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Cortador de cana chega à final de Olimpíada de Língua Portuguesa contando sonho nordestino

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Na foto, Sineudo posa com a diretora de sua escola Adriana Telles, de Tamboara (PR)

Edgard Matsuki, no UOL

O cearense Sineudo dos Santos, 23, foi finalista da Olimpíada de Língua Portuguesa

Entre os 152 alunos que foram a Brasília participar da final da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, o cearense Sineudo dos Santos chama atenção por destoar do estereótipo de estudante premiado. Com 23 anos e no 3º ano do ensino médio, o cortador de cana conseguiu o feito de chegar à última etapa do concurso ao falar de um assunto que ele entende muito: o “sonho nordestino”.

Com a experiência de quem saiu da cidade cearense de Jardim para cortar cana em Tamboara (PR), Sineudo escreveu sobre as dificuldades e os benefícios que os migrantes do nordeste proporcionam às cidades do sul do país no artigo opinativo “O polêmico sonho nordestino em terra paranaense”.

No artigo, Sineudo fala sobre o sofrimento do povo nordestino e conta o “segredo” de conhecer tanto o assunto: “Sou nordestino e sinto na pele essa polêmica… Não fossem pelas dificuldades em sobreviver em uma terra tão castigada pela seca, não deixaríamos para trás quem tanto amamos para trabalhar em terras tão distantes”.

A classificação para a etapa final da Olimpíada de Língua Portuguesa chega no mesmo mês em que Sineudo completa o ensino médio. “Foi a coroação para tanta luta”, afirma. Caçula de uma família de sete irmãos, Sineudo é o primeiro a conseguir terminar o ensino médio.

Em uma cidade que não tinha energia elétrica a água encanada até o ano 2000, ele foi o único que teve oportunidade de continuar na escola. Mesmo assim, a rotina era árdua. “Trabalhava batendo tijolo em uma Olaria das 7h30 às 17h30. Aí tinha subir em uma caçamba de caminhonete com mais 15 pessoas, percorrer 18 km, assistir a aula e voltar para casa. Recentemente, teve até um acidente com esse carro“, conta.

Finalista teve que largar os estudos para cortar cana

Com a mão calejada do trabalho e dormindo menos de seis horas por dia, a tentação de parar os estudos sempre foi um fantasma na vida do cearense. O incentivo da família o ajudava a vencer o desejo de largar tudo. Porém, a oportunidade de sair da cidade natal o fez abandonar os estudos quando estava no 3º ano em 2009. “A vida estava muito sofrida e queria ajudar a família”, se justifica.

A motivação para voltar a estudar só veio no início de 2012, quando perdeu a oportunidade de sair do corte de cana. “Tinha uma vaga de técnico de segurança e perdi porque não tinha segundo grau. Aí decidi retomar”.

Para Sineudo, o momento mais difícil foi na semifinal, realizada em Belo Horizonte: “A gente tinha que escrever um artigo após um debate e pesquisa no computador. Só que eu não sei usar internet. Aí quando todo mundo foi pesquisar, eu sentei, peguei a caneta e escrevi o que tinha na cabeça. Pensei que ia perder, mas aconteceu o contrário”.

Incentivo

Conciliando trabalho e estudo, Sineudo começou a estudar apenas para ganhar o diploma. Mas tudo começou a mudar com a Olimpíada de Língua Portuguesa, o texto sobre o “sonho nordestino” e as classificações nas etapas municipal, estadual e regional do concurso.  Para ele, participar é uma vitória: “com o texto, pude mostrar um pouco da vida do migrante nordestino”.

O texto acabou dando uma guinada na vida do estudante. “Quando vimos o texto dele percebemos que é único. Ele teve a oportunidade de tratar de um assunto dando o exemplo de vida dele mesmo, que saiu do Ceará porque ganhava R$ 12 por dia”, diz Adriana Telles, diretora da escola de Sineudo.

Para chegar à última etapa do concurso, Sineudo passou pela etapa municipal (com outros seis candidatos), estadual (concorrendo com 476 alunos), regional (com 127 semifinalistas) e final (com 38 alunos). Mas não ficou entre os ganhadores.

Com o concurso, o cearense ganhou uma viagem para Belo Horizonte (para as semifinais), uma para Brasília (para as finais, com direito a um tour pela cidade), um tablet, 225 reais em livros.

