Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged pessoas

Livro é caro? Não há bibliotecas? Por que os moradores de São Paulo não leem?

0

Biblioteca do Parque Villa-Lobos, um dos equipamentos públicos mais legais de SP
Crédito: Nelson Kon/Divulgação/BPV

Pesquisa sobre hábitos culturais feita pelo Ibope, a pedido da Rede Nossa São Paulo, expõe as razões apontadas pelos moradores da cidade para não ler

Bia Reis, no Estadão

Diz o senso comum que no Brasil se lê pouco porque o livro é caro e porque não há bibliotecas por perto. Muitos podem considerar o preço alto e morar em lugares onde não há equipamentos públicos, é verdade, mas esses não são os motivos apontados pelos moradores de São Paulo para não ler. É o que indica pesquisa sobre hábitos culturais na cidade feita pelo Ibope a pedido a Rede Nossa São Paulo. O levantamento, divulgado nesta terça-feira, 9, ouviu 800 pessoas entre 6 e 21 de dezembro de 2018.

Segundo a pesquisa, apenas 3% dizem que não leram nos últimos três meses porque o livro é caro; outro 1% afirmou não ter dinheiro para comprar um. A falta de uma biblioteca por perto é apontada como razão para não ler por 2% dos entrevistados.

As maiores razões para não ter lido um livro são não gostar de ler/não ter o hábito de ler, citado por 34% dos entrevistados, e falta de tempo, por 32% (que é relativa, já que muitos de nós gastamos algumas horas do dia na internet, não é?). Além disso, 9% das pessoas contaram que não têm paciência para ler, o que também indica de alguma forma falta de hábito. Juntos, esses três motivos somam 75%.

São citados também como razão para não ter lido um livro nos últimos três meses o fato de preferir outras atividades (14%), ter dificuldade para ler (6%), se sentir muito cansado para ler (6%), preferir ler revistas e jornais (5%), não ter lugar apropriado para ler (1%) e não saber ler (1%).

O fato é que as pessoas não leem porque não se transformaram em leitores, porque não foram conquistados pelo livro, por inúmeras razões. Quando a leitura é um hábito estabelecido, falta de tempo ou de paciência não são razão para não ler. Afinal, a gente se esforça para arrumar tempo para o que gosta, o que faz sentido, não é?

Você leu nos últimos três meses?

Perguntados se leram algum livro nos últimos três meses, 38% dos entrevistados responderam que sim, leram um livro inteiro; 20% que sim, leram partes de um livro; e 42% que não. Isso significa que mais da metade dos moradores de São Paulo (58%) tiveram contato com ao menos um livro no período.

Entre os que leram livros completos, o maior porcentual está entre pessoas de 25 a 34 anos (49%), seguido pelas de 16 a 24 anos (43%), de 35 a 44 anos (39%), mais de 55 anos (33%) e de 45 a 54 anos (28%).

A pesquisa reforça a ideia de que pessoas com melhor nível econômico e formação são mais leitoras do que as pessoas com pior nível econômico e formação. Entre os entrevistados com nível superior, por exemplo, 20% afirmaram não ter lido nenhum livro nos últimos três meses – o porcentual sobe para 69% quando se tratam de pessoas que só fizeram o ensino fundamental (1.º a 9.º ano). Entre os entrevistados da classe A, 61% leram um livro inteiro e 18% não leram nenhum; na classe B o porcentual é de 56%, na C, 29%, e na D/E, 10%.

Você frequentou bibliotecas?

Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo
Crédito: Gabriela Biló/Estadão

Questionados se frequentaram alguma biblioteca no último ano, 79% responderam não e 20%, sim (1% não soube opinar). O maior porcentual ficou entre os jovens de 16 a 24 anos: 34% responderam que foram a uma biblioteca no período. A frequência cai conforme a idade avança – entre 25 a 34 anos, 26% responderam sim; entre 35 e 44 anos, 16%; entre 45 e 54, 12%; e mais de 55, 15%.

