Contando e Cantando (Volume 2)

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Bar tem drinks inspirados em livros que levam até algodão doce

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Drink Lolita leva tequila, Cointreau, xarope de açúcar, suco de limão, manjericão, xarope de canela e algodão doce. Fotos: Divulgação

Officina Restô Bar oferece uma lista de drinks que saíram das páginas de livros como Lolita, Dom Quixote e Anna Kariênina

Laura Beal Bordin, na Gazeta do Povo

A imaginação de quem lê pode levar para lugares que ninguém consegue explicar. Mas, já pensou em ver drinks que são “a cara” de diversas personagens da literatura internacional? O Officina Restô Bar tem uma lista de drinks que são inspirados em musas da literatura e levam os ingredientes mais diferentes – até mesmo algodão doce.

O bartender Zé Swaiger, o responsável pela criação dos coquetéis, conta que sempre foi ligado à arte e a literatura – muito antes de trabalhar como bartender – e resolveu unir as duas paixões na arte de fazer drinks. “Tento fazer isso dentro do bar, que sempre foi uma forma de reunir minha paixão pela literatura com o que eu faço agora”, explica.

A carta conta com pelo menos cinco personagens imortalizadas nas páginas dos livros que viraram drink – Lolita, de Vladimir Nabokov; Julieta, a romântica personagem de Shakespeare; Dulcineia, a musa inspiradora de Dom Quixote; Anita, inspirado na personagem real Anita Garibaldi; retratada no romance a Casa das Sete Mulheres e Anna Karenina, de Leon Tolstói.

Veja o que leva cada um dos drinks:



Para mergulhar o algodão doce – Lolita

De acordo com Swaiger, a adolescência da personagem Lolita inspirou esse drink, que leva um pedaço de algodão doce para mergulhar no coquetel. Ele leva tequila José Cuervo Silver, Cointreau, xarope de açúcar, suco de limão, manjericão, xarope de canela e algodão doce.

A romântica – Julieta

Apesar de ser uma tragédia, a personagem de Romeu e Julieta é considerada uma das mais românticas das homenageadas. Por isso, o drink vai em uma taça especial e leva até uma pétala de rosa. O coquetel leva gin Tanqueray, suco de limão, xarope de açúcar, espumante brut e caramelo de frutas vermelhas, produzido na própria casa.

A misteriosa – Dulcineia

O mistério da musa de Dom Quixote inspira esse drink, que leva até fumaça. “O espírito do homem sem lar que tem sempre um amor ideal dentro dele – e é por isso que o coquetel vem defumado envolto em fumaça, para criar uma áurea de místico”, disse Swaiger. O drink leva Whiskey Bulleit, licor Chambord, campari, purê de goiaba e xarope de açúcar.

O sabor da erva-mate – Anita

Inspirado em Anita Garibaldi, o drink é até servido em uma tradicional cuia de chimarrão e leva erva-mate, bebida tradicional do Rio Grande do Sul. “Eu queria valorizar a nossa história e a proximidade que nós temos com a personagem”, disse o bartender. O coquetel leva gin Amázzoni, suco de abacaxi com pepino e erva mate, xarope de açúcar.

Sabor soviético – Anna Kariênina

Uma das personagens mais emblemáticas da literatura mundial, Anna Kariênina, de Leon Tolstói, é homenageada neste drink, que tem uma representação feminina. O coquetel leva vodka, frutas vermelhas, abacaxi e licor de amêndoas – lembra muito o sabor tutti-frutti.

11 grandes livros que podem ser comprados por menos de R$ 20

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Vitor Paiva, no Hypeness

Em Por Que Ler Os Clássicos, o grande escritor italiano Ítalo Calvino define de mil formas o que é um clássico da literatura. “Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”, escreve Calvino, sugerindo que devemos não só ler os clássicos na juventude, como retornar a eles (sendo sempre uma nova leitura como uma primeira vez) em uma fase mais madura.

Ler pode ser visto como um exercício de linguagem, comunicação, de escrita, ético, estético, artístico, terapêutico, de autoconhecimento, de estudo, de empatia, de conhecimento da história e de expansão de consciência, de entendimento do mundo e da própria vida – e muito mais.

