Posts tagged Pode Ter

Literatura brasileira: um problema lúdico

0

1

Márcia Tiburi, no Blog da Cosac Naify

Há quem diga, por amor à retórica, às frases feitas ou ao senso comum, que não existe literatura brasileira em nosso dias. Por um lado, é uma ideia divertida e vale a pena brincar com ela tomando-a como provocação que faz pensar, pois o que poderá significar “literatura” ou até mesmo “literatura brasileira” não é questão de se jogar fora sem análise.

Podemos pensar a coisa toda em termos lúdicos, como se faz com um objeto quando se quer que ele sirva de brinquedo: uma pedra que vira cavalo, um sapato que vira carrinho, pedaço de papel que vira avião. A literatura pode ser este brinquedo: cada um pode inventar um significado e, dependendo de regras, podemos até brincar juntos. Escrevemos livros, publicamos e lemos uns aos outros. Até que alguém não vai mais querer brincar, vai sair jogando tudo para o alto por estar perdendo no jogo ou simplesmente por não gostar mais das regras. E, tudo bem, dirão os que continuarem a brincar para o colega que deixou a cena: pode brincar sozinho ou emburrar num canto. E, no meio do pátio literário, cada um que leia o que quiser. Assim é com os que escrevem ou leem literatura, acreditem ou não em sua existência.

Verdade que se continua a escrevê-la e até a lê-la. Por isso é que a ideia de que literatura brasileira não existe é, por outro lado, uma ideia um pouco inútil. Mas é uma coisa inútil boa: ela nos coloca diante dos livros com o mesmo problema que temos diante de um filme quando nos perguntamos “isso é cinema?”, ou, diante de uma obra de arte, “isso é arte?”. É claro que, se entendemos que literatura é jogo de linguagem, talvez o jogo não esteja sendo bem jogado. Assim, tem quem diga, talvez por amor ao espírito da catástrofe, que o futebol também morreu. Será que o que está no gramado é futebol? Verdade é que o futebol pode ter morrido, mas o povo (e o mercado) continua jogando. A literatura pode inexistir, mas os escritores (e o mercado) continuam escrevendo. E quando se joga e se escreve inventa-se uma coisa diferente da essência tida como verdadeira só porque veio antes.

O que é literatura?

1

Dizem os mais atentos que a arte contemporânea tem como mérito fundamental nos fazer pensar sobre o próprio conceito de arte. Pensar na arte pode parecer uma coisa muito inútil… mais valeria fazê-la, não é assim que pensamos? Arthur C. Danto, o filósofo americano que escreveu Andy Warhol, publicado no ano passado, mostrou como o artista pop, além de artista, era um filósofo não porque escrevesse filosofia além de pintar suas Marilyns e caixas de Brillo, mas porque mostrou que filosofia e arte podem ser coisas muito mais íntimas do que imaginamos. Resumo com minhas palavras: Andy Warhol brincava – no sentido sério – e, por isso, conseguiu unir arte e filosofia por meio de uma fita de Moebius. Em outras palavras, ele mostrou que cada uma dessas coisas podia ser reinventada. Nem a arte, nem a filosofia estavam mortas, mas a partir dele elas seriam coisas muito diferentes.

Militância pela leitura

Entre quem diz que não existe mais literatura no Brasil e o leitor que não lê literatura brasileira, vamos de mau a pior. Há literatura e poucos leitores relativamente ao todo da população alfabetizada. Problema real não é a literatura que se faz, que sempre encontra – e cria – seus leitores. Problema é uma educação morta que não valoriza a cultura, a arte, o conhecimento e, no meio de tudo isso, a literatura.

Fala-se em altos índices de analfabetismo funcional, e eu mesma que ando por aí falando em filosofia e literatura me dei conta de que faço uma espécie de militância pela leitura. Parece meio elementar, mas é bom dizer, apenas para fazer pensar, que havendo mais leitores, haverá mais chance de que se queira escrever mais livros. Assim teremos mais literatura e essa conversa sobre existência ou morte da literatura talvez possa se transformar, um dia, em uma verdadeira discussão por qualidade. Por enquanto, o problema é visto no âmbito da mera “quantidade”. E, no fundo, mais evidente é que nosso problema é muito mais o de proporção. Poucos escritores, poucos leitores, e um população imensa de analfabetos.

Falar das consequências implica pensar em outras responsabilidades.

* Márcia Tiburi é escritora e filósofa.
* A imagem da estante de livros foi retirada daqui.