A pesquisa também aponta que, diferentemente do que muita gente pensa, as bibliotecas são mais frequentadas por pessoas das classes A e B do que C e D. Entre os entrevistados com melhor condição econômica (classe A), 44% disseram ter ido a uma biblioteca nos 12 meses anteriores à pesquisa. O porcentual cai para 28% entre as pessoas da classe B, para 15% entre a classe C e chega a apenas 5% nas classes D e E.

O Ibope também encontrou diferenças entre a frequência de acordo com a região onde a pessoa mora. O centro concentra o maior porcentual de frequentadores: 32% dos entrevistados responderam que foram a uma biblioteca no último ano ante 28% dos moradores da zona oeste, 27% da zona norte, 21% da zona sul e apenas 12% da zona leste.

A pesquisa questionou os moradores de São Paulo sobre o que os fariam frequentar mais espaços culturais. A pergunta não é direcionada às bibliotecas, mas inclui este tipo de equipamento. É curioso observar que se destaca o item “preços mais acessíveis”: 42% dos entrevistados de todas as idades afirmam que frequentariam mais atividades culturais se o preço fosse mais acessível. Nas bibliotecas públicas não há nenhum tipo de cobrança, nem para as atividades nem para a retirada de livros. Entre os outros itens avaliados estão proximidade de casa, facilidade de acesso, horários e diversidade da programação.

Telecine “esquece” exemplares de “Com Amor, Simon” pelas ruas de Porto Alegre

0

Nick Robinson é Simon Spier em “Com Amor, Simon”Reprodução / Telecine Play

Publicado no Gaucha Zh

Aos 17 anos, Simon Spier descobre que é gay. Sua jornada em busca de felicidade e aceitação é o foco da novela juvenil Com Amor, Simon, de Becky Albertalli, que pode ser encontrada pelas ruas de Porto Alegre a partir desta quarta-feira (20). Os exemplares foram “esquecidos” pela cidade pela rede Telecine, que acaba de adicionar o longa de Greg Berlanti, inspirado no livro, à sua plataforma de streaming.

Cada exemplar também conta com uma carta com a definição de amor do protagonista e uma mensagem da própria companhia sobre a obra. “Essa é a história de Simon e de muitos outros personagens. Pode ser a sua ou de quem está perto de você. Que o poder dos nossos filmes inspire muitas pessoas a encontrarem sempre o caminho do amor.”

Inspirada na iniciativa da atriz Emma Watson, de Harry Potter, conhecida por deixar obras feministas para serem encontradas por novos leitores, em pontos estratégicos dos locais por onde passa, a campanha também é realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador, Campinas, Recife, Belo Horizonte e Curitiba.

Aqueles que encontrarem os livros são incentivados a compartilhar sua descoberta nas redes sociais com a hashtag #ComAmorSimon para que a mensagem atinja mais pessoas. O filme vai ao ar na noite desta quarta (20), às 22h, e na quinta, às 18h20, no Telecine Pipoca.

A loja dos livros impossíveis

0

Conhecida como a ‘loja dos livros impossíveis’ a Livraria Simples, em SP, quer ser um ponto de cultura e é a segunda da série ‘Livrarias do Brasil’

Talita Facchini, no Publishnews

Na segunda matéria da série Livrarias do Brasil, que quer mapear e apresentar iniciativas de livrarias independentes Brasil adentro, o PublishNews foi conhecer de perto a Livraria Simples, a “loja dos livros impossíveis” e que tem como objetivo ser um ponto de cultura e causar impacto social.

Localizada na Bela Vista (Rua Rocha, 259), bairro da região central de São Paulo, a história da livraria começou mesmo na Mooca, em 2016, quando dois amigos, Adalberto Ribeiro e Felipe Faya, juntaram seus acervos e começaram a vender livros para os amigos. Meses depois, a livraria mudou de lugar e tomou os cômodos de uma casa na Bela Vista, com livros do chão ao teto, um ar intimista e um jardim para quem quiser ler um livro ou apenas passar o tempo.

