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Posts tagged poemas

5 poemas que se tornaram belas canções

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Diego Santos, no Literatortura

Existem obras tão sensacionais que não cabem numa única arte.

O casamento entre a música e a poesia sempre foi inspirador!

Nesta lista, veremos alguns poemas nos quais a rima, o ritmo e a métrica acabaram ultrapassando os limites dos livros e alcançaram belos acordes musicais, tornando-as obras ainda mais completas!

Aproveite pra comentar qual adaptação você mais curtiu e indicar novas poesias que se tornaram belas canções!

Funeral de um lavrador

Funeral de um Lavrador foi escrita por João Cabral de Molo Neto e cantada por Chico Buarque.

Trem de Ferro

Trem De Ferro é de Manuel Bandeira e foi musicada por Olivia Hime e Tom Jobim.

Circuladô de Fulô

Circuladô de Fulô não é um poema na integra. A música foi inspirada e contêm versos de “Galáxias”, de Haroldo de Campos.

Rosa de Hiroshima

Rosa de Hiroshima brotou de um poema de Vinícius de Moraes, escrito na década de 1950, e floresceu com os Secos e Molhados, em 1970.

Canção Amiga

Canção Amiga, de Carlos Drummond de Andrade, ganhou a voz de Milton Nascimento.

O atlas particular de Borges

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Ana Paula Campos, no Roteiros Literários

Em tempos de selfie, a palavra oficial de 2013, viajar se tornou de forma mais enfática uma cultura de ver-e-registrar-para-ver-de-novo. Atlas (1984), livro em que Jorge Luis Borges e a sua companheira María Kodama narram experiências de viagem por meio de relatos e poemas (ele) e fotos (ela), ganha uma conotação diferente quando lembramos que a obra foi escrita por alguém que não enxergava.

Borges viajou ao lado de María a partir de 1975, ou seja, havia perdido a visão há décadas. Suas histórias se tornam um compilado de imaginação, lembranças, associações literárias e impressões captadas pelos outros sentidos.

Em certo ponto do livro, ele diz: “comprovo com uma espécie de melancolia agridoce que todas as coisas do mundo me conduzem a um encontro ou a um livro”. María admite que tal modus operandi lhe despertou, em alguns lugares que visitaram juntos, a sensação de que quem não via era ela.

A escolha dos destinos era aleatória: “antes de uma viagem, olhos fechados, unidas as mãos, abríamos ao acaso o atlas e deixávamos que as gemas de nosso dedos adivinhassem o impossível”, revela María. Dessas aventuras, o Roteiros destaca sete descritas em Atlas.

Descobrir o desconhecido não é uma especialidade de Simbad, de Érico o Vermelho ou de Copérnico. Não há um único homem que não seja um descobridor.

IRLANDA
“De todas elas [as circunstâncias] a mais vívida é a Torre Redonda, que não vi, mas que minhas mãos tatearam, onde monges que são nossos benfeitores salvaram para nós em duros tempos o grego e o latim, ou seja, a cultura. Para mim a Irlanda é um país de pessoas essencialmente boas, naturalmente cristãs, tomadas pela curiosa paixão de ser incessantemente irlandesas.
Andei pelas ruas que percorreram, e continuam percorrendo, todos os habitantes de Ulisses.”

VENEZA
“Uma vez escrevi num prólogo Veneza de cristal e de crepúsculo. Para mim, crepúsculo e Veneza são duas palavras quase sinônimas, mas nosso crepúsculo perdeu a luz e teme a noite e o de Veneza é um crepúsculo delicado e eterno, sem antes nem depois.”

PASSEIO DE BALÃO NA CALIFÓRNIA

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Borges e María Kodama viajaram de balão no vale de Napa, na Califórnia. Segundo María, a tradição diz que é preciso levar champanhe para dar aos donos da terra onde aterrissam.
“Na Califórnia, há cerca de trinta dias, María Kodama e eu fomos a um modesto escritório perdido no vale de Napa. Eram quatro ou cindo da manhã, sabíamos que os primeiros clarões da aurora estavam por ocorrer. (…) O espaço era aberto, o ocioso vento nos levava como se fosse um lento rio nos acariciava a testa, a nuca ou a face. Todos sentimos, acho, uma felicidade quase física. O passeio, que duraria uma hora e meia, era também uma viagem por aquele paraíso perdido que constitui o século XIX. Viajar no balão imaginado por Montgolfier também era voltar às páginas de Poe, de Júlio Verne e de Wells.”

GENEBRA
Embora tenha nascido em Buenos Aires, a vida de Borges se dividia entre a capital argentina e Genebra. “Sei que voltarei sempre a Genebra, quem sabe depois da morte do corpo”, afirma em Atlas. Em 14 de junho de 1986, o escritor morreu na cidade e foi enterrado no cemitério de Plainpalais.
“Diferentemente de outras cidades, Genebra não é enfática. Paris não ignora que é Paris, a decorosa Londres sabe que é Londres, Genebra quase não sabe que é Genebra. (…) um pouco à semelhança do Japão, renovou-se sem perder seus ontens.”

