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Governo quer criar universidade de artes

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Universidade estará entre as quatro que o MEC criará EM 2014

Publicado por R7

O governo vai criar uma universidade de artes, que vai oferecer cursos de graduação e pós-graduação voltados para as artes e a cultura. De acordo com o ministro da Educação Aloizio Mercadante, a pasta, em conjunto com o Ministério da Cultura, terá 100 dias para apresentar um projeto. A universidade estará entre as quatro que o MEC (Ministério da Educação) vai criar em 2014.

— Queremos reunir na universidade todas as expressões da cultura: a música clássica, a dança clássica, a música popular, a dança popular, as artes plásticas, a pintura, a poesia, tudo em cursos de graduação, mestrado, doutorado, em uma única instituição.

A universidade não tem lugar definido. O ministro explica que os governadores e prefeitos devem enviar propostas.

— Quem apresentar o melhor espaço, o espaço mais interessante, culturalmente mais rico, a melhor arquitetura, seguramente levará o projeto. Vamos fazer uma seleção pública para a localização da universidade.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, acrescenta que a universidade poderá ganhar outros campi.

— A universidade de artes pode começar como uma primeira e depois ser ampliada. Poderemos ter um celeiro de talentos e especializações em áreas que ainda não temos. O brasileiro é criativo, vai muito longe, mas se tiver instrumentos na jornada, poderá alcançar um grau de excelência. Pode ser um marco bastante importante para a cultura no Brasil.

 

Dicionário de crianças colombianas surpreende adultos

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São definições cheia de poesia e sabedoria, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo.

Arturo Wallace, na BBC

Crianças produziram cerca de 500 definições, que viraram livro de sucesso

Crianças produziram cerca de 500 definições, que viraram livro de sucesso

Vão desde A de adulto (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si”, segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência (“A parte ruim da paz”, na definição de Sara Martínez, de 7 anos).

O dicionário está no livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.

“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse à BBC Mundo Javier Naranjo, que compilou as definições feitas por crianças colombianas.

“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz.

É assim que, no peculiar dicionário, a água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e a Colômbia é “uma partida de futebol”.

Além disso, uma das definições de Deus passa a ser “o amor com cabelo grande e poderes”, a escuridão “é como o frescor da noite” e a solidão é a “tristeza que a pessoa tem às vezes”.

‘Outra visão do mundo’

As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Naranjo trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste do país.

“Na criação literária fazíamos jogos de palavras, inventávamos histórias. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é diretor da biblioteca e centro comunitário rural Laboratório do Espírito.

Ele diz que teve a ideia de pedir aos alunos uma definição do que era uma criança, em uma comemoração do dia das crianças.

“Me lembro de uma definição que era: ‘uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo’. Eu adorei, me pareceu perfeita.”

“As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Naranjo.

No dicionário aparecem temas do cotidiano da Colômbia, como guerra e “desplazado”, pessoa que se desloca pelo país, geralmente fugindo de conflitos. Um dos alunos definiu a palavra criança como “um prejudicado pela violência”.

Aprender a escutar

Para a publicação, Naranjo corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por “questões ideológicas”.

Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. Bianca Yuli Henao, de 10 anos, define tranquilidade como “por exemplo quando seu pai diz que vai te bater e depois diz que não vai”.

O ex-professor diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que foi reeditado em 2005 e 2009 e inspirou obras semelhantes no México e na Venezuela.

As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades da biblioteca atualmente dirigida por Naranjo, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas.

“Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos”, diz.

Sabedoria infantil

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Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana
María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

Fonte: livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo

 

A história da professora que se correspondia com Drummond

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Helena Maria Balbinot Vicari, de 72 anos, guarda 60 cartas que trocou com o autor mineiro

A professora, moradora de Guaporé, trocou cartas com o escritor durante 25 anos Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

A professora, moradora de Guaporé, trocou cartas com o escritor durante 25 anos
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Carlos André Moreira, no Zero Hora

Carlos Drummond de Andrade era um missivista intenso, mesmo para uma época em que escrever cartas era comum. Sua correspondência com Mário de Andrade foi editada em mais de 600 páginas. A com Cyro dos Anjos, em mais de 300.