“Fizemos 80% da mudança em um fusca, o resto foi com o carro emprestado da mãe do Felipe, ou seja, fizemos tudo com um Fusca e um Corsa”, conta Adalberto, que trabalha com livros desde os 16 anos. O visual da livraria também foi construído aos poucos e com a ajuda de vários amigos: móveis usados, estantes de madeira reutilizadas, muito garimpo, cada item veio de um lugar diferente e ajudou a construir um ambiente aconchegante e que pudesse acolher o leitor.

Na casa, junto com a livraria funcionam dois outros projetos: uma tabacaria – a Marajó Tabaco – e o acervo do artista Otavio Roth, por isso a ideia de ser mais que uma simples livraria e se tornar um ponto de cultura.

Já o acervo começou com 900 livros – 700 de Adalberto e outros 200 de Felipe – e agora já conta com 11 mil exemplares. Segundo Adalberto, ele continua crescendo e se modificando todos dias. “Nosso acervo se move muito com base na demanda que recebemos, se qualquer pessoa vier aqui e perguntar se temos um livro específico, sistematicamente vamos responder que não, mas que podemos conseguir. Independente do livro que seja, se está esgotado há muito tempo, se é um livro de outro país, um livro em japonês, dificilmente vamos falar que não temos e ficar por isso mesmo”, explica deixando claro o porquê da alcunha de “loja dos livros impossíveis”.

A ideia da Simples é ser um espaço democrático, um ambiente agradável para dar acesso ao maior número de pessoas. “Nossa ideia foi criar um ambiente em que as pessoas não se sintam acanhadas de entrar. O importante é a nossa marca ficar na cabeça das pessoas e quando elas pensarem em comprar alguma coisa elas venham comprar com a gente”, conta Alberto.

Para ficar na cabeça das pessoas, tem que ser diferente e se fazer presente de alguma maneira. Além do ambiente, a livraria viu nos seus pacotes uma maneira de chamar atenção e ir para a casa do leitor junto com o livro comprado. “Os pacotes começaram desde o início, temos várias empresas parceiras da livraria que fazem as coisas acontecerem e a Veio na Mala é uma delas, que desde o começo fornecem os carimbos pra gente”, explicou. Junto com os pacotes personalizados a Simples acertou também no modo de administrar as redes sociais, e com legendas divertidas e imagens bem feitas, o Instagram da loja já faz sucesso. “Ele é muito divertido e dá muito trabalho, mas daria mais ainda se não fosse do jeito que é”, brinca Adalberto. “Ele tem essa coisa meio “tosca”, mas é divertido, chama atenção e dá um resultado muito legal, acho que conseguimos acertar na verdade”.

Outra ação da livraria são as entrevistas feitas com os moradores do bairro e foi o modo que a Simples encontrou de fazer parte da comunidade. Já passaram por lá o garçom do boteco da esquina, a dona do brechó da rua e até um bailarino poliglota com muita história para contar e cultura para compartilhar. As entrevistas são postadas no Instagram da loja para todo mundo poder acompanhar.

Adalberto Ribeiro, Felipe Faya, Felipe Berigo e Aline Tiemi, os nomes por trás da Simples sabem que têm que fazer muito com pouco se quiserem crescer. “Simples é o contrário do fácil”, lembra Adalberto, e junto com a vontade de fazer mais, surgiu em novembro passado a oportunidade de fazer parte da programação paralela do Sesc Paulista.

A partir daí surgiu a Feira de Trocas que ficou por lá durante dois meses, mas que deu tão certo que os sócios sentiram a necessidade de torna-la recorrente. “Conseguimos ainda juntar a troca de livros com o projeto do Otavio Roth. Quando vivo, ele tinha um projeto que chamava Árvore, em que crianças do mundo inteiro desenhavam em papéis no formato de folhas. A ideia dele era conseguir um milhão de papeizinhos, e com as feiras retomamos esse projeto. Realizamos uma oficina em que as crianças vão lá, desenham nas folhas e ganham um livro”. Para quem quiser ver a exposição, Liberdade para respirar, é só visitar o Sesc Bom Retiro.

Sobre os planos para o futuro, Adalberto não fala em números, para ele, o impacto social que a livraria pode causar é mais importante do que o lucro em si. E sobre sonhos, ele também prefere guardar segredo por enquanto, mas a ideia, é sempre se fazer presente. “‘Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho’, essa frase da Clarice Lispector acho que resume bem, ela combina muito com o nome da livraria e como levamos nosso trabalho”, lembra Adalberto.

