Posts tagged Philip Roth

Companhia das Letras antecipa inédito de Philip Roth no Brasil

0

O escritor Philip Roth em retrato feito em Nova York em setembro de 2010 (Eric Thayer/Reuters)

Com a morte do mestre americano, ‘Quando Ela Era Boa’, livro publicado em 1967 nos Estados Unidos, ganha primeira versão no país um mês antes do previsto

Maria Carolina Maia, na Veja

Foi adiantado em um mês o lançamento de Quando Ela Era Boa (tradução de Jorio Dauster, 352 páginas, 59,90 reais), romance lançado por Philip Roth em 1967, nos Estados Unidos, e ainda inédito no Brasil. O livro sai dia 26 de junho pela Companhia das Letras, editora do americano, morto dia 22 de maio, por aqui.

Para quem é atraído pela tese de que Philip Roth era um autor misógino, Quando Ela Era Boa pode interessar: o título é o único do escritor protagonizado por uma mulher, Lucy Nelson, que viu seu pai, um alcoólatra, ser preso quando era criança e então decidiu romper com a chamada vida pequeno-burguesa em uma pequena e provinciana cidade do Meio-Oeste americano, nos anos 1940.

Traumatizada pela experiência com o pai e convencida de que a “bondade” é uma doença, Lucy se dedica a transformar os homens à sua volta, como o mimado marido Roy, em uma missão que, no limite, pode representar sua própria ruína.

Escritor norte-americano Philip Roth morre aos 85 anos

0

Philip Roth era um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX | Reuters

O escritor morreu de insuficiência cardíaca na terça-feira, aos 85 anos. Foi um dos principais autores da literatura norte-americana da segunda metade do século XX.

Publicado na RTP

Natural de Newark, Nova Jersey, a 19 de março de 1933, o premiado romancista era considerado um dos maiores escritores da atualidade. Candidato eterno ao Nobel da Literatura, foi autor de mais três dezenas de obras.

Roth tinha anunciado a decisão de deixar de escrever aos 78 anos, em 2012, após a publicação da obra Nemesis, em 2010. Desde então dedicou-se a ler a sua obra publicada, no sentido de avaliar se “tinha desperdiçado” o seu tempo na literatura. Em entrevista à New York Times Book Review, em 2014, concluiu: “Fiz o melhor que consegui com o que tinha”.

Durante a juventude foi um grande entusiasta do desporto, em particular do basebol. A literatura chegou mais tarde, aos 18 anos. Formou-se em Estudos Ingleses pela Universidade de Bucknell, e concluiu um mestrado na mesma área na Universidade de Chicago. Em 1957 e chegou a iniciar uma tese de doutoramento, mas abandonou o projeto pouco tempo depois, decidindo dedicar-se à escrita.

A primeira obra surge logo em 1959. Goodbye, Columbus foi aclamada pela crítica e recebeu o prêmio National Book Award, tendo sido também adaptada para o cinema pelo realizador Larry Peece.

Durante a longa carreira, entre várias distinções, Philip Roth foi premiado com dois National Book Awards, dois National Book Critics Circle e, em 1998, com o Pulitzer a partir da ficção American Pastoral. (“Pastoral Americana), um dos seus livros mais aclamados.

Roth foi ainda galardoado com o Prêmio Internacional Man Booker, atribuído no Reino Unido em 2011 e, um ano depois, venceu o Prêmio Príncipe das Astúrias de Literatura, o principal prêmio literário em Espanha. Também nesse ano, o autor recebe a Medalha Nacional das Humanidades, atribuída pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama.

Antes, em 2002, tinha recebido a Medalha Nacional de Artes da Casa Branca, atribuído pela Academia de Artes e Letras, e ainda a medalha de Ouro da Ficção, atribuída anteriormente a lendas da literatura como William Faulkner ou Saul Bellow, entre outros. Escreveu livros que marcam a literatura contemporânea, tais como Operação Shylock (1994), A Mancha Humana, (2001) ou Everyman (2007).

Já o livro O Complexo de Portnoy conheceu grande impacto junto do grande público em 1969, muito por culpa das cruas descrições sexuais e da abordagem à vivência judaica. A obra foi mesmo banida da Austrália, mas vendeu milhões de cópias no resto do mundo.

