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Concurso Cultural Literário (4)

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Após criarem o já clássico Estórias Gerais, o desenhista Flavio Colin produziu para o roteirista Wellington Srbek três outras HQs. Publicadas em revistas independentes, entre 2000 e 2002, “A Companhia das Sombras”, “Admirável Novo Mundo” e “Uma noite no fim do mundo” ganham agora sua primeira edição conjunta. A terceira delas, lançada na revista Fantasmagoriana, renderia a Srbek os troféus HQ MIX de “Melhor Graphic Novel Nacional” e Angelo Agostini de “Melhor Roteirista”. Tendo como tema o terror, esta coletânea de contos sombrios traz o traço de Colin em toda sua expressividade, incluindo a última HQ desenhada por ele.

Você que é fã de HQs tem a oportunidade de declarar sua paixão e concorrer a 3 exemplares de “Fantasmagoriana & Outros Contos Sombrios“.

Basta completar a frase: “Ler HQ é…………………“.

O nome dos ganhadores será divulgado no dia 22/8 às 17h30h neste post e no perfil @livrosepessoas no Twitter.

#Participe

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Parabéns aos ganhadores: Fernanda Bender, Leo Freitas e Angelo Dias. =)

Os livros que fingimos ler

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Por que tantos leitores mentem sobre obras que não leram – e como desmascará-los

Danilo Venticinque na revista Época

Inferno seria um exagero. Mas há um lugar no purgatório reservado para as pessoas que mentem sobre suas leituras. Muitos falam mal de quem compra mais livros do que consegue ler. Outros amaldiçoam quem larga uma obra pela metade. Ainda assim, há quem defenda essas atitudes e as considere naturais. Quanto a fingir ter lido um livro, todos os leitores com quem conversei concordam: trata-se de um pecado imperdoável. Já vi reputações ruírem e amizades azedarem por causa desse hábito.

Bastam alguns meses de dedicação à leitura para que um bom leitor se dê conta de que nunca conseguirá ler todos os livros que deseja. A literatura é vasta, o tempo é finito e, para piorar, ainda temos de lidar com distrações como o amor, o trabalho e a família. Diante dessa injustiça, a maioria reage com resignação e trata de escolher bem cada livro, para não desperdiçar o escasso tempo de leitura. Mas há os que se rebelam contra a imensidão da literatura e decidam enfrentá-la com um passe de mágica. A mentira é, de longe, a forma mais eficiente de leitura dinâmica.

Embora cada um tenha sua maneira peculiar de exagerar o conhecimento literário, alguns comportamentos se repetem. Podemos dividir os fingidores em duas grandes categorias. Há os mentirosos compulsivos, que se aproveitam da Wikipédia e de orelhas de livros para impressionar amigos com sua erudição instantânea. E há os mentirosos envergonhados, que se sentem compelidos a mentir sobre suas leituras apenas para não confessar ignorância diante de um interlocutor supostamente mais culto.

O mentiroso compulsivo pode ser reconhecido pelo tom enciclopédico de sua fala. Conversar com um deles é assistir a um desfile de nomes, datas e citações, com pouquíssimas impressões pessoais sobre a leitura. Sua ascensão é rápida, mas a queda pode ser dura: basta uma pergunta bem colocada para derrubar anos de falsas leituras. Sabendo disso, esses leitores estão preparados para responder às perguntas mais comuns sobre a obra e o autor. Contam, também, com sua capacidade para intimidar o interlocutor com todo seu conhecimento. Poucos ousam enfrentar um pedante bem preparado.

O mentiroso envergonhado é muito mais inocente. Mente apenas quando é pressionado. Numa conversa sobre livros, pode ser reconhecido pelo silêncio, pelos sorrisos e pelos meneios de cabeça. Faz gestos e exclamações de aprovação a cada menção a livros e autores que não conhece e, assim, aumenta seu repertório de livros não lidos. Poderia fazer perguntas e demonstrar interesse em saber mais sobre essas obras, mas prefere manter a pose de literato tímido. Alguns reforçam essa imagem ao usar o conhecimento enciclopédico para participar rapidamente da conversa, voltando em seguida ao silêncio dos sábios. Observe um deles em ação:

– Isso me lembra aquela cena famosa da batalha de Waterloo em A cartuxa de Parma… – diz o pedante.

– Sim, do Stendhal! – emenda o envergonhado.

E pronto: esse fragmento de conhecimento literário é suficiente para que o envergonhado convença seu interlocutor de que leu A cartuxa de Parma. A vantagem desse método é que não foi necessário recorrer à mentira. Ele não disse que é um profundo conhecedor de Stendhal: apenas mencionou o nome do autor. E, convenhamos, não há nenhuma evidência de que o pedante tenha lido o livro. Eu não saberia dizer: confesso que também não o li, embora a nova edição esteja há alguns meses na minha estante.

(mais…)

‘Chegava em casa estraçalhado emocionalmente’, conta ex-diretor de escola

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Marcelle Souza, no UOL

De uma salinha na parte administrativa da escola, ele decide quase tudo: falta de papel higiênico, briga entre alunos, problemas de professores e questões burocráticas com a Secretaria de Educação. Mas quem é esse personagem que aparece nas nossas lembranças da infância como o temido chefe do colégio?

