Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged político

Historiador francês vem à USP para debate sobre o medo dos livros

0
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Em evento no Instituto de Estudos Avançados, Jean-Yves Mollier vai abordar o poder político da literatura

Diego C. Smirne, no Jornal da USP

Há quem considere o advento da escrita como o maior divisor de águas da história da humanidade. Tomando essa premissa como verdadeira, não é surpresa que certos livros, em razão de seu poder de moldar a sociedade, tenham inspirado medo a ponto de serem censurados, banidos ou destruídos. A partir da pergunta “Quem tem medo dos livros?”, o historiador francês Jean-Yves Mollier vem à USP para uma conferência no Instituto de Estudos Avançados (IEA), coordenada pela professora Marisa Midori Deaecto, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. O evento é nesta quinta-feira, dia 17, às 10h30, na Sala de Eventos do IEA.

O medo foi o tema escolhido pela rede internacional Ubias (University-based Institutes for Advanced Study) para ser debatido neste ano em diversas áreas do conhecimento. A escolha veio a calhar para a professora Midori e o professor Mollier, da Universidade de Versalhes Saint-Quentin-en-Yvelines, na França, que já conversavam sobre a ideia de discutir o medo dentro e ao redor dos livros.

“Em 2016 a obra Mein Kampf, de Hitler, caiu em domínio público, o que gerou discussões em torno de sua republicação na França, na Alemanha e em outros países, o que nos deu a ideia para o debate. De fato, Mein Kampf é um livro que se enquadra bem no que queríamos discutir, pois há medo em torno do que essa obra simboliza e também do que é pregado dentro dela”, explica a professora.

A partir de uma introdução em que a professora Midori apresentará algumas questões para o público e para o conferencista, o professor Mollier deverá traçar um panorama histórico da relação de poder e medo em torno dos livros. Para isso, abordará momentos da história em que o livro foi tido como uma ferramenta maligna por instituições como a Igreja Católica – como a época da publicação do Index Librorum Proibitorum, que entre 1559 e 1966 listava obras de leitura proibida aos fiéis – e outros em que o livro foi importante para mudanças políticas.

O historiador francês Jean-Yves Mollier: censura a livros ao longo da história será destaque em sua palestra – Foto: Marcos Santos

O historiador francês Jean-Yves Mollier: censura a livros ao longo da história será destaque em sua palestra – Foto: Marcos Santos

“Jean-Paul Marat costumava ler em praça pública a obra O Contrato Social, de Rousseau, no período da Revolução Francesa. Na França, o livro sempre teve um papel revolucionário muito forte. O professor Mollier certamente falará bastante sobre esse tema, além de censuras que aconteceram mais adiante, nos séculos 19 e 20, em reações da Igreja à laicização do ensino, de uma perspectiva francesa e europeia”, diz a professora Marisa.

“Vamos abordar também o papel do livro em movimentos políticos recentes, como na Primavera Árabe e nas Jornadas de Junho, aqui no Brasil, em que havia jovens empunhando livros nas manifestações. O livro tem um fator simbólico muito importante nesses episódios, e sempre teve muita influência nas lutas da juventude.”

Por esse motivo, a professora afirma que, embora hoje em dia não haja uma censura explícita, o medo do poder político e revolucionário que os livros possuem ainda persiste. É o caso com Mein Kampf, em que Hitler estabeleceu seu ideário de genocídio e dominação. “Há muito medo de que a reedição de Mein Kampf possa servir de impulso para a xenofobia e o ódio que o livro prega, especialmente no momento histórico que vivemos hoje”, diz a professora.

Para ela, porém, a censura nunca é solução. “Sou contra a censura a qualquer livro, a qualquer coisa na verdade. Se decidirem por reeditar o livro, apoio que isso seja feito com o devido debate, com a contextualização de quem foi o autor, em qual momento ele escreveu suas ideias e os horrores que foram causados pela aplicação delas. É o debate que pode enfraquecer o poder de um livro, não a censura.”

Marisa lembra ainda que hoje, com a internet, é muito mais difícil impedir o acesso a qualquer tipo de material, o que permite que uma obra como a do ditador nazista seja divulgada sem as considerações necessárias. Isso, no entanto, não quer dizer que a censura esteja com os dias contados.

