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Posts tagged Pensadores

5 livros para quem gosta de pensar “fora da caixa”

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Josie Conti, no Conti Outra

As convenções sociais e obrigações diárias te deixam entediado (a)? Nem todas as pessoas são capazes de entender as suas piadas? Você é aquele tipo de pessoa que sempre enxerga a realidade por um terceiro e quarto ângulo?

Os livros e escritores mencionados abaixo oferecem diferentes olhares sobre as realidades com as quais estamos acostumados. Confesso que eles fizeram parte de horas muito interessantes dentre as minhas leituras dos últimos anos. Tente acompanhá-los!

1Fora de Série – Outliers

Malcom Gladwell

O que torna algumas pessoas capazes de atingir um sucesso tão extraordinário e peculiar a ponto de serem chamadas de ‘fora de série’? Costumamos acreditar que trajetórias excepcionais, como a dos gênios que revolucionam o mundo dos negócios, das artes, das ciências e dos esportes, devem-se unicamente ao talento. Mas neste livro você verá que o universo das personalidades brilhantes esconde uma lógica muito mais fascinante e complexa do que aparenta.

Baseando-se na história de celebridades como Bill Gates, os Beatles e Mozart, Malcolm Gladwell mostra que ninguém ‘se faz sozinho’. Todos os que se destacam por uma atuação fenomenal são, invariavelmente, pessoas que se beneficiaram de oportunidades incríveis, vantagens ocultas e heranças culturais. Tiveram a chance de aprender, trabalhar duro e interagir com o mundo de uma forma singular. Esses são os indivíduos fora de série – os outliers.

Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo disso. Outro dado surpreendente apontado pelo autor é o fato de que, para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade e se tornar alguém altamente bem-sucedido, são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática – o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. Aqui você saberá também de que maneira os legados culturais explicam questões interessantes, como o espantoso domínio que os asiáticos têm da matemática e o fato de o número de acidentes aéreos ser significativamente mais alto nos países onde as pessoas se encontram a uma distância muito grande do poder.

1Freakonomics – O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta

Stephen J. Dubner; Steven D. Levitt

O livro-destaque do ano, segundo o New York Times.

Considerado o melhor livro do ano pelo The Economist, pela New York Magazine, pela Amazon.com e pela Barnesandnoble.com
Vencedor – Prêmio Quill 2005 para o melhor livro do ano sobre negócios
Finalista ? Prêmio Financial Times/Goldman Sachs para o melhor livro do ano sobre negócios

“Se fosse economista, Indiana Jones seria Steven Levitt… Um caçador de tesouros ímpar, cujo sucesso se deve à sua verve, coragem e ao seu menosprezo pela sabedoria convencional… Freakonomics se parece com uma história de detetive… Fiz força para descobrir nele algo do que reclamar, mas desisti. Criticar Freakonomics seria como falar mal de um sundae de chocolate. A cereja do arremate, Stephen Dubner… nos faz rir num momento e levar um susto em seguida. O senhor Dubner é uma pérola das mais raras”.
(Wall Street Journal)

“Freakonomics é um livro esplêndido, cheio de detalhes históricos improváveis, porém impressionantes, que diferencia o autor da massa de cientistas sociais em voga”.
(New York Times)

“O cara é interessante! Freakonomics cativa e é um livro sempre interessante, rico em sacadas, cheio de surpresas… [e] abarrotado de idéias fascinantes”. Washington Post Book World “Levitt utiliza ferramentas estatísticas simples, mas elegantes. Chega ao âmago da questão e escolhe tópicos fascinantes. Todos os cientistas sociais deveriam indagar de si mesmos se os problemas em que estão trabalhando são tão interessantes ou importantes quanto os abordados neste livro fantástico”.
(Los Angeles Times Book Review)

1A arquitetura da felicidade

Alain de Botton

De Botton acredita que o ambiente afeta as pessoas de tal modo que não seria exagero dizer que a arquitetura é capaz de estragar ou melhorar a vida afetiva ou profissional de alguém. Uma de suas teses é a de que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo.

Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como elas poderiam idealmente ser.

O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes. Seguindo esse raciocínio, o autor conclui nesta obra que quando alguém acha bonita determinada construção, é porque a arquitetura reflete os valores de quem a elogia. Pode até mesmo expor as idéias de um governo. Cada obra de arquitetura expõe uma visão de felicidade.

Nota da página: Infelizmente esse livro está esgotado. Esperamos que haja uma nova edição em breve.

1Rápido e devagar: duas formas de pensar

Daniel Kahneman

Eleito um dos melhores livros de 2011 pelo New York Times Book Review.

O vencedor do Nobel de Economia Daniel Kahneman nos mostra as formas que controlam a nossa mente em Rápido e devagar, as duas formas de pensar: o pensamento rápido, intuitivo e emocional e o devagar, lógico e ponderado.

