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10 curiosidades sobre a história de “O Mágico de Oz”

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Personagens de "O Mágico de Oz" Créditos: Reprodução

Personagens de “O Mágico de Oz”
Créditos: Reprodução

 

Original de um livro de 1900, o enredo é sucesso até os dias atuais e inspiração para muitas outras obras

Nathália Tourais, no Guia da Semana

Ano que vem, o famoso e aclamado musical Wicked chega para deixar o cenário cultural na capital paulista ainda mais agitado. Para quem não conhece, a história conta sobre o que aconteceu antes de Dorothy aparecer e ser levada pelo ciclone para o fantástico mundo de Oz.

Na época, duas outras garotas se conheceram na Terra de Oz. Elphaba, nascida com a pele de cor verde-esmeralda e esperta, ardente e incompreendida; e Glinda, belíssima, ambiciosa e muito popular. Os acontecimentos trazem à tona os segredos que levam Elphaba a se tornar uma bruxa “má” e Glinda a ganhar a simpatia dos habitantes da Cidade das Esmeraldas, mostrando que toda história tem diversos pontos de vista.

Por isso, para entrar no clima da estreia, o Guia da Semana lista 10 curiosidades sobre a incrível, nostálgica e adorada história de “O Mágico de Oz”. Confira:

ORIGENS

“The Wonderful Wizard of Oz” nasceu pelas mãos do escritor L. Frank Baum. Ele deu vida a um conto de fadas dividido em 14 livros que relatavam as aventuras de Dorothy, a garota que vai do Kansas à Terra de Oz.

O título logo se transformou em um dos maiores sucessos editoriais da história, o que resultou em uma sequência de 14.

FILME

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O filme que a maioria das pessoas conhece até hoje, foi feito em 1939, nos Estados Unidos. Baseado no livro de Baum, o longa surpreendeu a época, afinal, fez uso da técnica technicolor: nas sequências que acontecem no Kansas, nota-se a cor marrom e, em seguida, em Oz, as cores aparecem.

O autor do livro recebeu 75 mil dólares por direitos autorais (quantia notável para a época) e para a produção do filme, participaram 5 diretores e 14 roteiristas.

CRIATIVIDADE

Na época em que foi gravado, a tecnologia não ajudava e os diretores e produtores precisavam ser extremamente criativos. Assim, para fazer o furacão do início do longa – que leva a casa de Dorothy para Oz, a equipe responsável pelos efeitos especiais usou uma meia calça para dar vida ao tornado. Além disso, os cavalos coloridos do filme foram pintados com pó de gelatina e o fogo que sai do sapato da protagonista foi feito com suco de maçã.

POLÊMICA NOS BASTIDORES

Existe uma lenda que ronda os bastidores do filme, que diz que um anão que interpretava um munchkin teria se suicidado no set durante as gravações e que, sem querer, apareceu em uma cena. Na época, o estúdio alegou que a figura ao fundo era um grande pássaro e, em seguida, mudou a versão, dizendo que era um guindaste. Algum tempo depois, uma nova cena foi feita e a imagem sumiu.

ACIDENTES EM CENA

Na cena do desaparecimento da Bruxa Má na Terra dos Munchkins, a atriz Margaret Hamilton teve parte do corpo queimado e precisou ficar afastada do set de gravação. Em seguida, uma dublê foi escalada para substituí-la, mas também sofreu queimaduras.

PINK FLOYD

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Outra lenda que envolve o filme é uma possível relação entre as cenas com o disco “The Dark Side of the Moon” da banda Pink Floyd. Algumas pessoas dizem, inclusive, que se ouvirmos o disco ao mesmo tempo que vermos o filme, as cenas e as músicas se encaixam perfeitamente. Apesar de toda a teoria, a banda nega.

UM LEÃO DE VERDADE

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Por muito pouco o personagem do Leão Covarde não foi interpretado por um animal real. A MGM queria (muito) usar o leão símbolo do estúdio como protagonista e que fosse dublado, tendo uma participação reduziada. Por algum milagre, a ideia absurda foi abaixo e, então, o ator Bert Lahr entrou em cena – A fantasia usada por ele era feita de pele de leão e pesava 90 quilos.

SAPATINHOS DE DOROTHY

Na história original do livro, os sapatinhos de Dorothy eram prateados. Entretanto (mais…)

Escritor mergulha na obra do Pink Floyd para peça radiofônica

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Larry Rohter, na Folha de S.Paulo

Em “Rock ‘n’ Roll”, peça de grande sucesso escrita em 2006, o dramaturgo Tom Stoppard examinava a relação entre música e política, alternando cenas entre a Inglaterra e a Tchecoslováquia durante um período de 25 anos.