Antes mesmo de começar a ler, no entanto, levantar uma biblioteca e manter as prateleiras repletas de possibilidades de leitura pode, além de trabalhoso, ser bastante caro. Nada mais é barato nessa vida, e juntar o infinito de livros que gostaríamos – precisamos – para nos tornarmos quem sonhamos em ser pode nos custar uma pequena fortuna. Sabemos também, no entanto, que livros são mais importantes do que dinheiro, logo, para resolver tal dilema, separamos aqui 11 grandes livros, clássicos reconhecidos ou não, capazes de deixar Calvino orgulhoso, e que, inversamente proporcionais ao alto valor das letras em suas páginas, custam pouco dinheiro – a maioria menos de R$ 15, muitos em promoções abaixo de R$ 10, mas nenhum passando dos R$ 20.

São grandes obras em sua maioria reeditadas em coleções de bolso ou em versões menos luxuosas em seu acabamento (mas, nem por isso menos valiosas em seu conteúdo) mas que, quando lidas, seguem valendo mais do que qualquer tesouro. Para reunir essa fortuna crítica em sua casa sem precisar vender um estimado órgão de seu corpo, a pesquisa para feitura dessa seleção recorreu ao valor de venda virtual de coleções como Saraiva de Bolso, Companhia de Bolso e às edições especiais das editoras Penguin e L&PM.

Basta pesquisar em qualquer site de grande livraria para encontrar tais clássicos em edições especiais à venda por preços quase tão especiais quanto os próprios livros – e se preferir os e-books, os preços são ainda mais baratos. Alguns livros, especialmente os mais antigos, foram lançados por mais de uma editora, e podem apresentar variações de preço – logo, a pesquisa por preços ainda melhores pode ser frutífera. Com o passar do tempo os preços aqui dispostos podem mudar, assim como promoções podem ser encerradas.

1. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust

Um dos maiores (literal e criticamente) romances da literatura universal, Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, é dividido em 7 volumes. Naturalmente que o valor dos 7 livros, se comprados ao mesmo tempo, superam os preços estimados aqui – mas em algumas coleções cada volume é vendido por cerca de cinco reais, para se adentrar em um dos mais densos mergulhos literários possíveis – uma leitura para uma vida inteira.

2. A Grande Arte, de Rubem Fonseca

Brutal, violento, marginal, crítico e brilhante, o brasileiro Rubem Fonseca, reconhecido como autor de grandes obras policiais, encontra para muitos seu auge em A Grande Arte. Se valendo do usual universo do assassinato para debater sobre o dilema entre “alta arte” e “literatura de massas” (e o próprio romance policial), Fonseca criou, assim, uma obra-prima.

3. Orlando, de Virginia Woolf

Um dos mais complexos e estudados personagens da literatura universal, Orlando, de Virginia Woolf, debate com graça, lirismo e profundidade questões como as noções de gênero, o tempo e principalmente a sexualidade humana (e os dilemas entre o feminino e o masculino) com a genialidade da escrita de Woolf em uma narrativa impressionantemente corajosa para um livro publicado em 1928. Filosófico, crítico, bravo e luminoso, Orlando é uma profunda declaração de amor – inclusive à própria literatura.

4. Sagarana, de João Guimarães Rosa

Primeiro livro publicado do brasileiro João Guimaraes Rosa, Sagarana apresenta a dimensão de sua genialidade em nove contos imortais. Já trazendo o universo do sertão, dos vaqueiros, jagunços, seus dilemas e sentimentalidades e principalmente sua linguagens – trazendo a oralidade marcante e a escrita brilhante de Rosa como um dos pontos altos da literatura do século XX.

5. A Legião Estrangeira, de Clarice Lispector

Reunindo 13 contos do impressionante repertório de Clarice Lispector, A Legião Estrangeira traz alguns dos contos que colocam a autora no olimpo dos contistas em todo o século XX. O cotidiano e as relações humanas mundanas são reveladas de forma elegante e assombrosa pela pena de Clarice, em uma permanente tensão que parece nos levar às epifanias mais profundas sobre nós, o outro, o mundo.

