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Acordo Ortográfico entra hoje em vigor no Brasil depois de três anos de polêmica

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O novo Acordo Ortográfico (AO) entra hoje em vigor no Brasil, culminando um processo que não tem sido consensual e que ainda não é bem aceite por muitos brasileiros.

Publicado no Sapo

O AO “tirou muitos acentos, hífens, boa parte da língua ficou mais fácil de escrever e mais parecida com a falada”, afirmou o professor de natação César Augusto, de 26 anos. “Na faculdade, tive pelo menos seis meses [de estudo] das novas regras”, acrescentou.

A entrada em vigor do acordo tem lugar após um adiamento de três anos decretado pelo Governo devido a divergências apresentadas por linguistas.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro referiu à Lusa que a implantação do acordo foi “bem sucedida” e o Governo entende que “não existe motivo para novo adiamento”. O Ministério da Cultura acrescentou que “a previsão está mantida e o acordo entra em vigor a 01 de janeiro”.

“É importante destacar que qualquer retrocesso no processo de implementação do Acordo Ortográfico implicará enormes prejuízos para as editoras nacionais, além de incalculável e injustificável desperdício de dinheiro público”, referiu o Ministério da Cultura, aludindo ao investimento em livros didáticos.

Brasileiros entrevistados pela Lusa afirmaram estar adaptados às novas regras, mas referiram dificuldades na transição entre as diferentes grafias. O uso facultativo do AO no Brasil começou em 2009.

A professora de antropologia e sociologia Tereza Jorge, de 51 anos, afirmou ser “interessante que a língua portuguesa seja uma só”, mas entende que “para o brasileiro e para outros povos será difícil perder velhos hábitos”.

Já o advogado Antônio Carét Santos, de 64 anos, disse que recorre a mecanismos de buscas na Internet para solucionar dúvidas.

Em 28 de dezembro de 2012, a obrigatoriedade das novas regras foi adiada no Brasil após divergências de linguistas apoiadas pela Comissão de Educação do Senado, e para acompanhar a data da implantação em Portugal.

A comissão do Legislativo formou um grupo de trabalho, que teve como coordenadores os linguistas Ernâni Pimentel e Pasquale Cipro Neto, críticos do AO. O relatório final, divulgado em novembro, sugere a inclusão de “observações” e de “alterações mínimas” no acordo, como a manutenção de alguns acentos diferenciais (como em “fôrma” e forma) e do trema, e mudanças nas regras do hífen.

“A Academia Brasileira de Letras recebeu da nossa comissão em duas audiências públicas contribuições para alterar os itens que poderiam trazer dúvidas. Aparentemente, elas não foram aproveitadas, o que lamentamos, mas o nosso trabalho foi feito”, afirmou à Lusa a senadora Ana Amélia, que foi vice-presidente e atualmente é suplente na comissão.

O coordenador da Comissão Nacional Brasileira no Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Carlos Faraco, afirmou que o adiamento decretado há três anos foi uma “perda de tempo”, já que a imprensa brasileira e os livros didáticos já estavam adaptados.

“O maior ganho do acordo é a cooperação internacional em torno da língua portuguesa, que ganha força e espaço”, disse Faraco.

O Acordo Ortográfico está já em vigor em Portugal e em Cabo Verde, mas ainda não está a ser aplicado nos restantes países da CPLP — Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

FYB // VM

Lusa/Fim

Em Portugal, maior hotel literário do mundo reúne mais de 100 mil títulos

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Créditos: Revista PODER/Divulgação

Créditos: Revista PODER/Divulgação

Publicado no Glamurama

O The Literary Man Óbidos Hotel, em Portugal, é o maior hotel literário do mundo com mais de 100 mil livros expostos – e à venda – por todos os espaços. O local ocupa um prédio de 1830 em que ficava um convento. No total são 31 quartos que podem ser ocupados por todos os tipos de turistas, já que suas acomodações e serviços vão de uma a cinco estrelas. Além disso, os quartos são dedicados a grandes nomes da literatura portuguesa como José Saramago e António Lobo Antunes. O restaurante, por exemplo, é o lugar onde a comida e os livros se fundem. Só serve jantares, e os pratos são apresentados em uma carta entregue dentro de um envelope em homenagem à obra “O Carteiro de Pablo Neruda”, do escritor chileno Antonio Skármeta. (Por Fernanda Grilo para a revista PODER de novembro)

Mia Couto fala sobre a inspiração para os seus livros

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O escritor Mia Couto elogiou hoje Marcello Caetano por ter arquivado a correspondência entre os militares portugueses durante a guerra colonial, cartas que foram uma das fontes de inspiração para o seu último livro, lançado hoje em Óbidos, Portugal.

Publicado no Notícias ao Minuto

Nunca pensei dizer isto em público, mas tenho de elogiar Marcello Caetano por ter deixado uma coleção de correspondência dos militares portugueses que é absolutamente inspiradora”, afirmou Mia couto durante o lançamento do seu último livro, “Mulheres de Cinza”.

A obra, com 400 páginas, inicia uma trilogia do escritor moçambicano sobre “dois lados da história” de Portugal e de Moçambique.