Ainda que vários livros explorassem a realidade judaica nos Estados Unidos, Philip Roth identificava-se como ateu. “Não é uma questão que me interesse. Eu sei o que é ser judeu e para mim não é interessante. Sou americano” disse ao jornal The Guardian em 2005.

Livros que “mordem e picam”

No romance O Escritor Fantasma, Philiph Roth lembrou um dos seus heróis literários, Franz Kafka: “Só devemos ler aqueles livros que nos mordem e nos picam”.

Foi sucessivamente atacado por feministas, judeus e uma das ex-mulheres, por vezes pessoalmente. Nos romances que escreveu, as mulheres eram descritas como objetos de desejo e raiva, tendo mesmo sido acusado de misoginia.

A relação com a comunidade judaica foi também turbulenta. Uma das críticas que recebeu após o lançamento de “O Complexo e Portnoy” referia que aquele era o livro “pelo qual todos os antissemitas estavam a rezar”.

Phiplip Roth sobreviveu no final dos anos 60 a uma apendicite e a uma depressão quase suicida em 1987. Revisitou esse tempo em Os Fatos, Pastoral Americana, entre ouros trabalhos.

Numa entrevista à revista The New Yorker em 2000, o escritor antecipava o “fim da era literária”. “A evidência está na cultura, a evidência está na sociedade, a evidência está na tela, na progressão para a tela de cinema, para a tela da televisão, para a tela do computador”, referia.

Philip Roth considerava, na mesma entrevista, que a literatura “precisa um hábito mental que desapareceu”

“Requer silêncio, alguma forma de isolamento e concentração constante, na presença de algo que é enigmático. É difícil lidar com um romance maduro e inteligente”, considerava ainda o autor.

Em O Teatro de Sabbath, publicado em 1995, o escritor imaginou a inscrição que teria a sua lápide: “Sodomita, Abusador de Mulheres, Destruidor de Caracteres”.

Numa entrevista ao New York Times no início do ano, Philip Roth descreveu a sua experiência de mais de 50 anos de escrita: “Exultação e gemidos. Frustração e liberdade. Inspiração e incerteza. Abundância e vazio. Ardente e confusa”.

Chega aos cinemas ‘Indignação’, adaptação de romance de Philip Roth

0
(foto: Sony/divulgação)

(foto: Sony/divulgação)

 

Diretor James Schamus afirma que foi um desafio levar o livro para o cinema. ‘Joguei fora as melhores partes do livro’, confessa

Publicado no UAI

Philip Roth é o maior escritor americano vivo, com prolífica produção de mais de 30 livros. Só que, até o ano passado, apenas cinco deles haviam sido levados para o cinema. Produtor e roteirista renomado, o cineasta James Schamus resolveu arriscar. Já de posse dos direitos do romance Indignação – lançado no Brasil pela Companhia das Letras –, escreveu um roteiro e, antes de começar a filmar, cometeu o que chama de “um ato de idiotice”. Enviou o texto para Roth, atrás de consentimento.

Roth, porém, recusou-se a ler. Para ele, o filme pertencia a Schamus. “Sou um grande fã dos livros do Roth. Então mandei o roteiro porque não ficaria bem com minha consciência se fizesse um filme que ele odiaria. Mas ele fez o incrível favor de me dar liberdade”, diz o diretor.

Sexta adaptação da obra de Roth, Indignação estreia nesta quinta no Brasil. Seus temas são bem típicos do autor: o protagonista judeu, o preconceito, as amarras da tradição, a formação da identidade americana e uma sociedade com a sombra da guerra. As mesmas questões também estarão representadas em Pastoral americana, de Ewan McGregor, que chega ao Brasil em 15 de dezembro.

“O que faz os romances do Roth incríveis é sua voz, a qualidade, a honestidade brutal, que vem da manipulação da forma literária no nível mais alto”, explica Schamus. “A dificuldade em adaptar sua obra está exatamente nessa voz. O cinema é basicamente representação, não tem voz. Você pode ter algum estilo, há cineastas que conseguem fazer do estilo uma espécie de voz literária, mas eles são muito raros e não necessariamente são contadores de história. Para fazer Indignação, cometi a violência terrível de tirar a voz do Roth e deixar apenas os diálogos e as ações dos personagens. Basicamente joguei fora as melhores partes do livro e captei o que havia de cinema ali”, revela.

