Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged poemas

Rascunho de poeta da 1ª Guerra revela corte de versos polêmicos de poema

0

Dalya Alberge, na Folha de S.Paulo

Foi encontrado um rascunho de um dos mais célebres poemas antibelicistas de Siegfried Sassoon (1886-1967), poeta e capitão do Exército britânico, revelando que os versos mais controvertidos foram cortados e outros foram suavizados antes de o poema ser publicado.

O manuscrito de “Atrocities” –que trata da matança brutal de prisioneiros alemães por soldados britânicos– é acompanhado por uma carta inédita em que Sassoon fala do horror que sentiu ao descobrir que soldados de seu lado tinham cometido tais barbáries.

O poeta e capitão do Exército britânico Siegfried Sassoon em foto de George Charles Beresford, em 1915 - George Charles Beresford/Reprodução

O poeta e capitão do Exército britânico Siegfried Sassoon em foto de George Charles Beresford, em 1915 – George Charles Beresford/Reprodução

A versão original do poema inclui as frases “vocês são hábeis assassinos” e “sorver o sangue deles em sonhos vampirescos”, deletadas mais tarde.

Depois da descrição de prisioneiros “massacrados”, na primeira estrofe, a segunda estrofe impressa prossegue: “Como você deu cabo deles…?”. Mas, na versão inicial, Sassoon escreveu: “Como você os matou…?”.

O editor de Sassoon hesitou em incluir “Atrocities” no livro de poemas de guerra “Counter-Attack”, de 1918, e o poema foi publicado no ano seguinte em versão revista.

Na carta que acompanha o rascunho do poema, Sassoon expressa desespero pelo fato de “canadenses e australianos divulgarem suas façanhas como assassinos”, acrescentando: “Sei de casos muito atrozes. Outro dia um oficial de um regimento escocês estava me presenteando com histórias de como seus homens colocavam bombas nos bolsos de prisioneiros e então os enfiavam em buracos de bomba cheios de água. Mas é claro que essas coisas não são atrocidades quando nós a fazemos. Mesmo assim, revelam o que é a guerra; algumas pessoas não conseguem impedir-se de ser assim quando estão lá fora.”

Os materiais encontrados estão entre mais de 520 manuscritos de poemas e retratos de poetas colecionados ao longo de 40 anos por um estudioso literário, Roy Davids, e serão leiloados pela Bonhams, que descreve a coleção como a melhor coletânea de poesia jamais oferecida em leilão.

Entre os materiais de Sassoon há um caderno com quase 50 poemas ainda inéditos.

Datados em sua maioria da década de 1920, eles incluem “Companions” (Companheiros) (“O silêncio e a solidão são meus companheiros / Mas sou autodidata em estar só…”), “The Fear of Death” (O medo da morte) (“Corra como o vento para encontrá-la em sua mente / E você verá que já não se choca / Com a morte, a quem a vida supera em coragem com cada respiração…”) e “Max Gate”, lamentando a morte de Thomas Hardy, seu amigo.

TESOURO

Sassoon recebeu a Cruz Militar, mas os horrores que viveu o levaram a jogar sua medalha no rio Mersey e recusar-se a continuar prestando o serviço militar. Diagnosticado como traumatizado de guerra, deixou de ser submetido à corte marcial e foi internado para tratamento psiquiátrico no Hospital de Guerra Craiglockhart, em Edimburgo, de onde, em 1917, enviou a carta inédita a seu amigo C.K. Ogden, psicólogo e editor da “Cambridge Magazine”, que publicava opiniões dissentes sobre a guerra.

A biógrafa de Sassoon, Jean Moorcroft Wilson, comentou: “Estes são materiais muito instigantes. Quero reescrever a biografia que fiz, e provavelmente conseguirei incluir alguns destes textos. São um tesouro.”

O poeta e capitão do Exército britânico durante a 1ª Guerra Siegfried Sassoon em foto não datada (Divulgação)

O poeta e capitão do Exército britânico durante a 1ª Guerra Siegfried Sassoon em foto não datada (Divulgação)

A respeito do rascunho de “Atrocities”, ela comentou: “A editora, Heinemann, não o deixou publicar o poema. Agora entendo ainda mais claramente por quê. Ogden era um dos poucos editores que ousavam publicar poemas contrários à guerra. A sede de sua revista foi depredada por pessoas que achavam que ele não era patriota. E havia censura, de certo modo. O editor deve ter imaginado que o texto não seria aceitável. A Heinemann provavelmente percebeu que teria que agir com cuidado.”

O caderno de Sassoon é “prova de sua busca incansável por um tema”, disse a biógrafa. “Ele encontrou um tema maravilhoso na Primeira Guerra Mundial. Terminada a guerra, tornou-se um poeta em busca de um assunto.”

