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Grandes universidades oferecem cursos gratuitos e online de Clássicos

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Filosofia Antiga e Medieval, História Grega Antiga são alguns dos conteúdos abordados

Publicado no Catraca Livre

iStock

Cursos contam com conteúdo sobre Filosofia Antiga, História Antiga, entre outros

A Universia Brasil selecionou oito cursos de Clássicos gratuitos e online oferecidos pelas melhores universidades do mundo. Confira:

Filosofia Antiga e Medieval (University of Notre Dame)  – iTunes Vídeo – Vídeo no site da University of Notre Dame – Este curso aborda grandes figuras e temas da filosofia antiga e medieval. Há a leitura de textos selecionados de Platão, Aristóteles, Lucrécio, Marco Aurélio, Agostinho e Tomás de Aquino.

História Grega Antiga (Yale University) –  YouTube – iTunes Áudio – iTunes Vídeo – Download do curso– Curso introdutório de história grega. Mostra como o desenvolvimento da civilização grega se manifesta em conquistas política, intelectual e criativa da Idade do Bronze até o fim do período clássico.

Israel Antigo (New York University) – (Documento em PDF) – YouTube – Uma série de videoaula sobre Israel Antigo.

Filosofia Antiga (UC Berkeley)iTunes – Site UC Berkeley – Uma série de podcasts sobre filosofia antiga.

Sabedoria Antiga e Amor Moderno (Universidade de Notre Dame) – iTunes – Site oficial da Universidade de Notre Dame – Trata-se de um curso cada vez mais popular, que aborda o amor humano e as tentativas de unir análise filosófica e imaginação literária. A lista de leitura do curso inclui Platão, Shakespeare e Othello, entre outros.

O Mundo Romano (La Trobe University) – iTunes Vídeo  – O curso aborda a história cultural da Roma Antiga, desde a sua literatura, mitologia, arte, arquitetura e suas instituições políticas e civis.

O Heroico e o Anti-heroico na Civilização Grega Clássica (Universidade de Harvard) – Site oficial da Universidade de Harvard – Nesse curso o leitor terá contato com algumas das principais obras dos clássicos gregos antigos, de Homero a Platão

A Eneida de Virgílio: A Anatomia de um Clássico (Stanford University) – iTunes  – A Eneida, de Virgílio, é um poema épico que gerou um sucesso instantâneo. Tem estado centro de estudos da cultura romana até os dias atuais. Como pode um poema criado em um ambiente tão remoto falar de forma tão eloquente para os tempos atuais? Neste curso, você vai descobrir que tipo de poema é Eneida e quais são os aspectos mais amplos da cultura romana.

Animação do poema O pássaro azul, de Bukowski

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Marina Franconeti, no Literatortura

O poema de Charles Bukowski, O Pássaro Azul, originalmente publicado na sua antologia de 1992 The Last Night of the Earth Poems, é uma meditação sutilmente profunda sobre uma faceta da condição humana que conhecemos muito bem. A compulsão, os vícios, o resultado de uma solidão que corrói diariamente, é a isso tudo que Bukowski consegue se referir – ou melhor, trazer à tona – com o seu poema.

O pássaro azul se mostra como a pureza que buscamos preservar na gaiola, proteger um dos sentimentos mais nobres diante de um mundo corrompido. Essa beleza pura, talvez o ímpeto que move o escritor a criar, pede para se mostrar, mas não é revelado pelo poeta, o qual se encontra à mercê das ofertas ambíguas do mundo. Na hora em que se deita e está sozinho, é na companhia desse pássaro guardado em si mesmo, que o poeta parece se recompor. Pelo menos um pouco, para suportar a dor e o desespero que existe sempre no dia seguinte.

A bela animação adapta o poema de Bukowski e foi criada por Monika Umba, estudante de Cambrigde School of Art. Com uma perfeição visual muito bem desenvolvida pela artista, a trilha de poucas notas dá o toque melancólico que soa na leitura. Os personagens possuem um corpo meio rígido, parecem feitos de recortes de jornal. Por isso, tem algo de cotidiano neles. O pássaro e o azul, os grandes protagonistas da animação, dão o tom aos eventos e brilham pela imagem, trazendo à vida a magia do poema.

Abaixo você pode conferir o poema de Bukowski e a animação:

O pássaro azul

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?

in Textos autobiográficos, de Charles Bukowski, páginas 478/9. Tradução de Pedro Gonzaga. Porto Alegre, L&PM Editores, 2009.