O primeiro volume, lançado hoje no Folio — Festival Literário Internacional de Óbidos, conta a história de Ngunyane, um imperador de Gaza, no sul de Moçambique, que se rebelou contra a potência colonizadora e acabou derrotado por Mouzinho da Silveira, preso e desterrado para os Açores, onde morreu em 1906.

Grande parte do romance histórico foi escrito “num castelo em Itália, para onde fugi”, confessou hoje o autor que, para escrever o segundo volume, pretende refugiar-se nos Açores, “onde ainda vivem muitos descendentes do imperador que podem contar histórias”.

Estas confissões foram feitas hoje perante mais de duas centenas de pessoas na apresentação da obra, que sucedeu a uma aula sobre literatura africana dada pelo autor e por José Eduardo Agualusa.

“A maioria dos países africanos são tão recentes que a busca da memória e da identidade são as questões centrais do nosso trabalho e do da maioria dos países africanos”, afirmou Mia Couto, com Agualusa a reforçar que muita dessa literatura tem a ver com a sua história “e os conflitos terríveis” com que grande parte deles se defrontou em décadas recentes.

Os dois concordam também que há hoje “uma segunda geração de escritores que estão mais preocupados em mostrar que são escritores do que em mostrar que são africanos”, afastando-se de “clichês” que ligam a literatura africana à poesia de combate, por um lado, e ao misticismo e ao fantástico, por outro.

Mas, a “relação muito aberta entre o sonho, o fantástico e a oralidade” gera “tantas histórias que, em Moçambique, o difícil é não se ser escritor”, acrescentou Mia Couto, contando episódios como as mensagens que recebeu sobre um caderno esquecido num armário e a cujos pedidos para que lhe fosse enviado recebeu “várias respostas a confirmar que ele estava no ‘arrumário”. Ou de alguém que o abordou no aeroporto sugerindo-lhe que usasse a palavra “improvisório” para definir algo “imprevisto e provisório”.

Muitas dessas histórias “são tratadas na imprensa como factos muito reais”, lembraram, brindando a assistência com episódios hilariantes sobre uma jiboia que invadiu a casa de um administrador de província e “às seis horas cantava o Hino”, ou a notícia sobre um “pseudo-voador” que queria voar entre a Ilha de Moçambique e Meca.

Foi uma hora de boa disposição entre os autores e o público, pela qual passou ainda a sugestão de “alterar a palavra lusofonia para lusofolia”, numa alusão ao festival que decorre na vila de Óbidos até ao dia 25.

A Livraria, em Portugal, que inspirou J. K. Rowling

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Fachada da Livraria Lello, em Portugal, que inspirou J. K. Rowling (Foto: Aryane Cararo/Editora Globo)

Fachada da Livraria Lello, em Portugal, que inspirou J. K. Rowling (Foto: Aryane Cararo/Editora Globo)

 

Título original: procurando Harry Potter

Aryane Cararo, no Crescer

Ela já foi considerada a terceira livraria mais bonita do mundo pelo jornal britânico The Guardian, em 2008. Isso já seria motivo suficiente para inclui-la em um passeio para quem vai ao Porto, em Portugal. Mas a Lello & Irmão é muito mais do que bela. Dizem que foi ali que a autora J.K. Rowling se inspirou para criar a livraria da saga do bruxo Harry Potter, a Floreios e Borrões. Basta entrar na Lello para entender isso e mais: eu diria que ali tem muito de Hogwarts.

Não sou necessariamente uma fã do bruxinho, mas gostei de imaginar J.K. Rowling passeando por aqueles corredores apertados, aquela imensidão de livros até o teto, olhando para a madeira escura e sóbria, os vitrais tão coloridos, os baixos-relevos de grandes autores como Eça de Queirós e a escadaria tão bem ornamentada. Quase pude a ver ali, folheando livros, escolhendo obras, como tantas vezes todos nós já fizemos nas livrarias. E não pude deixar de pensar nas coisas que levei de cada uma delas que merecesse fazer parte de um livro. Qual teria capacidade de me influenciar? A Lello certamente teria.

A inspiração vem da vida. Não sei até que ponto a Lello influenciou a criadora de Harry Potter, mas fato é que ela morou no Porto entre 1991 e 1993, quando foi lecionar inglês, e escreveu ali uma parte da obra – ao menos o capítulo O Espelho de Ojesed, de A Pedra Filosofal. E se tem um programa obrigatório na cidade é conhecer a livraria. Para quem gosta de livros, é uma perdição. Há obras raras, expostas nas mais altas prateleiras. Há seções próprias para Camões, Fernando Pessoa, Saramago. E há também uma área para títulos infantis ao fundo, onde o carrinho que deslizava nos trilhos dentro da loja, para facilitar a devolução de cada exemplar a seu devido lugar, hoje está repleto de exemplares de Harry Potter.

