Posts tagged Piada

O Eduardo Jorge diz que lê Tolstói e a Veja entende Toy Story

0

Aqui trataremos de uma piada que ocorreu a respeito de uma coletiva com o candidato a presidente Eduardo Jorge. Deixando claro que não é apologia ou campanha eleitoral, já que as eleições passaram, mas para retratar a triste realidade do nosso jornalismo, principalmente no que tange a literatura e até a arte em geral.

1

Marcelo Vinicius, no Homo Literatus

Do que estamos comentando? De um alvoroço que tem rodado nas redes sociais a respeito do momento em que o candidato Eduardo Jorge disse em uma coletiva (você encontra o vídeo aqui) que prefere ler Tolstói (um clássico escritor russo), mas a jornalista Marcela Mattos registra que ele disse preferir assistir Toy Story. Transformando isso em manchete e publicando no site da Veja.

Como disse o nosso escritor Rafael Gallo, ganhador do Prêmio Nacional Sesc de Literatura, em sua rede no Facebook, a respeito dessa gafe:

Deve se achar esperta ainda, feito o monte de gente que tenho visto e ouvido nesses dias, que não fazem a menor ideia do tamanho das besteiras que têm soltado.

1

Outro escritor, o Sérgio Leo, que também ganhou Prêmio Sesc de Literatura, comentou a respeito, no perfil do seu Facebook:

Voltei, só para compartilhar o espanto com certo jornalismo nacional. O repórter pede desculpas por invadir a “privacidade pessoal” (!) do candidato. (Já eu me pergunto o que será privacidade impessoal). Eduardo Jorge diz que nunca fumou maconha e prefere Tolstói e a Veja relata que ele disse preferir… Toy Story.

1

O jornalismo é de uma grande responsabilidade ou deveria ser. Exige apuração, pois somos nós, leitores, que podemos ser prejudicados ou beneficiados. No mínimo deveria ter verificado o que o candidato disse de fato, que, por sinal, é facilmente possível verificar também por todos nós, acessando o próprio vídeo da coletiva mencionada. Analisaríamos, então, também, a expressão do Eduardo ao dizer “ler” e não “assistir”, como quis afirmar a tal jornalista da Veja, entre outras coisas.

Mas, todo ser humano erra, e ela errou. Compreendemos, pois quem nunca errou? Porém não deixa de ser uma gafe gritante, até porque o Eduardo foi bem claro na sua fala, sendo quase que impossível ocorrer um erro de interpretação tão destoante como esse. Contudo, não podemos duvidar de nada.

Salientando também que certos erros podem levar a uma consequência mais séria, principalmente se tratando de política (às vésperas da eleição) ou da imagem de uma pessoa sendo divulgada, dessa forma, na internet pelo um portal de notícias não tido como um portal de comédia, tornando preocupante certas deturpações.

Segue a tal matéria da Veja:

Defensor da descriminalização da maconha, o folclórico Eduardo Jorge afirmou, após debate entre os presidenciáveis nesta quinta-feira, que jamais experimentou a droga. “Eu tenho uma família de esportistas. Na minha casa nunca ninguém fumou nem cigarro, imagine maconha. Nós cuidamos muito da nossa saúde”, disse, ressaltando que é médico e que jamais “cairia numa bobagem dessas”. Para provar que não precisa de entorpecentes, o candidato à Presidência pelo Partido Verde citou alguns de seus hobbies: “Prefiro assistir a Toy Story com meu neto ou jogar futebol”, disse. (Marcela Mattos, do Rio de Janeiro)

1

A matéria pode ser acessada aqui.

Obs.: a gafe foi corrigida na revista Veja. O importante é isso, é reconhecer o erro, mesmo um erro que não poderia passar despercebido por ser tão gritante e envolver questões políticas, às vésperas da eleição, e imagem pessoal, mas acontece nas melhores famílias. Tudo resolvido, então, e bola para frente (depois das redes sociais, as notícias correm rápidas demais).

PS.: Compactuando com Rafael Gallo, não votei no Eduardo. Não se trata de defender um candidato, e sim de mostrar o quão sem referência os discursos são formados e – pior – formam a sua recepção.