 

dica do Tom Fernandes

“Tudo passa na Lei Rouanet”, diz Lobão em entrevista

0

Publicado por Folha de S.Paulo

Em uma hora e meia de entrevista concedida em sua casa, em Pompeia, zona oeste de São Paulo, Lobão ampliou os ataques de seu livro.

Entre diversos assuntos, disse que o país se encaminha para um novo golpe de Estado, criticou o passado da presidente Dilma Rousseff e a postura da líder brasileira na Comissão da Verdade.

Retrato do músico Lobão em sua casa na cidade de São Paulo

Retrato do músico Lobão em sua casa na cidade de São Paulo

Mais fotos aqui

Sobre o meio artístico, reclamou de nomes consagrados captarem recursos via Lei Rouanet, e disse se orgulhar de ter recusado a autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 2 milhões. Procuradas pela Folha, as pessoas citadas por Lobão não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Leia os principais trechos da entrevista. (LUCAS NOBILE)

*
Presidente Dilma e a Comissão da Verdade
Ela foi terrorista. Ela sequestrou avião, ela pode ter matado. Como que ela pode criar uma Comissão da Verdade e, como presidenta, não se colocar? Deveria ser a primeira pessoa a ser averiguada. Você vai aniquilar a história do Brasil? Vai contar uma coisa totalmente a favor com esse argumento nojento? Porque eles mataram, esquartejaram pessoas vivas, deram coronhadas, cometeram crimes.

O estopim, a causa da ditadura militar foram eles. Desde 1935, desde a coluna Prestes, começaram a dar golpes de Estado. Em 1961, começaram a luta armada. Era bomba estourando, eu estava lá. Minha mãe falava: você vai ser roubado da gente, o comunismo não tem família.

Quase um milhão de pessoas saíram às ruas pedindo para o Exército tomar o poder.

Acham que a junta militar estava a fim de dominar o Brasil? Não vejo nenhum desses presidentes militares milionário. E massacram os caras.

Regime militar
Não acredito em vítima da ditadura, quero que eles se fodam. Eu fui perseguido, passei quatro anos perseguido por agentes do Estado. Por que eu tinha um galho de maconha? Me botaram por três meses na cadeia. Nem por isso eu pedi indenização ao Estado. Devo ter sofrido muito mais do que 90% desses caras que dizem que foram torturados.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

PT
Esses que estão no poder, Dilma, Emir Sader, Franklin Martins, Genoíno, estavam na luta armada. Todos esses guerrilheiros estão no poder. Porra, alguma coisa está acontecendo! Em 1991, só tinha um país socialista na América Latina, hoje são 18. São neoditaduras pífias. A Argentina é uma caricatura, o Evo Morales, o Maduro. Vão deixar o comunismo entrar aqui? É a mesma coisa que botar o nazismo. A América do Sul está se tornando uma Cortina de Ferro tropical. Existe uma censura poderosíssima perpetrada por uma militância de toupeiras. Quem está dando golpe na democracia são eles, o PT está há dez anos no governo.

Golpe de Estado
Todo mundo fala da ditadura, do golpe militar, isso nunca esteve tão vivo. Os militares estão cada vez mais humilhados. As pessoas têm que entender que nenhum país civilizado conseguiu ser um país com suas Forças Armadas no Estado em que está a brasileira. Eles fizeram a Força Nacional, uma milícia armada, uma polícia política. Está tudo pronto para vir um golpe e as pessoas não estão vendo.

Ministério da Cultura
Se você tirar o Ministério da Cultura, o que não é sertanejo universitário morre. Eu recusei R$ 2 milhões do Ministério da Cultura para fazer uma turnê. O ministério libera tudo, e impressionam as temáticas: bandas mortas se ressuscitam para comemorar um aniversário de vida que não tem!

O próprio Barão Vermelho! Todos pediram grana [via lei de incentivo]: Barão, Paralamas.

O Gilberto Gil é o rei, um dos que mais pedem [recurso via Lei Rouanet]!

O cara foi ministro! Como é que as pessoas podem aturar isso? A Paula Lavigne é a rainha [da Lei Rouanet].

Por que os intelectuais brasileiros, diante de uma situação asquerosa como esta, ficam calados?

Tropicália
Todos esses mitos da Semana de 22 foram perpetuados por movimentos como o concretismo, o cinema novo, a Tropicália.

Sempre tive muito desinteresse pela Tropicália. Tom Zé, Jards Macalé e João Donato sempre foram melhores do que os que estão aí hoje representando o movimento, tanto o da bossa nova quanto o da Tropicália. João Donato dá de mil no João Gilberto porque ele é um puta compositor e pianista. Mas nunca tem o mérito, é tudo o pistolão, quem tem amigo, é da máfia. É conchavo o tempo todo. O Gilberto Gil, a Preta Gil, é um absurdo. Ganhou um império atrás dos benefícios do pai.