A Livraria Simples funciona de segunda a sábado, das 10h às 18h, e de vez em quando aos domingos e feriados, como a própria página da loja já avisa.

USP fará terceira edição de curso gratuito de leitura

0

Curso tem foco em desenvolvimento profissional através da melhora na leitura

Inscrições tem início no dia 1º de março e promove melhora na leitura, escrita, concentração e ampliação de vocabulário.

Publicado no A Cidade On

A Escola de Educação Física e Esporte da USP de Ribeirão Preto, em comemoração aos seus dez anos, realizará um curso gratuito de proficiência na leitura e competência na escrita: práticas contextualizadas para o desenvolvimento profissional. As inscrições podem ser feitas pelo site a partir do dia primeiro de março até o dia onze de março.

O curso tem duração de dez semanas e acontecerá no período de 22 de março a 31 de maio, todas as sextas, das 14h às 17h. A coordenadora e também ministradora do curso, professora Maria Helena da Nóbrega, explica que cada aluno escolhe um livro de romance para ler e apresentar na reta final do curso, fazendo um vídeo falando sobre a obra escolhida e depois uma resenha, opinativa e argumentativa.

“Antes disso não discutimos o livro, eu apresento várias teorias de como ler, de como melhorar a leitura, concentração e também trabalho a parte prática em textos menores, durante a aula a gente faz textos variados, não só ficcionais, mas também informativos como o jornalístico, e também analisamos muito a fotografia que compõe o texto”, detalha a professora.

Os interessados devem ficar atentos as datas de inscrições e distribuições de vagas, pois das 35 disponíveis, 20 serão ara funcionários da USP e 15 para comunidade externa de acordo com a ordem de inscrição.

“A ideia é que a leitura […] é fundamental como instrumento de aprendizagem, como instrumento de autoconhecimento, estar familiarizado a leitura leva a uma maior concentração, você aprende a treinar a mente a ter uma nova concentração. Você está no livro e não nos seus problemas, e quando você volta para o dia a dia você volta muito melhor, mais capacitado, com outra visão dos seus problemas. Leitura é uma viagem, é uma coisa maravilhosa”, reforça Maria Helena.

Gerando frutos

Desde a primeira vez que ministrou o curso, em 2017, Maria Helena afirma que a maior alegria é saber que mudou a vida das pessoas para melhor e que elas mantém os hábitos após a conclusão. O resultado da turma de 2017 foi um clube do livro que permanece até os dias atuais, se reunindo mensalmente e recebendo pessoas que participaram e não participaram do curso.

“Eu tive um público bem variado nessa primeira edição do curso em 2017, e eu acho que é essa a tendência mesmo. Então tinha pessoas que já liam muito, tinha pessoas que não tinha o hábito de leitura, tinham lido pouco na época de escola e fazia tempo que não estudavam, tinha pessoas que não gostavam de ler e nunca tinham lido. E de uma maneira geral, houve uma redescoberta da leitura, isso que a parte que mais me deixa feliz, por acreditar que isso muda a vida das pessoas”, conta.

Para ela, trazer a redescoberta de si através da leitura é um dos maiores ganhos, além de perceber a evolução causada no ambiente profissional, a percepção da mudança no pessoal também é notável.

“Eu entendo a leitura realmente como um processo libertador, porque a pessoa lendo vai aprender um pouco mais de todo mundo e também de si mesma, ela tem esse aspecto de autoconhecimento que está embutido na leitura, a partir da identificação ou não com alguns personagens, quer dizer, você repensa sua vida, revê a sua vida”, diz Maria Helena.
(Bruna Zanatto, sob supervisão de Marcelo Fontes)

SERVIÇO
Proficiência na leitura e competência na escrita: práticas contextualizadas para o desenvolvimento profissional
Quando: Inscrições 1/3 à 11/3. Curso 22/3 à 31/5
Onde: USP Ribeirão Preto (Av. Bandeirantes nº 3900 – Monte Alegre)
Entrada: Gratuita

O método de ensino com o qual estudaram os criadores de Amazon, Google e Wikipedia

0

Jeff Bezos, fundador da Amazon (Foto: Alex Wong/Getty Images)

Outros gênios em suas áreas, como Beyoncé e Gabriel Garcia Marquez, foram ensinados com a filosofia de autonomia e desenvolvimento de habilidades

Publicado na Época Negócios

que algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo têm em comum?