Wilson descreveu o poema sobre a morte de Hardy como “muito comovente”, dizendo: “Sassoon foi ajudar Florence Hardy, a viúva, quando Hardy morreu, porque era íntimo do escritor. Eu imaginava que ele tivesse escrito algo sobre a morte de Hardy, e aqui está.”

Roy Davids, 70 anos, é ex-leiloeiro e marchand; dirigiu o departamento de manuscritos da Sotheby’s por muitos anos. Ele comentou sobre o rascunho de “Atrocities”: “Quando primeiro li este poema, mal pude acreditar que era um oficial inglês dizendo essas coisas sobre seu próprio lado. Não surpreende que não tenham querido publicar. É claro que fazia parte daquela coisa toda de fazer resistência aos generais. Eles sabiam que não poderiam executá-lo, então o mandaram ao hospício.”

A coleção de Davids se lê como um manual de A a Z de literatura inglesa, abrangendo Tennyson, Ted Hughes e T.S. Eliot. É tão grande que o leilão da Bonhams terá lugar em dois dias, 10 de abril e 8 de maio.

Desmond Clarke, presidente da Sociedade de Livros de Poesia, falou que haverá grande interesse no material oferecido no leilão. “‘Atrocities’ é uma crítica intransigente aos colegas soldados de Sassoon. Deveria ser leitura obrigatória para todos os cadetes de [a academia militar] Sandhurst.”

VISÃO DE CRUELDADE

O texto publicado de “Atrocities”

Você me contou, em seu momento de jactância bêbada

De como massacrou prisioneiros, certa época. Era bom!

Com certeza não sentiu pena ao vê-los

Pacientes, acovardados e assustados, como prisioneiros devem ficar.

Como deu cabo deles? Vamos lá, não seja tímido:

Você sabe que eu adoro ouvir sobre como morrem alemães

Lá embaixo, em trincheiras. “Camaradas!”, eles berram,

E então gritam como arminhos quando as bombas começam a voar.

E você? Conheço sua ficha. Você se declarou doente

Quando as ordens pareceram perigosas; e depois, com truques e mentiras

Deu um jeito de ser mandado para casa. E aqui está,

Ainda contando vantagem e bebendo todas num bar.

O original, em inglês

You told me, in your drunken-boasting mood,

How once you butchered prisoners. That was good!

I’m sure you felt no pity while they stood

Patient and cowed and scared, as prisoners should.

How did you do them in? Come, don’t be shy:

You know I love to hear how Germans die,

Downstairs in dug-outs. “Camerad!” they cry;

Then squeal like stoats when bombs begin to fly.

And you? I know your record. You went sick

When orders looked unwholesome: then, with trick

And lie, you wangled home. And here you are,

Still talking big and boozing in a bar.

Michel Temer abre “intimidade” em livro de poesias

0

Marco Prates, na Exame

Vice-presidente da República – que, como outros políticos famosos, sempre sonhou em ser escritor – dá vazão à veia poética no livro “Anônima Intimidade”

1

Vice-presidente, Michel Temer: gente como o ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, e Carlos Nejar, da ABL, se desmancharam em elogios ao novo poeta

Desde a redemocratização, o Brasil já teve um presidente escritor (José Sarney, membro da Academia Brasileira de Letras). Agora, ganha um vice-presidente poeta, com o lançamento do livro “Anônima Intimidade”, de Michel Temer, em São Paulo.

A obra, embora passe longe do dia-a-dia de Brasília, não está de toda dissociada da atividade política do peemedebista, que por três vezes comandou a Câmara dos Deputados: foi escrita, segundo Temer, nas idas e vindas de avião entre São Paulo, lar e reduto eleitoral, e a capital federal, onde cumpre expediente.

O vice-presidente afirma que os versos eram imortalizados em guardanapos, preenchidos para deixar a “arena árida da política legislativa”. Não é o primeiro livro do também jurista. Seus escritos sobre direito constitucional venderam centenas de milhares de cópias.

Agora, porém, Temer vai se expor a críticas com sua nova arte.

Confira abaixo uma amostra de 5 poemas que revelam se o Brasil está bem ou mal servido em relação às poesias vindas do Palácio do Planalto.

Cabe ao leitor verificar se há entrelinhas políticas no material escrito por quem respirou o ambiente do Congresso Nacional há décadas e agora está no Executivo.

Saber
Eu não sabia
Eu Juro que não sabia!