Comportamentos tais como a aversão á perda, o excesso de confiança no momento de escolhas estratégicas, a dificuldade de prever o que vai nos fazer felizes no futuro e os desafios de identificar corretamente os riscos no trabalho e em casa só podem ser compreendidos se soubermos como as duas formas de pensar moldam nossos julgamentos.

Daniel nos mostra a capacidade do pensamento rápido, sua influência persuasiva em nossas decisões e até onde podemos ou não confiar nele. O entendimento do funcionamento dessas duas formas de pensar pode ajudar em nossas decisões pessoais e profissionais.

1Contestadores

Edney Silvestre

A obra reúne entrevistas de grande profundidade com pensadores e celebridades, divididas nas categorias – boxeadores, tempestuosos, cordiais, militantes e visionários. Entre eles Norman Mailer, Camille Paglia, Paulo Francis, Noam Chomsky, Salman Rushdie, Edward Albee, Nan Goldin, Gloria Steinen e Paulo Freire

A rotina diária de escritores famosos

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Anastácia Ottoni, no Literatortura

“Um escritor que espera por condições ideais para trabalhar
vai morrer sem colocar uma palavra no palavra no papel.”

Trabalhar com a escrita é “ter dever de casa para sempre”, como diria o personagem de Californication; e, de fato, para aqueles que pensam que escrever é um ofício que não poderia ser considerado trabalho – com T maiúsculo -, saibam que o desgaste intelectual no processo é enorme, e cansa, como cansa ficar horas a fio buscando as palavras exatas para se colocar em sequência.

Dito isto, conheça a rotina que grandes pensadores e autores criaram para conseguir escrever sem depender da tão chamada inspiração.

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Simone de Beauvoir, grande pensadora existencialista e feminista, também precisou criar uma rotina que lhe favorecesse a escrita:

“Estou sempre com pressa de começar, embora em geral não goste de começar o dia. Primeiro preciso tomar chá e, por volta das dez, começo a escrever e trabalho até a uma da tarde. Então, vejo os meus amigos e depois, às cinco, volto ao trabalho e continuo até as nove. Não costumo perder o fio da meada.”.

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Ray Bradbury, autor de obras como Fahrenheit 451, de forma brincalhona responde a uma pergunta sobre rotinas literárias numa entrevista feita em 2010:

“Minha paixão me leva até a máquina de escrever todos os dias da minha vida; e tem me levado a ela desde os meus doze anos. Não preciso me preocupar com uma agenda. Alguma coisa nova está sempre explodindo em mim e isso me programa, não eu. Essa coisa diz: Vá para a máquina de escrever agora mesmo e termine isso. […] Posso trabalhar em qualquer lugar. Escrevi em quartos e salas enquanto morava com os meus pais e meu irmão na pequena casa em Los Angeles, onde cresci. Trabalhava na máquina de escrever na sala, com o rádio ligado e com minha mãe, meu pai e meu irmão conversando ao mesmo tempo. Mais tarde, quando quis escrever Fahrenheit 451, eu fui para a UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e encontrei no porão um quarto para digitação, onde, se você colocasse dez centavos na máquina de escrever, você tinha trinta minutos para digitar.”.

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Joan Didion, autora norte-americana, cria para si um período de encubação de ideias, como disse na entrevista de 1968:

“Eu preciso de uma hora sozinha antes do jantar com uma bebida para repassar o que escrevi no dia. Não consigo fazer isso à tarde, pois ainda estou perto demais. Inclusive, a bebida ajuda. Ela me tira das páginas. Uso esse momento para tirar e colocar coisas novas no escrito. Então, começo o dia seguinte refazendo tudo o que fiz no anterior, seguindo anotações. Quando estou trabalhando realmente, não gosto de sair de casa ou receber ninguém no jantar porque assim perco minha hora. Se eu não tiver meu momento, começarei o dia seguinte com páginas mal escritas e sem nenhum caminho a seguir. Ficarei melancólica. Outra coisa que preciso fazer, quando estou próxima ao fim do livro, é dormir no mesmo quarto que ele. Esse é o motivo para eu ir para Sacramento quando quero terminar coisas. De alguma forma, o livro não lhe deixa quando você dorme perto dele. Em Sacramento ninguém liga se eu dou as caras ou não, então posso acordar e começar a escrever.”

