Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Por Isso

Comediantes mulheres faturam alto no mercado editorial

0
Tina Fey está faturando com livro de memórias e Amy Poehler escreverá diário / Divulgação

Tina Fey está faturando com livro de memórias e Amy Poehler escreverá diário Divulgação

Publicado por O Globo

As comediantes mulheres estão em alta no mercado editorial e recebendo bem por isso. Só nesta semana, Amy Poehler, da série “Parks and Recreations”, assinou contrato, sem divulgar cifras mas há suposições de que seja milionário, para escrever um diário humorado e o primeiro livro da atriz Judy Greer, do filme “De repente 30”, foi adquirido pela Doubleday por US$ 1 milhão.

Tina Fey, de “30 Rock”, já está fazendo sucesso nas livrarias americanas com o livro de memórias “Bossypants”. A publicação já vendeu mais de 2 milhões de exemplares.

E a criadora e protagonista da série “Girls”, Lena Dunham, recebeu em outubro US$ 3.7 milhões como adiantamento para seu livro.

De acordo com reportagem da “Hollywood Reporter”, livros de comediantes têm tido boa saída desde o sucesso da publicação da apresentadora Chelsea Handler, em 2005, com “Minha vida na horizontal”. Ellen DeGeners também figurou na lista de best-sellers.

“É uma era de ouro para mulheres da comédia”, afirma o editor executivo da It Books, Carrie Thornton.

“Elas vão fundo para contar histórias não só engraçadas, como também pessoais e compartilham experiências de vida”.

As próximas na lista de pedidos dos editores atualmente são Kristen Wiig, de “Saturday Night Life”, e Julia LouiS-Dreyfus, de “Seinfeld” e atualmente em “Veep”.

Menino de 13 anos reconhecido pelo Guinness é escritor, pintor e músico

1

Adriana Justi, no G1 Paraná

Paranaense ganhou o título de escritor mais jovem a publicar um livro.
Menino tem seis livros, faz aulas de violoncelo e toca piano.

Adauto tem 13 anos e publicou seis livros (Foto: Adriana Justi / G1)

Adauto tem 13 anos e publicou seis livros (Foto: Adriana Justi / G1)

Com 13 anos e reconhecido pelo Guinness Book como o escritor mais jovem a publicar um livro, Adauto Kovalski, se dedica diariamente com funções ligadas a arte e à música. Guiado pela ‘estrela da vida’, tida por ele como marca registrada, o garoto explica que já tem seis edições publicadas, e que, além de escritor, toca piano, faz aulas de violoncelo e faz pinturas quase que diariamente. Além disso, ele estuda pela manhã, faz natação e brinca. “Eu gosto das brincadeiras normais das crianças com a minha idade”, disse Adauto, que acrescenta ainda que pretende fazer aulas de espanhol e francês em 2014.

Os livros foram inspirados em histórias e fatos do cotidiano da família e da escola. A primeira edição ‘Aprender é Fácil’ deu a ele o reconhecimento no livro dos recordes nas edições de 2008 e 2009.

“A estrela da vida é minha marca, por isso faço questão que ela esteja impressa em todos os meus livros. Desde que eu era bem novinho, meus tios me mostravam ela no céu. Era o que continha a minha ansiedade e orientava os meus pensamentos, principalmente nas longas viagens. Muitas inspirações sairam destas viagens”, explica o garoto.

Estrela da vida é marca registrada em todas as edições dos livros de Adauto (Foto: Adriana Justi / G1)

Estrela da vida é marca registrada em todas as edições dos livros de Adauto (Foto: Adriana Justi / G1)

Na avaliação da tia, Maria José Kovalski, com quem o menino vive desde os 3 anos, ele tem facilidade em aprender e gosta de dividir o conhecimento com o próximo. “Um exemplo disso é o primeiro livro dele. Nas 25 páginas, ele descreve o que aprendeu na escola com desenhos e coloridos que fazem o conteúdo ficar mais compreensível”, conta.

Mas o talento artísto de Adauto não parou nas edições dos livros. Ele também foi reconhecido pelo Ranking Brasil como o brasileiro mais jovem a concluir curso de composição de melodias, mais jovem compositor de partituras de piano, mais jovem pintor em telas, e o mais jovem a lançar um livro.

