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Pesquisador identifica 164 textos de Lima Barreto assinados com pseudônimos

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O professor Felipe Botelho Corrêa tira o pó do busto de Lima Barreto: pesquisa foi feita durante seu doutorado na Inglaterra - Fernando Lemos

O professor Felipe Botelho Corrêa tira o pó do busto de Lima Barreto: pesquisa foi feita durante seu doutorado na Inglaterra – Fernando Lemos

 

Crônicas, publicadas nas revistas ‘Careta’ e ‘Fon-Fon’, saem pela primeira vez em livro

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – “J. Caminha”, “Leitor”, “Aquele”, “Amil”, “Eran”, “Jonathan”, “Inácio Costa”. Todos esses pseudônimos assinavam crônicas nas revistas ilustradas “Fon-Fon” e “Careta” nas primeiras décadas do século passado, mas os seus verdadeiros autores permaneciam desconhecidos. Não mais. Todos os textos saíram da mesma pena, a de Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922). O trabalho do jovem pesquisador carioca Felipe Botelho Corrêa, de 33 anos, hoje professor do King’s College em Londres, resultou na descoberta de 164 textos inéditos em livro e que agora estão reunidos na obra “Sátiras e outras subversões” (Penguin-Companhia), que será lançada na próxima segunda-feira, com um debate com a professora da UFRJ Beatriz Resende, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Antes, no sábado, Corrêa participa de um bate-papo com o escritor e jornalista Fernando Molica na Cadeg, em Benfica, às 16h. O debate é parte da Flupp Pensa.

A pesquisa, realizada durante seu doutorado na Universidade de Oxford, consistiu numa verdadeira investigação de detetive. Já se sabia que Lima Barreto tinha escrito em revistas ilustradas, e alguns de seus pseudônimos foram apontados pelo seu biógrafo, Francisco de Assis Barbosa, autor de “A vida de Lima Barreto”, lançado em 1952. Outra fonte preciosa foram os manuscritos de Carlos Drummond de Andrade guardados na Fundação Biblioteca Nacional. O poeta mineiro começou a escrever um dicionário de sinônimos da literatura brasileira, mas nunca chegou a concluí-lo. Nos textos, há referência a alguns dos pseudônimos utilizados pelo escritor carioca. A partir das pistas dadas por Barbosa e Drummond, Corrêa foi atrás das provas que confirmassem as informações — e não só as encontrou, como descobriu outros pseudônimos.

— Essas revistas eram satíricas, então (o pseudônimo) era uma forma de o autor não responder pelo texto, evitar perseguição política. O que não consegui desvendar foi se era o Lima que escolhia o pseudônimo ou o editor. Tem alguns casos que é claramente ele que escolhe porque são referências à sua trajetória — afirma Corrêa.

Já alguns nomes, como “Leitor” e “Aquele”, foram mais difíceis de decifrar. O professor explica como conseguiu identificar a autoria:

— O processo da descoberta é cruzar os textos conhecidos com os textos que não são conhecidos. Quando começa a ver alguma informação que bate, percebe que tem algo ali e sai em busca de outras para confirmar. Digitalizei toda a obra do Lima Barreto para facilitar a busca por palavras.

PROJETO LITERÁRIO EM REVISTA

Nas suas crônicas, o escritor falou muitas vezes do subúrbio, do bairro de Todos os Santos, onde vivia, e até da sua própria rua. Reclama da qualidade das calçadas, do serviço prestado pelos trens, do abandono em comparação com as áreas nobres da cidade. Tudo incrivelmente atual. Lima Barreto também comenta as notícias de jornal e faz troça dos políticos da Primeira República. Corrêa argumenta que ele escrevia para essas revistas, muito populares na época e que alcançavam tiragens de até 100 mil exemplares, não para ganhar dinheiro apenas. A vontade de se comunicar com um público mais amplo era parte do seu projeto literário.

— Lima tenta traduzir numa linguagem acessível questões intelectuais. A sátira e a caricatura são uma maneira de chegar às pessoas. Ele lia muito os russos, especialmente Tolstoi, que falava que a arte tem um poder de contágio, de comunhão de ideias. Era isso que Lima buscava.

O professor defende que Lima Barreto não era um pré-modernista, como ficou caracterizado pelos escritores e intelectuais que vieram depois dele, mas sim um modernista:

— Lima Barreto era um modernista, e não um pré-modernista como ficou marcado aqui no Brasil, no sentido do que se fazia e se entendia no mundo como projeto modernista. Se eu conseguir mudar isso, fico feliz.