Schamus é um dos mais respeitados produtores e roteiristas dos EUA. Por suas parcerias com Ang Lee ganhou o prêmio de melhor roteiro em Cannes com Tempestade de gelo (1997) e foi indicado ao Oscar de melhor filme com O segredo de Brokeback Mountain (2005) e de canção original e roteiro adaptado por O tigre o dragão (2000).

UNIVERSIDADE Indignação é seu primeiro longa-metragem como diretor. O filme se passa na década de 1950, nos anos da guerra da Coreia. Logan Lerman faz o papel de um jovem universitário judeu, filho de um açougueiro, que entra em conflito com a repressão sexual e o atraso social da instituição de ensino. O longa-metragem teve sua primeira exibição no Festival de Sundance, em janeiro, e foi muito bem recebido pela crítica americana.

“A história é bastante atual. Roth mostra que é mais fácil olhar para os dias de hoje através de um espelho distorcido do passado. Temos hoje a mesma homofobia, o mesmo machismo, o mesmo racismo e a mesma militarização daquela época”, afirma Schamus.

Autobiografia de Philip Roth chega nesta terça-feira às livrarias

0
Foto: Reprodução / Reprodução

Foto: Reprodução / Reprodução

 

Livro permite compreender não só a vida do escritor, mas também a sua relação com a literatura

Alexandre Lucchese, no Zero Hora

Chega nesta terça-feira às livrarias Os fatos: A autobiografia de um romancista, de Philip Roth. O lançamento do livro, no entanto, não contradiz o anúncio do escritor de que deixaria as letras em 2012. Na verdade, o livro foi publicado originalmente em 1988, mas só agora ganhou uma versão brasileira – era um dos três títulos que faltavam para a Companhia das Letras ter a obra completa do autor editada no Brasil.

A demora de quase três décadas para o lançamento de uma edição brasileira sugere que este é um livro que poderia esperar. E poderia, embora não precisasse ser por tanto tempo. Roth, um dos maiores escritores americanos vivos, tem uma longa lista de títulos mais prestigiados do que Os fatos, o que provavelmente empurrou a autobiografia para o fim da fila das edições. No entanto, esta narrativa é importante para compreender não só a vida do escritor, mas também sua relação com a literatura.

Os fatos narra a trajetória de Roth desde a infância, vivida em um bairro judeu de Nova Jersey, até sua consagração como romancista. Na primeira parte, o texto se arrasta por lembranças infantis, tendo momentos de derramada nostalgia, como quando trata de seu amor pelo beisebol. Em seguida, a narrativa cresce, com episódios que envolvem sua formação acadêmica e literária. A escrita e a repercussão de O complexo de Portnoy (1969), polêmico romance que o tornou famoso e rico, é um dos pontos altos desta autobiografia.

No entanto, nada ali narrado deve impressionar os leitores que passaram por biografias como Roth libertado: O escritor e seus livros, de Claudia Roth Pierpont, lançada no Brasil no ano anterior, também pela Companhia das Letras. A grande virada de Os fatos se dá nas páginas finais, com uma carta do personagem Nathan Zuckerman ao escritor. Alter ego de Roth na série de romances Zuckerman acorrentado e outros livros, com Pastoral americana, ele escreve: “Li o manuscrito (de Os fatos) duas vezes. Eis a sinceridade que você pediu: Não publique – você faz muito melhor escrevendo a meu respeito do que reportando `com precisão¿ sobre sua própria vida”. Trata-se de Roth tomando a voz de uma de suas criações literárias para discutir o peso do fazer literário em sua vida.