Comecemos pelo homem mais rico do planeta: o americano Jeff Bezos, cuja fortuna está avaliada em US$ 140,2 bilhões, segundo a revista americana Forbes. Ele é dono de 16% da Amazon, gigante do e-commerce, que fundou em uma garagem em Seattle em 1994 e se tornou um sucesso estrondoso no mercado.

Sergey Brin e Larry Page, por sua vez, são dois outros empreendedores que souberam moldar sua criatividade para criar o mecanismo de busca da internet por excelência: o Google. Eles também estão entre as pessoas mais ricas do globo, nas posições 12 e 13, respectivamente. Somadas, as fortunas de ambos ultrapassam os US$ 96 bilhões.

Outros empreendedores criativos e bem sucedidos são Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, e Will Wright, designer de videogames e criador do popular jogo SimCity.

Num setor muito diferente, encontramos Beyoncé, uma artista que soube cativar o público, tornando-se uma estrela da música e uma referência feminista – além de ser uma das mulheres mais bem pagas da indústria.

E, por último, destacamos o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, morto em 2014.

Apesar das diferenças entre esses personagens, suas trajetórias se cruzam em um ponto: desde pequenos, todos estudaram sob o mesmo sistema educacional, o método Montessori.

O que é o método Montessori?

É um processo de aprendizagem fundado pela médica e educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), que enfatiza um ambiente colaborativo onde notas e provas não existem.

Além disso, as salas de aula são formadas por estudantes de várias idades que oscilam principalmente entre 2 anos e meio e 7 anos (embora existam programas que incluam jovens de até 18 anos), onde a aprendizagem e a descoberta são processos individuais e acontecem durante longos períodos de tempo.

“Nossa principal preocupação deve ser educar a humanidade, os seres humanos de todas as nações, a fim de orientá-la para a busca de objetivos comuns”, diz um texto da Associação Montessori Internacional (AMI, na sigla em italiano), publicado em seu site.

“Devemos fazer da criança nossa principal preocupação. Os esforços da ciência devem se concentrar nela, porque ela é a fonte e a chave dos enigmas da humanidade”, continua o artigo.

“O que se destaca na educação Montessori é o desenvolvimento individual das pessoas. Ele não cria um sistema centrado no professor, mas no desenvolvimento das necessidades do indivíduo. E não é apenas acadêmico, mas também físico, social e emocional”, diz Scott Akridge, proprietário da Academia Riverstone Montessori, na Geórgia, nos Estados Unidos.

Trata-se, segundo seus defensores, de um sistema baseado em habilidades.

“Não ensinamos só o acadêmico, também ensinamos habilidades para empreender. É o que se chama de habilidades de função executiva, que é prestar atenção, organizar, planejar, iniciar tarefas e se concentrar nelas, controlar emoções e auto-observação”, explica Akridge.

“E é por isso que graduados Montessori se tornam grandes líderes, porque todas as funções executivas para serem bem-sucedidos foram aprendidas na pré-escola e no ensino fundamental”, acrescenta.

Atualmente, existem cerca de 25 mil escolas Montessori em todo o mundo – embora Associação Montessori Internacional reconheça que é difícil saber o número exato, porque as instituições não são obrigadas a se registar na associação.

Quando tinha apenas 2 anos, Jeff Bezos frequentou uma escola Montessori em Albuquerque, nos Estados Unidos, durante um ano e meio. “É incrível”, Jeff Bezos disse à revista Montessori Life em 2000. “Que programa bom.”

“Intuitivamente, acho que foi uma experiência muito formativa ter ido àquelas aulas, naquele ambiente e ter sido estimulado desde muito cedo”, analisou Bezos sobre seu tempo na escola.