Agora, em um novo trabalho, uma peça radiofônica de uma hora chamada “Darkside”, ele estreitou seu foco para abarcar um único álbum, o famoso “The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd.

Encomendada pela BBC para celebrar o 40º aniversário de lançamento de um disco que vendeu mais de 50 milhões de cópias em todo o planeta, “Darkside” foi transmitida em agosto de 2013, e em novembro saiu em forma de CD (Pink Floyd Music).

Stoppard escreveu um texto sobre a música do álbum para ser recitado e, ocasionalmente, empregou as palavras de Roger Waters —um dos membros da banda— para comentar os acontecimentos.

O tema de “Darkside” será familiar para quem quer que tenha assistido a um curso de ética ou filosofia moral na universidade. O elenco, que inclui Bill Nighy e Rufus Sewell, encena experimentos hipotéticos famosos nesses campos, como o “dilema do prisioneiro” e o “vagão em alta velocidade”, acompanhados por muitos comentários sarcásticos e piadas sutis.

Em “Rock ‘n’ Roll”, Stoppard, 76, demonstrava formidável familiaridade com a música pop dos anos 60 e 70, e fazia referência aos Rolling Stones, Jimi Hendrix, Beach Boys, Grateful Dead, Velvet Underground, Doors e Queen.

Em entrevista por telefone, de sua casa na Inglaterra, ele conversou comigo sobre a origem de “Darkside” e seu gosto musical eclético. Seguem excertos editados dessa conversa.

O dramaturgo Tom Stoppard / Fernando Alvarado - 27.set.11/Efe

O dramaturgo Tom Stoppard / Fernando Alvarado – 27.set.11/Efe

Quais foram os desafios que o senhor viu inicialmente em adaptar esse disco a um formato teatral?

Tom Stoppard – Eu absolutamente não tinha ideia do que fazer com ele, o que me parece normal. Fiquei muito satisfeito com a coisa toda. É comum que as pessoas me recomendem algo porque se baseiam naquilo que já escrevi, quando a verdade é que você quer escrever sobre algo que não tenha escrito, de maneiras que ainda não tenha feito.

Ter de trabalhar com base no disco e com um tempo definido foi muito restritivo?

Por toda a minha carreira, desde o começo, creio que sempre gostei de receber parâmetros, fronteiras ou instruções. “Rosencrantz and Guildenstern are Dead” são um exemplo. Tive de trabalhar dentro da peça de Shakespeare. Trabalhar dentro do álbum do Pink Floyd é a mesma síndrome, na realidade.

Em última análise. “Darkside” me parece uma espécie de comédia sobre filosofia moral. O senhor concordaria?

Creio que seja uma definição justa. Eu estava usando coisas de minhas leituras, coisas que estava recolhendo há anos para uma peça. Isso já era algo sobre o que eu desejava escrever, e o álbum me pareceu um grupo de canções que estava como que pedindo que eu usasse parte desse material, em lugar de guardá-lo para uma peça de três horas de duração.

O senhor hesitou por ter de trabalhar em torno da letras de Roger Waters, e por ter de enxugá-las?

Na verdade, me incomodei menos com isso do que com escrever sobre a música. Conheço David Gilmour um pouco melhor do que conheço os demais membros da banda, e me preocupava com a possibilidade de ele se incomodar caso a música fosse empurrada para o fundo, onde seria ouvida apenas parcialmente, para que minhas palavras tivessem posição central. Por isso, liguei para ele, e ele não viu problema algum. Ele disse que eu podia levar a ideia adiante e que tudo estava bem. Convenhamos, “The Dark Side of the Moon” não está vulnerável a ser obscurecido por uma mera peça para o rádio. [Risos.]

Sabemos, pelas referências ao Pink Floyd em sua peça “Rock ‘n’ Roll”, que o senhor sente afinidade pela banda. Por que eles e não outros dos muitos grupos mencionados na peça.

Só acho que eles são um grupo excepcional de pessoas. Para mim, “The Wall” é uma obra-prima e quando transformei “Rosencrantz and Guildenstern” em filme, usei uma faixa do álbum “Meddle”, chamada “Fearless”. O que estou tentando dizer é que a BBC já estava a bem mais que meio caminho andado, sem saber, quando me contatou. Creio que, por causa da peça “Rock ‘n’ Roll”, eles imaginaram que eu seria a pessoa certa a procurar. E estavam certos.

