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Ele fez um livro infantil ilustrado para pedir seu amor em casamento

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Vicente Carvalho, no Hypeness

Em uma época de mídias digitais, um esperançoso e criativo namorado, Paul Phillips, optou por pedir a mão da namorada, Erika Ramos, em casamento através de um livro infantil. Em uma incrível demonstração de criatividade, ele planejou tudo com semanas de antecedência.

Ele vasculhou a internet para encontrar um ilustrador para ajudá-lo a criar um livro infantil relatando o seu relacionamento amoroso. Depois de tê-lo ilustrado e impresso, ele contratou um fotógrafo que secretamente colocou o livro na seção infantil de uma biblioteca local, e esperou por trás de algumas prateleiras para documentar a proposta.

Paul planejou uma noite romântica com a namorada, com vinho e jantar, mas precisava passar pela biblioteca primeiro para devolver alguns livros (ele havia retirado alguns na semana anterior para que fossem obrigados a devolver antes do jantar), e aproveitou para pegar outros para os sobrinhos de Erika.  O namorado pegou um livro, disse a ela que parecia uma boa, e pediu para ela ler para ele.

Quando ela chegou na página da história sobre o gorila propondo a girafa em uma biblioteca, ele ficou de joelhos e fez a proposta, igual ao livro. Ela disse sim. Vejam a história do livro:

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Era uma vez um gorila
Que se apaixonou por uma girafa.
Ela o surpreendeu pelo quanto
Podia fazê-lo rir.

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Os dois, vejam só,
Eram de mundos diferentes
Em seu primeiro encontro, de tão nervoso,
Ele achou que fosse vomitar.

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Apesar de suas diferenças,
Foi amor à primeira vista.
Seus sentimentos cresceram rapidamente,
Seu coração levantou vôo.

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O gorila, em sua vida,
Antes rude e dispersa
Agora refinada e focada
Sobre as coisas que importam.

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Simplesmente não haviam palavras 
Para o quanto de sorte ele teve.
Sem ela ao seu lado
A vida certamente seria vazia.

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É difícil de acreditar
Apenas como eles eram felizes.
Ele não podia imaginar
Um dia sequer sem ela.

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Então ele ficou de joelhos
E fez o pedido:
“Minha querida girafa,
Quer se casar comigo?”

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Ele sentiu seu coração batendo
Forte dentro de seu peito.
Ele não podia fazer nada além de esperar
E esperar que ela dissesse SIM.

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Quando ela finalmente respondeu
Ele não conseguia parar de sorrir
Porque ele sabia, em seu coração,
Que isso foi só o começo!

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Candidato escreve receita de miojo na redação do Enem e tira nota 560

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Trecho da redação do Enem em que um candidato ensina como preparar miojo

Trecho da redação do Enem em que um candidato ensina como preparar miojo (Editoria de Artes/Agência O Globo)

Publicado por UOL

Um candidato resolveu descrever como preparar um miojo no meio da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2012, que tinha como tema o movimento imigratório para o Brasil no século 21, e recebeu 560 pontos – a nota máxima é 1.000. A informação é do jornal “O Globo”. Ontem (18), o jornal carioca também informou que redações com nota máxima apresentaram erros como “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”.

O candidato escreveu dois parágrafos sobre o tema proposto e depois dedicou um parágrafo inteiro ao preparo do macarrão instantâneo “Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml’s de água em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva”.

Após passar a receita, o estudante voltou a escrever sobre a imigração. Segundo o jornal, o candidato recebeu 120 pontos (de um total de 200) na competência 2 da correção, que avalia a compreensão da proposta da redação e a aplicação de conhecimentos para o desenvolvimento do tema. Já na competência 3, que avalia a coerência dos argumentos, o candidato recebeu metade dos pontos possíveis — 100 de 200.

Em nota enviada ao jornal “O Globo”, o MEC afirmou que “a presença de uma receita no texto do participante foi detectada pelos corretores e considerada inoportuna e inadequada, provocando forte penalização especialmente nas competências 3 e 4”. O órgão disse entender que o aluno não fugiu do tema nem teve a intenção de anular a redação, pois não feriu os direitos humanos e não usou palavras ofensivas.

Candidato não podia recorrer da nota
Os candidatos que fizeram o Enem 2012 puderam acessar a correção de suas redações no início de fevereiro. O aluno devia informar o CPF ou o número de inscrição e a senha no site do Enem. As correções têm apenas finalidade pedagógica, ou seja, não são passíveis de recurso.

O boletim de correção traz as notas por competência e dá direito à vista da redação.

Ao todo, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), foram corrigidas 4.113.558 redações, das quais 1,82% estavam em branco e 1,76% obtiveram nota zero.

No início do ano, estudantes de todas as regiões do país recorreram à Justiça para conseguir acesso à correção antes do período de inscrição do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), pelo qual instituições públicas de educação superior oferecem vagas a candidatos participantes do Enem.

