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Videntes, guerra e fantasia: o Saint-Exupéry que você não conhecia

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Olivier d’Agay, um dos herdeiros do legado de Saint-Exupéry Créditos: Getty Images

Olivier d’Agay, um dos herdeiros do legado de Saint-Exupéry Créditos: Getty Images

Publicado no Glamurama

Um dos livros mais populares do século, “O Pequeno Príncipe” é também um dos mais polêmicos. Conhecido como “livro de miss”, o clássico de Antoine de Saint-Exupéry é constantemente revisitado, seja com suas famosas passagens ou com adaptações no cinema e televisão, por exemplo. Mas por trás do fenômeno, existe um lado pouquíssimo conhecido da vida de seu autor, que envolve mistérios sobre sua morte e até a descoberta, anos depois, de um tesouro no fundo do mar que ele deixou para trás. Olivier d’Agay, seu sobrinho-neto, veio ao Brasil nesta semana para a inauguração da nova ala do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e aproveitou para conversar com Glamurama sobre as muitas facetas do gênio. Confira.

(Por Maria Gabriela Lyra)

Glamurama – Qual sua relação com “O Pequeno Príncipe”? Foi o primeiro livro que você leu?

Olivier d’Agay – Para falar a verdade, eu fui obrigado a ler “O Pequeno Príncipe” quando tinha 10 anos, pela minha bisavó Marie de Fonscolombe, mãe de Saint-Exupéry. Na primeira vez que li não gostei do livro, achei muito complicado. Mas um tempo depois, mais velho, li de novo e consegui entender um pouco do que ele queria dizer, mas acho que esse é um livro para se ler sempre, a cada 10 anos, porque todas as vezes você percebe uma coisa diferente.

Marie de Fonscolombe, mãe de Saint-Exupéry Créditos: Divulgação

Marie de Fonscolombe, mãe de Saint-Exupéry Créditos: Divulgação

Glamurama – O que acha desse fenômeno de “O Pequeno Príncipe” ser o livro mais vendido do mundo há tantos anos e sempre ser citado como o favorito de várias celebridades?

Olivier d’Agay – As pessoas que não têm muito tempo a perder, como atores e músicos, sempre recorrem aos clássicos na hora que conseguem tirar um tempo para ler, por isso “O Pequeno Príncipe” é tão famoso. É um livro que fala para todos, e sua popularidade pode estar no fato de que, por ser uma literatura básica, seja sempre citado por essas pessoas que estão no centro dos holofotes.

Glamurama – Você acha que é um livro para crianças?

Olivier d’Agay – É impossível classificar “O Pequeno Príncipe” como um livro para crianças ou adultos. No Japão, por exemplo, é considerado um livro para adultos; na França, é literatura infantil. É uma obra muito simples, mas ao mesmo tempo muito complexa. Na época que foi publicado, a editora não sabia como classificar e foi a maior discussão quando as primeiras críticas sobre o livro foram publicadas pelo “The New York Times”. A maioria das pessoas questionava se era um livro muito simples para adultos ou muitos complexo para as crianças.

Glamurama – Essa complexidade de “O Pequeno Príncipe” reflete o tipo de homem que era Saint-Exupéry?

Olivier d’Agay – É difícil dizer que tipo de homem ele era. Saint-Exupéry era uma pessoa muita diversa. Era escritor, piloto, soldado, ilustrador, poeta, então tinha muitos interesses diferentes. Era ao mesmo tempo da paz e da guerra, eufórico e cabisbaixo… Só posso dizer que ele era uma pessoa difícil de convívio na vida privada. Não era nada fácil. Gênios nunca são.

Saint-Exupéry era piloto Créditos: Divulgação

Saint-Exupéry era piloto Créditos: Divulgação

Glamurama – Saint-Exupéry tinha alguma ideia do sucesso que seria “O Pequeno Príncipe”?

Olivier d’Agay – Ele morreu antes que isso acontecesse. Quando entregou o livro para a editora em Nova York, recebeu o primeiro exemplar da obra alguns dias antes de embarcar para a África junto com o Exército americano em 1943, para lutar pela França contra a ocupação alemã. Ele tinha 43 anos e morreu logo depois. Durante esse tempo fora, ele ligava sempre que podia para seu agente para saber como estavam indo as vendas do livro e qual estava sendo a repercussão.

Glamurama – A morte dele é cercada de mistérios. Algum deles é verdadeiro?

Olivier d’Agay – Tudo na vida de Saint-Exupéry parece muito incrível, mas todas as histórias que você escuta são verdadeiras. Uma das mais famosas aconteceu relativamente há pouco tempo, em 1998, quando um pescador que estava em Marselha, na França, achou em sua (mais…)

Livro analisa ‘criatividade’ de títulos de filmes traduzidos para o português

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Em entrevista ao iG, Iuri Abreu fala sobre a principal tendência das versões nacionais: explicitar ao máximo o tema ou gênero da história

Luísa Pécora, no Último Segundo

“Shane” ficou “Os Brutos Também Amam”. “Giant” deixou de ser “gigante” e virou “Assim Caminha a Humanidade”. Dois nomes próprios, “Jack and Jill”, resultaram em “Cada um tem a Gêmea que Merece”. E “Airplane” não podia ser apenas “Avião” – melhor trocar para “Apertem os Cintos…O Piloto Sumiu”.