Interior da livraria, com seus detalhes rendilhados e a escada carmim (Foto: Aryane Cararo/Editora Globo)

Interior da livraria, com seus detalhes rendilhados e a escada carmim (Foto: Aryane Cararo/Editora Globo)

 

É linda por dentro e por fora. Para onde se olhe no interior do prédio de fachada neogótica, construído em 1906, há madeira rendilhada (em alguns pontos, sua imitação em gesso). Mas você só consegue prestar atenção direito nesses detalhes depois de ter sido abduzido pela beleza da escadaria vermelha em espiral. Não é à toa que a livraria viva tão lotada e tenha até instituído um sistema de cobrança na entrada – 3 euros, que são descontados na compra de um livro.

Li em algum blog que não eram permitidas fotos no local, a não ser pelas manhãs. Não sei se é verdade, mas fui pela manhã e fiz quantas fotos quis. Difícil é só não fotografar inúmeros desconhecidos. Apesar da muvuca, vale a pena respirar desse ar tão mágico e levar as crianças para conhecer, se houver a oportunidade de visitar o Porto. Não só por ter inspirado a autora de Harry Potter, mas para criar nelas o encantamento com as livrarias e os livros, justamente por causa desse clima de fantasia que a Lello tem.

E, uma vez que se está no Porto, por que não brincar de caçar outras referências ao universo do bruxinho? Eu as levaria ainda ao belíssimo Majestic Café, local de artistas e intelectuais nos anos 1920 e onde J. K. Rowling passou bastante tempo às voltas com a história de seu bruxo, e ainda faria um passeio próximo à universidade, para ver os estudantes vestidos como… Harry Potter, claro: de uniforme e capa pretos. Vocês vão ver que um livro nasce de onde menos se espera!

Mãe orgulhosa: Filho de costureira é aprovado em 8 universidades e vai estudar na Europa

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Publicado no Amo Direito

O coração de uma mãe orgulhosa também fica apertado na despedida do filho, que está de malas prontas para realizar o sonho de cursar uma universidade na Europa. Elias Oliveira Romualdo da Silva, de 19 anos, morador de São Fidélis, no Norte Fluminense, foi aprovado em 8 universidades, sendo três estrangeiras e cinco brasileiras, sendo três públicas e duas particulares. A opção foi o curso de engenharia civil da Universidade de Coimbra. O estudante segue nesta quarta-feira (9) para Portugal.

O estudante fez 813 pontos em matemática no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e foi aprovado para o curso de Engenharia Civil na Universidade Federal da Bahia (UFB), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e para a Pontífica Universidade (PUC) de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Além de três universidades de Portugal: Algarve, Coimbra e Universidade da Beira do Interior.

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Com uma trajetória em escolas públicas o aluno disse não ter estudado especificamente para os vestibulares.

“Só estudei mesmo para o ensino médio, não me preparei para o vestibular, não fiz nenhum curso específico não. No começo eu não imaginava. Se você tem um foco, se tem um objetivo, se você mirar naquela meta talvez você não consiga aquela meta, mas vai conseguir algo muito bom. E foi o que eu fiz”, conta.

A mãe do estudante, Marileia Maia, que tem outros três filhos, não controlou as lágrimas ao ver o filho arrumando as malas. Ela, que morava sozinha com Elias, vai ter que enfrentar a saudade, mas o choro também é de orgulho. A costureira explica que o esforço e a dedicação fizeram com que o filho mudasse a realidade da família.

“As vezes tinha dia que eu não tinha dinheiro para dar para ele almoçar. Depois ele conseguiu bolsa e melhorou um pouquinho. Sempre foi muito estudioso e eu sabia que ele ia chegar lá”, ressaltou Marileia Maia, lembrando da época que Elias morou cerca de três anos em Campos para cursar o Instituto Federal Fluminense (IFF).

Rumo à Coimbra
O sonho era antigo, mas a decisão de cursar a Universidade de Coimbra foi há menos de um mês da viagem. No dia 14 de agosto, Elias decidiu que iria realizar seu sonho, após conseguir se inscrever na faculdade. E graças a solidariedade dos amigos, vizinhos e professores, o sonho do futuro engenheiro pode ser realizado.

“Eu ganhei doações e quero agradecer todo mundo que tem me ajudado. Muita gente tem me ajudado pontualmente agora no início. Desde as pessoas que me ajudaram com a passagem, mala, até gente quem me deu roupas. Eu não tenho condições de viajar por minhas vias normais, mas Deus tem me ajudado muito”, comenta Elias, que citou que três pessoas da cidade irão realizar depósitos em dinheiro durante todo o período dos estudos, para custear a faculdade e a estadia.

Elias contou que já fez contato com dois alunos que também fazem o curso de engenharia na Coimbra, aos quais a própria instituição facilitou o acesso.

“A universidade ofereceu informações, dicas práticas e disponibilizou o contato de um aluno, o Felipe, que é de São Paulo e que cursa o mesmo curso que eu vou. E também tem um conhecido de uma professora, o José, que eu já fiz contato e eles também viajam amanhã”.

De malas prontas, ansiedade em alta e muito confiante, o estudante disse que está preparado para a nova experiência.

A ficha ainda está caindo aos poucos. Você fica nervoso, fica feliz, é uma emoção muito grande, mas eu sei que vai valer muito a pena”, finalizou.

Fonte: G1

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