“Não temos hoje exemplos de censura explícita por parte de governos ou instituições religiosas, como aconteceu diversas vezes na história, mas há uma espécie de censura velada por parte do mercado editorial, que hoje opera pela lógica do lucro, chefiado por profissionais que são mais gestores do que editores”, afirma. Segundo a professora, os grandes conglomerados editoriais e os vínculos que estabelecem com livrarias e meios de comunicação e difusão de conhecimento acabam limitando o acesso a determinados livros.

“O leitor passivo só lerá aquilo que lhe for disponibilizado, como acontece com quem assiste a telejornais ou lê jornais e revistas impressas. Para encontrar outras visões que não a hegemônica, é preciso ir atrás delas. Assim, somente um público restrito tem contato com títulos importantes que questionam problemas do mundo atual e que teriam o poder de provocar mudanças, mas que, por não serem publicadas pelas grandes editoras, circulam apenas à margem.”

“A internet tem a capacidade de publicizar e divulgar esse tipo de obra, mas somente para quem procurar por ele. Hoje, o mercado editorial acaba ditando o que é a boa leitura, de maneira semelhante ao que a Igreja fazia tempos atrás”, completa a professora.

A conferência Quem tem medo dos livros?, com o historiador francês Jean-Yves Mollier e coordenação da professora da ECA Marisa Midori, ocorre na quinta-feira, dia 17 de agosto, às 10h30, na Sala de Eventos do IEA. O endereço é rua da Praça do Relógio, 109, no 5º andar do Bloco K, na Cidade Universitária. O evento é público e gratuito, mediante inscrição prévia neste formulário, e terá tradução simultânea do francês para o português e transmissão ao vivo pelo site www.iea.usp.br/aovivo.

A “autobiografia” que criou o mito Donald Trump

0

donald-trump

Lançado em 1987, A Arte da Negociação ficou 48 semanas na lista de mais vendidos do New York Times

Helio Gurovitz, na Revista Época

Em 1985, o jornalista americano Tony Schwartz publicou na revista New York uma reportagem crítica sobre um empresário da construção civil nova-iorquino que, com menos de 40 anos, se tornara foco de um sem-número de controvérsias. Na última delas, comprara um prédio numa área nobre de Nova York e, para reformá-lo, precisava despejar os inquilinos, cujo aluguel a lei mantinha em níveis irrisórios. O despejo se arrastava na Justiça e, impaciente, ele decidiu usar uma técnica inusitada para afugentá-los: declarou que ofereceria a moradores de rua os apartamentos vazios no prédio. As celebridades que moravam ali saíram em protesto. O relato na New York não era a primeira reportagem negativa na vida do empresário. Ele já fora acusado de não aceitar negros como inquilinos e de se beneficiar da generosidade do Estado para o sucesso de seus empreendimentos mais grandiosos. Depois que a reportagem saiu, Schwartz ficou surpreso ao receber uma nota de agradecimento. Ficou ainda mais surpreso ao ser convidado para escrever a “autobiografia” desse nada discreto empreendedor imobiliário, ninguém menos que Donald Trump.

Schwartz conviveu com Trump ao longo de 18 meses para fazer o livro. Lançado em 1987, A arte da negociação ficou 48 semanas na lista de mais vendidos do New York Times, 13 delas em primeiro lugar. Vendeu mais de 1 milhão de cópias, transformou Trump em figura mítica e abriu-lhe o caminho para três décadas de negócios ainda mais controversos, seguidos da carreira na televisão e na política que culminou, na semana passada, com sua indicação para disputar a Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. Donald Trump não seria Donald Trump sem Tony Schwartz. O livro criou o mito de Trump como Midas dos negócios. “Precisamos de um líder como o que escreveu A arte da negociação”, afirmou o próprio Trump num de seus comícios, como se tivesse mesmo escrito o livro. Desde que ele foi publicado, outros jornalistas, como Mark Singer, Wayne Barrett ou Timothy O’Brien, expuseram as contradições de Trump e o desmascaram de modo eloquente. Mas, pago para criar uma fantasia, Schwartz foi quem o conheceu mais de perto. Depois do livro, largou o jornalismo e manteve o silêncio. Até a semana passada, quando a revista New Yorker publicou suas declarações à jornalista Jane Meyer. “Pus batom num porco”, afirmou Schwartz. “Tenho remorso profundo por ter contribuído para apresentar Trump de um modo que chamou a atenção para ele e o tornou mais atraente do que é.”