Nem sempre é fácil entender o que está por trás da criatividade de quem traduz títulos de filmes do inglês para o português. Com 13 anos de experiência como tradutor, o professor gaúcho Iuri Abreu decidiu tentar: analisou quase 300 produções, comparou os nomes originais com as versões brasileiras e chegou à conclusão de que as escolhas são mais fruto de marketing do que de tradução. “A decisão é sempre baseada no público alvo”, afirmou, em entrevista ao iG .

'Annie Hall', um nome próprio, virou 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa'. Foto: Divulgação

‘Annie Hall’, um nome próprio, virou ‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’. Foto: Divulgação

A pesquisa de Abreu – reunida no livro “Perdidos na Tradução”, da editora Belas Letras – sugere que grande parte dos títulos em português, dos engraçados aos estranhos, se preocupa em explicar ao máximo qual o tema ou o gênero do filme. “Muitos nomes em inglês são enigmáticos, não dão a menor ideia da história. No Brasil há uma tentativa de explicitar, dar uma dica, não deixar dúvida”, disse o autor.

Para isso, estabeleceram-se recursos básicos, a começar pelos subtítulos. Verdadeira febre nacional, são usados principalmente quando o título original é mantido, seja ele uma palavra em inglês (como em “Ghost – Do Outro Lado da Vida” e “Halloween – A Noite do Terror”) ou o nome de um personagem (“Ace Ventura – Um Detetive Diferente” e “Forrest Gump – O Contador de Histórias”).

Um dos exemplos favoritos de Abreu é “Christine – O Carro Assassino”. “Em inglês poderia ser uma mulher, porque é apenas um nome próprio. Mas no Brasil quiseram deixar claro que é sobre um carro, e um carro que mata”, afirmou.

Lu Rezende Iuri Abreu, autor de 'Perdidos na Tradução'

Lu Rezende
Iuri Abreu, autor de ‘Perdidos na Tradução’

Há também o recurso “palavra-chave”, muito usado como indicador de gênero. Comédias costumam ter no título “loucura”, “confusão” ou “muito louco”, enquanto filmes de terror são facilmente identificados por termos como “maldito”, “assombrada” e “mortal”. “Parece que existe uma caixinha com palavras e o pessoal só coloca a mão e tira uma”, brincou Abreu.

Brasil e Portugal

Para saber se a criatividade na tradução era exclusividade do Brasil, o autor comparou todos os títulos nacionais com suas versões portuguesas.

A leitura sugere que, em geral, as tendências são as mesmas, embora Portugal costume manter mais nomes originais (e até sem subtítulo) do que o Brasil.

A lenda de que “Psicose” (ou “Psycho”) virou “O Filho que era Mãe” em Portugal é falsa – lá, o filme é apenas “Psico”. Mas outro clássico de Alfred Hitchcock ganhou tradução no melhor estilo “spoiler”, entregando parte da trama. “Vertigo”, que literalmente significa “vertigem”, foi traduzido como “A Mulher que Viveu Duas Vezes”, ainda pior que a opção brasileira, “Um Corpo que Cai”.

Apesar de elencar as escolhas duvidosas, o livro de Abreu também reconhece o difícil trabalho dos tradutores de língua portuguesa, e vê acertos mesmo quando não há fidelidade ao original. Para ele, é preciso buscar alternativas nos casos em que o nome em inglês carrega referências culturais muito específicas ou possui palavras de pronúncia muito difícil.

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Divulgação
James Stewart e Kim Novak em ‘Um Corpo que Cai’, de Alfred Hitchcock

Um exemplo é o suspense “Crime na Casa Branca” (Brasil) ou “Homicídio na Casa Branca” (Portugal). O original, “Murder at 1600”, faz referência ao endereço da residência oficial do presidente norte-americano em Washington: 1600 Pennsylvania Avenue. “O americano comum reconhece o termo muito facilmente, porque é algo usado nos jornais. Mas em português é preciso traduzir e buscar outra coisa”, explicou.

Entre seus títulos preferidos estão “O Poderoso Chefão”, que “tem mais a ver com filme de máfia” do que “O Padrinho”, caso tivessem optado pela tradução literal de “The Godfather”; e “Bonequinha de Luxo”, versão de “Breakfast at Tyffany’s”, uma referência ao hábito da protagonista de tomar café em frente ao prédio da luxuosa joalheria na Quinta Avenida, em Nova York. “Na época em que o filme foi lançado (1961), talvez as pessoas não entendessem”, disse.

Mas ele considera difícil traçar padrões de boas traduções. “Melhor do que criar regras”, afirmou, “é usar o bom senso.”

dica do Jarbas Aragão

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