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Hemingway, conhecido por escrever em pé, gostava de uma rotina diurna:

“Quando estou trabalhando em um livro ou história, escrevo toda manhã assim que surge o primeiro feixe de luz. Não há ninguém para te perturbar e faz frio, e você começa a escrever e o trabalho te esquenta. […] Você escreve até chegar num momento em que ainda está bem inspirado e sabe o que vai acontecer em seguida, e você para e tenta viver até o próximo dia quando você é pego pela escrita novamente. Digamos que você começou às seis da manhã, e irá continuar escrevendo até a tardinha, ou pouco antes disso. Quando você para, você está vazio e, ao mesmo tempo, nunca vazio e sim preenchido. Como se tivesse feito amor com alguém que ame. Nada pode te machucar, nada pode acontecer, nada significa nada até o próximo dia quando você o fizer de novo. É a espera até o próximo dia de escrita que é difícil.”

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Maya Angelou, grande poeta e autora norte-americana, disse certa vez:

“Escrevo pela manhã e por volta do meio dia vou para casa e tomo um banho, porque a escrita como você conhece é um trabalho difícil; você precisa fazer uma limpeza dupla. Então vou às compras – sou uma cozinheira de mão cheia – e finjo ser normal. — Bom dia! Bem, muito obrigada, e você? E volto para casa. Preparo o jantar para mim, e se tiver visitas, coloco velas e uma bela música. Quando toda louça é deixada de lado, eu leio o que escrevi pela manhã. Geralmente, das nove páginas escritas, consigo salvar duas e meia, ou três. É o momento mais cruel, sabe, ter que admitir que não deu certo. Quando termino cinquenta páginas e as leio – cinquenta páginas aceitáveis – não está tão ruim. Tive o mesmo editor desde 1967. Muitas vezes ele me perguntou durante esses anos, por que você usa um ponto e vírgula no lugar de uma vírgula? E muitas vezes durante esses anos eu lhe disse coisas como: Nunca mais falarei com você. Adeus. Para sempre. Isso é tudo. Muito obrigada. E vou embora. Então releio o trecho e penso em sua sugestão, e lhe envio um telegrama dizendo: OK, você está certo, e daí?”.

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E.B. White, autor de Stuart Little e Charlotte’s Webb, era cético quando o assunto era inspiração:

“Nunca ouço musica quando estou trabalhando. Não tenho esse tipo de atenção, e não gostaria [de ouvir música] de qualquer forma. Por outro lado, consigo trabalhar de forma decente com distrações comuns. Minha casa tem uma sala que é o coração de tudo: é uma passagem para o sótão, para a cozinha, para o telefone. Há muita movimentação. Mas é um local iluminado e agradável, e geralmente uso esse espaço para escrever, apesar do carnaval que acontece ao meu redor. Uma garota varrendo por baixo da minha mesa de escrita nunca me incomodou realmente, nem me desconcentraria, a não ser que a garota fosse particularmente bonita, ou particularmente desastrada.”

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Jack Kerouac quase fazia um ritual:

“Já tive um ritual de acender uma vela e escrever sob sua luz, e assoprá-la assim que tivesse terminado pela noite… Ajoelhar-me e rezar antes de começar a escrita (acabei pegando isso de um filme francês sobre George Frideric Handel)… Mas agora eu simplesmente odeio escrever.”

E então acrescenta, a respeito da melhor hora e lugar para a escrita:

“Na mesa do quarto, perto da cama com uma boa iluminação, meia noite até a madrugada, uma bebida quando estiver cansado, de preferência em casa, mas se não tiver uma casa, faça uma casa do seu hotel: paz.”

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Henry Miller, em 1932, sob uma sessão intitulada Rotina Diária, mostrou pequenas anotações que incluíam seus 11 mandamentos da escrita:

MANHÃ:

Se grogue, fazer anotações como estímulo.
Se em bom estado, escrever.

TARDE:

Trabalho dos capítulos em mãos, seguir planos de capítulos escrupulosamente.
Sem intrusão, sem distrações.
Escrever para terminar um capítulo de cada vez, para o bem.
NOITE:
Encontrar amigos, ler em cafés.
Explorar lugares desconhecidos — a pé se chovendo, na bicicleta se seco.
Escrever, caso estiver no clima, mas apenas coisas pequenas.
Pintar se vazio ou cansado.
Fazer anotações. Fazer gráficos, planos. Fazer correções.

Nota: Dê tempo suficiente durante o dia para fazer visitas ocasionais ao museu ou a um rabisco ocasional, ou a um passeio de bicicleta ocasional. Rabiscos em cafés e trens e ruas. Corte os filmes! Livrarias para referências uma vez na semana.

Você também possui uma rotina de escrita? Compartilhe conosco nos comentários.

“É mais difícil ser intelectual no Brasil do que na França”, avalia Muniz Sodré

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Alexandre Gaioto no O Diário

Muniz Sodré está com um copo de cerveja na mão – vez ou outra, faz uma pausa para bebericar a caipirinha à base de Velho Barreiro – e pela primeira vez na nossa conversa hesita em iniciar a resposta imediatamente. Espera. Toma outro gole de cerveja.

