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‘Estimula a criatividade’, diz mãe que incentiva filha à leitura no RS

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Letícia Oliveira e Clara Luz visitaram a 59ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Psicóloga, Letícia critica desenhos na TV: ‘Não ajudam a pensar’.

Caetanno Freitas no G1

Letícia e Clara visitaram a Feira do Livro nesta terça-feira (Foto: Caetanno Freitas/G1)

Letícia e Clara visitaram a Feira do Livro nesta terça-feira (Foto: Caetanno Freitas/G1)

Estimular a criatividade e tirar as crianças da frente da TV. Para isso, a melhor receita é incentivar a leitura. É o que acredita a psicóloga Letícia Oliveira, de 35 anos, mãe da pequena Clara Luz, de apenas quatro anos de idade. As duas visitaram a 59ª Feira do Livro de Porto Alegre na tarde desta terça-feira (5). Em uma das mãos, Clara saiu com um exemplar do livro “O rei maluco e a rainha mais ainda”, de Fernanda Lopes de Almeida.

“Não é que eu considere os programas de TV ruins. Na verdade, alguns são bem ruis. Em canais fechados até existem bons desenhos. A questão é que a criança perde muito tempo e as histórias já vêm todas prontas, não ajudam a pensar. O livro estimula a criatividade”, explica Letícia. Apesar de ainda estar aprendendo a ler e a escrever, a menina gosta mesmo é das histórias que a mãe conta. “Eu adoro que ela leia para mim”, diz.

A 59ª edição da Feira do Livro começou na última sexta-feira (1°) na Praça da Alfândega, no Centro da capital, com espaço reduzido. Neste ano, o patrono é o professor e ensaísta Luís Augusto Fischer. O evento vai até o dia 17 de novembro.

Com 140 expositores, o evento terá pelo menos 700 sessões de autógrafos, 156 eventos em salas (mesas-redondas, palestras e seminários), 31 oficinas ligadas ao livro e à criação literária, 31 eventos artísticos e culturais, a presença da literatura internacional e uma área dedicada à crianças e jovens com 293 atividades. A programação completa pode ser encontrada no site oficial.

Mudanças deixam Feira mais compacta
Neste ano, em razão da revitalização do Cais Mauá, as áreas infantil e juvenil ficarão  na Avenida Sepúlveda (entre a Avenida Mauá e a Rua Siqueira Campos). Ali estarão o Teatro Sancho Pança, o Centro Cultural Móvel do Sesi, o QG dos Pitocos, a Biblioteca Moacyr Scliar, a Estação da Acessibilidade e as barracas dos livreiros, além de estandes institucionais de apoiadores (veja outras alterações na estrutura do evento aqui).

Outra mudança desta edição, será a ausência de José Júlio La Porta, considerado o “xerife” da Feira do Livro. O comerciante que morreu no último dia 23 tocava um sino há 35 anos marcando a abertura e o encerramento do evento. Ele era proprietário de uma banca de revistas na Praça, que será gerenciada agora pelo seu filho.

 

Banco de Livros estimula ”desapego’ para doações de obras no RS

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Caixas estarão espalhadas pela Feira do Livro de Porto Alegre.
Em 2009, aposentado doou 180 mil obras para a campanha.

Em cinco anos, campanha já arrecadou mais de 450 mil exemplares (Foto: Luciane Kohlmann/RBS TV)

Em cinco anos, campanha já arrecadou mais de 450 mil exemplares (Foto: Luciane Kohlmann/RBS TV)

Luciane Kohlmann, no G1

Com o objetivo de estimular nas pessoas o desapego de livros esquecidos em prateleiras, o projeto Banco de Livros terá caixas de coleta espalhadas pela Feira do Livro de Porto Alegre, de 1º a 17 de novembro, para receber doações. As obras esquecidas poderão, assim, chegar às mãos de novos leitores.

Em cinco anos, a campanha arrecadou mais de 450 mil exemplares. “O lema dos bancos sociais é o seguinte: ‘transformar o desperdício em benefício social’. E a gente acha um tremendo desperdício ficar com os livros parados na estante”, diz o presidente do Banco de Livros, Waldir Silveira.

Procurador aposentado conhece bem o projeto Banco de Livros (Foto: Luciane Kohlmann/RBS TV)

Procurador aposentado conhece bem o projeto
Banco de Livros (Foto: Luciane Kohlmann/RBS TV)

O procurador aposentado Itálico Marcon conhece bem o projeto. E participa dele. Somente em 2009, ele doou 180 mil obras. Ele afirma que já chegou a ter quatro apartamentos tomados pelas obras. “Só para livros, inclusive os banheiros”, conta. A doação, admite ele, não foi fácil. “Mas eles estavam estragando, mofando, se deteriorando”, justifica.

Uma pequena coleção com preciosidades ficou guardada em uma sala. Entre elas está o exemplar de “O Tempo e o Vento” de 1965, com dedicatória do autor, Erico Verissimo.

