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Projeto de escritor piauiense transforma histórias de pessoas comuns em poesia

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Ithalo Furtado idealizou o projeto em Poço de Caldas, Minas Gerais. — Foto: Isabela Quebradas

Ithalo Furtado é de Parnaíba e lançou o projeto ‘Escuto histórias, escrevo poemas’. Autor pretende viajar por capitais para levar o projeto para todas as regiões do Brasil.

José Marcelo e Andrê Nascimento, no G1

Sentado em uma praça, diante de uma cadeira vazia, o escritor piauiense Ithalo Furtado faz um convite inusitado às pessoas que caminham pelas cidades: que sentem com ele e contem sua história, para que o autor as transforme em poemas. Natural de Parnaíba, no litoral do Piauí, Ithalo planeja viajar pelo Brasil levando seu projeto de transcrever vidas em versos.

Neste 7 de janeiro, em que se comemora o Dia do Leitor, o G1 conversou com o autor, que contou que se inspirou na artista paulistana Ana Teixeira, que ficou famosa ao tricotar em praças enquanto convidava as pessoas a lhe contarem suas histórias de amor. “Esse projeto dela me inspirou a ouvir pessoas e fazer poemas sobre o que me contam, até porque todo mundo tem uma história pra contar”, disse o poeta.

“Elas vêm como uma oportunidade de desabafar, de serem ouvidas”, disse o autor — Foto: Isabela Quebradas

Ithalo já transformou histórias em poemas nas cidades de Manaus, no Amazonas, Poços de Caldas, em Minas Gerais. No Piauí, o poeta passou por Parnaíba e Teresina. Nestas experiências, ele conta que ouviu histórias familiares, aventuras amorosas, segredos guardados há anos por pessoas que decidem expor ali mesmo, diante dele.

“É algo muito forte, ouvir as pessoas contando seus segredos para você, em praça pública. Elas vêm como uma oportunidade de desabafar, de serem ouvidas. Algumas pessoas só pedem para me dar um abraço. É uma intervenção que mexe com o ambiente todo, por que as pessoas ficam imaginando o que vai acontecer ali”, disse.

Ithalo Furtado escutando histórias no Parque da Cidadania, em Teresina — Foto: Ícaro Uther

Ithalo conta que há quem chegue com histórias de luta, como a da mulher que procurou pela mãe durante anos nas ruas de São Luís mas acabou encontrando um grande amor, até contos divertidos como o do casal que se encontrou em três forrós diferentes em Teresina. “No terceiro encontro, começaram a namorar”, relembra o escritor. Depois de contar sua história, cada participante recebe seu poema e leva para casa. “Alguns falam que vão emoldurar”.

Agora, o projeto do autor é viajar por treze estados brasileiros visitando praças e registrando as histórias que escutar em poemas. Os melhores textos desenvolvidos durante serão reunidos em um livro. Para isso ele lançou uma campanha de financiamento coletivo e pretende pegar a estrada em abril de 2019.

Ao final das histórias, cada participante levou seu poema para casa. “Alguns falam que vão emoldurar”, disse o escritor piauiense. — Foto: Isabela Quebradas

Além dos textos, a publicação contará ainda com o trabalho de fotógrafos de cada local visitado. “Contratarei um fotógrafo da cidade para fotografar a intervenção. É uma maneira de valorizar também a arte nativa de outras pessoas”, disse.

Autor de três livros, Ithalo tem experiência em misturar a literatura com outras artes. “Eu acredito na literatura que transcende o livro enquanto objeto artístico e cria um ambiente transmídia, sugerindo novas possibilidades para as histórias em música, audiovisual e fotografia”, disse.

Tom Hanks lança ‘Tipos Incomuns’, seu livro de contos

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Autor/ator. 'Vivemos o momento em que um novo, digamos, código de ética vai ser instalado, exigindo que todos sejam mais sábios', disse, sobre o affair Weinstein Foto: Jake Michaels/The New York Times

Autor/ator. ‘Vivemos o momento em que um novo, digamos, código de ética vai ser instalado, exigindo que todos sejam mais sábios’, disse, sobre o affair Weinstein Foto: Jake Michaels/The New York Times

Publicado no Estadão

Até Tom Hanks ficou impressionado. Mas não foi uma celebridade que despertou a admiração do vencedor de um Oscar de melhor ator. Foi um documento. No mês passado, durante uma visita VIP à coleção do Arquivo Nacional dos Estados Unidos, Hanks se aproximou da Constituição americana, exposta dentro de uma caixa de vidro. Fã apaixonado e confesso de história, ele cobriu os olhos com as mãos e recitou de cor o preâmbulo da Constituição.

Parece que a Fundação do Arquivo Nacional escolheu o destinatário certo para sua maior honra, o Prêmio Records of Achievement, concedido a indivíduos “cujo trabalho cultivou uma maior consciência nacional sobre a história e a identidade dos Estados Unidos, por meio do uso de registros originais”. Hanks foi reconhecido por seu trabalho como contador de histórias americano, tanto nas telas quanto fora delas, como cineasta, filantropo e, agora, autor.