Aqui o poema em inglês

Morre aos 83 anos no Rio a escritora e feminista Rose Marie Muraro

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Rose Marie Muraro morreu aos 83 anos (Foto: CARLO WREDE/AJB/FUTURA PRESS)

Rose Marie Muraro morreu aos 83 anos (Foto: CARLO WREDE/AJB/FUTURA PRESS)

Ela estava internada por causa de um câncer na medula óssea.
Rose Marie é uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil.

Publicado no G1

Morreu neste sábado (21), no Rio de Janeiro, a escritora e feminista Rose Marie Muraro, aos 83 anos. De acordo com a filha, Tonia Muraro, ela tinha câncer na medula óssea há 10 anos e, desde o dia 15 de junho, estava internada no CTI do Hospital São Lucas, em Copacabana. Ela teve complicações após um tratamento de quimioterapia.

Rose Marie Muraro foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil entre a década de 70 e 80. Foram mais de sessenta anos de dedicação e luta nas conquistas pelos direitos das mulheres. Ela é autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes, ao lado do teólogo e escritor Leonardo Boff. Os dois trabalharam juntos por 17 anos. Ao lado de Boff, ela também lutou pela teologia da libertação.

Formada em física e economia, ela também trabalhou na Editora Rosa dos Tempos. Em 2009,  inaugurou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro onde trabalhava até a piora do estado de saúde.

O velório da escritora está marcado para às 8h deste domingo (22), no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio. O corpo será cremado às 16h em uma cerimônia para a família.

Emocionada, a filha da escritora disse que a mãe tinha o sonho de construir um mundo mais solidário e lutou por isso. ” A partir dos seus livros, muitos deles com Leonardo Boff, ela ofereceu essa condições mas a gente ainda tem uma grande luta pela frente”, disse. Rose Marie tinha cinco filhos, 12 netos e quatro bisnetos.

Em uma rede social, a presidente Dilma Rousseff lamentou a notícia. “Foi com tristeza que soube da morte de Rose Marie Muraro, ícone da luta pelos direitos das mulheres. Intelectual notável, Rose Mariue foi uma mulher determinada em tudo, na luta contra a barreira da cegueira, na luta pelas suas ideias. Somos todas gratas à dedicação incansável de Rose Marie”, escreveu. Também em rede social, o  Instituto Rose Marie Muraro postou um poema inédito da escritora com o título “O Pássaro de Fogo”. Leia abaixo o poema.

O Pássaro de Fogo

Tu vieste como um pássaro
E pousaste no meu ombro
E eu fui habitada
Pela paixão da entrega.

Eu te amei antes que tu existisses
Como o deserto que tem sede de água
E as flores tem sede da luz
E te amei como a pedra ama a terra
Que lhe dá sua força.

Com teu bico colocaste na minha mão esquerda
A semente da morte
E na direita a semente da vida
Para que com as duas juntas
Eu fizesse a escolha de cada momento
Ligando o instante à sua profundidade eterna.

Pássaro de fogo
Capaz de queimar sem consumir
Estás dentro de mim.

Pássaro de fogo
Irei onde tuas asas me conduzirem
E meu caminho se tornou incandescente
Como teus olhos.

Roberto Bolaño e seus desenhos

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A subversão dos conceitos literários na literatura do escritor chileno Roberto Bolaño.

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José Figueiredo, no Homo Literatus

Quem pegar o Houaiss e procurar o que é literatura vai encontrar a seguinte definição: uso estético da linguagem escrita. Contudo será que a literatura, em pleno século vinte e um, é apenas isso? Quem já leu Roberto Bolaño sabe que não.

Mesmo em romances não tão experimentais como O Terceiro Reich, Bolaño insere lá pelas tantas dois rostos desenhados face a face. A utilidade ou função do desenho podem ser discutidas, mas que a presença e o certo espanto que causa ao leitor vê-lo ali em meio à página, sem mais avisos, não pode ser negada.

Em Os Detetives Selvagens a mistura entre textos e imagens toma corpo e é central em várias passagens. O enigmático poema de Cesárea Tinajero em que vemos apenas três linhas que vão tremulando são um dos enigmas do romance – além de ser ponto de discussão dentro da obra. Nada temos além de um título, Sión, e do poema em si.

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Já em 2666, Oscar Amalfitano, personagem central da segunda parte do romance, esboça sem notar esquemas, acrescentando nomes conhecidos Heidegger, Bergson, Harold Bloom e Nietzsche lado a lado com ilustres desconhecidos – pelo menos para mim – como Trendelenburg, Lange e Mendelssohn. Que significa tais esquemas? Qual a função deles no texto? Deixo a pergunta, pois não tenho a resposta.