“Quando eu toco piano, tenho a companhia das minhas três calopsitas. É só ouvir o som que elas correm no meu ombro”, conta Adauto. Além de novas composições, ele conta que as preferidas estão no livro ‘A Arte da Música’, que possui 14 partituras em português, espanhol e francês.

(Veja o vídeo)

Além desses títulos, o garoto também possui cerca de 30 medalhas de concursos que participou desde os primeiros anos de vida. “São muitas medalhas que eu guardo com muito carinho, já até perdi as contas de quantas conquistei nesses anos”, acrescenta Adauto.

Adauto explica que quer seguir várias carreiras quando crescer. Além da vontade de ser biocientista, ele ainda sonha em ser maestro e piloto de avião. Na coleção de miniaturas, guardadas em uma estante do quarto, ele acomoda cerca de 30 aeronaves de brinquedo.

Emocionado, ele diz também que de todos, o maior sonho é ser adotado pelos tios.

“A mãe é distante desde que ele nasceu e, por isso, nós o tratamos como um filho”, explica a tia.

Adauto toca violoncelo e compôs 14 partituras de piano (Foto: Adriana Justi / G1)

Adauto toca violoncelo e compôs 14 partituras de piano (Foto: Adriana Justi / G1)

Livros foram inspirados no cotidiano

Entre os livros estão os títulos – ‘Dentes’, ‘O Barco Pirata’, Histórias da Vovó’ e ‘A Arte da Música’, onde ele apresenta 14 partituras de piano. O primeiro lançamento também foi traduzido para o espanhol e publicado em 2007, quando o menino teve as primeiras aulas da língua estrangeira. “Eu lembro que como eu tinha começado a estudar espanhol, não sabia muita coisa. Então, para traduzir o livro eu peguei um dicionário e procurei palavra por palavra”, conta Adauto.

O livro ‘Histórias da Vovó’, com 87 páginas e 25 contos, foi inspirado em fatos reais. “A minha avó sempre me contava muitas histórias. E nesse livro, eu tentei adaptar alguns finais, mas ela exigiu que eu contasse as histórias reais. Foi então que eu decidi dividir o conteúdo com partes reais [que ela me contava] e com as minhas histórias adaptadas”, completa o menino.

Adauto exibe os títulos que conquistou desde os primeiros anos de idade  (Foto: Adriana Justi / G1)

Adauto exibe os títulos que conquistou desde os primeiros
anos de idade (Foto: Adriana Justi / G1)

O próximo livro de Adauto – ‘Molhando o Pé no Rio’, já está em endamento.

“Ele tem a ver com um dos meus sonhos, que é o de ser biocientista. Eu conto a história de um menino que estava molhando o pé em um rio e ele pensava que os animais que existiam eram só aqueles qua a gente podia ver, como cachorros e gatos, por exemplo. Só que ele nunca olhou bem de perto para ver as formigas, os besouros, as bactérias. Ou seja, que existem outras vidas por trás disso”, conta Adauto, que brinca e diz que o final da história ainda é segredo.

Entre as admirações e inspirações de Adauto estão o pianista Alvaro Slaviero, a compositora Luna Remer, maestro Alceo Bocchino e maestro Tibiriçá.

Livro 'Aprender é Fácil' deu o título ao menino no Guinness Book de escritor mais jovem a ter um livro publicado (Foto: Adriana Justi / G1)

Livro ‘Aprender é Fácil’ deu o título ao menino no Guinness Book de escritor mais jovem a ter um livro publicado (Foto: Adriana Justi / G1)

dica do Jarbas Aragão

Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida?

0

Bruna Chagas, no Livros e Afins

Certa vez, uma professora muito querida de semiótica, na empolgação da aula, parou alguns instantes, olhou para a turma e contou uma situação que nunca mais me saiu da cabeça: um casal de amigos se casou por causa de Fernando Pessoa. É isso mesmo. O rapaz se apaixonou pela moça assim que ela declamou o enorme, porém belíssimo, poema Tabacaria, do heterônimo Álvaro de Campos, só que num lugar bastante inusitado: um bar, no meio daquela agitação maluca, música alta, bebida, muita gente. Eles se descobriram enamorados e desde lá nunca mais se separaram.

