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Livros de Mario Vargas Llosa inspiram rota turística por capital peruana

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1º.mar.2016 - O escritor peruano Mario Vargas Llosa no lançamento de "Cinco Esquinas", em Madrid Imagem: AFP

1º.mar.2016 – O escritor peruano Mario Vargas Llosa no lançamento de “Cinco Esquinas”, em Madrid Imagem: AFP

Fernando Gimeno, no UOL

“Em que ponto o Peru se fodeu?” É a pergunta mais famosa da obra literária de Mario Vargas Llosa, cuja resposta é complicada, e só se sabe o lugar onde ela foi formulada, agora parte de uma rota turística inspirada nos livros do Prêmio Nobel de Literatura de 2010.

Caminhar por Lima é se transformar, às vezes quase que sem perceber, em um dos personagens que habitam as cenas narradas por Vargas Llosa, como Zavalita, em “Conversa no Catedral”; o poeta, de “A Cidade e os Cachorros”, ou Cuéllar, em “Os Filhotes”. Esses três sucessos do escritor peruano foram escolhidos pela Comissão de Promoção do Peru para a Exportação e o Turismo (Promperú) para que os turistas que visitam a capital peruana possam conhecer, por exemplo, as ruas, avenidas e parques citados nas histórias.

O tumultuado cruzamento das Avenidas Tacna e Colmena, no centro histórico de Lima, pode ser o ponto de partida do roteiro. Lá, entre os gritos de ambulantes e buzinas dos carros, é onde Zavalita fez a famosa pergunta.

“Da porta do La Crónica, Santiago contempla a Avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos a flutuar na neblina, o meio-dia cinzento. Em que ponto o Peru se fodeu?”, escreveu Vargas Llosa.

Pela Colmena, agora chamada de Nicolás de Piérola, se chega à Praça San Martín, onde ficava o discreto bar Negro Negro – hoje, De Grot Bar – e onde Carlitos garantia ter deixado salários inteiros. De lá, o visitante pode chegar ao Jirón de la Unión, maior rua do centro de Lima, para andar e encontrar as casas mais centenárias e que inspiraram Vargas Llosa a escrever a peça teatral “El loco de los balcones”.

Do centro de Lima, se passa ao rico bairro de Miraflores, presente em quase todas as obras do prêmio Nobel, especialmente a região de Ferré e suas casas antigas. O turista também pode caminhar pelo popular bairro de Surquillo, cujas ruelas aparecem em muitos trechos dos romances para mostrar a classe trabalhadora.

Muito perto dali fica o boêmio bairro de Barranco. Até pouco tempo, Vargas Llosa viveu nessa região, da mesma forma que muitos escritores e artistas peruanos, como Julio Ramón Ribeyro.

Além dos lugares sugeridos no roteiro oficial, existem outros vários pontos da cidade citados nos romances de Vargas Llosa, como o Colégio Militar Leoncio Prado, de frente para o mar, no bairro de Magdalena del Mar, onde também se passa grande parte de “A Cidade e os Cachorros”.

Por lá também ficam as cinco esquinas dos Barrios Altos e que dão título ao seu mais recente livro, lançado no ano passado. Perto do centro de Lima e entre outras atrações, é lá onde fica a majestosa Quinta Heeren, que no passado foi casa de famílias ricas e sede de embaixadas, mas agora praticamente caiu no esquecimento por conta da degradação e da insegurança das ruas em volta.

Com estes pontos, a rota da Lima de Mario Vargas Llosa está pronta para todo aquele que tenha um mapa, um livro do escritor e disposição para caminhar por uma das maiores capitais da América do Sul.

Brasileira aluna de Harvard vai para Índia pesquisar o sistema de ensino

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Tábata Amaral foi conhecer ações que poderiam ser aplicadas no Brasil.
Jovem de SP pretende se formar em astrofísica na universidade dos EUA.