6. A Teus Pés, de Ana Cristina César

Reunindo o único livro lançado por Ana Cristina César em vida por uma editora comercial, A Teus Pés traz poemas inéditos ao lado de Cenas de Abril, de 1979, Correspondência Completa, de 1979, e Luvas de Pelica, de 1980 – os três lançados previamente de forma independente. Ao mesmo tempo uma marca da época e profundamente atual, não é por acaso que Ana C. cada vez é celebrada como uma das mais importantes poetas e escritoras de sua geração, e A Teus Pés traz a marca definitiva de uma escritora imensa que nos deixou cedo demais.

7. A Morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstói

Reconhecida como uma das melhores e mais importantes novelas em todos os tempos, A Morte de Ivan Ilitch é considerada por muitos a obra-prima de Leon Tolstói – em uma obra que inclui clássicos como Anna Karenina e Guerra e Paz. Tolstói havia abandonado a literatura e rejeitado a própria obra para se dedicar à vida espiritual, e A Morte… representa a volta às letras de um dos maiores escritores em todos os tempos, para a realização de um dos mais impressionantes livros da história.

8. O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano

Como faz de modo geral em sua obra, o uruguaio Eduardo Galeano mergulha poeticamente no inconsciente sentimental e afetivo da América Latina através de pequenas histórias, coletadas em viagens ou imaginadas pelo autor. Através de tais pequenas memórias e diminutas narrativas O Livro dos Abraços traça uma delicada natureza da vida pelos olhos sensíveis do autor.


9. Os Sofrimentos do Jovem Werther, de J. W. Goethe

Um dos mais impactantes e escandalosos livros de todos os tempos, Os Sofrimentos do Jovem Werther, ao fundar o romantismo como uma das grandes obras-primas da história da literatura, impactou de tal forma o mundo à sua volta que a lenda reza que tenha provocado uma onda de suicídios em seus leitores. Para além da veracidade desse “efeito Werther”, o fato é que se trata de um dos mais incríveis romances sobre juventude, amor, sofrimento e desilusão já escritos.

10. Razão e Sentimento, de Jane Austen

Em Razão e Sentimento, Jane Austen nos leva a observar os costumes da Inglaterra do século XVIII, com as durezas e os sofrimentos velados de uma família, em especial as irmãs que, após a morte do pai, se veem sozinhas diante dos desafios da vida. Como o título sugere, os binômios da vida da época, que muitas vezes moldam ainda nossa moralidade hoje, atravessam as personagens em busca da experiência profunda do amor.

11. Frankenstein ou O Prometeu Moderno, de Mary Shelley

Foi de um pesadelo, em que viu um monstro criado pela ciência, que Mary Shelley criou uma das mais influentes obras da literatura moderna, dando vida a um personagem imortal: Frankenstein, uma criação verdadeiramente a frente de seu tempo. Shelley coloca em pauta, no início do século XIX, temas como a moral e a ética científica, a criação da vida por mãos humanas, a luta da ciência e do homem com a noção de deus, em uma escrita brilhante e assombrosa.

‘Mary Shelley’: O filme sobre a mulher que inventou Frankenstein

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O filme 
mostra 
o convívio de Mary Shelley com grandes personagens da literatura inglesa, incluindo o grande poeta Lord Byron, aqui apresentado como uma figura desprezível

 

A realizadora saudita Haifaa al-Mansour conta a história da autora britânica de um dos mais célebres livros de terror da literatura. Mary Shelley, um grito feminista com ecos na atualidade, já se estreou nas salas de cinema

Manuel Halpern, no Visão

Haifaa al-Mansour tornou-se conhecida por ser a primeira mulher saudita a realizar um filme. A sua longa-metragem de ficção O Sonho de Wadjda, estreada em 2011, era uma impressionante fábula social, retrato íntimo sobre a condição feminina numa sociedade ultramachista e fundamentalista. O filme, naturalmente, não foi rodado nas ruas de Riade, mas revela uma proximidade íntima e cúmplice com esse misterioso e impenetrável mundo dentro de portas das mulheres sauditas. Haifaa deixou de ter condições para viver no seu país de origem e foi acolhida nos Estados Unidos da América, prosseguindo a carreira de cineasta.