Perguntado sobre quais eram os “sonhos nordestinos” dele, Sineudo foi bem modesto. “Já quis sair da minha terra, comprar uma moto e até ser médico. Hoje, meu principal sonho é ter um emprego decente para que eu possa dar uma boa condição de vida para minha família”, conta o, segundo ele mesmo, mais esforçado dos 152 finalistas da Olimpíada da Língua Portuguesa.

Autor de romance picante trabalha também como pastor

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Fernando Moreira, no Page not Found

Alan T. McKean (foto), de 62 anos, autor de um romance descrevendo as aventuras sexuais de um viajante do tempo, também trabalha como reverendo de uma igreja protestante em Black Isle (Escócia).

Os fiéis só recentemente se deram conta de que o reverendo e o autor de “The Scent of Time” são a mesma pessoa – quatro meses depois de o livro ter sido lançado.

McKean disse ao “Sun” que algumas pessoas acham incompatível o livro picante com a função de líder religioso.

“Se você está escrevendo um livro, tenta tornar os personagens verossímeis. Tentei contar a história sob a ótica de um homem de 24 anos. E a maioria dos homens de 24 anos pensa em garotas a maior parte do tempo”, afirmou.

Dica do Tom Fernandes

Conselho aprova proposta contra proibição de biografias não autorizadas

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Imagem: Google

Gabriela Guerreiro, na Ilustrada

O Conselho de Comunicação Social, instalado no Congresso Nacional, aprovou nesta segunda-feira (3) proposta que acaba com a proibição de veicular ou publicar biografias que não sejam autorizadas pelos biografados.

A proposta também sugere que um juiz não poderá decidir pelo recolhimento ou impedir a circulação de obras biográficas depois que elas já estiverem sendo comercializadas. O Conselho de Comunicação Social é formado por membros e funcionários de empresas de comunicação e da sociedade civil, com o objetivo de auxiliar os parlamentares em questões relacionadas à mídia por meio de estudos, pareceres e recomendações.

Pelo texto, a ausência de autorização não impediria a realização da biografia de pessoas cuja trajetória pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública. O texto não acaba com a possibilidade de eventuais indenizações aos biografados se houver ilícitos ou irregularidades na elaboração da obra –mas diz que não deve haver prejuízos à sua circulação.

“Ao juiz, fica vedado o recolhimento da obra. Depois se discute a indenização. Isso está em sintonia com a Corte Interamericana de Justiça. A privacidade de uma pessoa notória é diferente da privacidade de uma pessoa comum. Precisamos reconhecer os direitos da personalidade, mas precisamos também reconhecer o direito à realização de biografias que hoje se encontra restrito”, disse o relator da proposta, o advogado Ronaldo Lemos.

As mudanças se aplicariam, segundo o relator, às pessoas públicas ou cuja trajetória “pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública ou esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade”. “Para o indivíduo comum, vale a regra de que prevalece o direito à privacidade. Mas a esfera da privacidade de uma pessoa pública é menor”, disse Lemos.

O texto do relator, que é colunista da Folha e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e do Creative Commons no Brasil, previa a elaboração de uma proposta legislativa para tramitar no Congresso com as mudanças. O conselho decidiu, porém, apenas encaminhar a proposta como recomendação aos presidentes da Câmara e do Senado — sem formalizar um texto para tramitar no Congresso, onde já correm três projetos sobre o tema.

A maioria dos conselheiros entendeu que não é atribuição do órgão elaborar propostas legislativas. “Não fomos chamados para tanto e que não temos competência para apresentar emendas a um projeto de lei”, disse o conselheiro Alexandre Jobim.

Pela legislação atual, uma publicação pode ser proibida caso o biografado não a autorize. Recentemente, a comercialização de uma biografia do cantor Roberto Carlos, já pronta, foi proibida após decisão judicial.

“Nos EUA, Michael Jackson e Barack Obama têm 160 biografias publicadas cada um. Discursos considerados problemáticos devem ser respondidos com mais discursos, e não com a proibição”, disse Lemos.

A proposta de Lemos preserva o direito do biografado de ingressar com ação judicial civil se houver abuso ou má-fé na elaboração da obra –ou se os autores adotarem meios ilícitos na divulgação, transmissão, exposição, publicação ou utilização de escritos, palavras e imagens de terceiros.

A proibição de biografias não autorizadas também é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal, que questiona a constitucionalidade do artigo, por violar a liberdade de expressão. O conselho não tem competência para discutir essa ação.