Setembro verde e amarelo

0

Três livros nacionais lideram a lista mensal de setembro

Cassia Carrenho, no PublishNews

Não tem torcida uniformizada nem vuvuzela para comemorar, mas o Brasil levou as três primeiras colocações na lista geral mensal de setembro, e Nada a perder vol.2 (Planeta) foi o grande campeão. Lançado há pouco mais de um mês, o livro alcançou o número de 92.013 exemplares vendidos em setembro. Vale lembrar que esse é o segundo maior número de vendas em um mês em 2013. Só perdeu para ele mesmo, Nada a perder vol.1 (Planeta), em fevereiro, quando vendeu 125.776. A piada é pronta e velha, mas em time que tá ganhando, não se mexe.

O 2º lugar foi para outro recordista de vendas, 1898 (Globo), de Laurentino Gomes. Com 45.195 exemplares, o livro vendeu mais do que o 1º lugar de agosto. É interessante notar que os dois livros, Nada a perder vol2 e 1898, estrearam juntos na lista dos mais vendidos.

Em 3º lugar, outro vencedor já conhecido, Kairós (Principium), do Padre Marcelo, vendeu 39.836 exemplares. Desde maio o livro aparece entre os 3 mais vendidos nas listas gerais mensais.

Juntos, os três livros nacionais venderam 177.044, quase 40% a mais do que em agosto, em que os três primeiros lugares, Inferno (Arqueiro), Kairós (Principium) e A culpa é das estrelas (Intrínseca) venderam 103.417. Dá-lhe Brasil. Imagina na Copa?

No ranking das editoras, a Sextante manteve seu lugar de honra com 20 livros na lista mensal, mas 7 a menos que em agosto. Já a Intrínseca subiu para o 2º lugar, com os mesmos 17 livros de agosto. A grande novidade na lista em setembro foi o 3º lugar da Cosac Naif, empatada com a Record, com 14 livros – lembrando que em setembro foi a vez da Cosac fazer promoções de vendas, apostando numa estratégia usada por muitas outras também.

O que eu vi da vida, por Woody Allen

0

1

Má Dias, no Literatortura

Woody Allen, 77, escritor e diretor cinematográfico que está com seu quadragésimo oitavo filme (Blue Jasmine) nos cinemas internacionais (por aqui o filme estreia apenas em Outubro desse ano), deu um depoimento para a edição de Setembro da revista americana Esquire. A entrevista, disponível no site da publicação, faz parte de uma seção chamada What I’ve Learned? (O que aprendi?, em tradução livre), que conta com depoimentos de vários artistas sobre suas próprias carreiras, trabalhos e vida. Confira as dicas, opiniões e ensinamentos – quase sempre com um fundo de humor – desse tão aclamado diretor.

Minhas duas filhas adolescentes me veem como um ancião. Mas, pela manhã, me levanto antes delas, e as acordo para ir à escola.

As pessoas que não escrevem não entendem uma coisa: elas acham que você escreve uma linha conscientemente – mas você não escreve. Isso acontece inconscientemente. Então é a mesma surpresa para mim quando o que eu escrevi emerge como é para o público. Eu não penso numa piada e depois a digo. Eu a digo e depois percebo o que eu disse. E rio, porque estou ouvindo-a pela primeira vez também.

Sem medo, você jamais sobreviveria.

Meu pai nunca me ensinou como fazer a barba – aprendi isso com um motorista de táxi. Mas a maior lição que meu pai me ensinou é que se você não é saudável, então você não possui nada. Não importa quão ótimas as coisas estão indo para você, se você tiver uma dor de dente, ou uma dor de garganta, se você se sente enjoado, ou, Deus me livre, se tem alguma coisa muito séria e errada acontecendo com você – tudo está arruinado.

Um sanduíche de carne enlatada seria sensacional, ou um daqueles grandes e gordos salsichões, sabe, com mostarda. Mas eu não como essas coisas. Posso dizer que não como um salsichão há 45 anos. Eu não como comidas agradáveis. Eu como para ser saudável.

Marshall McLuhan previu que livros seriam obras de arte em algum momento. Ele estava certo.

Minha mãe ensinou-me um valor: rígida disciplina. Meu pai não ganhava o suficiente, minha mãe cuidava do dinheiro e da família, e ela não tinha tempo para futilidades. Ela ensinou-me a trabalhar e a não perder tempo.