“Vou chamar o diretor já”, “o diretor vem vindo aí…”, Se eles estão fora da classe, basta apontar a cara no corredor para desembestarem em uma correria geral rumo a sala de aula. Como alguém pode ser simpático com uma propaganda tão eficiente? “Vai tomar uma suspensão do diretor”

“Eu chegava em casa todos os dias estraçalhado emocionalmente, é muito pesado, muito desgastante. Você trabalha com os extremos: a ingenuidade de uma criança e a canalhice de alguém que comete alguma irregularidade. Pensei várias vezes em desistir”, afirma Luiz Benedito Ponzeto, 67.

Diretor por dez anos, Ponzeto se aposentou e decidiu contar o cotidiano dessa função. Ele acaba de publicar o livro de crônicas “Diário de um diretor de escola”, com histórias ficcionais sobre o dia a dia da profissão.

Nos textos, Ponzeto mostra que a imagem de temido – quem nunca ouviu a frase “vou chamar o diretor” ou “você vai para a sala a do diretor”? – esconde um ser humano cheio de expectativas e problemas.

Luiz Benedito Ponzeto, ex-diretor

Luiz Benedito Ponzeto, ex-diretor

Uma bomba por dia para desarmar
Foram 30 anos de dedicação à escola, como professor de matemática, coordenador pedagógico e diretor de escolas públicas e privadas de várias cidades de São Paulo, e uma “bomba por dia para desarmar”. Há cinco anos, ele se aposentou e teve que romper com os desafios e êxitos da profissão. Precisava descansar.

O livro veio então da vontade de retratar o dia a dia da escola e foi resultado de um grupo de estudos e dos primeiros exercícios escrevendo crônicas. As histórias retratadas, diz o ex-diretor, são ficções, mas bem que poderiam se passar em muitas escolas do país. “Eu queria um texto alegre, ao mesmo crítico, que mostrasse a escola como uma coisa dinâmica, em constante transformação”, diz.

E o cotidiano do narrador do livro não é nada fácil. Imagine ter que virar técnico para resolver o problema no som de uma turma que vai fazer uma festa, conversar com a mãe de um garoto que brigou com os colegas na escola ou decidir entre abrir ou não um pacote suspeito enviado sem remetente.

Em uma das crônicas, a “bomba” do dia é a falta de papel higiênico. Arrecadar dinheiro com alunos? Fazer uma festa? Usar o dinheiro já repassado pelo Ministério da Educação? Ou aguardar a burocracia dos órgãos competentes? Com bom humor e uma dose de preocupação, o diretor dessa escola de mentirinha tenta resolver esse problema tão real.

Um dia de cada vez
Em um trabalho dinâmico, Ponzeto diz que o mais frustrante da função é ver projetos interrompidos e não atingir os objetivos traçados. “Como diretor, você não sabe o que aconteceu com aquela pessoa depois que ela saiu da escola, se valeu ou não todo o trabalho que foi feito”.

Acontece que o Jeferson já aparenta ser adulto, com barba na cara e tudo o mais. E a experiência que já acumulou na sua vida é maior do que a da equipe escolar inteira. Só estão mandando ele de volta para a escola porque foi pego num assalto junto com outros “menores infratores”. E como ainda é menor, não pode ficar fora da escola. Depois que foi pego, cumpriu uns meses na Fundação Casa. Agora está livre para recomeçar do zero, aqui na escola.

Conseguir mudar alguma coisa na vida de um aluno, por outro lado, é maior conquista de um diretor. “O trabalho com o ser humano é muito agradável, especialmente quando você se dedica à construção dele. É muito emocionante, até hoje é muito forte para mim”, diz.

Leia a seguir um trecho do livro:
Uma bomba por dia para desarmar

“Isso aqui está mais para filme de ação do que para instituição de ensino. Mas por que alguém me mandaria uma bomba dessas? Se as xerifes da escola não conseguiram saber a origem desse troço, de nada adianta eu perguntar para Deus e o mundo. Só vou é dar bandeira e colocar mais lenha na fogueira. E muito menos seguir a sugestão da Sandra. Já imaginou o bairro todo ouvindo a sirene da polícia chegando aqui na escola? Vai ser sopa no mel, ou é mel na sopa, nunca sei. As mães invadirão a escola desesperadas para salvar os seus filhos, atropelando os das outras, descompensadas e histéricas: todas elas. Não, isso não, a imprensa, o Datena, Jornal Nacional… E quem vai abrir então? Fiz a pergunta para mim mesmo, estou sozinho na sala, sem pão doce com recheio e nem água com açúcar. Vai que elas têm razão. Dar uma de herói é que eu não vou, nunca tive essa vocação, por isso mesmo fui ser diretor de escola. Mas e os alunos? Se souberem que eu afinei: “amarelou hein diretor”, não admito ser chamedo de bundão. Pensando bem, quem faria uma maldade dessas comigo? Não tenho nenhum inimigo conhecido, tenho conhecido inimigos, isso sim, mas são professores; acho que não saberiam montar uma bomba, muito menos caseira, nem existe mais laboratório de ciências.”