RECOMENDAÇÃO

Com a decisão, o relator também vai encaminhar a proposta como recomendação aos deputados autores dos três projetos de lei que tramitam no Congresso sobre o tema. Os parlamentares podem, ou não, adotar a proposta sugerida pelo conselho.

Um dos projetos, de autoria do deputado Newton Lima Neto (PT-SP), altera o Código Civil para derrubar a proibição e determinar que a falta de autorização do biografado, sozinha, não pode impedir a publicação da obra.

Na última reunião do órgão, realizada nesta segunda-feira, foi aprovada proposta que altera artigos do regimento interno do conselho. A principal mudança formaliza a determinação para que propostas da sociedade civil não sejam encaminhadas diretamente ao órgão — mas ao presidente do Congresso, que as repassa ao órgão auxiliar do Legislativo.

Novo livro de J.K Rowling, “Morte Súbita” chega ao Brasil na próxima semana

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Publicado no UOL

Livro mais bem vendido no Reino Unido em 2012 e que dividiu a opinião da crítica especializada, “Morte Súbita”, novo romance da autora da saga Harry Potter, J.K. Rowling, chega ao Brasil na próxima semana, com tradução em português.

Editado pela Nova Fronteira e com cerca de 500 páginas, o livro é situado em Pagford, uma cidade aparentemente idílica no sudoeste da Inglaterra e começa com a morte de um vereador local. Essa morte faz com que uma parte dos moradores comece a planejar um esquema para encontrar um substituto que simpatize com a sua causa: libertar a classe média da convivência com um sórdido conjunto habitacional.

O livro aborda questões como a dependência de heroína, prostituição, família monoparental, desejos adolescentes e a religião Sikh, que a autora precisou estudar para escrever. O primeiro capítulo é introduzido por Charles Arnold-Baker, responsável pela Administração dos Conselhos Locais explicando a morte do político. A partir daí, a história da família de três adolescentes começa a ser introduzida.

Rowling explicou em evento para os fãs em Nova York que sua principal preocupação é que as pessoas entendam a moral da trama. “Quero que quando as pessoas comprem este livro, elas entendam porque antes da cena final, estes personagens tomam as decisões que tomam”, conta com suspense.

A autora diz que “continuará matando pessoas” no romance. “Tenho um tipo de obsessão com a morte. Este livro mostra a mortalidade de diferentes pontos de vista. Mas não quero fazer ninguém chorar com ele”, comenta.

“Minha mãe morreu muito jovem, foi uma experiência muito intensa. Minha família era de aristocratas ingleses e velhos, morria gente o tempo inteiro, foi algo que vivi com muita frequência. Este livro fala sobre o externo e o interno. No fim, não é a família o mais importante, mas a mistura da sua religiosidade e moralidade”, conclui a autora.

Romance adulto da autora de “Harry Potter” divide opiniões dos críticos

“‘The Casual Vacancy’ não é uma obra prima, mas não é de todo ruim: inteligente, esforçado, e muitas vezes engraçado”, disse Theo Tait, no britânico Guardian. “O pior que se poderia dizer a respeito, realmente, é que ele não merece o frenesi midiático que o cerca. E quem hoje em dia acha que mérito e publicidade têm algo a ver um com o outro?”

Publicidade, aliás, é o que não faltou no primeiro trabalho de Rowling após os sete volumes da série “Harry Potter”, que venderam 450 milhões de exemplares no mundo todo. Em Londres, muitas livrarias abriram antes do normal para atender à demanda, e nos EUA o livro saiu com uma tiragem inicial estimada em 2 milhões de exemplares.

Andrew Losowsky, do Huffington Post, disse que o romance merecia ser publicado, mas talvez não esteja à altura da expectativa que gerou. “Será que esse livro seria publicado se não fosse pelo nome na capa? Quase certamente (sim). Será que alguém prestaria muita atenção a ele e à sua mensagem? Provavelmente não.”

Mas ele também disse que Rowling, de 47 anos, deveria insistir na ficção adulta, embora a autora já tenha dito que seu próximo trabalho provavelmente será infantil.

“Embora algumas sequências pareçam estar a algumas versões de ficarem prontas, outras são escritas com uma fluência e uma beleza que sugerem que poderia haver mais e melhores obras vindo da sua pena.”

Boyd Tonkin, do Independent, opinou que Rowling se sai melhor na descrição dos personagens mais jovens, ao passo que seus pais às vezes parecem caricaturais. “Toda a turbulência social e hormonal que os últimos volumes de ?Potter’ precisavam cobrir com eufemismos de fantasia aparecem plenamente à vista aqui.”