É dele Tipos Incomuns, seleção de histórias curiosas que agora é lançada pela editora Arqueiro. São casos em que o autor lança um olhar ao mesmo tempo atento e carinhoso: o caso agitado entre dois grandes amigos, um ator medíocre que se torna uma estrela, o colunista de uma pequena cidade que revela um ponto de vista antiquado e até a história de quatro amigos que viajam à Lua em um foguete construído num fundo de quintal. Em comum, os contos têm uma máquina de escrever que desempenha um papel na trama.

Quase 250 fãs de história festejaram Hanks numa noite de sábado de outubro, com um jantar de black-tie e um debate ao vivo com o documentarista Ken Burns, também homenageado pelo Arquivo. “Devemos louvar com orgulho o excepcional serviço que nosso homenageado prestou às histórias do nosso país”, disse Burns no palco. “Em cada personagem que encarnou, em cada gesto e cada respiração, ele nos lembrou que não existem pessoas comuns.”

Hanks diz que leva muito a sério seu papel como uma espécie de professor de história dos Estados Unidos. “Você tem de ficar escolhendo a dedo os detalhes precisos e verdadeiros do modo de ser e se comportar, porque, para o bem ou para o mal, as pessoas vão olhar e dizer: ‘Ah, isso é o que realmente aconteceu naquela época’”, disse Hanks, em uma entrevista no tapete vermelho. “E, quanto mais você acerta, melhor o serviço que você presta”.

Colecionador de máquinas de escrever e descendente distante do presidente Abraham Lincoln, Hanks também é um voraz leitor de história (atualmente está lendo Homo Deus, de Yuval Noah Harari). Hanks também falou sobre sua preparação para viver o lendário editor Ben Bradlee no próximo filme de Steven Spielberg, The Papers.

Até agora, ele já devorou todos os livros, filmes e relatos que lhe passaram pelas mãos. Também teve uma conversa em particular com a viúva de Bradlee, Sally Quinn, veterana escritora do Washington Post, para saber de “outros tipos de detalhes” que não podem ser obtidos pelos papéis e vídeos.

Ao estudar um novo personagem, “você tenta destilá-lo até uma essência que você pode levar consigo todos os dias”, disse Hanks. “Ben Bradlee sabia que era o cara mais bacana do pedaço porque amava seu trabalho e sabia que tinha um grande poder de persuasão. Ele sabia que era bom em algumas coisas, mas acho que, mais do que isso, ele adorava essas coisas”.

Ele também abordou polêmicas atuais, como a troca de farpas entre o presidente Donald Trump e a deputada democrata Frederica S. Wilson, da Flórida, a respeito do tom de um telefonema de condolências para a família de um militar americano morto em combate.

“Se você me perguntar, vou dizer que me parece uma das maiores mancadas do planeta Terra”, disse Hanks. “É uma tragédia que tem grandes consequências, e vai muito além das manchetes. É muito triste.”

Quando questionado sobre as recentes acusações de abuso sexual contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, ele disse que este é um “momento decisivo”, não apenas para as mulheres do mundo artístico, mas também para mulheres de todos os campos de trabalho. “Vivemos o momento em que um novo, digamos, código de ética vai ser instalado, exigindo que todos sejam mais sábios e comecem a prestar mais atenção e, quem sabe, até obedecer? Acho que sim”, disse Hanks.

Ele sugeriu que as pessoas recorram ao Arquivo em busca de orientação para lidar com o mundo tumultuado de hoje. “As pessoas estão aborrecidas com tudo que está acontecendo. Estão furiosas, estão frustradas, estão cansadas”, disse Hanks no palco. “Eu digo: bom, se você está preocupado com o que está acontecendo hoje, leia os livros de história e descubra o que fazer, porque está tudo lá.” / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Estreia

Tipos Incomuns é o primeiro livro de ficção Hanks, que já escreveu para o New York Times, a Vanity Fair e a New Yorker.

Biografias de pessoas comuns: sua vida dá um livro?

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Publicado no Terra

Você acha que precisa ser famoso ou ter realizado algum feito incrível para a sua vida virar um livro? Nada disso. Para ter uma obra que conte a sua história, basta querer – e ter dinheiro para pagar por ela. A biografia também pode ser encomendada como um presente para alguém em uma data especial ou, ainda, uma homenagem póstuma. Essa é a proposta de algumas empresas que se especializaram em registrar a vida de anônimos.

 A biografia da médica Iracema Pacífico foi uma das mais marcantes para Josiane Foto: Divulgação

A biografia da médica Iracema Pacífico foi uma das mais marcantes para Josiane
Foto: Divulgação

É o caso das companhias Biografa e Memoriall, que se uniram com o intuito de elaborar biografias de pessoas desconhecidas. O serviço é feito sob encomenda, e você recebe a biografia em casa. “É um produto de luxo”, descreve Clarisse Trindade Laender, diretora de conteúdo da Biografa. Pelo site da Memoriall, é possível adquirir o serviço e, a partir daí, trabalhar junto com as empresas. O cliente envia todo o conteúdo do livro: a sua história e quaisquer imagens que queira colocar, como fotos de família ou lembranças de dias especiais, e as empresas editam o material.

