Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Policial

8 filmes que não existiriam se não fosse por Edgar Allan Poe

0

giphy

Caio Delcolli, no Brasil Post

Há 207 anos, em 19 de janeiro, nascia escritor norte-americano Edgar Allan Poe.

Autor de histórias cruciais para consolidar o terror como gênero literário, Poe presentou nós, devoradores de livros, com contos como A Queda da Casa de Usher (1839), Os Assassinatos da Rua Morgue (1841) e O Gato Preto (1843). O Corvo, poema publicado em 1845, é um marco da literatura gótica e uma das principais obra do escritor.

Considerado por muitos o criador do gênero policial, foi pioneiro na escrita de contos e na criação de histórias macabras e misteriosas.

O legado de Poe transcende as influências literárias em escritores como Neil Gaiman, Clive Barker e Sir Arthur Conan Doyle. Chega ao cinema, inspirando diretores que o referenciam em suas obras originais ou adaptações.

Aqui estão alguns exemplos da marca que Poe deixou no cinema:

‘A Colina Escarlate’ (2015)

slide_474112_6464114_free
Divulgação
Neste filme de Guillermo Del Toro, as influências de Poe estão perceptíveis. “Essencialmente”, disse o diretor ao Film School Rejects, “A Colina Escarlate é um cruzamento de um romance gótico como Jane Eyre com [o conto de Poe] A Queda da Casa de Usher. Tentei capturar o espírito sombrio que o romance gótico tem”. Veja o trailer.

‘O Corvo’ (2012)

slide_474112_6464116_free
Divulgação
No mistério dirigido por James McTeigue, um assassino se inspira na obra de Poe para cometer crimes hediondos. Não é uma adaptação do clássico poema do escritor, mas ele aparece como personagem interpretado por John Cusack.

‘Vincent’ (1982)

slide_474112_6464122_free
Reprodução
Tim Burton é referência do visual gótico no cinema. Neste curta-metragem em stop-motion do diretor, produzido pela Disney, o garotinho Vincent finge ser Vincent Price, ator imortalizado em vários filmes de terror baseados em contos de Poe. Vincent lê a obra do escritor no curta, que você pode ver aqui.

‘Sherlock Holmes’ (2009)

slide_474112_6464124_free
Divulgação
Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), criador do personagem Sherlock Holmes, se inspirou no detetive C. Auguste Dupin, criado por Poe – considerado o primeiro da ficção literária – para conceber sua principal obra. Entre várias adaptações, em 2009, Sherlock Holmes protagonizou o filme dirigido por Guy Ritchie, em que o detetive é vivido por Robert Downey Jr.

‘Assassinato no Expresso Oriente’ (1974)

slide_474112_6464142_free
Divulgação
Hercule Poirot, detetive bigodudo criado por Agatha Christie (1890-1976), nasceu após Dupin ter aberto caminho para os investigadores da literatura policial. Assassinato no Expresso Oriente, clássico indicado a seis Oscar, é uma das mais famosas adaptações das histórias de Poirot. No filme de Sidney Lumet, Albert Finney interpreta o detetive.

‘Dois Olhos Satânicos’ (1990)

slide_474112_6465204_free
Reprodução
Neste filme, dois dos principais cineastas do terror, Dario Argento e George A. Romero, dirigem uma história Poe cada. O primeiro, O Gato Preto; o segundo, A Verdade sobre o Caso do Sr. Valdemar. Veja o trailer.

‘O Solar Maldito’ (1960)

Vincent Price in House of Usher, 1960.

Vincent Price in House of Usher, 1960.

Reprodução
Baseado no conto A Queda da Casa de Usher, o filme de Roger Corman protagonizado por Vincent Price é o primeiro de oito em que diretor e ator se unem para contar histórias de Poe no cinema. Veja o trailer.

‘O Corvo’ (1963)

slide_474112_6465210_free
Divulgação
Este aqui é baseado no famoso conto homônimo do escritor. É o quinto do ciclo de Corman e Price. Com elementos de comédia, o filme B é importante no nicho do terror clássico. Assista ao trailer.