LEIA TRECHOS DE CRÔNICAS DE ‘SÁTIRAS E OUTRAS SUBVERSÕES’

“Um bom ministro”

“Logo que o prestante cidadão foi empossado ministro da Agricultura, tratou de acabar com a burocracia.

A diretoria de agricultura não lhe pareceu corresponder ao nome. Não havia nela absolutamente nem um pé de couve. O ministro energicamente mandou retirar as mesas, todo o aparelho burocrático e espalhar terra nos salões das seções e semear couves.

Os empregados foram incumbidos de tratar dos canteiros, regar as mudas, transplantá-las e deixar por completo a mania de redigir pareceres e ofícios.

A diretoria de contabilidade foi transformada em horto florestal com baobás e jequitibás, gênero tartarin. Essa ideia foi muito gabada e elogiada pelo aspecto prático que oferecia, pois em breve poderíamos deixar de importar pinho-de-riga.

Calculou-se mesmo que, dentro de cinco anos, com essa floresta tartarinesca do ministro, a economia nacional ganharia cerca de cem milhões de contos.

O telhado do edifício do Ministério foi aproveitado para o plantio de fumo.

O ministro, que era administrador e bom observador, tinha notado que, quase sempre, nos telhados de casas velhas, nascem pés de fumo silvestres. (…)”

“Notas avulsas”

“Uma tarde destas, não sei por quê, deu-me na telha tomar um bonde do Catete e ir até o largo do Machado.

Há muitos anos não ia eu por aquelas bandas, embora sejam as do meu nascimento.

Tenho mesmo indiferença por elas, donde se pode inferir que a pátria pode ser muito bem o lugar em que nascemos, mas nem sempre é aquele que amamos.

Embarquei no bonde e fui desfrutando a paisagem urbana. Rua Senador Dantas! Como está mudada! Não tem mais a beleza ou as belezas de antigamente! Para onde foram? Voltaram para o cemitério? Quem sabe lá? Passeio Público. A mesma quietude. Lapa. A coluna das sogras lá está impávida a retesar fios e cabos. Tudo pouco mudado. Vamos adiante. Estamos em frente ao Palácio do Catete. Há na porta um vaivém de gentes e automóveis. Que há? É sua excelência, que vai para Petrópolis. Parece que embarcou no automóvel. Ao meu lado, um cidadão, olhando o telhado do palácio, pergunta a um amigo próximo:

— Por que é, Costa, que, quando ele sobe, a bandeira desce? (…)”

“Morro Agudo”

“Noticiam os jornais que os moradores de “morro Agudo”, localidade situada à margem da Estrada de Ferro Auxiliar à Central, protestaram contra a mudança de nome da respectiva estação, mudança imposta pela diretoria da Estrada que precedeu à atual.

Vem a pelo lembrar de que forma horrorosa os mesmos engenheiros vão denominando as estações das estradas que constroem.

Podemos ver mesmo nos nossos subúrbios o espírito que preside tal nomenclatura.

É ele em geral da mais baixa adulação ou senão denuncia um tolo esforço para adquirir imortalidade à custa de uma placa de gare. (…)”

Metade dos brasileiros que querem ir à faculdade depende de financiamento

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Wilson Dias/ABr Mais da metade dos jovens que pretendem cursar ensino superior no Brasil depende de financiamento estudantil

Wilson Dias/ABr
Mais da metade dos jovens que pretendem cursar ensino superior no Brasil depende de financiamento estudantil

 

Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira Mantenedora de Ensino Superior mostrou que estudantes dependem do Fies e ProUniPublicado no Último Segundo

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedora de Ensino Superior (ABMES) mostrou que cerca de metade dos brasileiros interessados em cursar nível superior depende de programas como Fies e ProUni para ter acesso à faculdade – os programas federais sofreram severos cortes nos últimos anos.

O levantamento, realizado com mil pessoas de 18 a 30 anos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Salvador, Fortaleza, Manaus, Recife e Belém, também revelou que a maior parte das famílias não tem condições de pagar mensalidades de uma instituição de ensino superior particular.

Daqueles que disseram ter planos de cursar a faculdade, 57,9% afirmaram tentar o ingresso por meio do ProUni, enquanto 50,3% vão buscar o Fies para pagar as mensalidades.

“Hoje, dos 7,8 milhões de alunos em ensino superior , 75% estão nas instituições privadas”, disse Janguiê Diniz, diretor-presidente da ABMES.