No entanto, os tribunais regionais federais das diferentes regiões suspenderam as liminares que determinavam a vista antecipada dos espelhos de correção, entendendo que o edital do Enem prevê apenas a vista pedagógica e que leva em conta rigorosamente o previsto no termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado pelo Ministério da Educação com o Ministério Público Federal.

Muitos estudantes sentiram-se injustiçados. Thais Bastos obteve a nota 400 na redação do Enem. “No ano passado, tirei 700. Neste ano, estudei muito mais, não posso ter ficado com essa nota”, disse. Além disso, ela comparou o que escreveu com redações disponíveis em revistas e manuais, “As redações que receberiam a nota que eu tirei continham erros de português e um vocabulário infantil”. Ela também levou o caso à Justiça e chegou a ganhar o direito da vista antecipada, até que o ministério recorreu e venceu.

Livros de verão e literatura de verdade

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Milton Hatoum, em O Estado de S.Paulo

Há poucos meses atrás, na Feira do Livro de Guadalajara, vi uma cena que, de algum modo, diz muito sobre a literatura e a solidão, essas irmãs siamesas.

A Feira estava cheia de gente, mas não necessariamente de leitores. Ao visitar o estande de uma editora, vi um escritor de língua espanhola, sentado diante de uma mesinha, à espera de leitores. Ele tinha um ar desolado e conversava com uma mulher. Quando eu passava perto dos dois, ele perguntou à mulher onde estavam os leitores. Ela sorriu e apontou para uma fila de leitores excitados, que queriam comprar a edição espanhola de Cinquenta Tons de Cinza, o best-seller do momento.

É improvável que os leitores dessas historinhas de sexo e violência – ou sexo com violência – leiam romances de Conrad, de Dostoievski ou de Graciliano Ramos. Quantos se aventuram a ler Coração das Trevas, Crime e Castigo ou Infância? Para a maioria dos leitores, um livro de ficção é puro entretenimento, algo que não convida a pensar nas relações humanas, no jogo social e político, na passagem do tempo e nas contradições e misérias do nosso tempo, muito menos na linguagem, na forma que forja a narrativa. Talvez por isso o poeta espanhol Juan Ramón Jiménez tenha afirmado que a poesia é a arte da imensa minoria. Isso serve para a literatura e para todas as artes. Os poucos, mas felizardos espectadores da peça O Idiota, dirigida por Cibele Forjaz, sabem disso.

Flaubert costumava lamentar a época em que viveu: a crença entusiasmada e cega no progresso e na ciência, as batalhas fratricidas na França, a carnificina das guerras imperialistas, e a idiotice e bestialidade humanas, que ele explorou com ironia em sua obra. Em uma carta de sua vasta correspondência, escreveu que o ser humano não podia devorar o universo. Referia-se ao consumismo crescente na segunda metade do século 19.

O que o “Ermitão de Croisset” diria dos dias de hoje, quando a propaganda insidiosa na tevê não poupa nem as crianças e tudo gira em torno da vida de celebridades, de uma fulana famosa que teve um bebê, de sicrano que se separou de beltrana ou traiu uma fulaninha? Qual o interesse em saber que a princesa da Inglaterra está grávida?

Essas baboseiras são ainda mais graves num país como o Brasil, cuja modernidade manca ou incompleta exclui milhões de jovens de uma formação educacional consistente.

No começo da década de 1990, quando eu passava uma temporada em Saint-Nazaire, um jovem operário entrou no meu apartamento para consertar o vazamento de uma tubulação. Quando passou pela sala, viu um romance em cima da mesa e exclamou:

Ah, Stendhal. Li vários livros dele, e o que mais aprecio é esse mesmo: A Cartuxa de Parma.

E onde você os leu? Quando?

Aqui mesmo, ele disse. Na escola secundária.

Era uma das escolas públicas daquela pequena cidade no oeste da França.

Nicolas Sarkozy e outros presidentes conservadores tentaram prejudicar o ensino de literatura e ciências humanas na escola pública francesa, mas nenhum deles teve pleno êxito. Aprender a ler e a pensar criticamente é um dos preceitos de uma sociedade democrática, e esse mandamento republicano ainda vigora na França. O que os prefeitos e secretários de Educação dos quase 5.700 municípios brasileiros dizem a esse respeito?

A precariedade da educação pública é um dos problemas estruturais da América Latina. Até mesmo a Argentina, que já foi uma exceção honrosa, começa a padecer desse mal.

Comecei essa crônica evocando a solidão de um escritor em Guadalajara. Melhor assim: a solidão está na origem do romance moderno, é um de seus pilares constitutivos e faz parte do trabalho da imaginação do escritor e do leitor.

O tempo se encarrega de apagar todos os cinquenta tons de cinza, e ainda arrasta para o esquecimento os crepúsculos, cabanas e toda essa xaropada que finge ser literatura. Enquanto isso, Coração das Trevas, publicada há mais de um século, é uma das novelas mais lidas por leitores de língua inglesa.

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