1

A história parece até simples e seria algo fácil se Tabacaria fosse apenas um soneto, mas não é bem assim. Não é pelo tamanho do poema que se pode dar o crédito ao poeta (ele tem mais de 15 versos e está no final do post). E sim pela qualidade da poesia contida naquele texto. Os poemas de Pessoa são instigantes, misteriosos e vão além de qualquer poema já lido antes. E, por isso, pelas intervenções da sua poesia, foi possível levantar essa questão: como o poeta de Orpheu poderia mudar a sua vida?!

Vamos aos fatos: Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um poeta singular, um dos maiores gênios literários que já caminhou neste mundo. Nasceu em Lisboa em 13 de junho de 1888 e morreu em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935. Foi jornalista, tradutor e crítico literário. Fundou a revista Orpheu em 1915 e teve como grande amigo Mário de Sá Carneiro. Mas nada foi tão importante quanto a criação de vários poetas ao mesmo tempo.

1

Os heterônimos (não são pseudônimos) foram sua maior contribuição para a humanidade, cada um com sua biografia, traços diferentes de personalidade e ainda características literárias distintas. Cada heterônimo possui seu próprio mundo, representando o que angustiava ou encantava o seu autor. Foram cerca de 72 heterônimos, mas em 2011, o biógrafo brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho revelou que na verdade são 127 ao todo. Os três mais importantes e significativos são:

1

Alberto Caeiro (meu preferido) é o mestre de todos os heterônimos. Nasceu em 1889, mas não era formado, só tinha o primário. É o poeta que pensa com os sentidos. Por isso, sensacionista. É poeta do campo, das coisas mais simples e belas do mundo. Para ele o mundo não encerra mistérios, como Deus, metafísica, “sentido último das coisas”. Nada disso importa. As coisas são apenas as coisas. E é esta realidade pura, sem símbolos que constitui a sua criação. Segue um trecho do Guardador de Rebanhos: (mais…)

Crimes do livro digital

0

Luis Antonio Giron, na Época

Por que as más edições de e-books prejudicam o leitor e desmoralizam o mercado

Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)

Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)

Leitores digitais como o Kobo e o Kindle começam a ganhar popularidade no Brasil. Agora o leitor tem acesso aos catálogos nacionais – e um possível revolução nos hábitos de leitura está em curso. Mas nem tudo é positivo nesse processo de transmigração do texto do papel às telas, da tinta para a tinta digital. As edições ruins, suspeitas ou simplesmente vagabundas de e-books começaram a proliferar. O consumidor é a vítima, mas essas edições colaboram em desmoralizar uma das indústrias de cultura mais veneráveis: a do livro. Nem mesmo nos tempos dos incunábulos, do século XIV ao XVII, abriu-se tanto espaço para aventureiros que se fazem passar por editores. Na realidade, não passam de piratas que vendem caro o que já se encontra gratuitamente nos sites de domínio público.

Por isso, o leitor deve tomar cuidado com aquilo que os sites de vendas de e-books andam exibindo. Muitas vezes , as livrarias digitais vendem gato por lebre. Há livros baratos de conteúdo aparentemente incontestável que se revelam decepcionante tão logo o comprador os lê. Aquilo que se anunciava como uma experiência de leitura interessante não passa de um amontoado de arquivos ilegíveis.

Um dos e-books mais vendidos no Brasil exemplifica a indigência do novo mercado digital. Trata-se das Obras de Machado de Assis. Está em quinto lugar em vendas nacionais, na lista publicada por Época, e é o campeão do site da Livraria Cultura, representante do Kobo no Brasil. No site da Cultura, Machado de Assis está até mesmo à frente da trilogia erótica Cinquenta tons de cinza, de E.L. James. O preço ajuda. Por apenas R$ 1,93, o leitor pode possuir tudo o que Machado produziu. Claro que não é nem bem assim, nem assim. O e-book, produzido por uma editora obscura – Samizdad Express, com sede sabe-se lá onde – não informa em que fontes se baseou para reunir indiscriminadamente crônicas, romances e contos, ao todo 26 livros. O volume se encerra com uma peça de Machado, Tu, só tu, puro amor, datada de 1880. Por quê? Ninguém explica.