MEU ÚLTIMO TIGRE

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“Em minha vida sempre houve tigres”, conta Borges, no seu texto sobre o encontro tardio com um tigre real, em um zoológico de Luján, na Argentina, e a realização desse sonho de infância.
O contato compensou a visão. “Com evidente e aterrada felicidade me aproximei desse tigre, cuja língua lambeu meu rosto, cuja garra indiferente ou carinhosa se demorou em minha cabeça.”
María Kodama conta que, mais tarde, enriquecendo a experiência, Borges distinguiu algo à contraluz: “Não me diga que é o que eu estou pensando”, “Sim, são seis tigres de Bengala passeando em torno da mesa”, respondeu ela.

O DESERTO DO SAARA
“A uns trezentos ou quatrocentos metros da Pirâmide me inclinei, peguei um punhado de areia, deixei-o cair silenciosamente um pouco mais adiante e disse em voz baixa: Estou modificando o Saara.”

COLÔNIA DE SACRAMENTO

“Aqui sentimos de maneira inequívoca a presença do tempo, tão rara nestas latitudes. Nas muralhas e nas casas está o passado, sabor que se agradece na América. Não se exigem datas nem nomes próprios; basta o que sentimos de imediato, como se fosse uma música.”

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A Poesia Marginal: 10 belos poemas da “Geração Mimeógrafo”

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Diego Santos, no Literatortura

Durante a dura repressão do regime militar brasileiro, muitos artistas tiveram que encontrar meios alternativos para manifestar sua arte ou seus protestos.

Entre tantos artistas, os poetas tiveram um grande destaque a partir do que se chamou “Geração Mimeógrafo”. Como as obras de tais artistas não eram aceitas por grandes editoras ou eram censuradas por órgãos repressivos, eles acabaram aderindo ao mimeógrafo, que era uma tecnologia mais acessível na época.

O mimeógrafo é aquela máquina que faz cópias de papel escrito em grande escala e utiliza na reprodução um tipo de papel estêncil e álcool.

Desta forma, os poetas divulgavam e vendiam seus trabalhos a preços baixíssimos em universidades, praças e ruas.

No ano de 1975, a editora Brasiliense publicou um livro intitulado “26 Poetas Hoje”, divulgando obras e nomes à margem do circuito editorial estabelecido. Esta arte foi chamada de Poesia Marginal e reuniu grandes nomes, até hoje muito estudados!

Nesta lista, você conhecerá 10 poemas e poetas que marcaram toda essa geração e esta história de resistência à ditadura.

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RÁPIDO E RASTEIRO
Chacal

vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida

JOGOS FLORAIS
Cacaso

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)

COGITO
Torquato neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

UMA NOITE
Afonso Henriques Neto

o tio cuspia pardais de cinco em cinco minutos.
esta grama de lágrimas forrando a alma inteira
(conforme se diz da jaula de nervos)
recebe os macios passos de toda a família
na casa evaporada

mais os vazios passos
de ela própria menina.

a avó puxava linhas de cor de dentro dos olhos.
uma gritaria de primos e bruxas escalava o vento
escalpelava a tempestade
pedaços de romã podre
no bolor e charco do tanque.

o pai conduzia a festa
como um barqueiro
puxando peixes mortos

nós
os irmãos
jogávamos no fogo
dentaduras pétalas tranças
fotografias cuspes aniversários
e sempre
uma canção
só cal e ossos
a mãe de nuvem parindo orquídeas no cimento.

RECEITA
Nicolas Behr

Ingredientes:

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles

Modo de preparar

dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração

leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos de gerações
às esperanças perdidas

corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os sonhos
eróticos mas desta vez deixe ferver um
pouco mais e mexa até dissolver

parte do sangue pode ser substituído
por suco de groselha
mas os resultados não serão os mesmos
sirva o poema simples ou com ilusões

TIRA-TEIMA
Bernardo Vilhena

Tire a faca do peito
e o medo dos olhos
Ponha uns óculos escuros
e saia por aí. Dando bandeira

Tire o nó da garganta
que a palavra corre fácil
sem desculpas nem contornos
Direta: do diafragma ao céu da boca

Tire o trinco da porta
liberte a corrente de ar
Deixe os bons ventos levantarem a poeira
levando o cisco ao olho grande

Tire a sorte na esquina
na primeira cigana ou no velho realejo
Leia o horóscopo e olhe o céu
lembre-se das estrelas e da estrada
Tire o corpo da reta
e o cu da seringa
que malandro é você, rapaz
o lado bom da faca é o cabo

Tire a mulher mais bonita
pra dançar e dance
Dance olhando dentro dos olhos
até que ela morra de vergonha

Tire o revólver e atire
a primeira pedra
a última palavra
a praga e a sorte
a peste, ou o vírus?