O autor não se mostra dominado pela sua ficção – tanto é que não segue o conselho de Zuckerman para não publicar Os fatos –, mas borra as fronteiras entre realidade e imaginação. A carta do personagem faz o leitor refletir sobre a sinceridade da autobiografia: “É ‘você’ de verdade ou é como você quer ser visto pelos leitores aos 55 anos?”, questiona o texto. Mais adiante, o personagem afirma que O Complexo de Portnoy, romance sobre um rapaz que se masturba de modo obsessivo, pode constituir “o que mais se aproxima de ser uma autobiografia daqueles impulsos”. Sendo assim, a ficção do escritor, e não um texto pretensamente verídico, seria o mais próximo da verdade que Roth poderia chegar.

Apesar de ser apresentado como uma autobiografia, Os fatos ganha ares de ficção e ensaio com a carta de Zuckerman. De curta dimensão – são 208 páginas – é um convite para melhor conhecer Roth e refletir sobre o papel da literatura em revelar o que há por trás dos fatos.

Lista dos 20 escritores mais cotados para ganhar o Nobel de Literatura de 2015

0

Euler de França Belém, no Jornal Opção

O “Estadão” listou “20 escritores sempre cotados para o Nobel, mas esquecidos pela Academia Sueca”

1 – A. B. Yehoshua – Israelense. Autor de “Fogo Amigo”.

2 – Adonis – Poeta sírio. Cotado há vários anos. A guerra na Síria pode ajudá-lo.

3 – Amos Oz – Israelense. Escreveu “De Amor e Trevas”.

Amos Oz

Amos Oz

4 – António Lobo Antunes – Maior prosador português vivo. Autor de “Arquipélago da Insônia”.

5 – Bob Dylan – Americano. Seria um Nobel de Literatura mais pop.

6 – Cees Nooteboom – Holandês. Autor de “A Seguinte História”.

7 – Cormac McCarthy – Americano. Autor de um brilhante romance shakespeariano, “Meridiano Sangrento”. Autor do primeiro time às vezes visto como do segundo.

8 – Don DeLillo – Americano. Tão notável como Roth e John Updike, mas não tão canônico. Autor de “Homem em Queda” (sua resposta literária ao 11 de Setembro).

9 – Haruki Murakami – Japonês. Tudo indica que há um lobby pró-autor do sofrível mas cult “1q84”.

10 – Ian McEwan – Inglês. O romance “Reparação” tem poucos páreos nos últimos 30 anos. É um romance brilhantíssimo.

11 – Ismail Kadaré – Albanês. Autor de “O Jantar Errado”.

12 – Joyce Carol Oates – Americana. A mais brilhante escritora americana viva, altamente produtiva. Autora de “A Filha do Coveiro”.

13 – Margaret Atwood – Canadense. Autora de “O Conto da Aia”. Tão boa escritora quanto Alice Munro e ótima crítica literária.

14 – Mia Couto – Moçambicano. Autor de “O Último Voo do Flamingo”.

Mia Couto

Mia Couto

15 – Milan Kundera – Tcheco. Escreve em francês. Um gênio literário subestimado pelo fato de ter se tornado popular com “A Insustentável Leveza do Ser”. Também grande crítico literário; na realidade, ensaísta.

16 – Ngugi wa Thiong’o – Queniano. Autor do celebrado romance “Sonhos em Tempos de Guerra — Memórias de Infância”.

17 – Philip Roth – Americano. Autor de dois livros importantes: “O Complexo de Portnoy” (filho americano de, quem sabe, Jonathan Swift) e “O Teatro de Sabbath”.

Philip-Roth-1

Philip Roth

18 – Salman Rushdie – Indiano. Autor de “Versos Satânicos”. Corre-se o risco de a Academia Sueca premiá-lo por motivos políticos (perseguição dos iranianos) e não razões literárias (é, de fato, um grande escritor).

19 – Thomas Pynchon – Americano. Autor de “O Arco-Íris da Gravidade” e “Vício Inerente”. Se vencer, iria receber? É um problema para a Academia Sueca.

20 – Umberto Eco – Italiano. Subestimado como escritor, como Kundera, por ter se tornado popular com “O Nome da Rosa”. Precisa ser lido com mais abertura mental.

Umberto Eco

Umberto Eco

(A lista é do “Estadão”; os comentários, do Jornal Opção. Faltam outros escritores, claro; por exemplo, Martin Amis. Pode pintar surpresas, como em outros anos.)

Go to Top