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Posts tagged português

Livros sobre ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ serão lançados em português

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'Animais Fantásticos e Onde Habitam' estreia em novembro de 2016 Divulgação

‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ estreia em novembro de 2016
Divulgação

 

Publicado no Meom

A editora britânica HarperCollins anunciou que vai publicar em diversos idiomas, inclusive o português no Brasil, livros sobre Animais Fantásticos e Onde Habitam, o filme com roteiro de J. K. Rowling, que estreia em novembro de 2016. Os novos títulos da HarperCollins serão focados no filme e suas sequências, assim como nos bastidores do longa, e incluirão detalhes sobre o processo de produção dos filmes, da arte e design, além de entrevistas com elenco e equipe, e formatos interativos como livros de colorir e postais.

O roteiro cinematográfico de Fantastic Beasts and Where to Find Them (título original) foi escrito por J.K. Rowling, transportando o público para o mundo mágico da Nova York dos anos 1920. O ganhador do Oscar Eddie Redmayne estrela como Newt Scamander, um “magizoologista”.

Os títulos tie-in (relacionados ao universo de Harry Potter e autorizados) da HarperCollins começarão a ser publicados no segundo semestre de 2016, e ainda não há informações sobre quantos livros serão lançados.

Fantastic Beasts and Where to Find Them começa em 1926, quando Newt Scamander acabou de completar uma excursão mundial para encontrar e documentar uma ampla gama de criaturas mágicas. Ao chegar em Nova York para uma rápida escala, ele poderia ter chegado e partido sem incidentes… Se não fosse por um não-maj (termo usado nos EUA para os “trouxas”, ou seja, as pessoas que não têm poderes mágicos) chamado Jacob, um caso não identificado de magia e a fuga de alguns animais fantásticos de Newt, que podem causar problemas tanto para o mundo mágico quanto para os não-majs.

O filme também conta com a participação de Katherine Waterston, Dan Fogler, Ezra Miller, Colin Farrell e muitos outros. Escrito por J.K. Rowling em sua estreia como roteirista, o longa também reúne grande parte da equipe da franquia Harry Potter, incluindo os produtores David Heyman, Steve Kloves, Lionel Wigram e a própria J.K. Rowling.

No Brasil, a HarperCollins Brasil é fruto da joint venture entre a HarperCollins Publishers e o Grupo Ediouro.

Mais uma da Finlândia

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Referência literária em dezenas de países, série Moomins começa a ser traduzida para o português

publicado na EDUCAÇÃO

O sistema educacional finlandês é considerado exemplar em várias partes do mundo e se tornou fonte de inspiração para vários gestores e professores, inclusive no Brasil. Agora, os educadores terão um motivo a mais para se referir ao país nórdico: a publicação da famosa série de livros infantis sobre os Moomins, uma cativante família de trolls que vive em um vale cercado por altas montanhas. Traduzidas para quase 50 idiomas, do tcheco ao chinês, passando pelo grego e o japonês, e com mais de 15 milhões de cópias vendidas, as obras começaram a ser transpostas para o português (do inglês) pela Autêntica Editora.

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Os volumes lançados são Os Moomins e o chapéu do mago e Um cometa na terra dos Moomins, os mais famosos da coleção e os responsáveis por tornar Tove Jansson uma das escritoras mais queridas da Escandinávia. O primeiro se desenrola em torno de um misterioso chapéu encontrado por Moomin, o personagem central da série, e seus amigos Snufkin e Sniff. Encantados com a descoberta, eles levam o chapéu para casa, uma espaçosa residência circular habitada pela família e alguns amigos. Com o tempo descobrem tratar-se de um objeto mágico, capaz de provocar várias esquisitices, tanto nas pessoas como nos objetos.

Já o segundo livro tem como tema a aproximação de um cometa em direção ao Vale dos Moomins e a provável destruição que ele causará. Esta é a segunda obra da série e, assim como a primeira, que narra como os Moomins escaparam de um dilúvio, reflete o quadro ansioso de Tove com os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial. A escapada dos Moomins, que vão se refugiar em uma caverna contra o choque do cometa, seria uma analogia à fuga dos europeus para escapar das bombas.