MUITO OBRIGADO
Francisco Alvim

Ao entrar na sala
cumprimentei-o com três palavras
boa tarde senhor
Sentei-me defronte dele
(como me pediu que fizesse)
Bonita vista
pena que nunca a aviste
Colhendo meu sangue: a agulha
enfiada na ponta do dedo
vai procurar a veia quase no sovaco
Discutir o assunto
fume do meu cigarro
deixa experimentar o seu
(Quanto ganhará este sujeito)
Blazer, roseta, o país voltando-lhe
no hábito do anel profissional
Afinal, meu velho, são trinta anos
hoje como ontem ao meio-dia
Uma cópia deste documento
que lhe confio em amizade
Sua experiência nos pode ser muito útil
não é incômodo algum
volte quando quiser

SONETO
Ana Cristina César

Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

AMOR BASTANTE
Paulo Leminski

quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

OLHOS DE RESSACA
Geraldo Carneiro

minha deusa negra quando anoitece
desce as escadas do apartamento
e procura a estátua no centro da praça
onde faz o ponto provisoriamente

eu fico na cama pensando na vida
e quando me canso abro a janela
enxergando o porto e suas luzes foscas
o meu coração se queixa amargamente
penso na morena do andar de baixo
e no meu destino cego, sufocado
nesse edifício sórdido & sombrio
sempre mal e mal vivendo de favores

e a minha deusa corre os esgotos
essa rede obscura sob as cidades
desde que a noite é noite e o mundo é mundo
senhora das águas dos encanamentos

eu escuto o samba mais dolente & negro
e a luz difusa que vem do inferninho
no primeiro andar do prédio condenado
brilha nos meus tristes olhos de ressaca

e a minha deusa, a pantera do catre
consagrada à fome e à fertilidade
bebe o suor de um marinheiro turco
e às vezes os olhos onde a lua

eu recordo os laços na beira da cama
percorrendo o álbum de fotografias
e não me contendo enquanto me visto
chego à janela e grito pra estátua

se não fosse o espelho que me denuncia
e a obrigação de guerras e batalhas
eu me arvoraria a herói como você, meu caro
pra fazer barulho e preservar os cabarés.

Menino lança livro de poemas aos nove anos e bate recorde

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menino lença livro de poemas e bate recorde

Publicado no Tribuna do Norte

João Victor Guimarães entra para o RankBrasil em 2014 como o Mais jovem a lançar livro de poemas no país. ‘O Recanto das Borboletas’ foi produzido pela Editora Friends em abril de 2013, sendo que na época o menino tinha nove anos e dois meses.

Lançado através das editoras nacionais Bookess, Agbook e também pela Bubok de Portugal, ambas plataformas de publicação gratuita e sob demanda. A obra é a primeira escrita pelo garoto, que quando começou tinha apenas oito anos.

Segundo o recordista, o ‘Recanto das Borboletas’ é baseado em um sonho que ele teve com uma tia já falecida. “O livro é sobre este lugar onde minha tia Iolanda habita. Alguns chamam de céu e outros de paraíso. O texto nos transmite para o outro lado da vida, ao encontro do amor de Deus e nossos queridos que já se foram”, explica.

De acordo com Rozely Guimarães, mãe de João Victor, a habilidade do filho com as letras foi descoberta por acaso. “Após a morte da minha irmã, pedi para ele escrever sobre seus sentimentos. Desta forma percebi: o português dele era quase perfeito e a combinação das palavras formava poemas ou possuía fundos poéticos. Decidi passar os textos para uma amiga escritora”.

Recorde

Assim como acontece nas fábulas literárias, uma fada madrinha surgiu na vida do jovem poeta. Mara Ivanovic revisou e editou o livro voluntariamente. Depois disso, fez com que fosse publicado.

Para ela, o recorde brasileiro é motivo de muita alegria. “Feliz seria pouco para descrever o que sinto. O exemplo da conquista dele junto a outras crianças e até adolescentes representará um ganho para o país de valor inestimável”.

Ainda de acordo com Mara, o próximo passo é tentar expor a obra do jovem no Salão Internacional de Livros em Genebra, na Suíça, em 2015.

Prodígio

Nascido em Osasco (SP), o recordista de 10 anos está na quinta série do ensino fundamental. O garoto atualmente vive na cidade de Garanhuns (PE). Ele gosta de ler, pratica natação, faz aulas de inglês e como toda criança é fã de jogos de videogame.

Escritor há dois anos, João Victor afirma possuir um romance quase terminado e várias poesias prontas. O menino não pretende parar de escrever, mas também deseja se tornar médico.

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Contos e poemas inéditos de Truman Capote são descobertos

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Textos foram escritos durante os anos de 1935 e 1943, época em que o autor ainda estava no ensino médio

Publicado no Último Segundo

Truman CapoteSegundo informações do jornal alemão “Die Zeit” nesta segunda-feira (6), foram descobertos 30 contos e 12 poemas inéditos escritos pelo norte-americano Truman Capote.

Os textos foram escritos na época em que Capote ainda era adolescente, entre os anos de 1935 e 1943. Ainda de acordo com o jornal, quatro histórias curtas devem ser publicada na próxima quinta-feira (9) na revista “ZEITmagazine”.

Os textos foram encontrados por Peter Haag, diretor da editora alemã Kein & Aber, e pela editora da obra de Truman Capote, Anuschka Roshani.

Em 2015, os textos serão compilados em um livro, em inglês, que terá seu lançamento feito pelas editoras Random House e Kein & Aber.

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