Em Guaporé, a 235 quilômetros de Porto Alegre, uma professora guarda 60 cartas – para ela, tão valiosas quanto.

Helena Maria Balbinot Vicari, 72 anos, começou a se corresponder com Drummond de Andrade quando tinha 21 anos, em 1961 (o poeta estava chegando aos 60). Ela era aluna da escola normal em Guaporé e queria manifestar solidariedade diante de uma pedra recorrente no caminho do autor mineiro: a má vontade da crítica.

– Uma professora comparou em um livro um poema da Cecília Meirelles e um do Drummond, para dizer que ela sim fazia poesia, e que ele provavelmente sumiria das vitrines das livrarias em alguns anos. Fiquei indignada e escrevi para ele que o achava o melhor, ainda que meus professores não concordassem – conta ela.

Correspondente atencioso, Drummond respondeu, em mensagem datada de 16 de junho de 1961. Agradecia as palavras gentis e enviava, atendendo ao pedido da leitora, um cartão de visitas autografado. De tempos em tempos, Helena retomava o contato e sempre recebia resposta – as cartas seguintes já falavam de uma maior aceitação de Drummond na escola (a professora havia mudado). “Para um autor de minha geração, é interessante verificar como rapazes e môças aceitam a poesia chamada modernista, que foi tão combatida e mesmo ridicularizada pelos professores de ginásio, por aí além”, comemorava o poeta em novembro de 1962, ao saber que Helena e os colegas haviam realizado uma dramatização do drummondiano Noite na Repartição.

O contato foi sempre por escrito. Helena jamais conheceu o poeta, e só falou com ele por telefone uma única vez. A amizade epistolar durou até 1986 – um ano antes da morte dele. Helena mantinha Drummond informado de sua vida, seus progressos na escola normal, seu noivado e posterior casamento com Jurandir Vicari, o nascimento dos filhos, poemas que escrevera. Drummond sempre respondia, enviava versos, conselhos de alguém mais experiente (Drummond era quatro décadas mais velho).

Mais do que um testemunho da amizade de Helena com Drummond, as cartas que ela mantém bem guardadas nas folhas de plástico de um classificador preto são indício de uma relação ainda mais duradoura.

A convivência de Helena com a poesia.

Assista ao vídeo aqui.

Correspondência vai virar filme

É a própria Helena quem reforça essa impressão ao contar a história. Para falar das cartas a Drummond, recua até o momento em que descobriu o endereço do poeta, em um almanaque antigo. Aí se lembra de que precisa falar de como descobriu a poesia do autor, na adolescência, por meio da jornalista e poeta Lara de Lemos, que mantinha uma coluna de crônicas e poesia no Correio do Povo, e a quem Helena também escreveu.

– Ela me respondeu, e até me convidou para ir visitá-la em Torres, na praia. Bem que eu quis, mas meu pai disse: “ir pra casa de uma mulher que a gente nem conhece direito? Não vai”. E eu não fui – relembra.

Certa ocasião, em 1960, quando precisou ir a Porto Alegre para fazer exames médicos, Helena aproveitou para visitar a escritora com quem se correspondia. Foi Lara quem apresentou a jovem estudante ao trabalho de Drummond, lendo o poema Consolo na Praia (aquele do “o primeiro amor passou / o segundo amor passou…”). Por sugestão de Lara, Helena comprou o mesmo livro, na Livraria do Globo – Poemas, coletânea lançada em 1959 pela José Olympio, que ela guarda até hoje.

Helena escreveu por desagravo ao que considerava a avaliação injusta de uma professora à obra de Drummond. Em outra ocasião, confrontou outra mestra que havia apresentado em uma aula, o poeta como teatrólogo.