Depois do envio das informações, o texto e as imagens são organizados e revisados pelas empresas. “O suporte é dado em termos de redação, orientação de formato e de como rechear o livro”, explica Clarisse. O auxílio é necessário porque quem escreve nem sempre tem noções de literatura ou escrita. “As pessoas escrevem uma vida e às vezes dá uma página, por isso, nos procuram para ampliar”, comenta.

Em um prazo médio de 70 dias após a contratação do serviço, o cliente recebe a biografia em casa. Os preços variam entre R$ 7.130, para a elaboração de 100 exemplares em capa flexível e R$ 16.500, para 300 exemplares de capa dura em formato A4. Clarisse lembra que, normalmente, os livros têm 80 páginas. “Na nossa experiência, esse é o formato padrão. Costuma ser o volume que qualquer pessoa consegue preencher. Se escreve cerca de vinte laudas e ainda há as fotos. Todo o processo é orientado por nós”. A parceria entre as duas empresas é recente, e embora não haja dados consolidados, a estimativa é que sejam entregues de 20 a 30 livros por mês. Duas pessoas ficam diretamente envolvidas com cada livro, uma para tratar o texto e outra para o design e a diagramação.

“A maioria das pessoas quer homenagear os pais, mas também temos muitos livros de casais. Em casos póstumos, as pessoas que ficam e encomendam sabem que a vida não pode se apagar, tem que ficar eternizada de alguma forma, até para as gerações que ainda não nasceram”, diz Clarisse. “O livro é um símbolo da eternidade, querem levar como levávamos os álbuns de foto. Mais do que um álbum, há um conteúdo por trás”, acrescenta.

“Temos dois clientes que estão elaborando a sua própria biografia neste momento, mas os nossos clientes variam. Pessoas de muita idade, que já organizaram funeral, lápide, querem viver esse momento de forma mais leve também contratam o serviço”, de acordo com Clarisse.

Todos têm uma história interessante

 A jornalista Josiane Duarte se especializou em escrever sobre desconhecidos Foto: Arquivo pessoal

A jornalista Josiane Duarte se especializou em escrever sobre desconhecidos
Foto: Arquivo pessoal

Para a jornalista Josiane Duarte, “se você encontrar alguém na rua e perguntar a história da vida dela, vai dar uma história interessante”. Ela é fundadora da Memorabília, editora que elabora biografias de anônimos. São “biografias de não celebridades, pessoas comuns, matriarcas e patriarcas, histórias de famílias, empresários.”

Com a experiência do jornalismo, Josiane busca as informações com os clientes. “Muitas pessoas têm histórias boas para contar e nunca imaginaram que poderiam virar um livro”, afirma. Para quem quer ter a história imortalizada, basta contratar a editora. Após uma reunião, o cliente passa os contatos de quem será entrevistado. “Essa pessoa se torna meu parceiro na produção do livro. Faço entrevistas com o biografado e com os indicados pela família e, depois, escrevo o texto”, conta.

Com o conteúdo pronto, um designer cuida do visual e da diagramação do livro. Uma prévia do livro é levada ao biografado para avaliação. “Ele palpita, sugere mudanças e só depois da autorização dele o livro vai para a gráfica. Todas as biografias que faço são autorizadas, para garantir que o produto saia exatamente da maneira que o biografado quer”, assegura.

Entre início do trabalho e a entrega da biografia, são cerca de sete meses. O preço também pode variar. Como é a própria Josiane que entrevista as pessoas onde elas estiverem, as despesas de viagem são contabilizadas, caso seja necessário. Ela garante que cada cliente acaba tendo um orçamento personalizado conforme a necessidade. Normalmente, os preços ficam entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. “Hoje em dia é tudo muito volátil, tudo é internet, rápido e instantâneo. Vejo a oportunidade de valorização do livro, porque é algo que fica. A história fica marcada”, Josiane opina.

Desde o início da editora, em 2011, sete biografias foram lançadas. Entre elas uma destoa do restante: a história da nada anônima ex-Globeleza Valéria Valenssa. O livro foi lançado no carnaval deste ano, e Josiane o assina em parceria com Laura Bergallo. Apesar disso, os demais livros foram baseados em desconhecidos do grande público. Dessas, ela lembra com carinho da biografia de José Braz, prefeito de Muriaé, cidade de Minas Gerais.

“Hoje, ele é um dos homens mais ricos de Minas Gerais, mas começou como caminhoneiro. Também me marcou muito a biografia da Iracema Pacífico, uma das médicas mais bem conceituadas do Rio de Janeiro. Ela nasceu pobre, na miséria, no interior do nordeste, passou fome, chegou só com o diploma e se transformou numa das médicas mais conceituadas do Rio”, conta, satisfeita com a escolha de trabalhar com anônimos – antes, a jornalista era repórter e editora em uma revista de celebridades.

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