 

Peter Pan tem que morrer

0

Karen, no Por essas páginas

Esse não foi o primeiro livro de John Verdon que li. Da mesma série do detetive David Gurney, também li Não Brinque com Fogo (leia a resenha), que foi um livro bom, mas que não me conquistou a fundo. Nunca mais pensei no autor ou na série até ver… esse título. Confesso, foi um livro que me atraiu, primeiro, pelo título, depois, pela capa. Fui ler a sinopse e pronto, estava feito, eu queria ler. Mais uma chance para John Verdon e David Gurney e devo dizer: não me decepcionei. Esse livro conseguiu fazer o que seu antecessor não fez: me conquistar por completo e, até mesmo, me tocar.

peterpan“Peter Pan tem que morrer traz de volta o detetive Dave Gurney, protagonista de Eu sei o que você está pensando, Feche bem os olhos e Não brinque com fogo. “Uma sofisticada trama de suspense que os aficionados por mistério adorarão tentar resolver. Com um enredo tenso, cheio de intrigas inimagináveis, Peter Pan tem que morrer desafia a inteligência do leitor até sua dramática e espantosa conclusão.” – Library Journal No mais tortuoso romance policial escrito por John Verdon, o especialista em mistérios David Gurney dedica sua mente brilhante à análise de um assassinato terrível que não pode ter sido cometido da forma como os investigadores responsáveis pelo caso afirmam que foi. Detetive aposentado do Departamento de Polícia de Nova York, ele precisa cumprir uma espinhosa tarefa: determinar a culpa ou a inocência de uma mulher condenada pela morte do próprio marido. Ao descascar as diversas camadas do caso, Dave logo se vê travando uma perigosa guerra de inteligência contra um investigador corrupto, um cordial e desconcertante chefe da máfia, uma jovem linda e sedutora e um assassino bizarro que tem a altura e os traços de uma criança – aparência que lhe rendeu o apelido de Peter Pan. A uma velocidade assombrosa, reviravoltas assustadoras começam a ocorrer e Dave é sugado com força cada vez maior para dentro de um dos casos mais sombrios de sua carreira.” Fonte

Peter Pan tem que morrer é a continuação do já citado Não Brinque com Fogo (na realidade é o 4º livro da série do Detetive Dave Gurney, mas eu li apenas o #3 e o #4), mas, como a maioria dos romances policiais, é um livro que pode ser lido independente da série. Há citações e ganchos que fazem mais sentido lendo os demais livros, mas a trama funciona sozinha, o que é ótimo para quem quer apenas ler um bom policial, sem compromisso com a série. No livro anterior tive problemas no início, com uma leitura um pouco arrastada, mas fico feliz em dizer que isso não ocorreu nesse novo livro: desde o começo a trama é interessante e logo somos apresentados ao caso, que impacta à primeira vista: o debochado e grosseiro (e hilário) Jack Hardwick, antigo parceiro de Gurney, saiu da polícia por conta de algumas armações contra ele e agora quer se vingar fazendo a apelação de um caso famoso, no qual a esposa de um ricaço figurão político foi condenada por seu assassinato (mas, antes, o cara passou por maus bocados, vivendo como vegetal após levar um tiro na cabeça). Mas, claro, para David Gurney não é uma questão de apenas reverter o processo, mas, sim, encontrar o verdadeiro assassino.

“Poucos comportamentos de outras pessoas são tão irritantes quanto aqueles que mostram nossas falhas de um modo pouco atraente.” Página 72

A narrativa de John Verdon continua consistente como antes; a trama é inteligente, ainda mais que o livro anterior, trazendo um hábil jogo perigoso entre caça e caçador, no qual você nunca sabe de que lado está. Gostei muito do fato de que, apesar de sabermos desde o começo quem realmente disparou o gatilho (só lendo a sinopse e olhando para capa se percebe isso), passamos o livro inteiro sedentos para descobrir quem realmente foi o mandante do atentado, e pode ser qualquer um, até mesmo a tal viúva que Hardwick tenta inocentar. É isso que deixa Gurney maluco, atrás de respostas em um dos casos mais difíceis e perigosos de sua carreira. E o desfecho é tão surpreendente que acredito que seja impossível adivinhar – e adorei ser surpreendida.