Rap
Os Racionais são o braço armado do governo, são os anseios dos intelectuais petistas, propaganda de um comportamento seminal do PT. Não acredito em cara ressentido.

Emicida, Criolo, todos têm essa postura, neguinho não olha, não te cumprimenta. Vai criar uma cizânia que nunca teve, ódios [raciais] estão sendo recrudescidos de razões históricas que nunca aconteceram aqui.

Estão importando Black Panthers, Ku Klux Klan. Tem essa coisa de “branquinho, perdeu, vamos tomar seu lugar”. Como permitem esse discurso?

Aluna pode ter visão comprometida por causa de trote na escola

0

Estudante de 14 anos foi atingida por um ovo no olho direito, enquanto deixava o colégio, em Porto Alegre

Estudante precisou assumir uma dura rotina de medicamentos e cuidados Mauro Vieira / Agência RBS

Estudante precisou assumir uma dura rotina de medicamentos e cuidados Mauro Vieira / Agência RBS

Publicado em O Globo

Caso ganhou visibilidade na internet após desabafo da mãe da adolescente no Facebook

RIO – A estudante Isabela Hartmann Rost, de 14 anos, corre o risco de ter a visão comprometida após ter sido atingida por um ovo no olho direito, durante um trote na porta do Colégio Anchieta, escola tradicional de Porto Alegre (RS), onde estuda. Ela se preparava para entrar no carro do pai quando foi alvo da ação de um aluno do terceiro ano do ensino médio da mesma instituição. Atividade mais frequente nas turmas de primeiro período do ensino superior, o “trote” é uma ação comum entre os estudantes da região no início do ano letivo, de acordo com a Anchieta.

O episódio ganhou visibilidade na internet desde que a mãe de Isabela, Claudia Hartmann, passou a publicar desabafos no Facebook. Em um dos textos, ela conta que a garota tem agora uma nova rotina, nada agradável, na qual precisar ir, diariamente, ao banco de olhos da cidade ou ao oftalmologista para medir a pressão ocular. Além disso, a menina apresenta quadros de ansiedade por temer não voltar a enxergar como antes. Tanto que, logo ao acordar, pela manhã, procura logo um espelho para verificar se houve melhora no olho machucado, que permanece com sangue coagulado.

Os posts da mãe são compartilhados por colegas e internautas e já receberam comentários que ironizam ou minimizam a situação. Em resposta, na tarde desta quarta-feira (13), Isabela pediu à mãe para digitar um texto seu, já que ela não pode ficar diante do computador:

“Eu não acho esses trotes uma atitude legal, e sei que por ter essa opinião muitos poderão vir me chamar de chata, careta. Mas é que notei os riscos dessa brincadeira (…). A minha visão piorou, porque estou com o olho bem inflamado. (…) os anti-inflamatórios aumentaram, ainda tem o risco de descolamento de retina tardio”, diz a garota, em um trecho do post.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado no Estado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS), Osvino Toillier, adiantou que o assunto será debatido com as escolas na próxima segunda-feira, durante uma reunião. Segundo ele, o objetivo será buscar maneiras de evitar episódios semelhantes, por meio de uma atuação compartilhada entre pais, professores e alunos.

— Sabemos que os adolescentes têm, muitas vezes, atitudes inconsequentes. Então, precisamos encontrar maneiras para evitar que cheguem até incidentes como este — disse, pontuando que o episódio é visto como um caso isolado pela entidade.

A direção do Colégio Anchieta ainda não localizou o aluno responsável pelo “trote” e informou, em nota, que ainda avalia as providências que serão tomadas.

Leia a íntegra do comunicado da escola:

“Diante do ocorrido entre um aluno do terceiro ano do ensino médio e uma aluna de série inferior, o Colégio Anchieta está tomando as providências cabíveis preconizadas pelo seu Regimento Interno. O fato, sem dúvida, é profundamente lamentável e inaceitável. As avaliações que estão sendo feitas pela Direção e o Serviços terão como balizamento os princípios e valores da instituição, em geral, e a proposta da Convivência Escolar, em particular, que se pauta por um adequado convívio social. Agredir um colega sempre é um desrespeito aos princípios da convivência humana em qualquer lugar, sendo merecedor dos procedimentos cabíveis que se aplica”.