Aliás, foi por esse motivo que a artista enveredou pela literatura infantil. Antes da famosa série, Tove foi cartunista de um jornal satírico em que publicava cartuns, muitos deles sobre a guerra. Mas em 1939, como declarou anos mais tarde, seu fôlego esvaiu-se. Sem ver sentido no que estava produzindo, sentiu necessidade de escrever alguma coisa que começasse com o clássico “era uma vez” e fosse totalmente ficcional.

Além de boas histórias e das descrições que transportam o leitor direto para o Vale dos Moomins, o trunfo dos livros são os personagens e a relação que mantêm entre si. Muito diferentes uns dos outros, formam um conjunto inusitado, porém harmonioso. Como declarou Tove, eles oferecem total liberdade uns aos outros: “liberdade para estar sozinho, liberdade para pensar e sentir cada um à sua maneira e para manter seus segredos até que estejam prontos para compartilhá-los. Ninguém nunca provoca no outro qualquer sentimento de culpa”. Esse aspecto, por si só, já mereceria a indicação de leitura.

Acordo Ortográfico entra hoje em vigor no Brasil depois de três anos de polêmica

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O novo Acordo Ortográfico (AO) entra hoje em vigor no Brasil, culminando um processo que não tem sido consensual e que ainda não é bem aceite por muitos brasileiros.

Publicado no Sapo

O AO “tirou muitos acentos, hífens, boa parte da língua ficou mais fácil de escrever e mais parecida com a falada”, afirmou o professor de natação César Augusto, de 26 anos. “Na faculdade, tive pelo menos seis meses [de estudo] das novas regras”, acrescentou.

A entrada em vigor do acordo tem lugar após um adiamento de três anos decretado pelo Governo devido a divergências apresentadas por linguistas.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro referiu à Lusa que a implantação do acordo foi “bem sucedida” e o Governo entende que “não existe motivo para novo adiamento”. O Ministério da Cultura acrescentou que “a previsão está mantida e o acordo entra em vigor a 01 de janeiro”.

“É importante destacar que qualquer retrocesso no processo de implementação do Acordo Ortográfico implicará enormes prejuízos para as editoras nacionais, além de incalculável e injustificável desperdício de dinheiro público”, referiu o Ministério da Cultura, aludindo ao investimento em livros didáticos.

Brasileiros entrevistados pela Lusa afirmaram estar adaptados às novas regras, mas referiram dificuldades na transição entre as diferentes grafias. O uso facultativo do AO no Brasil começou em 2009.

A professora de antropologia e sociologia Tereza Jorge, de 51 anos, afirmou ser “interessante que a língua portuguesa seja uma só”, mas entende que “para o brasileiro e para outros povos será difícil perder velhos hábitos”.

Já o advogado Antônio Carét Santos, de 64 anos, disse que recorre a mecanismos de buscas na Internet para solucionar dúvidas.

Em 28 de dezembro de 2012, a obrigatoriedade das novas regras foi adiada no Brasil após divergências de linguistas apoiadas pela Comissão de Educação do Senado, e para acompanhar a data da implantação em Portugal.

A comissão do Legislativo formou um grupo de trabalho, que teve como coordenadores os linguistas Ernâni Pimentel e Pasquale Cipro Neto, críticos do AO. O relatório final, divulgado em novembro, sugere a inclusão de “observações” e de “alterações mínimas” no acordo, como a manutenção de alguns acentos diferenciais (como em “fôrma” e forma) e do trema, e mudanças nas regras do hífen.

“A Academia Brasileira de Letras recebeu da nossa comissão em duas audiências públicas contribuições para alterar os itens que poderiam trazer dúvidas. Aparentemente, elas não foram aproveitadas, o que lamentamos, mas o nosso trabalho foi feito”, afirmou à Lusa a senadora Ana Amélia, que foi vice-presidente e atualmente é suplente na comissão.

O coordenador da Comissão Nacional Brasileira no Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Carlos Faraco, afirmou que o adiamento decretado há três anos foi uma “perda de tempo”, já que a imprensa brasileira e os livros didáticos já estavam adaptados.

“O maior ganho do acordo é a cooperação internacional em torno da língua portuguesa, que ganha força e espaço”, disse Faraco.