A conclusão é reflexo da alta concorrência por vagas em universidades públicas. Segundo a pesquisa, 81% dos entrevistados querem ingressar em um curso de graduação nos próximos três anos, e 78,6% deles disseram não ter problema em prestar vestibulares de faculdades privadas.

“O Brasil é um dos países do mundo que tem uma das piores participações de vagas públicas no ensino superior, em torno de 24%. É uma vergonha em relação a toda América Latina”, afirmou Luciano Mendes Faria Filho, coordenador do projeto “Pensar a Educação, Pensar o Brasil”.

Profissões

O levantamento mostrou ainda que os cursos com mais procura pelos entrevistados são das áreas Biológicas, Humanas e Exatas.

Medicina lidera o ranking de graduações pretendidas, com 12,7% da preferência dos estudantes. Direito vem logo em seguida, com 11,1%, e Engenharia fecha a relação – 10,9% dos jovens gostariam de se tornar engenheiros.

As três profissões, porém, estão entre as mais concorridas nos vestibulares das faculdades. Na Fuvest de 2015, prova seletiva para ingressar na Universidade de São Paulo (USP), medicina era a segunda com maior relação candidato-vaga.

O que a boa leitura faz com o seu cérebro?

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O cérebro é flexível e por isso é capaz de adquirir mais conhecimentos à medida que a pessoa arrisca a ler textos mais complexos. Por outro lado, ele também se acomoda à mediocridade

Denise Drechsel, na Gazeta do Povo

Comparar o ato de ler com uma espécie de “exercício físico” para o cérebro, como ocorre na musculação sobre a massa corporal, está longe de ser adequado – e com as últimas descobertas da neurociência, essa analogia serve apenas para dar uma ideia distante do seu efeito real. O percorrer os olhos sobre palavras ordenadas com um sentido faz muito mais: ajuda o cérebro a absorver conceitos da realidade e a dominá-la. Quanto maior o vocabulário, a fluência na leitura e a sua complexidade, maior a capacidade de compreender a si mesmo, interagir socialmente e ser bem-sucedido no mercado de trabalho. Se uma pessoa não sabe ‘nominar’ algo, em geral, não a assimila com clareza.

O processo de entender o mundo começa na infância. A rede neural tem sua idade de ouro nos primeiros anos, quando é maior a neuroplasticidade (a capacidade de reter conhecimentos). Quando uma criança começa a ler, entre 5 e 8 anos, o cérebro fica mais eficiente e, para eliminar sobras e aumentar a sua agilidade, ocorre a chamada poda neuronal, a perda de bilhões de neurônios até os 10 anos, algo natural para o organismo. Esse recuo é tão grande que até a espessura do córtex cerebral diminui.

O maior efeito disso incide sobre o aprendizado, principalmente em relação à linguagem escrita. Se a rede neural não é estimulada, falta essa poda ‘qualificada’ e a criança sofre os efeitos do desuso – e aqui a comparação do organismo com músculos atrofiados e excesso de massa gorda pode ajudar. “Se não ocorre essa simplificação neuronal nessa fase crítica, você não é capaz de desenvolver uma linguagem mais complexa quando adulto”, explica o neurocientista Renato Sabbatista, pós-doutor pelo Instituto Max Planck. “Pouco dessa situação pode ser sanada nos anos seguintes, mas é preciso um esforço maior, mais ou menos como quando um idoso aprende a dirigir, demora mais”.

Da infância à vida adulta, para que esse processo não regrida, é necessário colocar o cérebro em contato com conteúdos cada vez mais complexos. Se a pessoa se contenta com linguagem simples – frases curtas da televisão e das redes sociais, vocabulário pobre e sintaxe pouco elaborada –, o desenvolvimento cerebral se estabiliza e a pessoa se torna incapaz de compreender ideias com consequências significativas para si mesmo e para a sociedade. As pesquisadoras Yellolees Douglas e Samantha Miller perceberam, por exemplo, que estudantes que liam diariamente o “Huffington Post” tiveram a menor pontuação em seus escritos do que os que liam, ainda que com menos frequência, o “The New York Times”.

O esforço para ler e entender textos mais complexos, por outro lado, aumenta a qualidade da chamada ‘fala silenciosa’, o discurso interior feito por quem é capaz de escrever frases coerentes. Ao mesmo tempo, exercita a memória, necessária para falar, escrever e entender. “O contrário se pode perceber em uma pessoa que vai morar em outro país, que começa a utilizar um português mais simples porque vai esquecendo as palavras”, exemplifica Sabbatini.