– Eu pulei e disse: o Drummond não é teatrólogo, é poeta. Ela só me respondia: mas é o que está aqui no papel que eu tenho. Escrevi para ele e ele comentou que havia apenas autorizado adaptações de sua obra, mas não era homem de teatro. Quando mostrei a resposta, a professora ficou branca de susto – narra.

Helena é cuidadosa com suas lembranças. Além de manter intacta a maior parte da correspondência com Drummond – por ingenuidade, ela mesmo admite, recortou para dar a uma professora a assinatura do poeta na segunda carta que ele enviou. Também mantém guardada uma carta que recebeu de Cecília Meirelles, também em resposta a uma correspondência enviada pela leitora.

Outro autor que durante anos recebeu palavras atenciosas da missivista foi Moacyr Scliar. Muitas vezes, Scliar registrava o recebimento das cartas em notas curtas na coluna que mantinha em Zero Hora – Helena ainda guarda os recortes. Até hoje, anota os livros que leu, peças e filmes a que assistiu. Geralmente, nos mesmos cadernos e agendas em que escreve os versos que ainda compõe, embora nunca tenha publicado.

Professora na ativa até 2010 – aposentou-se mais pela exigência legal e menos por intenção plena –, Helena já foi tema de outras reportagens como esta. Uma delas foi publicada neste mesmo Segundo Caderno de ZH, em 2002. Outro texto, do jornalista Emiliano Urbim, para a revista Piauí, em 2008, foi o responsável indireto por Helena agora estar prestes a ser tema de um filme. A diretora Mirela Kruel, autora do curta Palavra Roubada, leu a revista em uma viagem aérea voltando de Brasília. Chegou em Porto Alegre decidida a encontrar a correspondente do poeta em Guaporé. As conversas iniciais falavam em um curta de 15 minutos. Hoje, Mirela finaliza a preparação para começar as filmagens, possivelmente em abril. Financiado pelo Fumproarte, o filme vai equilibrar a voz de Helena contando a história e reencenações estreladas pelos Janaína Kraemer e Rodrigo Fiatt.

– Quero fazer um filme sobre a poesia, a própria criação poética – diz Mirela.

– Há três anos ela divide comigo esse sonho. Na primeira vez em que falou nisso, nem dormi à noite de nervosa. Mas confio nela – assevera Helena.

Depois de anos convivendo com a arte, ela está pronta para ser, ela própria, arte.

 

Quinto lugar com gosto de primeiro

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O lado bom da vida, da Intrínseca, assume 5º lugar na lista geral

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Cassia Carrenho, no PublishNews

Na lista dessa semana, o livro O lado bom da vida (Intrínseca) pode ser considerado um campeão, apesar de aparecer apenas na 5º posição da lista geral. Isso porque no 1º lugar aparece Nada a perder (Planeta), como sempre impulsionado pelos lançamentos com a presença dos fiéis do Bispo Macedo, e na sequência, o fenômeno mundial mais quente dos últimos anos, a trilogia Cinquenta tons de cinza (Intrínseca).

O romance bipolar ficou apenas 114 exemplares atrás do 4º lugar, Cinquenta tons mais escuros. E a menor diferença entre um dos livros de Mr Grey para qualquer outro considerado “reles mortal”. Para a Intrínseca, continua só alegria, com seis livros entre os vinte da lista geral.

Outro destaque vai para Mensalão (Record), de Merval Pereira, que foi lançado na semana passada e estreou na lista de não ficção em 3º lugar, com 981 exemplares vendidos.

A lista também ficou recheada de novidades: ficção, o Toda poesia (Companhia das Letras), de Paulo Leminski; não ficção, McFLY (Bestseller), Não se desespere (Vozes), O homem que não queria ser Papa (Universo dos livros) e Alexandre VI (Editor Europa); infanto juvenil, O mágico de Oz (Zahar) e em negócios, O futuro da indústria no Brasil (José Olympio).

No ranking das editoras, a Record, com três novos livros na lista, assumiu o 2º lugar com 10 livros, atrás da primeiríssima Sextante, que emplacou 15. Ediouro e Intrínseca empataram no 3º lugar com 9 cada.

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