O maior espanto, aqui, é a inflexão temática. Ao segundo passo, Haifaa abandona totalmente o ambiente saudita e faz uma adaptação livre da biografia de Mary Shelley, escritora inglesa da primeira metade do século XIX, celebrizada por ser a autora de Frankenstein, ou o Prometeu Moderno (1818). É uma mudança tremenda. Uma produção de época, com uma comparativa infinidade de meios, e um contexto temporal e espacialmente distante d’O Sonho de Wadjda.

O filme é competente e emocionalmente cativante, mas sem grande deslumbre. A opção por um estilo mais próximo do mainstream desilude todos aqueles que pediam a Haifaa novas histórias do seu mundo escondido. Contudo, não há dúvidas de que nesta viagem no espaço e no tempo há também uma reflexão feminista. Mary Shelley é uma libertária fora da época, que viveu de forma escandalosamente livre para o seu tempo e logrou impor-se enquanto escritora numa sociedade em que as artes e as letras estavam praticamente vedadas às mulheres. Haifaa, vítima e heroína dos nossos tempos, encontra uma referência e uma inspiração numa heroína da Inglaterra do século XIX. Há uma identificação. E apesar da abissal diferença de meios e ambiente, desvenda-se uma linha, ou pelo menos uma lógica, de continuidade no trabalho de uma realizadora tão local quanto universal.

Escritores resgatam folclore brasileiro e renovam romances de época

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Os personagens Gerard van Oost e Oludara na ilustração de Jonathan ‘Jay’ Beard; ao lado, a partir da esquerda, Samir Machado de Machado, Enéias Tavares e Christopher Kastensmidt - Jonathan ‘Jay’ Beard / Divulgação

Os personagens Gerard van Oost e Oludara na ilustração de Jonathan ‘Jay’ Beard; ao lado, a partir da esquerda, Samir Machado de Machado, Enéias Tavares e Christopher Kastensmidt – Jonathan ‘Jay’ Beard / Divulgação

 

Obras misturam narrativas históricas com ficção científica, fantasia e aventura

Bolívar Torres, em O Globo

RIO — Saci-Pererê, Boitatá, Capelobo e outros seres míticos cruzam com nativos e colonizadores numa aventura pelo Brasil Colônia. Soldados do século XVIII enfrentam labirintos e assombrações em meio às Guerras Guaraníticas. Isaías Caminha, Simão Bacamarte, Vitória Acauã e outros personagens da literatura brasileira clássica se reúnem em um cenário urbano pós-abolição para desvendar o desaparecimento de um cientista acusado de assassinatos. As tramas dos escritores Christopher Kastensmidt, Samir Machado de Machado e Enéias Tavares seguem uma vertente cada vez mais em voga do romance de época nacional: misturar História e ficção fantástica, dando destaque a elementos do folclore nacional.

Os três têm presença confirmada na programação da 18ª Bienal do Livro do Rio. Tavares e Kastensmidt falam sobre suas experiências com a cultura brasileira na mesa “Sacis, lobisomens e os monstros da ficção brasileira!”, que acontece nesta terça, às 15h30m, no espaço Geek & Quadrinhos (Pavilhão 4). Já Machado participa da mesa “Literatura e História”, com Mary Del Priore, Alberto Mussa e Fabiano Costa Coelho, na quarta, às 19h30m, dentro da programação do Café Literário (Pavilhão 3). Ele também relança no Rio o seu “Quatro soldados”, um dos romances históricos mais elogiados dos últimos anos, na terça, a partir das 19h, na Livraria da Travessa (Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo). Originalmente publicado pela Não Editora em 2013, o livro acaba de ganhar uma nova edição da Rocco.

— Há uma tendência pós-Monteiro Lobato de retrabalhar o folclore brasileiro — opina Machado, também autor de “Homens elegantes” (Rocco), uma aventura de capa e espada LGBT. — Eu diria que é um potencial pop a ser renovado, resgatado dos limites da cultura infantil a que ficou confinado, e ressignificado como materialização de medos coletivos.

POTENCIAL POP

Desde 2007, Machado é editor da coleção “Ficção de polpa”, que publica contos de gêneros como terror, fantasia e ficção científica. Em “Quatro soldados”, porém, ele faz um mergulho no instável Brasil do século XVIII, com personagens tão perdidos quanto o projeto de nação do período. O território em que se movem os soldados do título é assombrado por forças estranhas, que os fazem passar pelas mais duras provas.