Tábata Amaral (à esquerda) com as crianças das vila de Gomla, na Índia (Foto: Arquivo pessoal)

Tábata Amaral (à esquerda) com as crianças das vila de Gomla, na Índia (Foto: Arquivo pessoal)

Vanessa Fajardo, no G1

Depois de concluir o primeiro ano letivo na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, uma das mais conceituadas do mundo, a brasileira Tábata Amaral de Pontes, de 19 anos, aproveitou as férias de verão para realizar mais um de seus sonhos: conhecer a Índia. Mais do que passear pelos pontos turísticos ou viver a cultura indiana, Tábata aproveita a temporada de dois meses em Maharashtra, estado da região ocidental, para estudar o sistema de ensino do país e aprender sobre soluções aplicadas por eles que funcionariam no Brasil. Tábata retorna para o Brasil nesta segunda-feira (5) e ainda passa por São Paulo, antes do reinício das aulas nos Estados Unidos.

Na Índia a brasileira trabalha com uma companhia privada chamada Mission Apollo, cujo um dos objetivos é desenvolver o gosto pela ciências entre os estudantes. Tábata passou por dez escolas de Maharashtra falar sobre o Brasil, a importância dos estudos e sua história de vida – ela é de uma família de baixa renda, estudou na rede pública até conseguir uma bolsa de estudo e migrar para particular, superou dificuldades, ganhou dezenas de medalhas de olimpíadas estudantis e foi aceita em Harvard. Também conheceu os principais jornais do país, ONGs e instituições particulares que têm trabalhos ligados à educação.

A Mission Apollo promove acampamentos e oficinas para ensinar ciências em escolas públicas e privadas de maneira divertida. Não foi à toa que Tábata quis trabalhar para esta ONG. Ela é fã de ciências, pretende se formar em astrofísica, e no Brasil participou de várias olimpíadas estudantis e ajudou a criar um projeto voluntário que treina alunos da rede pública a participar dessas competições, o Vontade Olímpica de Aprender (VOA).

Tábata com os alunos em uma escola de Baramati, onde recebeu um troféu como homenagem (Foto: Arquivo pessoal)

Tábata com os alunos em uma escola de Baramati,
onde recebeu um troféu como homenagem
(Foto: Arquivo pessoal)

“Ainda que os desafios do Brasil e Índia sejam os mesmos, temos culturas muito diferentes, o que nos leva a apresentar soluções diferentes. Isso é incrível porque significa que os dois países podem trabalhar juntos para encontrar respostas”, afirma.

Para Tábata, os dois países têm problemas comum como déficit de professores e problema de infraestrutura nas escolas, porém a Índia ainda tem de superar desafios. “O número de meninas que frequentam a escola é muito pequeno comparado ao de meninos, muitas são impedidas de nascer, e as que nascem não são incentivadas a estudar e as escolas basicamente têm que caçar os alunos para preencherem as suas vagas.”

Quero levar para o Brasil algo que aprendi em uma vila rural chamada Gomla: quando as pessoas se unem para solucionarem os problemas do lugar onde vivem, coisas maravilhosas e inimagináveis surgem”
Tábata Amaral, aluna de Harvard

Inspiração
Algumas experiências chamaram a atenção de Tábata na Índia. Segundo ela, lá as escolas particulares têm de reservar 25% de suas vagas para alunos de situação financeira precária, que depois são reembolsadas pelo governo. “Outra coisa que gostei daqui é o fato de as escolas estarem incorporando cada vez mais atividades extracurriculares, como esportes e as mais diversas artes em seus currículos. Além disso, as provas escritas passaram a ser apenas uma parte da avaliação do aluno, e quesitos como fala, colaboração, ética, apresentação de projetos fazem parte da mesma.”