Em setembro, Bezos criou um fundo de caridade de US$ 2 bilhões para ajudar os sem-teto e estabelecer uma nova rede de escolas inspiradas por esse método educacional.

Os fundadores do Google também já destacaram a importância da educação primária que receberam para suas conquistas. “Nós dois fomos para a escola Montessori e acho que parte do treinamento de não seguir ordens e regras nos motivou a pensar o que estava acontecendo no mundo e a pensar em coisas diferentes”, disse Larry Page, em entrevista à rede americana ABC, em 2004.

Gabriel García Márquez foi outro dos antigos alunos de Montessori, fato que o escritor destacou em seu livro autobiográfico “Viver para contar”. “Eu não acho que há um método melhor do que o Montessori para sensibilizar as crianças para as belezas do mundo e para despertar a curiosidade sobre os segredos da vida”, Márquez escreveu.

“É curioso que os empreendedores de sucesso que estudaram na Montessori falem sobre sua formação inicial quando perguntados sobre como se tornaram o que são”, diz Akridge.

“Quando falamos de realizações (por causa das práticas) Montessori, às vezes é difícil, porque nosso método é apenas de primário. Então há uma lacuna desde (o momento em) que as pessoas deixam a escola (até começarem a trabalhar). Por isso, chama a atenção que esses empreendedores milionários o mencionem”, diz.

Mas nem todos os comentários são positivos quando se fala do método Montessori. Alguns críticos acreditam que o ambiente de sala de aula é livre demais, questionam as prioridades de ensino de Montessori ou o fato de que as crianças normalmente não terem dever de casa.

Há também aqueles que desaprovam a liberdade dos alunos de escolherem o que vão estudar, porque acreditam que isso os leva a não dominarem algumas áreas de conhecimento no futuro.

Como não há exames formais, há também aqueles que temem que a falta de uma estrutura mais rígida deixe a criança em desvantagem durante a transição entre a escola Montessori e a tradicional, de acordo com um artigo da Universidade Concordia em Oregon, nos Estados Unidos.

Akridge contesta essa visão. “As pesquisas mais recentes sobre educação refletem o que fazemos em termos de sucesso. Por exemplo: misturar idades na escola, dar menos lição de casa, focar nas necessidades emocionais da criança …”, diz. “Tudo isso, estamos fazendo há 100 anos”, diz.

Em um estudo de 2017 publicado na revista Frontiers in Psychology, pesquisadores avaliaram o início da pré-escola para cerca de 70 alunos do método Montessori e para outros 70 de uma escola tradicional nos Estados Unidos. Todos eles iniciaram os estudos com pontuações semelhantes.

Nos três anos seguintes, as 70 crianças do método Montessori tiveram melhores resultados em testes de matemática e alfabetização. No final da pré-escola, os alunos da Montessori tiveram um desempenho significativamente melhor nessas áreas.

No entanto, na resolução de problemas de grupo, função executiva e criatividade, não houve diferenças significativas.

Outro estudo do ano passado publicado na revista Nature destacou que não há evidências de que os resultados em estudantes do método Montessori indiquem maior eficácia do método.

A pesquisa, do Departamento de Psicologia e Desenvolvimento Humano da University College of London, no Reino Unido, analisou estudos feitos sobre o sistema educacional e ressaltou que “não há elementos individuais do método Montessori que poderiam explicar algum dos efeitos positivos que eles afirmam encontrar” nos alunos.

O que fica claro é que medir o êxito de alguém é muito difícil. E atribuí-lo à educação primária, como nos casos de celebridades milionárias, também é.

“A história por trás do sucesso dos pessoaas de negócios é delas próprias. Se elas atribuem isso à sua educação em Montessori, também é uma decisão delas”, respondeu a Associação Montessori Internacional à BBC.

“Todos eles são pessoas de negócios inspiradas na tecnologia e, nesse sentido, suas mentes são, naturalmente, curiosas, inquisitivas e motivadas pelo desejo de descobrir”, afirmou a entidade. (Analía Llorente)

Go to Top