Mas por que nos prendermos somente a Bolaño? A literatura contemporânea está cheia de livros com links do youtube, desenhos que surgem em meio ao texto – sem contar o recente sucesso de vendas Destrua Este Diário, de Keri Smith, no qual o autor manda o leitor subir sobre o livro e dar uma boa esfregada de pés nele, dando-nos uma nova perspectiva (para alguns nem tão nova) da relação leitor-livro.

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Creio ter deixado muitos autores de fora – por pura ignorância –, mas acredito ter conseguido atingir meu objetivo quando faço a pergunta: a literatura cabe em palavras?

Falso poema atribuído a Neruda é da brasileira Martha Medeiros

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Lentamente-muore-di-Martha-Medeiros-pablo-neruda

‘Morre lentamente quem não viaja,/quem não lê,/ quem não ouve música…’ foi um hit de ano-novo na Espanha

Publicado no Estadão

O poema Muere Lentamente (Morre Lentamente), atribuído por engano a Pablo Neruda, circula há anos na Internet sem que nada nem ninguém seja capaz de deter a bola de neve, ao ponto de, na Espanha, muitas pessoas terem recebido esses versos como votos online de um feliz ano-novo.   “Morre lentamente quem não viaja,/ quem não lê,/ quem não ouve música,/ quem não encontra graça em si mesmo./ Morre lentamente/ quem destroi seu amor próprio,/ quem não se deixa ajudar…” Assim começa o poema que não se chama Morre Lentamente, mas A Morte Devagar, e não é do poeta chileno como assegurou à EFE a Fundação Pablo Neruda, mas da escritora e poeta brasileira Martha Medeiros.   Veja também: Leia o texto de Martha Medeiros Links com o poema atribuído a Neruda: Página para ser enviada a alguém O poema, no YouTube.

Este verso e outros mais circulam na internet há muito tempo e “não sabemos quem os atribuiu a Neruda, mas os nerudianos que temos consultado não os conhecem”, afirma Adriana Valenzuela, bibliotecária da Fundação.   Porque não é apenas Muere Lentamente o único o “falso Neruda” que encontram os internautas. Também costumam atribuir ao autor do Canto Geral os poemas Queda Prohibido, que é de Alfredo Cuervo, escritor e jornalista espanhol, e Nunca Te Quejes, de autor ignorado pela Fundação.   O diretor executivo da Fundação, Fernando Sáez, diz que não é a primeira vez nem será a última, que as pessoas imputem a um poeta famoso textos que ele jamais escreveu e  cuja autoria é desconhecida. Um dos enganos do gênero aconteceu com um famoso texto atribuído a Borges sobre as maravilhas da vida, que nem com sua maior ironia ele teria suportado e menos ainda escrito. O suposto poema de Borges, Instantes, segundo esclareceu a viúva do escritor, María Kodama, é de autoria da escritora norte-americana Nadine Stair.

Mais estrondoso ainda foi o falso apócrifo atribuído a Gabriel García Márquez, La Marioneta, com o qual o prêmio Nobel de Literatura colombiano se despedia de seus amigos, após saber que estava com um câncer. “Se por um instante Deus se esqueceu de que sou um marionete de pano e me presenteasse com um pouco mais de vida, aproveitaria esse tempo o mais que pudesse…” diz o texto cuja “autoria” quase matou de verdade García Márquez, como ele mesmo disse ao desmentir que o poema fosse criação sua. “O que pode me matar é a vergonha de que alguém acredite de verdade que fui eu que escrevi”, disse Gabo.   Muere Lentamente é uma poesia da escritora brasileira Martha Medeiros, autora de numerosos livros e cronista do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, conforme informou à EFE a Fundação Neruda. Cansada de ver as pessoas dizendo que o poema é do poeta chileno, a própria escritora entrou em contato com a Fundação Neruda para esclarecer a autoria do texto, pois os versos coincidem em grande parte com seu texto A Morte Devagar, publicado em 2000, às vésperas do Dia dos Mortos.

Em declarações à EFE, Martha reconhece que não sabe como o poema começou a circular na internet, já que há “muitos textos” seus que estão na rede “como se fossem de outros autores”. “Infelizmente, não há nada a fazer”, acrescenta.   A poeta e romancista brasileira de 47 anos admira profundamente o poeta chileno Pablo Neruda, de quem se declara uma fã, mas prefere que “cada um tenha seu trabalho reconhecido”. No entanto, não perde o sono com essas coisas e assegura que tem “humor suficiente para rir de tudo isso”.   A Fundação concorda com Martha e afirma que pouco pode ser feito para deter esta bola de neve na rede, já que ao fazermos uma busca no Google sobre o poema Muere Lentamente associado ao nome do poeta Pablo Neruda, vão aparecer milhares de referências ao poema associado ao nome do poeta.

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