O Acordo Ortográfico está já em vigor em Portugal e em Cabo Verde, mas ainda não está a ser aplicado nos restantes países da CPLP — Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

FYB // VM

Lusa/Fim

Fernando Pessoa vira HQ feita por português e brasileiro

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Na HQ, Fernando Pessoa pertence a uma seita secreta Divulgação

Na HQ, Fernando Pessoa pertence a uma seita secreta
Divulgação

Sem nunca se encontrarem pessoalmente, André Morgado e Alexandre Leoni transformaram o poeta em um agente secreto

Publicado no Jornal do Commércio

A vida de um poeta com tantas identidades é a mais adequada para gerar uma história sobre sociedades secretas e maldições. Ao pensar em criar uma narrativa que aproximasse os leitores jovens da obra do poeta português Fernando Pessoa, o professor e escritor português André Morgado buscou inventar uma vida diferente para ele: a de um homem convocado para combater um “maleito do diabo” que assola como epidemia algumas pessoas. Homem das palavras, no entanto, precisava de um parceiro para transforma a ideia em HQ. Foi na capital do Mato Grosso do Sul, no Brasil, que ele encontrou o parceiro Alexandre Leoni.

Os dois nunca se conheceram, apesar de terem criados juntos a história A Vida Oculta de Fernando Pessoa, financiada via crowdfunding. Na Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), os dois vão se encontrar neste domingo (15/11) pela primeira vez, às 18h30, na programação principal do evento, no Colégio São Bento, em Olinda.

O projeto foi uma forma de vencer a resistência de possíveis leitores que acham que Pessoa ou a sua poesia são “chatos”; daí veio o apelo ao formato das HQs. “Talvez muita gente se esqueça que Fernando Pessoa era uma pessoa tão interessante como toda a panóplia literária que nos deixou. Pessoa era mais do que um poeta. Era um empreendedor, alguém que arriscava a nível pessoal e profissional – mesmo que nem tudo corresse bem. Era um homem ligado à arte de estimular o pensamento nos seus mais variantes quadrantes, incluindo o ocultismo. Fernando Pessoa foi, aliás, próximo de Edward Alexander Crowley (famoso ocultista britânico)”, comenta André ao JC, em entrevista por e-mail.

O apreço pelo misticismo e pelo mistério do poeta do desassossego se juntaram ao fascínio que os seus muitos heterônimos despertam. “Ao contabilizarmos mais de cem nomes criados e utilizados para representação de eu’s diferentes, podemos apenas imaginar por quantos mundos viajou e quantas mentes interpretou (literariamente falando) realmente. Portanto, a sua vida real abre as portas para que a imaginação de cada um de nós crie várias parcelas heroicas dentro do próprio herói literário que todos lhe reconhecemos”, ainda pondera o roteirista.

Esse Fernando Pessoa ainda é composto em grande partes de trechos e confissões do próprio autor português. Além de um mergulho na obra do criador de A Tabacaria, eles tiveram que fazer um imenso exercício de pesquisa histórica. “Nesse processo de pesquisa – não só para a produção gráfica mas também para a escrita – procuramos estudar fotografias do início do século 20, em Lisboa; vimos filmes noir como Pacto de Sangue ou Império do Crime, lemos alguns livros biográficos sobre Pessoa e estudamos muitos apontamentos do próprio Fernando Pessoa, onde descrevia as características físicas dos heterônimos, por exemplo”, lembra André. Ele ainda revela que, para criarem a narrativa à distância, os dois abusaram de duas ferramentas: a confiança e a internet. “Montar as peças do puzzle – escrita e ilustração – à distância foi um dos desafios mais interessantes”, explica. Para conhecer esse Fernando Pessoa com ares de agente secreto poético, basta ir conferir essa parceria inusitada.

Como é o trabalho de um tradutor de livros?

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Publicado em Revista Escola

Não sei se vocês se lembram, mas um dos primeiros posts deste blog foi sobre o trabalho de um editor de livros, com uma entrevista da editora Vanesssa Ferrari. Ainda na minha curiosidade sobre a dinâmica de produção de uma obra, notei que leio vários autores que não escrevem originalmente em português, como o próprio Gustave Flaubert, de quem falei há 15 dias neste texto. Então, me questionei: Como será o trabalho do tradutor de livros?