O autor levou oito anos para terminar o romance, pesquisando em dicionários do século XVIII para criar uma estética que se aproximasse do português falado na época. Unindo rigor histórico e narrativa aventuresca, volta-se tanto para estudiosos do passado quanto para jogadores de RPG.

— Escrevi o livro com a ideia de rever o folclore dentro de um contexto mais realista, de romance histórico — diz Machado. — O que me fez partir para uma abordagem mais próxima de criptozoologia. Foi um jeito de encontrar uma forma nova de olhar para isso.

Nascido nos Estados Unidos, mas radicado em Porto Alegre, Kastensmidt foi finalista do Prêmio Nebula (espécie de Oscar da literatura fantástica) com “O encontro fortuito de Gerard van Oost e Oludara”, primeira história de uma série ambientada no século XVI. Por meio da improvável amizade entre um explorador holandês e um guerreiro iorubá trazido ao Brasil contra a sua vontade, ele revisita a magia e os mistérios do nosso folclore, povoado por criaturas como Saci-Pererê, Boitatá, Pai do Mato, Capelobo, Mapinguari etc.

A saga de Oost e Oludara já virou um romance, uma HQ (com arte de Carolina Mylius e Ursula Dorada), e agora deverá ser transformada pelo autor em um jogo de tabuleiro e um RPG de mesa, no estilo “Dungeons & Dragons”. Samir Machado de Machado, que já trabalhou com Kastensmidt em um dos volumes da “Ficção de polpa”, define o projeto do colega como “um dos bestiários de folclore nacional mais completos desde Câmara Cascudo”. Rigoroso em sua pesquisa histórica, Kastensmidt calcula ter consultado mais de 200 livros.

— Trabalho com Brasil Colônia, que não é a época mais comum para fantasia histórica, mas que tem seus adeptos, como Walter Tierno e Marcus Achiles — explica o autor. — O gênero me deu retorno: resultou no meu conto mais premiado até aqui, e as histórias estão sendo adotadas em muitas escolas.

Saindo do cenário rural e selvagem para o urbano, com autômatos robóticos, zepelins e monóculos com lentes para outras dimensões, Enéias Tavares transformou os personagens de algumas das principais obras da literatura brasileira em detetives do início do século XX.


IDENTIDADE ASSUMIDA

Na série de fantasia “Brasiliana Steampunk”, ele criou uma espécie de “Liga Extraordinária” nacional com o jornalista Isaías de Lima Barreto, a feiticeira Vitória Acauã, de Inglês de Sousa, e o trio do “Cortiço” de Aluísio Azevedo: Rita Baiana, Leónie e Pombinha, entre outros.

Professor de Letras da Universidade de Santa Maria (RS), Tavares quis exorcizar sua experiência frustrante de aluno de ensino médio tornando o estudo da literatura brasileira “mais instigante”. Em 2014, aproveitando o interesse editorial para as audiências jovens e a boa receptividade dos professores, lançou o primeiro livro da série, “A lição de anatomia do temível Doutor Louison”, uma trama de mistério com pitadas de fantasia, aventura e ficção cientifica.

— No Brasil, ainda há uma certo receio de assumir quem nós somos — avalia Tavares. — O Christopher, o Samir e eu fazemos parte de um grupo que resolveu assumir a ambientação nacional com peito estufado. Queremos interpretar o Brasil, divulgar nossas coisas. Muitos escritores do Brasil estão falando sobre Paris e Londres, o que é legal, mas também é importante valorizar a identidade nacional.

12 adaptações literárias estreladas por Robin Williams

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Augusto Assis, no Cabine Literária

No último dia 11, o cinema perdeu um de seus maiores atros. Robin Williams tinha 63 anos e sofria de depressão, o que o levou a cometer suicídio. Em homenagem à sua brilhante carreira, separamos alguns de seus trabalhos que foram adaptações de obras literárias. Robin Williams incorporou muitos personagens da literatura, de comédias a livros cult.

Imagem: Reprodução / Patch Adams.

Imagem: Reprodução / Patch Adams.