peterpan2

Mas algo que me agradou ainda mais nessa obra foi descobrir que David Gurney também é humano. Senti muita falta disso no livro anterior, e agora tivemos um pouco mais de envolvimento com a história dele, seus sentimentos, sua família, e até mesmo alguns momentos tocantes e um que trouxe lágrimas aos meus olhos. A explicação de porque Gurney se distanciou do filho Kyle (que continua um personagem muito interessante); porque o detetive, mesmo aposentado, continua se expondo ao perigo… tudo isso teve uma ótima explicação, o que humanizou o personagem e nos deixou ainda mais próximos dele. A torcida não foi apenas pela descoberta e captura do assassino, mas sim pelo próprio Gurney, por sua redenção. Madeleine, sua esposa, continua sendo ferramenta chave no livro e foi ainda mais importante nessa obra, uma personagem fascinante, o que me deixa bastante feliz, porque em alguns livros os (as) companheiros (as) dos policiais parecem meros espectadores e/ou vítimas, e isso não acontece com a esposa de Gurney, que realmente tem momentos brilhantes no livro.

“Você tem uma esposa. Que direito você tem de arriscar a vida do marido dela? Você tem um filho. Que direito você tem de arriscar a vida do pai dele?” Página 235

A edição da Arqueiro está ótima: uma capa instigante, papel e diagramação confortáveis (o papel dos livros da Arqueiro é um dos meus preferidos, na grossura certa para tornar a experiência de virar as páginas deliciosa). Encontrei alguns probleminhas de revisão incômodos, mas a trama estava tão boa que foram ignoradas no decorrer da leitura.

Tudo isso é coroado por um vilão fantástico e bizarro: Peter Pan, que chegou a me dar arrepios – especialmente por esse apelido notório, que tem um grande significado na história. O autor apenas de uma leve escorregada no final, com algumas sequências de ação um pouco confusas, mas o desfecho foi tão brilhante que mais uma vez ignorei o pequeno incômodo. Denso e inteligente, Peter Pan tem que morrer é uma leitura intensa, extremamente recomendada para fãs da boa literatura policial, com um desfecho impressionante e muita humanidade em seus personagens.

Arqueiro_parceria
Ficha Técnica
Título: Peter Pan tem que morrer
Autor: John Verdon
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Avaliação:

Jack, o estripador em Nova York

0

Cristine Tellier, no Cafeína Literária

Jack, o estripador em Nova York – 1895, um jovem detetive no encalço do serial killer mais famoso da história
Stefan Petrucha

Carver Young sonha ser um detetive, apesar de ter crescido num orfanato, tendo apenas romances policiais e a habilidade de abrir fechaduras para estimulá-lo. Entretanto, ao ser adotado pelo detetive Hawking, da mundialmente famosa Agência Pinkerton, Carver não só tem a chance de encontrar seu pai biológico como também se vê bem no meio de uma investigação de verdade, no encalço do cruel serial killer que está deixando Nova York em pânico total. Mas quando o caso começa a ser desvendado, a situação fica pior do que ele poderia imaginar, e sua relação com o senhor Hawking e com os detetives da Nova Pinkerton entra em risco. À medida que mais corpos aparecem e a investigação ganha contornos inquietantes, Carver precisa decidir: de que lado realmente está? Com diálogos brilhantes, engenhocas retrofuturistas e a participação de Teddy Roosevelt, comissário da polícia de Nova York que viria a ser presidente dos Estados Unidos, Jack, o Estripador em Nova York desafiará tudo o que você pensava saber sobre o assassino mais famoso do mundo. E o deixará sem fôlego!
(fonte: http://grupoautentica.com.br/vestigio/)

jack o estripador em ny

Stefan Petrucha, conhecido por ser autor de alguns episódios de X-Files, Nancy Drew e várias HQs de horror e sci-fi, estreia na literatura YA policial, ou de mistério. E esta sua primeira incursão é bastante bem-sucedida. Construiu um universo que flerta com o steampunk – repleto de gadgets, engenhocas, segredos e conspirações.

Se, por um lado, os gadgets são um atrativo, por outro, causam certa estranheza a qualquer leitor um pouco mais observador e com um mínimo de conhecimento de histórias das invenções. Vários instrumentos e máquinas descritos no livro são incrivelmente modernos para a época em que se passa a história – por volta de 1890. Desde elevadores pneumáticos até carros elétricos, passando por máquinas analíticas (um simulacro da máquina diferencial de Babbage), pistolas automáticas e sistemas de tubulação de voz. Apesar da suspensão de descrença, em vários momentos parei a leitura, pensando: “A tecnologia da época não era tão evoluída a ponto de conseguir fabricar algo assim!”. Há quem não se importe com isso, mas há leitores (eu me incluo) que preferem que haja coerência “tecnológica”. Mas o próprio autor se redime desses deslizes. Há um pequeno glossário no final do livro, em que Petrucha explica que – sim, eu estava certa – algumas traquitanas não seriam concebíveis na época, mas que não pode resistir à vontade de usá-las.