Passou
Quando parei
Para pensar
Todos os pensamentos
Já haviam acontecido

Exposição
Escrever é expor-se.
Revelar sua capacidade
Ou incapacidade.
E sua intimidade.
Nas linhas e entrelinhas.
Não teria sido mais útil silenciar?
Deixar que saibam-te pelo que parece que és?
Que desejo é este que te leva a desnudar-te?
A desmascarar-te?
Que compulsão é esta?
O que buscas?
Será a incapacidade de fazer coisas úteis?
Mais objetivas?
É por isso que procuras o subjetivo?
Para quem a tua mensagem?
Para ti?
Para outrem?
Não sei.
Mais uma que faço sem saber por quê.

Assintonia
Falta-me tristeza.
Instrumento mobilizador
Dos meus escritos.
Não há tragédia
À vista.
Nem lembranças
De tragédias passadas.
Nem dores no presente.
Lamentavelmente
Tudo anda bem.
Por isso
Andam mal
Os meus escritos.

Embarque
Embarquei na tua nau
Sem rumo. Eu e tu.
Tu, porque não sabias
Para onde querias ir.
Eu, porque já tomei muitos rumos
Sem chegar a lugar nenhum.

1

dica da Luciana Leitão

Como cultivar e amar o hábito da leitura

1
imagen-relacionada

Crédito: Shutterstock.com

Publicado originalmente no Universia

Muitas pessoas têm dificuldades para ler e manter o hábito da leitura. A internet e a televisão tomam o espaço da leitura como entretenimento tornando essa opção algo cada vez mais ignorado. Porém a leitura é essencial para o desenvolvimento do ser humano. Além de exercitar a imaginação, ela traz conhecimento e alarga os horizontes de quem desenvolve esse hábito. Aproveite todos os benefícios da leitura com as dicas a seguir:

Como amar a leitura: 1. Identifique o que você gosta

Cada pessoa possui interesses e preferências diferentes de leitura. Identificar o que você gosta é o passo inicial para que você consiga manter esse hábito. Leia as sinopses dos livros e experimente quais mais se encaixam com você, podem ser romances, ficção científica, histórias de fantasia, aventura, drama, teóricos, auto-ajuda, religiosos, etc.

Como amar a leitura: 2. Tipos de texto

Além do tipo de assunto, você também deve escolher o tipo de texto que gosta. Existem histórias mais curtas, os contos, que normalmente vêm reunidos em um único livro, poemas, crônicas.

Como amar a leitura: 3. Visite uma biblioteca ou livraria

Antes de comprar um livro e se arrepender, visite uma biblioteca ou livraria para conferir as preferências de leitura que identificou até agora.

Como amar a leitura: 4. Crie um espaço de leitura

Você pode escolher o sofá de sua sala, o quarto ou a escrivaninha. É importante estar atento para alguns detalhes como a iluminação apropriada, e a posição da coluna para não prejudicar suas costas e pescoço ou ficar com sono.

Como amar a leitura: 5. Escute música

Essa opção é muito pessoal, pois muitas pessoas não conseguem se concentrar com a leitura enquanto ouvem música. Para outras, porém, ouvir música é exatamente o que as ajuda a se manterem focadas no livro.

Duas traduções inéditas de Manuel Bandeira

0

Nina Rizzi, no Revista Bula

“Chambre vide” (Quarto vazio) e “Bonheur lyrique” (Feli­ci­da­de Lírica) foram escritos em francês por Manuel Ban­dei­ra e publicados no livro “Li­ber­tinagem”, em 1930, sem haver uma correspondente versão em português, como é o caso de outros poemas que o autor fez nos dois idiomas: “Nuit morte” (Noite morta), “Fleurs Famées” (Flores murchas) e “Évocation de Recife” (Evocação ao Recife).

 

QUARTO VAZIO

Petrópolis, 1925

Gatinho branco e cinzento

Fica ainda no quarto

A noite está fria lá fora

E o silêncio pesa

Eu tenho medo da noite

Gatinho irmão do silêncio

Fica ainda

Fica comigo

Gatinho branco e cinzento

Gatinho

A noite pesa

Não têm borboletas na noite

Onde estão esses insetos agora?

Os mosquitos dormem sobre o fio da eletricidade

Eu estou me sentindo muito sozinho neste quarto

Gatinho irmão do silêncio

Fica ao meu lado

Que é preciso que eu sinta vida perto de mim

E é você que faz com que este quarto não esteja vazio

Gatinho branco e cinzento

Fica ainda no quarto

Acordado minucioso e lúcido

Gatinho branco e cinzento

Gatinho.

 

FELICIDADE LÍRICA

Coração tísico

O meu coração lírico

Tua felicidade não pode ser como a dos outros

É preciso que você construa

Uma felicidade única

Uma felicidade tão lastimável como os farrapos de um pobre diabo

[uma criança pobre

— Feita por ela mesma.

Go to Top