Sisu: nota de corte pode ter apenas 10 pontos de diferença

0

Publicado por Terra

A nota de corte dos candidatos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) pode ter apenas 10 pontos de diferença entre os alunos de ampla concorrência e os candidatos inscritos nos critérios de cotas, com baixa renda familiar per capita (inferior a 1,5 salário mínimo). É o caso do curso de engenharia elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os alunos sem cotas tiveram nota de corte de 667,36 pontos, já os cotistas registraram 657,24 na nota de corte.

No curso de medicina da UFC, o mais procurado do Sisu, os alunos não cotistas e cotistas de baixa renda mantêm uma diferença de 37,68 pontos na nota de corte. Cada um dos grupos registrou 783 e 745,32 pontos na nota de corte, respectivamente. Os dados são referentes a estudo comparativo divulgado hoje (10) pelo Ministério da Educação (MEC).

No curso com a maior nota de corte, o de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as notas mantêm praticamente o mesmo desempenho registrado na Federal do Ceará. Os alunos inscritos na ampla concorrência obtiveram a nota de corte de 821 pontos, já os cotistas de baixa renda atingiram 778,81 pontos.

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o resultado pode ser considerado ‘excelente’, já que ‘o desempenho dos cotistas até o momento é muito próximo do desempenho da ampla concorrência’.

‘É um grande resultado, mas não pode ser lido como uma acomodação e muito menos como se o desafio da qualidade no ensino médio não fosse imenso para o Brasil, para o MEC, especialmente para as secretarias estaduais de Educação – responsáveis por 86% da rede’, disse Mercadante. (mais…)

“Leitores têm dificuldade de interpretação”, diz Dimenstein ao ser chamado de xenófobo

2

Gilberto Dimenstein: “o colunista não pode ter medo de críticas”
(Imagem: Divulgação/Folha)

Nathália Carvalho, no Comunique-se

A escolha de Juca Ferreira para ser secretário municipal da Cultura de São Paulo causou debate nesta semana e, ao publicar o texto “Haddad precisa importar um baiano?”, o jornalista da Folha, Gilberto Dimenstein, recebeu críticas e foi chamado de xenófobo.

Dimenstein explica que a postura de alguns internautas trata-se de dificuldade de interpretação e, ou, leitura apressada. “As pessoas não leem tudo. Isso já acontece no impresso, imagina no online. Olham apenas o título e leem o que querem, e não o que está escrito”. O colunista diz que criticou “o incômodo que brotou em parte do meio cultural paulistano pelo fato de Fernando Haddad convidar alguém de fora”.

O jornalista da Folha argumenta que o texto teve conotação positiva em relação à indicação de Ferreira. “Comentei que ser de fora pode ser até bom para a cidade. E, no caso de Juca, ainda coloquei que, por ser baiano, ele traz uma visão cultural que, talvez, possa ajudar São Paulo. E por vir de outra cidade talvez não fique refém das panelinhas culturais locais”.

As críticas à coluna foram impulsionadas, também, por um texto publicado pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Em relação à postura do parlamentar, Dimenstein afirma que “se fosse uma prova de interpretação, certamente o deputado não passaria”. “Ele é uma pessoa de com caráter e creio que não fez de má fé. Mas acredito que ele não leu a coluna até o final”, diz o colunista.

Em resposta, Wyllys disse que “é uma saída fácil de Dimenstein para não assumir que seu texto contraditório flertava, sim, com o sentimento de xenofobia mal disfarçado”. “Ainda que eu e outros tivéssemos lido apenas o título – o que não aconteceu – este, por si, já justificava todos os questionamentos. A palavra “baiano” não foi parar no título por acaso. A língua não é neutra (o jornalismo menos)”, explicou.

Dimenstein conta ser importante para os jornalistas saberem lidar com a repercussão negativa de alguma opinião. “É importante que o colunista não tenha medo de críticas e estimule o debate”. Além disso, ele afirma ser interessante passar por isso pois quando trata-se de um erro é preciso pedir desculpas, mas quando a situação é o contrário, a conversa cresce no sentido de mostrar qual é a posição do profissional. “Aprofunda o tema e ajuda as pessoas a pensarem de maneiras diferentes”, contou.

Veja abaixo os textos, em ordem cronológica, publicados por Dimenstein e pelo Deputado Jean Wyllys

Coluna de Dimenstein para Folha de S. Paulo – 10/12/2012
Haddad precisa importar um baiano?

Crítica de Jean Wyllys – 11/12/12
O “baiano” de Dimenstein

Coluna de Dimenstein para Folha de S. Paulo – 11/12/2012
Sou mesmo xenófobo?

Go to Top