O ritmo da narrativa é bastante cinematográfico. Capítulos curtos, tal qual um filme de ação/aventura com vários cortes. Mas sem exageros, está longe da edição nervosa de Michael Bay. Alguns cliffhangers poderiam ter sido melhor planejados, pois alguns capítulos parecem ter sido meramente interrompidos para não excederem a média de páginas – de 3 a 5 cada um. Não chega a ser um problema, mas irrita um pouco.

stefan petrucha

Stefan Petrucha (www.petrucha.com)

Os personagens são bem construídos e bem desenvolvidos enquanto a trama avança. O trio central – Carver, Delia e Finn – não conquistam o leitor logo no início. Não são particularmente “gostáveis” à primeira vista. Mas, aos poucos, o equilíbrio entre qualidades e defeitos faz o leitor ver o quanto são verossímeis, ou seja, “gente como a gente”, fazendo-nos ficar mais interessados no destino deles e no sucesso de sua empreitada. Há um ponto incômodo com relação a eles: os diálogos. Ok, é um YA. OK, os três adolescentes passaram quase toda a vida em orfanatos. Mas em muitos trechos, a linguagem está modernosa demais, informal demais personagens que vivem no final do século XIX. Não atrapalha, mas destoa do universo criado pelo autor.

Para leitores vorazes de histórias policiais e similares, a história apresenta um ponto positivo e um negativo.

O positivo é a quantidade enorme de referências, incluindo citações diretas, a outras obras famosas do gênero – não apenas literárias, mas de outras mídias também. Logo de cara, o leitor fica sabendo que o jovem Carver é fã de Sherlock Holmes, Allan Quatermain e Nick Neverseen – é divertido ver seu mentor, Hawking, debochando das aventuras dos personagens, enfatizando que o trabalho do detetive não se resume às (aparentes) epifanias que levam à solução de um mistério.

E as referências não param:

Entrar na agência – no caso, a Nova Pinkerton – por um elevador ⇨ Agente 86

“Maravilhado, Carver olhava ao redor no cubículo apertado.
Hawking deu de ombros.
– Você nunca entrou num elevador?”
(p.39)

Um vagão de trem recondicionado, utilizado pelos personagens, cheio de bugigangas ⇨ James West

“Contudo, o mais interessante era o vagão de trem estacionado sob a escadaria dupla. O alto cilindro metálico com janelas ovais dos dois lados da porta diferia de tudo o que Carver já vira ou lera a respeito. Havia apenas o vagão, nenhuma locomotiva.”
(p.40)

Quem tiver paciência, conseguirá listar muitas mais.

O ponto negativo é a simplicidade dos mistérios. Sim, há mais de um. Um de resolução mais simples do que o outro, mas mesmo assim, pouco complexos. Talvez, fãs de literatura policial veteranos, não se se sintam suficientemente desafiados pela leitura. Mas a proposta do livro não é essa, certo? É uma aventura infanto-juvenil, em que o enfoque não é o uso intenso da lógica para a resolução do(s) mistério(s). E, naquilo que se propõe, cumpre muito bem seu papel.

Para quem (como eu) amplificou o amor aos livros lendo Marcos Rey, Stella Carr, Agatha Christie e Conan Doyle, o livro traz de volta aquela sensação boa de varar a noite lendo para saber logo como termina.

Vale um Capuccino

Leia aqui uma amostra do livro.

Concurso Cultural Literário (112)

0

quipapa2

LEIA UM TRECHO

Recife, 1987. No escaldante e abafado outono nordestino, Alberico Cruz, um homem comum, corretor de imóveis, é testemunha de um crime. De principal suspeito, torna-se o culpado ideal. Acusado de assassinato, nosso anti-herói se vê brutalmente lançado no inferno da prisão. Sua luta pela sobrevivência o introduz em um mundo de violência do qual nada conhece: o mundo dos senhores da cana-de-açúcar, às portas do sertão pernambucano.