Eu nunca vi uma cena sequer de nada que eu tenha produzido depois de finalizado. Eu nem sequer me lembro do que está nos filmes. Se estou no sofá, passeando pelos canais e de repente Manhattan ou outro filme aparece, eu os passo. Se eu ver Manhattan novamente, eu veria apenas o pior. Diria: “Oh, Deus, isto é tão embaraçoso. Eu podia ter feito daquele jeito. Eu deveria ter feito aquilo.” Então eu prefiro me poupar.

Durante o banho, com a água quente caindo, você deixa o mundo real para trás, e muito frequentemente as coisas se abrem para você. É a mudança de ambiente, o desbloqueio da tentativa de forçar as ideias que é incapacitante quando você está tentando escrever.

1

Se você nasceu com um dom, se comportar como se ele fosse uma conquista é errado.

Eu amo Mel Brooks. Passei momentos maravilhosos trabalhando com ele – mas não vejo nenhuma semelhança entre nós, exceto, você sabe, que ambos somos Judeus. É onde a semelhança termina. Seu tipo de humor é completamente diferente do meu. Mas, Bob Hope? Sou praticamente um plagiador dele.

Fizemos um tour pela Acrópole no final da manhã e eu olhei para baixo, para o teatro, e senti uma conexão. Quero dizer, este é o lugar onde Édipo estreou. É incrível para alguém que passou a vida no show business ou trabalhou com arte dramática olhar para o teatro onde, há milhares de anos, homens como Mike Nichols, Stephen Sondheim e David Mamet vestiam togas, e pensavam: “Puxa, eu não posso ficar nessa linha de trabalho. Você sabe, eu estive trabalhando nisso durante a noite inteira e aquele ator não sabe como interpretar.” Sófocles, Eurípedes e Aristófanes…

Tem sido dito sobre casamento: “Você tem que saber lutar.” E eu acho que há um pouco de sabedoria nisso. Pessoas que vivem juntas entram em discussões. Quando você é mais jovem, os argumentos tendem a aumentar – ou não há qualquer sabedoria que os substitua para mantê-los em perspectiva. Isso tende a ficar fora de controle. Quando você for mais velho, você percebe: “Bem, esse argumento não vai mais servir. Nós não concordamos, mas este não é o fim do mundo”. Daí a experiência entra em jogo.

Quando comecei – quando lancei Take the Money and Run – o pessoal da United Artists acumulou críticas do país inteiro em uma enorme pilha e eu as li. Texas, Oklahoma, Califórnia, New England… Foi quando percebi que isso é ridículo. Quero dizer, o cara em Tulsa acha que a imagem é uma obra prima, e o cara em Vermont acha que é a coisa mais estúpida que ele já viu. Cada cara escreve de uma forma inteligente. A coisa toda era tão inútil! Então eu abandonei para sempre a leitura de críticas. Graças à minha mãe, eu não perdi tempo refletindo sobre eu ser brilhante ou um tolo. É completamente inútil pensar sobre isso.

Você pode apenas se esforçar muito, e então estará à mercê da fortuna.

Eu, me sentando para um jantar com Ingmar Bergman, me senti como um pintor de paredes se sentando para jantar com Picasso.

É apenas um acidente o fato de que nós estamos aqui na Terra, desfrutando de nossos momentos bobos, distraindo-nos tantas vezes quanto possível, de modo que não temos que realmente enfrentar o fato de que, você sabe, nós somos apenas pessoas temporárias com um curto espaço de tempo em um universo que acabará por desaparecer completamente. E tudo o que você valoriza, seja Shakespeare, Beethoven, da Vinci, ou o que quer que seja, terá desaparecido. A Terra irá embora. O Sol irá embora. Não haverá nada. O melhor que você pode fazer para obter vida é se distrair. O amor funciona como uma distração. O trabalho também funciona como uma distração. Você pode distrair-se de um bilhão de maneiras diferentes. A chave é se distrair.

Um cara irá dizer: “Bem, eu faço minha sorte.” Este mesmo cara caminhará pela rua e um piano que está sendo içado cairá como uma gota sobre sua cabeça. A verdade é que sua vida está muito fora de seu controle.

Danilo Gentili: Brasil é o segundo país mais burro do mundo

1

 
x
No monólogo de hoje, Danilo Gentili faz piada com a posição do Brasil em um ranking mundial que mediu a qualidade da educação em quarenta países. O Brasil foi o penúltimo colocado e ficou a frente apenas da Indonésia.

Go to Top