Análise: Impressão do ‘leitor comum’ na internet ajuda estratégias das editoras

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Kelvin Falcão Klein, na Folha de S.Paulo

O comentário sobre literatura na internet cresce a cada dia, acompanhando o movimento de diversificação do mercado editorial.

Esses comentários compartilham um desejo de dar conta dos livros de forma mais efetiva, atentando para aspectos como a sensação da leitura e a qualidade do entretenimento alcançado.

É o que se constata não só pela leitura de blogs mas também por sites de venda como a Amazon, que fizeram da veiculação de resenhas de leitores um verdadeiro negócio.

Se antes os livros entravam apenas em listas de mais vendidos, agora eles podem figurar também entre os mais bem avaliados pelo consumidor -um diferencial considerável num mercado que abriga a cada dia dezenas de novos produtos similares.

Essa movimentação espontânea chamou a atenção das editoras, que se tornaram ativas no diálogo com os leitores, chegando a estabelecer parcerias formais.

O comentário sobre literatura na internet, a partir daí, parece não mais seguir a lógica da imprensa clássica, que busca o “especialista”, ou o “leitor experiente”, para estabelecer um juízo diferenciado e/ou distanciado do senso comum, da “média”.

Pelo contrário, o importante passa a ser o caráter geral da experiência de leitura.

Para as editoras, interessa mais o “leitor comum”, que gera a identificação de outros leitores que, instigados pelos comentários, viram consumidores. Tanto mais forte pode ser o efeito das resenhas de lojas virtuais, onde ocupam o mesmo espaço da venda.

O cenário ganha complexidade na medida em que as editoras, atentas aos blogs mais populares, passam a receber sugestões e a repensar ou planejar futuras publicações, compras e traduções tendo em vista tais respostas.

A lógica da parceria vai ficando mais afinada: a escolha do parceiro é guiada pela sua possibilidade de representar e atingir cada vez mais “semelhantes” e, diante da facilidade ou dificuldade de atingir o objetivo (ou seja, vender livros), estratégias editoriais são revisadas.

O comentário se reforça em sua função de fazer circular a mercadoria, torná-la moeda corrente e garantir sua visibilidade e seu acesso.

Daí se explica a aparente liberdade de blogs parceiros de editoras para criticar negativamente seus livros. Isso lhes garantiria credibilidade, ainda que possam ser suscitadas questões éticas inerentes à relação de interesses entre resenhistas e editoras.

Em termos especulativos, pode-se relacionar a perda de espaço da crítica literária nos jornais impressos à intensa pressão desse novo cenário de comentários, mais ao gosto geral. A repercussão disso em termos culturais mais amplos só o tempo mostrará.

KELVIN FALCÃO KLEIN é doutor em teoria literária pela Universidade Federal de Santa Catarina e escreve, sem parcerias, no blog falcaoklein.blogspot.com.

Adolescente autista pode ser cotado para o prêmio Nobel

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Jacob Barnett, de 14 anos, estuda sistema quânticos

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Publicado em O Globo

O adolescente norte-americano, Jacob Barnett, de 14 anos, diagnosticado com autismo aos dois, pode ser cotado para receber o prêmio Nobel de Física. Em entrevista à rede de televisão britânica BBC, a mãe de Jacob, Kristine Barnett, disse que na época do diagnóstico do autismo do tipo que varia entre o moderado e o forte, os médicos disseram que ele não aprenderia nem a ler e tampouco a escrever.

— Foram tempos difícieis e eu só queria dar uma educação apropriada ao meu filho — conta a mãe, autora do livro “The Spark: a mother’s story of Nurturing Genius” (A centelha: a história de uma mãe de um gênio em desenvolvimento, em uma tradução livre), onde descreve as experiências do filho.

Apesar do diagnóstico pessimista, a mãe de Jacob conta que buscou estimular o desenvolvimento da capacidade de aprendizado do filho e o cercou de elementos que ele gostava, como música. Aos dois anos, relata Kristine, Jacob fazia terapia todos os dias desenvolver a fala, mas ela percebeu que era nos momentos em que estava em casa que ele fazia experiências fantásticas.

— Ele recriava no chão mapas de locais que visitávamos, recitava o alfabeto de trás para frente e aprendeu a falar quatro línguas diferentes — conta Kristine, que percebeu que o filho era diferente quando o levou a um planetário e ele respondeu a todas as perguntas sobre a lua e a massa relativa dos astros, feitas por um instrutor — Ele tinha três anos e meio na época e ficamos muito surpresos.

Para Jacob, que entrou na faculdade aos 11 anos, os conceitos de física e astronomia são de fácil assimilação:

— As perguntas que o instutor fez naquele dia eram triviais — disse rindo à jornalista da BBC.

No ano passado, Jacob fez uma apresentação no TEDx com a temática “A importãncia de parar de aprender e começar a pensar”. Hoje, Jacob prepara sua tese de Phd em sistemas quânticos.

Foto: Google

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