Uma crítica social implacável, na qual a verdade tem pouco espaço, e a honestidade, valor meramente opcional, não resiste ao poder dos grandes. Um romance que joga uma luz crua sobre um país cheio de contradições, onde a violência social predomina e forças antagônicas se enfrentam brutalmente.

Em parceria com o blog Cafeína Literária, vamos sortear 4 exemplares de “O ouro de Quipapá“, lançamento da Vestígio.

Para concorrer, envie para o e-mail [email protected] a resposta à pergunta: Em qual Estado brasileiro se passa a trama de ‘O ouro de Quipapá’?

Atenção: respostas na área de comentários serão apagadas.

Aproveite a oportunidade para curtir as páginas dos envolvidos nesta edição:

O resultado será divulgado dia 6/1 neste post.

Boa sorte! :-)

Parabéns aos ganhadores:

  • Paulo Emílio
  • José de Arimatéa Duarte Júnior
  • Patricia Marques
  • Edith Cardoso

Por gentileza, enviem o endereço completo p/ o e-mail [email protected]

 

Em MG, preso é transferido para cursar educação física em federal

0

A cada 12 horas de estudo, a pena é reduzida em um dia

Carlos Eduardo Cherem, no UOLpreso

Bruno de Oliveira Reis, 32, espera “com ansiedade” sua transferência de Muriaé (316 Km de Belo Horizonte) para Visçosa (226 Km da capital mineira). Presidiário, Bruno vai de uma penitenciária para a outra para começar a graduação de educação física na UFV (Universidade Federal de Viçosa). Suas aulas começam dia 13 de maio.

Para frequentar as aulas, Bruno vai ter escolta policial já que está preso em regime fechado. Sua pena é de nove anos e oito meses de prisão, por receptação e furto qualificado. Com a graduação, ele terá a chance de reduzir sua tempo na prisão – a cada 12 horas de estudo, a pena é reduzida em um dia.

“Sempre tive o incentivo dos meus pais, que são professores de ensino superior”, conta o calouro da UFV. “Tive o apoio da família, independente do meu erro. Meus pais ficaram muito felizes com a minha conquista.”

Há 54 presidiários fazendo curso superior no Estado de Minas.

Estudava quatro horas por dia

“Durante três meses, entre setembro e dezembro do ano passado, estudei cerca de quatro horas por dia. Fiquei oito anos afastado dos estudos e tive a oportunidade de voltar a estudar”, conta.

Sobre a relação com os novos colegas de faculdade, Reis acredita que não terá dificuldades em manter uma boa convivência.

“Não acredito que o preconceito vá me atrapalhar, caso exista algum. Vou me empenhar bastante para aproveitar o máximo esta oportunidade. Fiquei realizado e certo do meu potencial. A tendência agora é progredir. Dar aula de educação física e trabalhar numa faculdade. Futuramente, quem sabe, posso até montar uma academia”.

Quando foi preso, em setembro de 2012, Reis não tinha terminado o ensino médio. Longe dos livros e cadernos por oito anos, prestou o Enem Prisional, junto com 3.141 presos de 95 penitenciárias de Minas Gerais. Teve média de 666,40.

Na unidade em que ele cumpre pena, outros 32 presos fizeram tentaram vagas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Movimento do bem

Cerca de 30% dos 20 mil presos de Minas Gerais, com condenação definitiva, estudam. Espalhados por 71 escolas de alfabetização, do fundamental e do ensino médio, esses seis mil detentos frequentam cursos com carga horária e conteúdo das disciplinas idênticos aos mantidos na rede de escolas estaduais.

“O preso precisa sair melhor do que entrou. É essa a meta, que inclui estudo e trabalho”, afirma diz o superintendente de Atendimento ao Preso da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, Helil Bruzadelli.

Atualmente, 400 empresas estão dentro dos presídios mineiros ou contratam detentos para serviços externos. Para cada três dias de oito horas de trabalho, os presos têm um dia de redução nas penas. Com registro na Carteira de Trabalho, recebem por mês três quartos de salário mínimo. Cerca de 300 detentos trabalharam durante dois anos nas obras de reforma do Mineirão para a Copa do Mundo 2014, reinaugurado no início de 2013. Segundo Bruzadelli, com isso, conseguiram em média a diminuição de 240 dias nas penas que têm de cumprir. “É um movimento do bem. Trabalhamos a cidadania”

Go to Top