1 – Popeye
A começar pelo filme do Popeye (1980) que era originalmente um personagem dos quadrinhos Thimble Theatre, apesar de ser mais conhecido pelo cartoon. Robin Willians interpretava o próprio marinheiro na comédia musical.

2 – Tempo de Despertar
O drama Tempos de Despertar (1990) trata sobre um hospital psiquiátrico onde todos os pacientes estão “adormecidos”. O doutor Malcolm Sayer, interpretado por Robin Williams, consegue o emprego para cuidar desses pacientes e acredita que pode reanimá-los. O filme é baseado na obra de mesmo nome do autor Oliver Sacks.

3 – Teatro dos Contos de Fada: Princesa e o Sapo
A série, exibida no Brasil pela TV Cultura, fez parte da infância da geração de 1990. Cada episódio era dedicado a um clássico da literatura infantil e, logo na primeira temporada, tivemos a história da princesa e seu príncipe sapo, cuja atuação do príncipe foi feita por Robin Williams

4 – Sociedade dos Poetas Mortos
Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.

5 – O Pescador de Ilusões
O filme de 1991 é uma comédia dramática sobre um radialista que desilude um ouvinte sobre uma mulher que ele conheceu em um bar. O ouvinte, por sua vez, vai até esse bar e mata seis pessoas. Após isso o radialista larga a carreira e se torna alcoólatra. Anos depois, ele conhece um mendigo que teve sua esposa assassinada no mesmo bar no mesmo dia e enlouqueceu após isso. Robin assume o papel do mendigo nesse longa baseado no livro de Anthony Powell.

6 – Hook – A Volta do Capitão Gancho
Aos quarenta anos Peter Banning (Robin Williams), que um dia já foi Peter Pan, é um homem tão envolvido com o trabalho que deixou de dar atenção à família e esqueceu a sua origem. Mas o Capitão Gancho (Dustin Hoffman) seqüestra seus filhos, obrigando-o a retornar a Terra do Nunca.

7 – Uma Babá Quase Perfeita
Daniel Hillard (Robin Williams), um homem separado, se disfarça de mulher e vai trabalhar como babá de seus filhos, se utilizando do nome de Sra. Euphegenia Doubtfire, com a intenção de participar mais intensamente na vida deles. Uma das comédias mais queridas do ator foi baseada num livro (sabia disso? pois é) com o mesmo nome pela autora Anne Fine.

8 – Jumanji
Jumanji é um filme americano de 1995 baseado no livro de mesmo nome, um livro infantil de 1982 escrito e ilustrado por Chris Van Allsburg. A história descreve um jogo de tabuleiro com temática da selva, onde animais reais e outros elementos aparecem magicamente assim que um jogador joga os dados. No filme, Robin faz o papel do personagem principal, Alan, que fica preso durante anos dentro do jogo.

9 – Hamlet
Robin Williams interpretou o nobre Orisco no filme de 1996 adaptado da obra de William Shakespeare.

10 – A Gaiola das Loucas
A Gaiola das Loucas é uma comédia estadunidense de 1996 dirigido por Mike Nichols e estrelado por Robin Williams com roteiro baseado em peça teatral de Jean Poiret.

11 – Patch Adams – O Amor é Contagioso
O filme estadunidense do gênero comédia dramática, dirigido por Tom Shadyac é baseado em livros e na vida de Patch Adams e Maureen Mylander. Após uma tentativa de suicídio e voluntariamente ser internado em um hospital psiquiátrico, Hunter “Patch” Adams descobre um belo dom de poder ajudar as pessoas usando o bom humor. O filme, de 1998, é estrelado por Robin Williams e Nathan Lane.

12 – O Homem Bicentenário
O roteiro do filme é baseado num conto de Isaac Asimov e Robert Silverberg, do livro “The Bicentennial Man and Other Stories”, que mostra a trajetória de um robô em busca da liberdade. O filme tem como protagonista o robô Andrew (Robin Williams) em busca de liberdade e de se tornar, na medida do possível, um ser humano.

Nossa lista fica por aqui. Fica a indicação dos filmes (e dos livros também) para matar a saudade do ator e conhecer mais sobre seu trabalho. A equipe Cabine Literária sente muito a perda desse grande ator.

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