A edição não apresenta os critérios que deveriam envolver conhecimento no assunto – ou, no mínimo, uma técnica para disfarçar a ignorânica. Há erros gritantes de grafia. O próprio título, quando aparece pela primeira vez, está grafado assim: “Obras de Machao de Assis”. Nem mesmo o novo Acordo Ortográfico é respeitado: tremas, hífens e outras gralhas atrapalham qualquer jovem que queira se iniciar – ou se reiniciar – no português correto. Além disso, o editor anônimo ousa transcrever um trecho curto da biografia de Machado já publicada na Wikipédia – site cujas informações são mais que questionáveis. Pior ainda é que o livro é quase ilegível. O índice não oferece links para os livros e, no instante em que o leitor cai em uma determinada página, torna-se a versão atual de Teseu no meio do labirinto. O e-reader trava. Até agora, no instante em que escrevo esta crônica, não consegui voltar ao início do ebook. Dá saudade de folhear um livro de papel, assinado por especialistas e fáceis de manusear.

Ora, o problema se repete em outras obras em domínio público, tanto nacionais como estrangeiras. A edição das Obras completas de José de Alencar, publicada pela Montecristo Editora, com sede em São Paulo, é ainda pior que a Samizdad. Os organizadores, igualmente anônimos, transformam os romances de José de Alencar em um monturo indistinto de material textual. Em que edição se basearam? Não informam. Não há uma biografia do autor, notas de rodapé nem qualquer outro tipo de informação básica. A sinopse publicada no site da Livraria Cultura sobre as “obras completas de José de Alencar” é a seguinte: “O Haras Personal corre o risco de ter o plantel liquidado, vendido para outras pessoas que não são da família. Três moças precisam provar que são capazes de gerir a herança que são os quarenta e um cavalos.” O preço de toda a obra de Alencar é uma barbada (R$ 9,99), mas o que o leitor recebe é um lixo. Um crime. E assim ao infinito.

Já comprei obras “completas” de grandes autores em inglês e francês, como Marivaux, Henry James e Wilkie Collins, e me arrependi de pagar pouco para receber quase nada. Fui enganado. Evidentemente, poucas pessoas irão reclamar, já que o preço é baixo. E, cá entre nós, quantos leem o que compram? O que vale é a satisfação do colecionador de “possuir” uma obra completa. Alguém que me lê agora já tentou dar conta das obras de Machado e Alencar e tantos outros grandes autores em e-books? Pois é. Poucos. A única saída é opinar nos próprios sites, distribuindo notas baixas e reclamações.

A pressa e a cobiça se tornaram as maiores inimigas do livro digital. Isso para não falar da pirataria propriamente dita, que corre solta.

Minha dica de leitor escaldado é óbvia: vale mais a pena pagar mais caro por edições digitais de editoras reconhecidas – como a Penguin, excelente no campo da erudição – do que se jogar em obras completas maltratadas por oportunistas. No caso dos textos clássicos, a melhor opção está em procurá-los nos sites de domínio público, como OpenLibrary.org, Gutenberg.org e Archive.org. Ali, é possível encontrar boas edições antigas de obras primas universais ou de textos desconhecidos. O único problema é a formatação do texto, que pode vir repleto de irregularidades. E, por favor, não se livre ainda de seus queridos livros em papel. Nada ainda se compara a eles.

A mudança nos hábitos de leitura proporcionada pelos leitores digitais deve ser acompanhada por uma atenção redobrada com o material que lemos. Caso o leitor não vigie o que está sendo publicado digitalmente, correrá o risco de cair em uma nova modalidade de barbárie. Ou, como eu, de travar para sempre no mesmo capítulo.

Amigos fazem ‘vaquinha’ para aluno ir do CE para SP fazer prova da Fuvest

0

O cearense José Evaldo Pereira está em SP para a segunda fase da Fuvest que ocorre neste domingo (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)
O cearense José Evaldo Pereira posa no vão livre do Masp; ele chegou em SP no sábado e vai fazer a primeira prova da segunda fase da Fuvest neste domingo

José Evaldo Pereira, de 22 anos, tenta uma vaga no curso de medicina. Até o professor ajudou a arrecadar R$ 1.500 para despesas de viagem.