O senhor pode nos falar sobre sua história pessoal com “The Dark Side of the Moon”?

Esse álbum, especificamente, eu ganhei de presente quando foi lançado, em 1973, de um amigo que me disse: “Tom, ouça esse disco. Você tem de fazer uma peça sobre ele”. Na época, eu estava escrevendo “Travesties”, e não quis me distrair pensando sobre o disco. Eu não era seguidor de Syd Barrett [o fundador do Pink Floyd]; conhecia os primeiros discos da banda, mas passei muito tempo sem ouvir “The Dark Side of the Moon”. Por isso, quando recebi uma carta da BBC a respeito, foi extraordinário. Como se um círculo se fechasse.

O senhor se aproximou do rock nos anos 60, quando pouca gente de sua idade e ainda menos intelectuais o faziam. O que explica esse interesse prematuro?

Só posso responder dizendo que não me lembro de um momento em que não ouvisse música pop, desde os 12 anos de idade. Eu gostava e pronto. Quando fiz 20 anos, em 1957, e você talvez diga que eu tinha idade suficiente para ter gosto melhor, me encantei com Buddy Holly. E amava bandas pop sem quaisquer pretensões intelectuais. Eu amava os Monkees. [Risos.]

Quando trabalhava como repórter em Bristol, de 1954 a 1960, o jornal recebia ingressos para os shows de todo mundo que tocava em um grande teatro do outro lado da rua, e por isso assisti a ótimos músicos. Os Everly Brothers, por exemplo. Quem não ama os Everly Brothers? Eu não ouvia a música com qualquer compreensão, melhor que eu deixe claro. Era uma resposta puramente imediata a um tipo específico de barulho, e para mim isso funcionava completamente.

Eu gostaria de perguntar sobre outras referências à cultura pop em “Darkside”, especialmente as citações de diálogos de cinema. Um dos filmes citados é “O Mágico de Oz”, o que decerto é uma brincadeira sobre a lenda urbana de que “The Dark Side of the Moon” foi composto como uma espécie de trilha clandestina para o filme.

Sim, realmente gosto de incluir piadas particulares no que faço, e não me incomoda que eu seja a única pessoa que sabe que estão lá.

Ou seja, o senhor estava piscando para nós, quanto a isso.

Piscando para vocês é a definição certa. [Risos.]

As bicicletas na literatura e na (por vezes trágica) vida real

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Publicado em O Globo

O jornal espanhol El País publicou nesta segunda-feira um texto do escritor Antonio Muñoz Molina, membro da Real Academia Española, sobre ciclistas. Molina começa falando sobre a presença das bicicletas nas artes, na literatura, no cinema (pra música não ficar de fora, coloquei um vídeo bacaninha de “Bike”, do Pink Floyd, ali embaixo). Depois, passa a relatar um triste caso de atropelamento recentemente ocorrido em Madrid. Acho que os comentários dele sobre o trânsito e o sistema judiciário espanhol vão ressoar nos corações dos leitores brasileiros.

“A bicicleta é uma máquina tão literária que recém-inventada já começou a circular pelos livros. Relendo “Misericórdia”, descobri algo que não lembrava desse romance assombroso, publicado em 1897: um dos personagens aluga uma bicicleta para ir de Madrid ao Pardo. Na Madrid de subúrbios macabros e personagens desgarrados de Valle-Inclán, essa bicicleta insuspeita é um sobressalto ágil da vida moderna em meio ao atraso, obscurantismo, injustiça crua e pobreza. Quem quiser saber mais sobre ela, pode imaginá-la elevada e veloz, democrática, futurista, circulando entre carroças lentas e carruagens arrogantes da aristocracia.

Marcel Proust via fraqueza em todas as formas de transporte moderno, em particular os automóveis e os aviões, mas quando quis retratar a primeira visão das “jovens em flor” que deslumbram um adolescente durante um passeio marítimo as descreveu montadas em bicicletas, avançando em bandos com os vestidos desportivos livres de adornos barrocos e espartilhos que permitiram que as mulheres adotassem o hábito do ciclismo na virada do século.

H. G. Wells observou que cada vez que via um adulto em cima de uma bicicleta crescia sua confiança na possibilidade de um mundo melhor.

Há relatos de que Henry James tentou aprender a pedalar, mas com consequências desastrosas. Se lançou por uma estrada rural e perdeu o controle da bicicleta, atropelando, sem gravidade, uma menina que brincava na porteira de uma fazenda. Que essa menina tenha se tornado Agatha Christie é dessas coincidências que assombram os aficcionados da literatura e do ciclismo.