Quem lê A arte da negociação vê um padrão que se repete não apenas nos demais livros assinados por Trump, mas em todos os seus negócios e em sua campanha. A leitura é prazerosa. O texto é excelente e sedutor. Do Hotel Hyatt aos cassinos de Atlantic City, da Trump Tower ao ringue de patinação do Central Park, os casos relatados revelam lições preciosas a qualquer empreendedor. Mostram um prodígio em ação, capaz de extrair concessões improváveis nas mesas de negociação com seu estilo direto, de conduzir estratégias sofisticadas para lograr seus desejos e de exibir as qualidades que esperamos de um CEO ou mesmo do líder da nação mais poderosa da Terra. Só há um porém: o Trump do livro é um personagem de ficção. O real mente como respira. “Mentir é a segunda natureza dele”, diz Schwartz. “Mais do que qualquer um que conheci, Trump tem a capacidade de se convencer de que aquilo que diz num dado momento é verdade, ou quase verdade, ou pelo menos deveria ser verdade.” A fraude não se resume a discursos inofensivos, como o proferido pela mulher de Trump na Convenção Republicana. Uma checagem de 182 declarações dele na campanha, feita pelo site PolitiFact, verificou que apenas 12% eram verdadeiras (ou quase). Na escala Pinóquio, do jornal Washington Post, quase 85% das 52 afirmações de Trump checadas se revelaram falsas.

Mentir na campanha, mentir para embelezar a biografia ou mentir sobre os próprios cabelos não são exclusividades de Trump – como sabe qualquer um que acompanhe a política brasileira. Mas ele levanta uma questão adicional, já sublinhada por Singer na New Yorker em 1997: que pensamentos íntimos haverá abaixo daqueles cabelos? Na busca das angústias de Trump, Singer chegou à conclusão de que, para além de aviões, cassinos, torres, campos de golfe e das belas mulheres, de nomes Ivana, Marla e Melania, Trump alcançou o maior de todos os luxos. Não tem vida interior, leva “uma existência sem ser molestado pelo ronco de uma alma”. O tipo de presidente que poderá ser não é, claro, o empreendedor genial de A arte da negociação. Mas também está nas palavras de Schwartz, o verdadeiro autor do livro: “Acredito genuinamente que, se Trump vencer e tiver os códigos nucleares, há uma possibilidade excepcional de que isso leve ao fim da civilização”.

Ler Harry Potter faz gostar menos de Donald Trump

0
Foto: Ray Bouknight/Flickr

Foto: Ray Bouknight/Flickr

 

Depois de derrotar Voldemort, poderá Harry Potter derrotar Donald Trump? Um estudo da Universidade da Pensilvânia diz que sim.

Rita Pereira,  no TSF

É um grande fã do bruxo mais famoso do mundo? Então é provável que não goste de Donald Trump. Um estudo da Universidade da Pensilvânia afirma que os leitores da série de livros Harry Potter têm tendência para ter uma pior opinião sobre o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América.

A explicação? Não, não é magia. Segundo Diana Mutz, a investigadora que conduziu o estudo, os resultados estarão relacionados com as ideias transmitidas nos livros da saga, tais como a oposição ao autoritarismo (personificado na figura de Voldemort) e a promoção da diversidade e da tolerância (em relação a todos os “sangue ruim”, bruxos de origem não-mágica).

“As visões políticas de Trump são largamente vistas como opostas aos valores expressos na série Harry Potter”, diz investigadora, de acordo com o jornal britânico The Independent.

A afirmação não será de estranhar, uma vez que a própria autora dos livros, J.K. Rowling, escreveu no twitter, em dezembro de 2015, que Voldemort, o vilão da saga Harry Potter, não era de longe tão mau quanto Donald Trump.

Na altura, foram vários os fãs de Harry Potter que invadiram a internet com comparações irônicas entre as figuras de Donald Trump e Voldemort.

Das páginas para o mundo real

O estudo chamado “Harry Potter and The Deathly Donald” (que, livremente traduzido, significa qualquer coisa como “Harry Potter e o Donald da Morte” – numa alusão ao título do último livro da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte), envolveu 1.142 americanos.

