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Jogar livros ou ler games?

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Livro-jogo é inspirado no clássico RPG, game em que os jogadores assumem os papéis de personagens e criam narrativas de modo colaborativo

Título original: Autora gamifica livro para estimular leitura

Publicado no Portal Porvir [via Estadão]

Que tal jogar livros ou ler games? É isso mesmo. Os verbos e sujeitos não foram trocados. A mistura entre os games e a literatura tem dado vida ao chamado livro-jogo, gênero que explora a narrativa interativa, que permite ao leitor escolher o destino que os personagens devem tomar. Quem aderiu a essa modalidade foi a escritora carioca Simone Campos, de 29 anos, que participou esta semana da palestra Livros Para Jogar, Games Para Ler, na Campus Party 2013, um dos principais eventos voltados à inovação tecnológica, internet e entretenimento eletrônico no mundo, que termina em 3 de fevereiro, no Parque do Anhembi, em São Paulo.

O livro-jogo é inspirado no clássico RPG, game em que os jogadores assumem os papéis de personagens e criam narrativas colaborativamente, cujas primeiras publicações surgiram nos anos 1980 – época em que escritores britânicos lançaram livros  com recursos interativos para envolver o leitor na era medieval, como em Aventuras Fantásticas (Fighting Fantasy, no original) e Dungeons & Dragons. “O livro-jogo é uma forma de estimular novos leitores. Envolver mais os jogadores na literatura e vice-versa. Além disso, estimular a atenção, muitas vezes volátil, dos jovens”, disse a escritora para uma plateia cheia de jovens apaixonados por games.

Em 2011 Simone decidiu se aventurar no mundo dos livros-jogos, depois de publicar quatro romances tradicionais. Lançou o Owned – Um Novo Jogador, trama que dá ao leitor a possibilidade de escolher 17 desfechos diferentes. O livro está disponível online e gratuitamente, mas os interessados podem comprar a versão impressa, que vem com um guia de estratégia.

No livro, André, personagem principal, é um técnico de informática viciado em games, cuja a vida começa a ser afetada pelas ações no ambiente virtual. Na trama, é o leitor quem decide, a cada capítulo, o rumo que o personagem deve tomar, que personalidade ele vai assumir e até suas características físicas. “É possível personalizar o personagem”, diz a autora. “O livro interativo dá ao leitor recompensas, a possibilidade de decidir sobre os caminhos a serem seguidos.”

De acordo com Simone, outra vantagem da narrativa interativa é a possibilidade de fazer com o leitor “pense emocionalmente”, o que ajuda a refletir sobre suas próprias escolhas e personalidade. “O leitor pode estar na pele de diversos personagens com pontos de vistas diferentes e escolher o quanto quer aprofundar na história.”

Essa interatividade, no entanto, não é nada simples, explica Simone, já que são necessárias diferentes subtramas para prender a atenção do leitor e uma estruturação de regras, organizadas por meio fluxogramas, responsáveis por encadear as histórias umas nas outras. Diferentemente do romance tradicional, no qual as tramas são pensadas normalmente de forma linear. “No livro-jogo, a literatura com regras ensina a gostar de ler, já que a história não pode continuar sem a participação do leitor, que passa aprender a parir a leitura. É complexo de fazer, mas é incrível”, diz.

Argentinos celebram Borges, Cortázar e Pessoa em ‘poéticos musicais’

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Publicado na BBC BRASIL

Poeta e músicos fazem show sobre a obra do escritor Jorga Luis Borges em Buenos Aires

Poeta e músicos fazem show sobre a obra do escritor Jorga Luis Borges em Buenos Aires

Casas de shows, teatros e museus argentinos ganharam uma nova forma de espetáculo, chamados de “poéticos musicais”, que combinam música e leitura de textos dos escritores argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar e do português Fernando Pessoa.

No mês passado, numa noite, mais de 300 pessoas lotaram o Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba) para assistir à apresentação sobre Borges, batizada de Lo que Borges nos contó. O mesmo espetáculo lotou a livraria, café e casa de shows Clásica y Moderna, também na capital argentina, durante mais de três meses.

Os “poéticos musicais” são cria do filósofo e poeta Santiago Kovadloff e dos músicos Marcelo Moguilevsky e César Lerner. No caso de Lo que Borges nos contó, eles combinam seleções de textos e histórias sobre o escritor com música, tocada por piano, flautas, acordeão e percussão.

Eles também realizam, separadamente, os espetáculos Informe Pessoa e Um tal Julio, de quase uma hora e meia.

O trio, que está com a agenda cheia para 2013, esteve recentemente em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentando o show em português.

Para Kovadloff, a plateia é diversificada porque atrai tanto os jovens que são “fãs” dos dois músicos – conhecidos na Argentina e em outros países – como leitores que “conhecem bem” os célebres escritores.

“O espetáculo atrai igualmente aqueles que às vezes não sabem ler poesia e podem sentir a intensidade da palavra dita com apoio musical”, disse o filósofo à BBC Brasil.

Risos e lágrimas

Kovadloff, que morou em São Paulo durante a adolescência, traduziu livros de Pessoa, Mario Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meirelles para o espanhol. No show, ele se apresenta como “leitor” e muda os ritmos e cadência da leitura de acordo com cada texto.

“Vamos criando tons diferentes, como uma peça teatral, mas me apresento como leitor”, disse.

O público ri, aplaude e se emociona com alguns dos textos selecionados pelo trio. Na apresentação sobre Borges, por exemplo, na Clásica y Moderna, alguns espectadores limparam as lágrimas quando ele leu o poema “As Coisas”, que fala sobre objetos que vão perdurar no tempo mesmo após a partida de seu dono.

“Quantas coisas, limas, umbrais, atlas, taças, cravos. / Nos servem como tácitos escravos. Cegas e estranhamente sigilosas. / Durarão para além de nosso esquecimento. Não saberão nunca que partimos”, dizem os versos.

O show sobre a obra e vida de Borges (autor, de O Aleph, entre outros clássicos) também provoca gargalhadas. Por exemplo, quando o filósofo conta como a mãe do escritor, Leonor Acevedo Suárez, reagiu quando já estava cansada de receber telefonemas anônimos ameaçando seu filho de morte.

“Borges era ameaçado e neste dia, ao telefone, ela disse: se o senhor está decidido a matar meu filho não terá problemas. Ele é cego e não é capaz de lutar. E se o senhor também quer me matar deve ser rápido porque já tenho oitenta anos”, contou. Nas entrevistas que concedeu ao longo da sua vida (1899-1986), Borges costumava citar a mãe como grande apoiadora na construção da sua trajetória.

Emoção

O filósofo observou que o público que assiste aos espetáculos reage “emocionalmente” à “intensidade” dos textos. No verão do ano passado, cerca de 800 pessoas lotaram os jardins do museu de Arte Espanhol Enrique Larreta, no bairro de Belgrano, em Buenos Aires, para assistir ao espetáculo sobre Cortázar (conhecido no Brasil principalmente pelo romance Jogo da Amarelinha).

“Em todos os casos respeitamos a estrutura dos textos. Como ocorre por exemplo com o fragmento 54, do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, que é uma ironia, ilusão sobre a identidade”, disse o filósofo.

Livros do escritor português e de Cecília Meirelles costumam a ser expostos com destaque nas livrarias da capital argentina e são estudados por grupos de jovens poetas na cidade. Borges e Cortázar são nomes de praças e ruas de Buenos Aires e a Fundação Borges reúne, como disse sua viúva e herdeira universal, María Kodama, uma “infinidade” de textos, pois ele, mesmo quando já estava cego, lia e escrevia “o tempo inteiro”.

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