Para desvendar esse mistério, liguei para o Rubens Figueiredo, que tem uma longa estrada no mundo literário. Ele se formou e pós-graduou em Letras (Português-Russo) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deu aulas de Língua Portuguesa na rede pública da capital carioca durante 25 anos, levou alguns prêmios – o Jabuti (1999), por As Palavras Secretas (176 págs., Cia. Das Letras, tel.: 11/3707-3500, 39 reais) e o Portugal Telecom de Literatura (2011), por Passageiro do Fim do Dia (200 págs., Cia das Letras, tel.: 11/3707-3500, 40 reais).

Rubens é também um dos principais tradutores em atuação no Brasil. A partir do inglês, trabalhou com livros do Philip Roth e, do russo, com autores como Maximo Gorki (1868-1936) e Liev Tolstói (1828-1910), de quem acaba de traduzir os Contos Completos (3 vol., 2080 págs., Cosac Naify, tel.: 11/ 3218-1497, 139,90 reais). Confira o que ele me contou sobre o ofício de tradutor:

Como é sua rotina de trabalho?
Faço tradução há 25 anos e, em 99% dos casos, as editoras me oferecer um trabalho. No dia a dia, uso muitos dicionários físicos e também na internet, que facilita a pesquisa de palavras. Eu traduzo algumas páginas por dia. No dia seguinte, eu releio as páginas escritas, faço as revisões necessárias e dou seguimento ao trabalho. Penso que é importante retomar o contato com o universo daquele livro depois de uma boa noite de sono, para que eu possa avaliar o meu trabalho com um pouco de distanciamento.

Após a tradução, o texto ainda passa por edição?
O texto traduzido é como um novo original para a editora. Por essa razão, ele passa por um preparador de originais que padroniza o texto segundo os critérios que a editora adota, verifica as informações presentes no material, confere se há pedaços faltantes e revisa o português. Em geral, depois desse momento, eu não acompanho mais a produção. A exceção é quando há coisas delicadas e eu peço para me mandarem de volta. Costumo fazer isso com os livros russos, pois são muito recuados no tempo, o que os fazem ter especificidades.

O que o tradutor deve fazer para não interferir demais no original?
Bom, eu procuro avaliar o sentido do texto que estou traduzindo e qual é o estilo do autor, como o tipo de vocabulário que ele usa, como prefere combinar as palavra e as estruturas sintáticas que ele prefere. Em alguma medida isso pode ser transposto ao português. Outro cuidado que tomo é tentar entender aquela obra no contexto histórico em que ela foi escrita, pois não se deve sobrepor o nosso tempo histórico ao do autor. Na verdade, é praticamente uma análise literária. Também tenho o cuidado final de que o texto em português fique bem convincente, não pode estar em uma linguagem indigesta.

Você atua nas duas frentes: escrita e tradução. Qual é a diferença no modo de trabalhar em cada uma delas?
De uns anos para cá, eu passei a encarar a atividade de escritor de uma forma bem mais próxima da atividade do tradutor. Isso porque, quando você escreve seu livro, parte de suas impressões, seus sentimentos e de ideias que estão incompletas, pois ainda são conjecturas. O escritor tem de traduzir isso para um texto em sua língua materna. Por isso, acredito que o que chamamos de criação deveria ser chamado de tradução. Traduzimos esse conjunto de conhecimentos para a linguagem verbal escrita. No caso de um texto que já está pronto em outra língua, esse conjunto de conhecimentos já foi organizado em linguagem verbal, porém em outro idioma. Então, preciso traduzir o que já foi traduzido pelo escritor dos originais. É como se fosse uma tradução em segunda instância ou uma fonte secundária.

Acaba de ser lançada uma coletânea com todos os contos do escritor russo Liev Tolstói, traduzidos por você. O que você destaca nesse trabalho?
contos tolstoiÉ o meu quarto projeto com Tolstói. Já havia traduzido, por exemplo, Ressurreição (432 págs., Ed. Cosac Naify, tel.: 11/ 3218-1497, 89 reais), que é um livro muito sincero e profundo, mas também extremamente contemporâneo. Nos contos, eu destaco o segundo volume, dedicado às produções desenvolvidas durante o trabalho dele na escola que criou para filhos de camponeses. Ele gostava de contar histórias populares, compartilhar os saberes dos próprios camponeses e desenvolver contos com os próprios alunos.

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