seria algo fácil se Tabacaria fosse apenas um soneto, mas não é bem assim. Não é pelo tamanho do poema que se pode dar o crédito ao poeta (ele tem mais de 15 versos e está no final do post). E sim pela qualidade da poesia contida naquele texto. Os poemas de Pessoa são instigantes, misteriosos e vão além de qualquer poema já lido antes. E, por isso, pelas intervenções da sua poesia, foi possível levantar essa questão: como o poeta de Orpheu poderia mudar a sua vida?!

Vamos aos fatos: Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um poeta singular, um dos maiores gênios literários que já caminhou neste mundo. Nasceu em Lisboa em 13 de junho de 1888 e morreu em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935. Foi jornalista, tradutor e crítico literário. Fundou a revista Orpheu em 1915 e teve como grande amigo Mário de Sá Carneiro. Mas nada foi tão importante quanto a criação de vários poetas ao mesmo tempo.

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Os heterônimos (não são pseudônimos) foram sua maior contribuição para a humanidade, cada um com sua biografia, traços diferentes de personalidade e ainda características literárias distintas. Cada heterônimo possui seu próprio mundo, representando o que angustiava ou encantava o seu autor. Foram cerca de 72 heterônimos, mas em 2011, o biógrafo brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho revelou que na verdade são 127 ao todo. Os três mais importantes e significativos são:

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Alberto Caeiro (meu preferido) é o mestre de todos os heterônimos. Nasceu em 1889, mas não era formado, só tinha o primário. É o poeta que pensa com os sentidos. Por isso, sensacionista. É poeta do campo, das coisas mais simples e belas do mundo. Para ele o mundo não encerra mistérios, como Deus, metafísica, “sentido último das coisas”. Nada disso importa. As coisas são apenas as coisas. E é esta realidade pura, sem símbolos que constitui a sua criação. Segue um trecho do Guardador de Rebanhos: (mais…)

Autopublicação se multiplica no Brasil, onde best-sellers ainda são exceção

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Um fenômeno interessante perdurou por um ou dois dias em dezembro, quando a Amazon estreou no Brasil.

No primeiro lugar da lista de mais vendidos da loja virtual não estavam “50 Tons” nem “O Hobbit” nem nenhum título vendido a menos de R$ 5. Naquele glorioso período, o topo pertenceu a “Organizando a Vida com o Evernote”, de Vladimir Campos, vendido a cerca de R$ 15.

Pelo tema, um tanto restrito (Evernote é, grosso modo, um programa para guardar anotações on-line), o ocorrido já seria digno de nota, mesmo considerando que as vendas da Amazon não começaram tão expressivas no geral. Mas isso é só parte dessa história.


Eduardo Spohr, 36. Vendeu 4.500 cópias de seu livro de estreia, “A Batalha do Apocalipse”, antes de publicar o mesmo título pela Verus, onde já passou dos 400 mil.
Campos lançou o e-book de forma independente. Formatou-o sozinho, pôs nas lojas virtuais e divulgou na rede. Em um mês e meio, vendeu mais de 1.400 cópias. Esse é um retrato recente de um movimento tradicional que, no mundo todo, vem sendo impulsionado pelas facilidades da internet: o da autopublicação de autores.Mas é também, no que diz respeito ao Brasil, uma exceção. Enquanto nos EUA as listas de best-sellers andam dominadas pelos “self-published” –nomes como E.L. James e Amanda Hocking surgiram assim–, por aqui eles quase nunca passam das dezenas de cópias vendidas.Os números do Clube de Autores, um dos maiores sites de autopublicação do país, dão a dimensão da distância entre a iniciativa de se publicar e a glória literária.

O site foi criado em 2009 como uma plataforma em que, sem precisar pagar nada, qualquer um pode formatar seu livro e colocá-lo à venda, como e-book ou em papel –neste caso, para impressão sob demanda, feita a cada vez que alguém compra o livro.

Em menos de quatro anos, o Clube de Autores lançou 21 mil títulos. É mais de dez vezes o que a Record, a editora que mais publica no país, pôs no mercado no período.

TRANSTORNO

Obras de ficção e poesia são as mais recorrentes no site, mas o best-seller é um estudo do transtorno de personalidade limítrofe, “Sensibilidade à Flor da Pele”. Escrito pela tradutora Helena Polak, 68, vendeu cerca de 1.500 cópias em três anos.

“Meu objetivo nunca foi ganhar dinheiro. Só queria compartilhar o que aprendi, inclusive lendo títulos estrangeiros, depois de conviver com alguém que sofre do transtorno”, diz a autora.

Sites como o Clube de Autores e o mais recente PerSe –que tem cadastrados pouco mais de mil títulos– permitem ao autor escolher o quanto quer ganhar por unidade vendida. Se quiser ganhar R$ 5 a cada venda, por exemplo, o livro custará em torno de R$ 23 na PerSe.

Antes dos sites e da chegada dos livros digitais, quem quisesse bancar uma edição sozinho precisaria desembolsar uns milhares de reais.

Foi o que aconteceu com André Vianco, 38, o autor mais bem-sucedido do país dentre os que começaram como independentes. Em 2000, investiu R$ 8.000 na impressão da fantasia “Os Sete”.

“Precisei visitar cada livraria, convencer cada livreiro. Não existia nem Google direito para vender meu peixe.” Hoje Vianco é publicado por duas editoras, a Novo Século e a Rocco, e seus 13 livros já venderam 935 mil cópias.

O também autor de fantasia –gênero pródigo da autopublicação– Eduardo Spohr, 36, conheceu esse cenário num segundo momento.

Em 2007, depois de dois anos procurando editora para “A Batalha do Apocalipse”, imprimiu uma tiragem pequena por conta própria. Mas naquela época blogs especializados já eram fenômeno, e os leitores que o conheciam do Jovem Nerd garantiram a compra de 4.500 cópias.

A internet foi o caminho para a descoberta –a editora Verus, do grupo Record, logo notou o potencial. Reeditado em 2010, “A Batalha do Apocalipse” já teve 400 mil exemplares vendidos.

Foto: Ana Carolina Fernandes/Folhapress

Lição das prostitutas ao Brasil

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

As prostitutas de Belo Horizonte que, como noticiou a Folha, começam a estudar inglês para receber os turistas para a Copa do Mundo, são uma interessante lição ao Brasil.

Uma das mais consistentes mudanças na paisagem social brasileira é como as pessoas mais pobres estão descobrindo a educação e demandando mais repertório cultural. Basta andar pelas favelas e periferias, vendo o número de pessoas interessadas em fazer cursos profissionalizantes, técnicos e superior.

Daí se entende a explosão dos cursos à distância mais baratos –é a modalidade que mais cresce, e de longe, em ensino superior. É crescente o sucesso na internet de videoaulas gratuitas. Há sites ganhando milhões de leitores apenas traduzindo essas aulas para o português.

Estou cada vez mais convencido de que se o país conseguir disseminar a inclusão digital com esses novos materiais, o país dará um salto educacional –mesmo sem ter mudado radicalmente suas escolas públicas.

Afinal, há uma vontade de aprender –e as prostitutas de BH simbolizam isso– com materiais pedagógicos cada vez mais baratos e eficientes.

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