Os inquiridos foram questionados quanto a temas controversos no país – como a pena de morte, a Islamofobia ou os direitos dos homossexuais – e também diretamente sobre Trump, antes e depois da campanha do candidato republicano, em 2014 e em 2016.

As opiniões sobre Donald Trump foram medidas numa escala de 0 a 100 e correlacionadas com o facto de os inquiridos terem ou não lido os livros de Harry Potter. Mesmo tendo em conta outros fatores como a idade, a educação e a inclinação política, a tendência para discordar de Trump foi verificada naqueles que eram leitores dos livros.

“Pode parecer pouco, mas alguém que leu todos os sete livros [da série Harry Potter], pode baixar a sua opinião sobre Trump em 18 pontos num total possível de 100”, assegura Diana Mutz.

O estudo aprofunda a forma como as histórias ficcionais podem ter influência nas opiniões sobre o mundo real.

Até ao momento, os livros de Harry Potter venderam cerca de 450 milhões de cópias em todo o mundo.

Questão de prova xinga político e pede cálculo de lançamento de bebê

0

Trabalho foi aplicado uma turma do 1° ano do ensino médio em Londrina.
Direção da escola diz que vai conversar com professora sobre o caso.

Em questões do trabalho, professora de física pede para alunos calcularem tempo de queda de um bêbê que foi lançado por um 'pai desnaturado' (Foto: Reprodução)

Em questões do trabalho, professora de física pede para alunos calcularem tempo de queda de um bêbê que foi lançado por um ‘pai desnaturado’ (Foto: Reprodução)

Publicado no G1

Um trabalho de física aplicado aos alunos da turma do 1º ano do ensino médio, em um colégio estadual de Londrina, no norte do Paraná, deixou os estudantes surpresos. As perguntas continham frases que incitavam a violência e a morte. Em uma delas, por exemplo, a professora pede aos alunos que calculem a velocidade de lançamento de um bebê, jogado para o alto pelo “papai desnaturado”, a uma altura de 80 metros. O trabalho foi passado na quarta-feira (6) e deve ser entregue por eles à professora neste dia 13.

“A primeira vez que eu vi o trabalho achei que era uma piada, custei a acreditar. Mas, ao ver todo o trabalho, fiquei em choque”, lembra a mãe de uma estudante que não quis se identificar. Em uma das questões, os alunos devem dizer qual o tempo de queda de um professor que se jogou do telhado e, em uma terceira questão informar se uma pena de galinha e um caminhão cheio de alunos cairão no chão ao mesmo tempo. Um dos alunos mostrou o trabalho para a mãe que decidiu denunciar a professora responsável pelo trabalho.

“Nós pais esperamos que os professores deem continuidade a educação que os nossos filhos recebem em casa, mas nem sempre isso acontece”, lamenta a mãe da estudante.

Segundo a aluna que denunciou o problema, um grupo de estudantes mostrou o trabalho para a coordenação da escola no dia 7 de agosto. “Eles disseram que iam tomar providências sobre o caso, mas até agora o trabalho não foi anulado ou cancelado”, declara.

Ainda de acordo com a estudante, a professora de física sempre foi uma pessoa tranquila. “Nós só temos problemas com ela [professora] quanto à aprendizagem. Ela não sabe explicar, não consegue passar o conteúdo direito. Mas, nunca demonstrou nenhum problema de comportamento ou de saúde”, afirma a aluna do 1° ano do ensino médio.

O diretor da escola disse que vai conversar primeiro com a professora, uma profissional de 60 anos de idade, e só depois deve marcar uma reunião com os pais dos estudantes. Já a chefe do Núcleo de Educação de Londrina, Lúcia Cortez, se surpreendeu com o conteúdo do trabalho. “É um palavreado que não é comum. Não faz parte do vocabulário do dia a dia do professor”, diz.

Para a professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutora em educação, Lucinea Rezende, faltou bom senso na preparação das perguntas. “Não foi uma ideia feliz, me parece. Há outras formas de se aproximar dos alunos sem precisar de utilizar uma linguagem dessa maneira, como está”.

Dica do Emerson Catarina

Go to Top