Ramón Casas gostava de sugerir um erotismo moderno nas mulheres ciclistas, mulheres em automóveis, mulheres fumantes. Em um de seus melhores contos escritos em espanhol, e também um dos mais tristes, “La cara de la desgracia”, Juan Carlos Onetti toma de Proust o tema do verão e da mulher na bicicleta. Mas quem a vê passar de um balcão é um homem desolado que graças a ela revive, desfazendo-se em desejo e ternura.

Uma figura numa bicicleta é passageira, mas não tão rápida que seja também fugaz. A verticalidade necessária favorece o perfil. O ritmo da pedalada ressalta a beleza das pernas.

O ápice da arte inspirada em torno das bicicletas talvez seja um curta de François Truffaut de 1957, “Les mistons”, um poema visual de 17 minutos feito de longos planos sinuosos de uma mulher muito jovem, a atriz Bernadette Lafont, pedalando descalça, as pernas nuas, o vestido branco agitado pela brisa da velocidade.

A bicicleta é uma máquina silenciosa e perfeita, como um veleiro, tão prática que causa assombro também ser poética.

As bicicletas são para o verão, disse um pai ao filho adolescente na comédia triste na qual Fernando Fernán-Gómez pôs o melhor de seu talento e a verdade de sua memória e imaginação. Sobre o infortúnio de se crescer numa cidade em guerra e a saudade de um pai que era maior e mais nobre por, no caso de Fernando, ser um pai inventado.

O verão pode ser um modesto paraíso para os fãs das bicicletas, sobretudo para os ciclistas urbanos que lidam com o tráfego nos dias de trabalho, mas nas cidades espanholas, que com duas ou três exceções são hostis para quem se atreve a pedalar, assim como com qualquer um que tente exercer o direito soberano de caminhar de um ponto a outro. E também, desde cedo, para os lentos, os distraídos, os idosos.

Quando se volta de países com o tráfego mais civilizado, é difícil se adaptar à agressividade dos motoristas na Espanha. Nova York não é exatamente Amasterdã ou Copenhagen nas facilidades que oferece aos ciclistas, mas quando venho de lá para Madrid e saio na rua, me imponho uma mudança instintiva de atitude.

É preciso estar muito mais alerta, na defensiva, atento sempre a acelerações bruscas. É preciso acostumar-se ao fato de que a visível fragilidade raramente gera maior cuidado – alguns motoristas se tornam ainda mais agressivos contra os mais frágeis, como se despertasse neles uma impaciência que leva a acelerar sobre a faixa de pedestres, ou deixa passar quem vai mais lento contendo o impulso do motor como quem trinca os dentes. Como se caminhar lentamente fosse uma ofensa que merece o desprezo e punições ocasionais.

Às 7h, hora do frescor da manhã, no silêncio das ruas amplas e vazias nas quais alguém pode pedalar com mais velocidade, também pode acontecer o choque. As bicicletas são para o verão, para o exercício saudável e a mobilidade sem emissões tóxicas, mas não têm defesa contra a barbárie.

As bicicletas são para o passeio despreocupado, mas também para a ida diária ao trabalho.

Óscar Fernández Pérez, um garçom de 37 anos, ia para o sul de Madrid na quarta-feira, 6 de agosto, quando foi atropelado por um motorista que fugiu e o deixou agonizando na rua. Óscar Fernández Pérez está morto e o infeliz que o matou não tem motivos para preocupação.

Em 2012 foi preso por dirigir bêbado, de forma “negligente e temerária”, e lhe tomaram a carteira. Mas em fevereiro desse ano já havia voltado a conduzir. Com esse histórico, e tendo fugido depois de matar um ciclista, era de se esperar que a justiça o tratasse com algum rigor. Mas em nosso país as leis e o sistema judicial quase sempre protegem os poderosos contra os mais frágeis, os corruptos contra os honrados, os bárbaros contra as pessoas afáveis, os motoristas contra os ciclistas ou pedestres.

O golpe que matou Óscar Fernández Pérez foi tão forte que sua bicicleta despedaçada voou a 15 metros do seu corpo. Mas o juiz considerou que o motorista sem carteira que o atropelou e não teve sequer a compaixão de parar para ajudá-lo merece se defender em liberdade. Ele foi denunciado por homicídio culposo, por imprudência. A pena por acabar com uma vida é de um a quatro anos.

José Javier Fernández Pérez, irmão de Óscar, resumou o caso melhor que ninguém, com poucas palavras, muito verdadeiras: “A justiça é uma merda. Matar sai muito barato nesse país”.”

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