A jovem também teve a oportunidade de conhecer a MKCL (Maharashtra Knowledge Corporation Ltda), uma companhia que combina os setores público e privado na “alfabetização digital”. “A empresa é voltada para as pessoas com menores condições, nas áreas mais remotas, e está revolucionando a Índia. Gostaria muito que tivéssemos algo como a MKCL no Brasil e tenho muita vontade de criar uma empresa que melhore a educação nas escolas públicas do nosso país, combinando a agilidade e eficiência do setor privado, o lado social de uma ONG, e a abrangência do setor público.”

Tábata em seu primeiro passeio de elefoa, o nome dela é Rani (rainha) (Foto: Arquivo pessoal)

Tábata em seu primeiro passeio de elefoa, o nome
dela é Rani (rainha) (Foto: Arquivo pessoal)

Comida, novela e cores
Tábata mora na casa de uma família com três jovens da sua idade, ela diz que a experiência está sendo muito rica e que vai sentir saudades. “Aprendi a cozinhar com eles, os ensinei a fazer comidas brasileiras, comemos no chão juntos, assistimos TV juntos, eu não entendo nada, mas novela é sempre novela… Com eles aprendi muito sobre o hinduísmo e a sua filosofia, sobre os casamentos indianos, a história do país, e até aprendi algumas palavras em hindi e outras em marathi. Amo a cultura indiana, amo as cores e alegria do país.”

A estudante afirma que nestes dois meses se habituou a ver porcos, cabras, vacas, elefantes e outros animais dividindo espaço com os carros, e presenciou cenas de pobreza e preconceito contra as mulheres. “É muito comum ver crianças carregando outras crianças no colo para pedir esmola ou ainda fazendo suas necessidades, dormindo e comendo no mesmo lugar. Também ainda é comum ver a mulher em uma posição inferior, tendo que cobrir a cabeça, estar em um ambiente separado dos homens ou nem sair de casa.”

“Assim como o Brasil, a Índia é um país de contrastes e eu estou aprendendo muito com a minha experiência. Não apenas quero levar para o Brasil o que aprendi sobre a educação e sobre como superar seus desafios, mas também algo que aprendi em uma vila rural chamada Gomla: quando as pessoas se unem para solucionarem os problemas do lugar onde vivem, coisas maravilhosas e inimagináveis surgem.”

Voluntariado
O intercâmbio foi possível graças a um programa oferecido por Harvard que cobriu as despesas, porém o trabalho de pesquisa, em si, não é remunerado. É a própria universidade que seleciona os interessados por meio de um processo seletivo que inclui currículo, carta de recomendação e redações. Como as férias de verão nos Estados Unidos são longas, duram mais de três meses, é comum os alunos aproveitarem o tempo para fazer estágios e trabalhos voluntários em outros países. Antes de viajar, ainda em Harvard, Tábata participou de um treinamento sobre a cultura e modo de vida dos indianos, dicas de como agir se for colocada em situação de risco e recebeu vacinas.

Tábata Amaral no Taj Mahal, um dos principais pontos turísticos da Índia (Foto: Arquivo pessoal)

Tábata Amaral no Taj Mahal, um dos principais pontos turísticos da Índia (Foto: Arquivo pessoal)

Com ilustração de Ziraldo, 13 mil alunos escrevem livro sobre o Rio

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Alunos da unidade Mangueira já tiveram primeiro contato com a obra
Foto: Divulgação


Publicado originalmente no Terra.com

Assistir ao longa Rio, participar de debates e fazer pesquisas na internet estiveram na agenda de 13 mil alunos de ensino fundamental do Rio de Janeiro. A programação fez parte da Oficina do Texto, um dos projetos do Portal Educacional, mantido pelo Grupo Positivo, em que alunos escrevem livros em coautoria com escritores consagrados – neste ano, foi a vez dos estudantes do Santa Mônica Centro Educacional, que contaram com ilustrações de Ziraldo.