É essa a ideia da campanha. Praticar o desapego. “Liberte seus autores da estante, doe livros! Os autores estão presos na estante, e a gente quer que as pessoas se desapeguem dessa posse”, ressalta o presidente do Banco de Livros.

Cada livro doado é tratado com cuidado. Uma seleção é feita em todo o tipo de material que chega ao banco para evitar que alguma obra danificada, com traças, espalhe o problema para as outras. “Depois que o material é higienizado, ele é separado pelos grandes assuntos da classificação universal, e aí ele vem para a prateleira”, explica a bibliotecária Neli Miotto.

Entidades são beneficiadas com campanha Banco de Livros (Foto: Luciane Kohlmann/RBS TV)

Entidades são beneficiadas com campanha Banco
de Livros (Foto: Luciane Kohlmann/RBS TV)

Mais de 200 entidades já foram beneficiadas com doações. “Como serviram para mim, vão servir para outras pessoas”, salienta seu Itálico. “Eu me realizo em plenitude. Todos os meus sonhos, minhas fantasias, meus amores, minhas paixões. Tudo isso eu encontro no livro”, conta o aposentado doador de obras.

Qualquer empresa pública, privada, ou pessoa física pode colaborar com as atividades do Banco de Livros. Instituições de Porto Alegre devem encaminhar suas demandas e projetos ao Balcão de Projetos Sociais do Conselho de Cidadania da Fiergs, na Avenida Assis Brasil, 8787, bloco 10, 3º andar. Lá a solicitação é protocolada e encaminhada ao Comitê de Avaliação e Análise, que tomará as providências sobre o atendimento.

A Feira do Livro de Porto Alegre

A edição deste ano será realizada de 1º a 17 de novembro, na Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre. Professor de Literatura Brasileira da UFRGS, escritor e ensaísta, Luís Augusto Fischer é o patrono da feira.

Serão 140 expositores, e uma programação composta por mais de 700 sessões de autógrafos, 156 eventos em salas (mesas-redondas, palestras, seminários), 31 oficinas ligadas ao livro e à criação literária, 31 eventos artísticos e culturais, com literatura internacional e uma área dedicada a crianças e jovens com 293 atividades.

A programação completa da Feira do Livro de Porto Alegre pode ser encontrada no site oficial

Centro cultural reunirá acervo literário de Erico Verissimo em Porto Alegre

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Cerca de 3 mil itens como originais de livros, cartas e desenhos ficarão à disposição do público para visitação e pela internet

Imagem de computador mostra como deverá ficar o espaço destinado a exibir espólio do autor gaúcho Foto: Centro Cultural Erico Verissimo / Divulgação

Imagem de computador mostra como deverá ficar o espaço destinado a exibir espólio do autor gaúcho
Foto: Centro Cultural Erico Verissimo / Divulgação

Marcelo Gonzatto, no Zero Hora

Inaugurado em 2002, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo finalmente começa a cumprir sua ambição original: tornar-se um centro de referência para público e pesquisadores sobre a vida e a obra do escritor gaúcho.

Entre o final de agosto e o início de setembro, cerca de 3 mil itens do autor de O Tempo e o Vento – incluindo originais, cartas e desenhos – serão disponibilizados para visitação e também para consulta pela internet.

O projeto, patrocinado pelo Grupo Gerdau e pela CEEE, combina duas coleções diferentes, que pertenciam ao doutor em Letras Flávio Loureiro Chaves e à família do jornalista e bibliófilo Mário de Almeida Lima, morto em 2003 – ambos amigos de Erico. O espólio reúne preciosidades como os originais de várias obras, incluindo trechos inéditos do livro de memórias Solo de Clarineta II e mais de mil páginas datilografadas e corrigidas à mão de O Retrato, segunda parte da trilogia O Tempo e o Vento.

– O Erico tinha um hábito de presentear amigos com originais ao terminar de escrever um livro, então esse material estava com o Flávio e a família do Mário Lima, entre outras coisas como cartas, desenhos – conta a diretora sociocultural do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), Regina Ungaretti.

A exibição desse acervo recém adquirido, que ocupará o sexto andar da instituição localizada na Rua da Praia, na Capital, ameniza o vácuo deixado pelo envio de outra parte da herança literária do escritor para o Rio de Janeiro. Em 2009, originais e outros documentos sob responsabilidade da família de Erico, mantidos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), foram remetidos para o Instituto Moreira Salles sob o argumento de que a instituição tinha à época as melhores condições de preservar o material. A remessa foi feita sob regime de comodato com prazo de 10 anos. Agora, com o lançamento do novo espaço, a família Verissimo já admite transferir de volta os cerca de 10 mil itens do acervo localizado no Rio ao final do contrato, em 2019 – o que ampliaria ainda mais a importância do centro gaúcho.

– O material que está no Rio pode vir para o CCCEV no fim do contrato, dadas as novas condições técnicas para sua conservação por aqui – diz Luis Fernando Verissimo, que participa nesta quinta-feira do talk-show Encontros com o Professor no próprio CCCEV.