Comer canela pode transformar você em bom aluno

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Mais fácil que estudar..

Mais fácil que estudar..

 

Segundo os pesquisadores, esse pode ser o método mais simples que existe para melhorar a capacidade de aprendizagem.

Publicado na Superinteressante

Uma equipe de cientistas liderada pelo médico Kalipada Pahan, da Universidade Rush, em Chicago, submeteu ratinhos a testes de memória e aprendizagem em labirintos. Dessa maneira, os pesquisadores descobriram quais camundongos eram bons alunos e quais eram ruins. Em seguida, eles acrescentaram canela à dieta de alguns dos ratos maus alunos – os outros seguiram com sua dieta normal, como controle. Aí os cientistas repetiram os testes cognitivos. Resultado: ratinhos maus alunos, quando comem canela, passam a ter um desempenho quase tão bom quanto os ratinhos bons alunos.

“Esse pode ser um dos métodos mais seguros e simples de transformar maus alunos em bons alunos”, disse Pahan, que nasceu na Índia, terra de muita canela na comida. O pesquisador já havia participado de uma pesquisa anterior que havia revelado efeitos benéficos da canela no tratamento de mal de Parkinson em camundongos.

O bom resultado provavelmente se deve ao efeito da canela no hipocampo, área do cérebro fundamental para a formação de novas memórias e para a aprendizagem. Ratos metabolizam a canela e produzem benzoato de sódio, uma substância química que age no hipocampo e que é usada na medicina no tratamento de danos cerebrais.

O próximo passo é verificar se os mesmos efeitos benéficos se repetem em humanos. Enquanto isso não acontece, não custa nada comer um pãozinho de canela antes da aula.

Ler Harry Potter faz gostar menos de Donald Trump

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Foto: Ray Bouknight/Flickr

Foto: Ray Bouknight/Flickr

 

Depois de derrotar Voldemort, poderá Harry Potter derrotar Donald Trump? Um estudo da Universidade da Pensilvânia diz que sim.

Rita Pereira,  no TSF

É um grande fã do bruxo mais famoso do mundo? Então é provável que não goste de Donald Trump. Um estudo da Universidade da Pensilvânia afirma que os leitores da série de livros Harry Potter têm tendência para ter uma pior opinião sobre o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América.

A explicação? Não, não é magia. Segundo Diana Mutz, a investigadora que conduziu o estudo, os resultados estarão relacionados com as ideias transmitidas nos livros da saga, tais como a oposição ao autoritarismo (personificado na figura de Voldemort) e a promoção da diversidade e da tolerância (em relação a todos os “sangue ruim”, bruxos de origem não-mágica).

“As visões políticas de Trump são largamente vistas como opostas aos valores expressos na série Harry Potter”, diz investigadora, de acordo com o jornal britânico The Independent.

A afirmação não será de estranhar, uma vez que a própria autora dos livros, J.K. Rowling, escreveu no twitter, em dezembro de 2015, que Voldemort, o vilão da saga Harry Potter, não era de longe tão mau quanto Donald Trump.

Na altura, foram vários os fãs de Harry Potter que invadiram a internet com comparações irônicas entre as figuras de Donald Trump e Voldemort.

Das páginas para o mundo real

O estudo chamado “Harry Potter and The Deathly Donald” (que, livremente traduzido, significa qualquer coisa como “Harry Potter e o Donald da Morte” – numa alusão ao título do último livro da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte), envolveu 1.142 americanos.

Os inquiridos foram questionados quanto a temas controversos no país – como a pena de morte, a Islamofobia ou os direitos dos homossexuais – e também diretamente sobre Trump, antes e depois da campanha do candidato republicano, em 2014 e em 2016.

As opiniões sobre Donald Trump foram medidas numa escala de 0 a 100 e correlacionadas com o facto de os inquiridos terem ou não lido os livros de Harry Potter. Mesmo tendo em conta outros fatores como a idade, a educação e a inclinação política, a tendência para discordar de Trump foi verificada naqueles que eram leitores dos livros.

“Pode parecer pouco, mas alguém que leu todos os sete livros [da série Harry Potter], pode baixar a sua opinião sobre Trump em 18 pontos num total possível de 100”, assegura Diana Mutz.

O estudo aprofunda a forma como as histórias ficcionais podem ter influência nas opiniões sobre o mundo real.

Até ao momento, os livros de Harry Potter venderam cerca de 450 milhões de cópias em todo o mundo.

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