Com o título “Rio: Conhecer para cuidar”, alunos das 13 unidades da rede privada escreveram sobre pontos turísticos da capital fluminense e os problemas da cidade, além de dar sugestões para melhorá-la. Depois de receber as ilustrações de Ziraldo, cada criança criou a sua historinha. Entre as participantes do projeto, está a unidade da Mangueira, que atende gratuitamente alunos carentes da comunidade. Segundo a diretora instituição, Marcia Moura, o projeto começou a tomar forma no início do ano.

Na unidade da Mangueira, 636 escreveram seu livrinho. “Houve muita conversa sobre os pontos turísticos. Ao visualizar as imagens, eles reconheciam o Carnaval, o Maracanã. Assistir ao filme Rio ajudou muito, já que, como o número de alunos era muito grande, não conseguiríamos levar todo mundo até os pontos turísticos”, afirma.

Na Oficina do Texto, cada aluno produz sua obra escrevendo as histórias e fazendo suas escolhas no ambiente virtual disponibilizado no portal da instituição, com gerenciamento pelo professor. A criança ou jovem assina a produção como coautor, recebe livros impressos e ainda tem acesso a um arquivo em PDF. “Eles abraçaram a ideia com muita vontade, ficavam ansiosos pela produção, que acontecia de duas a três vezes por semana, quando iam para o computador”, explica a diretora.

Projeto já lançou mais de 1 milhão de livros

Realizado desde 2000, o projeto já lançou mais de um milhão de livros escritos por crianças e jovens em parceria com grandes personalidades da literatura brasileira. Além de Ziraldo, nomes como Luis Fernando Verissimo e o professor Pasquale Cipro Neto já assinaram obras em coautoria.

Na Mangueira, o projeto atingiu alunos do 1º ao 5º ano. A aluna do 5º ano Samara Viana de Carvalho da Silva conta que não conhecia muitos dos pontos turísticos da cidade. “Antes, eu só conhecia a praia, mas aprendi sobre as belezas e as necessidades do Rio. Agora sei que preciso cuidar melhor da minha cidade. Fiquei com vontade de saber mais”, diz. A professora de Samara, Tânia Cristina da Costa Rodrigues, explica que um dos grandes feitos do projeto foi unir a turma. “Muitos deles não conheciam a maioria dos pontos turísticos do Rio de Janeiro. Era nessas horas que uns ajudavam aos outros. O envolvimento entre eles foi muito grande, o que tornou a produção ainda mais dinâmica”, avalia.

A Oficina de Texto reforçou a ligação das crianças com a internet. Segundo Tânia, a rede colaborou para que os alunos conhecessem bem os pontos turísticos. Ainda assim, as contribuições que saíam de dentro da sala de aula ajudaram a produção a tomar forma. “Fizemos um levantamento sobre quais pontos eram conhecidos. Queríamos compreender a vivência que tinham nossos alunos. Quem conhecia o local ajudava os colegas que não conheciam. Um tinha uma ideia, o outro complementava”, diz.

A equipe de Ziraldo se envolveu na criação das ilustrações. O autor, que completa 80 anos em 2012, é parceiro antigo da Positivo Informática. “Esse é um esforço muito grande para que os jovens compreendam o que é ser cidadão. Não se trata só de aproveitar as belezas do Rio, mas de conhecer os problemas e poder participar disso”, diz. Para ele, é papel da escola ser um agente de conscientização. “É na sala de aula que nasce a consciência a respeito de direitos e deveres. Eles precisam saber que podem usufruir do Rio de Janeiro, mas que devem cuidar dele”, acrescenta.

Ziraldo contou com ajuda de uma equipe de profissionais. “Nós caprichamos nas ilustrações. Queríamos estimular as crianças a perceber a veia artística, e o que se viu foi uma aliança que ficou ainda melhor com a ajuda da internet”, destaca. Os estudantes devem receber a versão impressa em outubro. O lançamento oficial dos livros escritos na unidade Mangueira está previsto para 10 de novembro, em evento com apresentações culturais e presença da comunidade.

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