O conservador Daily Telegraph criticou o tratamento dado à classe média no livro. “Enquanto Rowling dá o devido respeito aos personagens mais pobres e maltratados, subindo na escala social ela fica ocupada entalhando (personagens) grotescos”, escreveu Allison Pearson, que deu três estrelas ao livro.

Rowling é considerada a primeira escritora (ou escritor) a fica bilionária com a venda de livros e direitos para o cinema, mas ela começou a carreira literária, na década de 1990, num momento de dificuldades financeiras, como mãe solteira e desempregada, dependente de benefícios sociais. Ela é uma tradicional apoiadora do Partido Trabalhista.

Mas talvez a crítica que mais desagrade à autora tenha sido a de Monica Hesse, no The Washington Post. “Ao longo de ‘The Casual Vacancy’, eu não conseguia deixar de ter um pensamento dominante, que a devotada fã que existe em mim odeia partilhar, já que tenho certeza de que é o que Rowling mais detesta escutar: esse livro seria um pouco melhor se todo mundo tivesse uma varinha de condão.”

LEIA TRECHO DE “MORTE SÚBITA” 

Parada do Livro

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Helena Aranha e Helena Nabuco, no Catarse

O Parada do Livro é uma iniciativa de incentivo à leitura, que consistirá na instalação de 10 estantes de livros em pontos de ônibus, na cidade de São Paulo.

No Brasil, como um todo, a leitura é uma atividade pouco desenvolvida, principalmente quando comparada aos seus vizinhos sul-americanos, ou outros países estrangeiros. De fato, apenas 50% dos brasileiros podem ser considerados leitores (ou seja, leram pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses, segundo a definição do Instituto Pró-Livro), enquanto que, no Chile, este percentual é de 80%, por exemplo. Além disso, o principal motivo apontado para afastar o brasileiro da leitura, é a falta de tempo e o desinteresse em ler. No país, esta atividade está fortemente associada aos estudos, o que faz com que as pessoas abandonem a leitura, juntamente dos livros da escola/faculdade.

Para ajudar a reverter este quadro, o Parada do Livro foi criado, procurando abordar esta problemática de maneira diferenciada e inovadora, entregando os livros diretamente nas mãos dos paulistanos, em um local que passam todos os dias: os pontos de ônibus. Como o paulistano médio gasta cerca de 2h30 por dia no trânsito, o acesso gratuito aos livros nos pontos de ônibus será uma maneira de despertar o interesse e a paixão que todos nós podemos ter pela leitura. Com isso, pretendemos não só melhorar o acesso à informação e ao conhecimento, quanto também cultivar valores de compartilhamento em espaços públicos, pois as estantes pertencerão à comunidade. De quebra, ainda queremos diminuir o tédio e o estresse do trânsito, com o entretenimento que a leitura pode fornecer.

A dinâmica das estantes de livros será: o indivíduo pode pegar o livro que estiver interessado gratuitamente, levar para casa e devolvê-lo quando terminar de ler. Será incentivada, também, a doação de livros, para que a estante tenha a rotatividade necessária de volumes a serem emprestados.

Pela sua natureza colaborativa, optamos pelo Catarse para arrecadarmos os fundos necessários para a realização do Parada do Livro: esta idéia surgiu quando descobrimos um concurso na nossa faculdade, chamado CATARSE NA ESPM. Este iria selecionar um projeto de um aluno, para ganhar uma assessoria completa para uma campanha de crowdfunding. Achamos que o concurso tinha tudo a ver com a nossa idéia, nos inscrevemos e ganhamos! E agora estamos aqui, para continuar essa história com vocês.

Com sua ajuda, poderemos tornar esta iniciativa uma realidade, até julho de 2013. A quantia necessária para fazer o Parada do Livro acontecer é de 5600 reais, que pretendemos arrecadar em 1 mês. Este valor é solicitado para cobrir gastos referentes apenas ao projeto: a construção das 10 estantes, seu transporte e manutenção, além dos gastos relacionados à divulgação do projeto – como cartazes, encartes e folhetos, que serão feitos pelas próprias curadoras da proposta. Porém, como em todos os projetos do Catarse, se o valor necessário não for atingido, o dinheiro doado será devolvido aos colaboradores e o Parada do Livro não acontecerá.

Sendo assim, convido você a colaborar com esta iniciativa!

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