Vanessa Fajardo, no G1

Foi com a ajuda financeira de amigos e professores que o estudante José Evaldo Pereira Sousa Filho, de 22 anos, morador da cidade de Maracanaú (CE), chegou a São Paulo neste sábado (5) para prestar a segunda fase do vestibular da Fuvest. Evaldo disputa uma vaga no curso de medicina na Universidade de São Paulo (USP), o mais concorrido do vestibular. Ele foi aprovado para a fase final do processo seletivo que começa neste domingo (6) e vai até terça-feira (8).

As provas da Fuvest são realizadas apenas no estado de São Paulo, por isso Evaldo precisou da ajuda dos amigos. A “vaquinha” reuniu cerca de R$ 1.500, dinheiro usado para pagar as passagens de avião e a hospedagem do estudante cearense. Ele chegou à capital paulista acompanhado pelo professor Ronaldo Landim Bandeira. Foi Landim quem custeou as despesas da viagem de Evaldo para a primeira fase do vestibular no dia 25 de novembro do ano passado. “Eu vejo o potencial dele, a dedicação, o entusiasmo. Resolvi fazer minha parte como professor.”

O pai de Evaldo está desempregado e a mãe trabalha como empregada doméstica. “Eles não teriam condições de bancar esses gastos. Mas minha mãe sempre me incentiva a estudar, diz para eu não desistir. Ela valoriza os estudos até porque não teve oportunidade, perdeu a mãe muito nova e teve de trabalhar”, diz Evaldo.

O jovem concluiu o ensino médio na rede pública de ensino no ano de 2007, quando foi aprovado em química na Universidade Federal do Ceará (UFC). Na ocasião, já sonhava em estudar medicina, mas não quis tentar uma vaga pois achava que era “um curso de rico”. “Estudei química um mês, mas vi que não era o que queria, que iria me arrepender. Larguei e passei a estudar para o vestibular em casa”, afirma.

Mesmo certo de que queria seguir carreira em medicina, Evaldo ainda cursou um ano de engenharia ambiental. Em 2009, conciliava as aulas da graduação com as do curso pré-vestibular do colégio Farias Brito, onde conseguiu uma bolsa de estudos. Cansado da rotina pesada, largou a engenharia e passou a se dedicar somente ao cursinho para concorrer a uma vaga em medicina. Rotina que se prolongou em 2010, 2011 e 2012.

Evaldo está matriculado no curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, onde foi aprovado pela nota do Enem de 2011, como garantia. Ainda tem como alternativa concorrer com a nota do Enem 2012 (média geral de 774) na UFC e também está na disputa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cujas provas da segunda fase ocorrem entre os dias 21 e 24 de janeiro. No entanto, almeja mesmo uma vaga na USP.”Acho que tenho chances, afinal cheguei até aqui. São Paulo é uma cidade próspera, a rede de hospital é muito boa, concentra a elite da medicina no Brasil”, diz. O estudante sabe que as oportunidades profissionais em São Paulo tendem as ser melhores do que as oferecidas no Nordeste. “Duas pessoas que se dedicam igualmente aqui em São Paulo e em Fortaleza, por exemplo, têm futuros bem diferentes. Não seria fácil deixar minha família, caso consiga ser aprovado, mas não dá para não fazer as coisas por medo. É hora de enfrentar e crescer.”

Além de vencer a concorrência, Evaldo também se preocupa com a política de moradia estudantil das instituições de ensino. Vai precisar de auxílio para conseguir estudar. Foi por isso que não aceitou a bolsa de 100% da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul para estudar medicina. “Eles não tem moradia, não ia conseguir me manter. Sei que terei dificuldades até para adquirir os materiais.”Mesmo na reta final das provas, o estudante não abandonou os estudos. Mantém o ritmo e todos os dias revê as matérias. Evaldo conta que na infância não gostava muito de estudar queria ser jogador de futebol, mas em 2003, quando estava na 7ª série, entendeu as dificuldades financeiras da família e percebeu que o estudo era o único caminho para mudá-las. “Nunca havia tentado o vestibular da USP por medo, não achei que fosse passar, mas tenho estudado todos os dias. No ano passado me dediquei muito, e vou fazer a minha parte.”

Foto: Vanessa Fajardo/ G1

Go to Top