No terceiro andar do prédio, haverá ainda uma exposição destinada a contextualizar a vida e a obra do escritor, com textos de apresentação de seus principais livros e espaço para crianças. A iniciativa, sob a curadoria do bibliófilo Waldemar Torres e da doutora em Teoria Literária Márcia Ivana de Lima e Silva, foi viabilizada pelo CCCEV e pela CEEE com apoio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC).

– É importante destacar que o acervo foi digitalizado e será oferecido pela internet, com exceção dos livros, protegidos por direito autoral – afirma Alvaro Franco, diretor da empresa Backstage, responsável pela produção cultural da iniciativa.

Confira destaques do acervo

> Original de O Retrato (1951), segunda parte da trilogia O Tempo e o Vento. São mais de mil páginas datilografadas com emendas manuscritas.

> Folhas inéditas de pesquisa para escrever O Tempo e o Vento.

> 94 páginas originais, datilografadas ou manuscritas, de Solo de Clarineta II (1976) – memórias do escritor cuja transcrição e organização são de Flávio Loureiro Chaves, pois foram lançadas após a morte de Erico.

> Inéditos de Solo de Clarineta II: 12 páginas originais não foram incluídas pelo organizador no volume impresso das memórias do autor.

> Página pertencente à primeira redação de Incidente em Antares (1971), com anotações e desenhos do autor. Texto inédito que ficou fora da edição definitiva.

> Original de uma sinopse para o cinema de O Resto é Silêncio (1943).

dica do Jarbas Aragão

Professora afastada de colégio militar por discordar de livro didático ganha na Justiça direito de dar aulas

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Felipe Bächtold na Folha de S. Paulo

Uma professora de história do Colégio Militar de Porto Alegre conseguiu na Justiça Federal o direito de retomar suas funções na escola após ser afastada por discordar do uso em sala de aula de um livro didático pró ditadura.

Silvana Schuler Pineda, 50, se recusou a adotar em classe obras da “Coleção Marechal Trompowsky”, em que são omitidas, diz ela, violações aos direitos humanos, assassinatos e tortura promovidas pelas Forças Armadas durante o regime militar (1964-1985).

A professora, que integra o quadro de servidores civis da instituição, foi retirada em abril das aulas do nono ano e realocada em um curso preparatório, de frequência opcional, e também em tarefas de planejamento.

Antes disso, ela diz ter feito críticas ao livro em uma reunião de professores, na qual mencionou que a Associação Nacional de História contesta o uso da obra nas escolas. Na ocasião, também pediu que a direção confeccionasse um documento reafirmando por escrito a obrigatoriedade do uso do livro didático em sala de aula.

“Passei a sofrer pressão: ou eu voltava atrás ou seria punida”, diz a professora.

Os livros da série são editados pela Biblioteca do Exército. Segundo Silvana, o golpe de 1964 é explicado como necessário para resguardar a democracia no país diante do avanço do comunismo no governo de João Goulart.

“É um colégio militar, mas não posso deixar do lado de fora meus direitos e cidadania quando entro para trabalhar”, diz ela.

A professora também vê no afastamento uma retaliação por sua atuação em uma associação de servidores civis e afirma ainda que não é a única na escola a criticar a obra.

A decisão que determinou a volta ao trabalho original foi tomada no início do mês, mas ela só reassumirá as aulas após o fim do recesso escolar de julho.

(mais…)

Sobre livros bons e livros ruins

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Publicado por Sostenes Lima

Segundo Schopenhauer, “livros ruins [..] roubam tempo, dinheiro e atenção do público, coisas que pertencem por direito aos bons livros e aos seus objetivos. […] Eles [os livros ruins] não são apenas inúteis, mas realmente prejudiciais. […] São veneno intelectual capaz de fazer definhar o espírito”[1].

Para mim, não há livro bom ou livro ruim. Há livros que se adequam aos interesses dos variados tipos de leitores. Penso que todo leitor é suficientemente capaz de escolher os livros que lhe interessam, sem ser tutelado por uma suposta elite intelectual. Se o leitor escolhe ler Augusto Cury, que seja Augusto Cury; se Freud, que seja Freud; Se Kant, que seja Kant; se Paulo Coelho, que seja Paulo Coelho; se Carpinejar, que seja Carpinejar; se Machado de Assis, que seja Machado de Assis; se Tolstoi, que seja Tolstoi; se Dalai Lama, que seja Dalai Lama; etc. etc. etc.

Penso que estabelecer que um livro é inerentemente bom – porque foi aclamado pela crítica literária, sendo considerado digno de pertencer ao canon, ou porque é aclamado pelo corporativismo acadêmico – não passa de elitismo, uma forma de controle ideológico. Quem estabeleceu que “tempo, dinheiro e atenção do público” são um direito dos “livros bons”? Sob que parâmetro, senão uma medida ideológica, um livro é considerado “bom” e outro “ruim”?

PS. Para ser menos contraditório, deixo claro que o meu posicionamento também resulta de uma medida ideológica, evidentemente.

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[1] Schopenhauer, A. A arte de escrever. Porto Alegre: LP& M, 2007. p. 131, 133.

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