Olha para a mesa ao lado, onde imortais da Academia Brasileira de Letras saboreiam um farto churrasco – sem vergonha de repetir as fartas pratadas –, observa João Bosco cantando “Kid Cavaquinho” com um grupo de samba ao nosso lado, dá uma geral, o sorriso nos lábios, no salão de festas do prédio onde mora, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Eu havia perguntado, um minuto antes, como, afinal de contas, ele gostaria de ser lembrado daqui a uns 80 anos.

"É mais difícil ser intelectual no Brasil do que na França", avalia Muniz Sodré - Divulgação

Um dos maiores intelectuais da América Latina? Um jornalista? Um escritor? Apontando para um cabeludo de manga cavada, bermuda e chinelo, com um violão a tiracolo, o aniversariante do dia finalmente responde: “Coloca aí que eu quero ser lembrado como o aluno de violão dele”, e disse o nome inteiro daquele seu colega de UFRJ, um jovem professor da área de comunicação, estendendo-me o copo de cerveja para um brinde.

 

Quatro anos depois desse encontro, Muniz Sodré continua o mesmo. Lutando contra a própria sombra, ele esperneia, nega e faz de tudo para não aceitar o que, de fato, é: um gênio.

“Não sou um dos maiores intelectuais de lugar nenhum”, rechaça, em entrevista por e-mail concedida nesta semana ao Diário.

Com mais de três dezenas de livros teóricos sobre comunicação e cultura, além de uma produção paralela voltada para a literatura, com contos, novelas e um romance, Muniz Sodré, aos 71 anos, é um dos pensadores brasileiros com maior trânsito no exterior, com cursos ministrados na Europa, Estados Unidos e América Latina.

Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, mestre em Sociologia da Informação e Comunicação na Université de Paris IV (Sorbonne) e doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve seus livros traduzidos na Itália, Espanha, Bélgica, Cuba e Argentina.

Pelo menos duas de suas obras, “A Comunicação do Grotesco: Introdução à Cultura de Massa no Brasil” (1983) e “Antropológica do Espelho” (2002), são canônicas para quem se mete a teorizar a comunicação e o jornalismo: refletidas, parafraseadas e citadas por deus e o mundo.

Amigo pessoal de Jean Baudrillard, Caetano Veloso, João Ubaldo Ribeiro e Gilberto Gil – por quem foi convidado à presidência da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, cargo exercido de 2005 a 2011 -, Muniz Sodré causa espantos: é assustador assisti-lo em minuciosas costuras teóricas da antropologia com filosofia, comunicação, história, sociologia, literatura, em livros e palestras.

Professor da ECO/UFRJ, Muniz Sodré desembarca em Maringá (100 km de Londrina) nesta sexta-feira (19) à noite para falar sobre educação, numa palestra promovida pela Sociedade Médica, no Teatro Calil Haddad, com entrada grátis.

Antes, conversou com o Diário sobre seus livros e avaliou sua trajetória – que, certamente, será lembrada, daqui a uns 80 anos, por uma porção de contribuições ao pensamento científico e à literatura, mas dificilmente há de se resumir às lições de violão com o professor universitário, cabeludo e de manga cavada, do início deste texto.

O DIÁRIO – O senhor é considerado um dos maiores intelectuais da América Latina. O que acha disso?

MUNIZ SODRÉ Não, não é questão de modéstia, mas não sou considerado um dos “maiores intelectuais” de lugar nenhum. Sou um professor da área de comunicação e de cultura nacional que escreveu livros ainda circulantes no mercado editorial e em círculos restritos, principalmente entre os ativistas negros. O Brasil é um país linguisticamente isolado, não nos leem nos países de língua hispânica…

Tenho circulado no exterior como conferencista, mas não creio em reconhecimento. Nem busco. O que acontece é que faço muitas conferências, dou entrevistas, e isso acaba redundando numa imagem pública que, no meu caso, não é das piores… Por que faço tudo isso? Porque acho que a função intelectual é a da fala pública ao lado da pesquisa privada. Conhecimento entesourado é coisa de mandarim.

Gostaria que comentasse a educação que você recebeu na escola pública. Como foi?

A minha educação sempre se deu em escolas públicas, que costumavam ser boas e, além do mais, democráticas. O ensino público é um dos esteios da convivência democrática das classes sociais. Não sei se poderia ter sido melhor. Na verdade, os professores que tive me foram fundamentais. Na escola pública, me iniciei nas línguas que atravesso (jamais tomei cursos particulares) e me preparei para outras, como o alemão, o russo e o árabe, que aprendi fora da escola. A língua portuguesa ensinada pela professora Helena Assis no colégio estadual de Feira de Santana até hoje está comigo.

(mais…)

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