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Governo não pode contar só com recursos da Petrobras para Educação, dizem especialistas

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Na posse, ontem, novo ministro Renato Janine Ribeiro disse que MEC contribuirá para ajuste fiscal, mas manterá programas essenciais

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Renata Mariz, em O Globo

Ao dar posse ontem ao novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a Petrobras, em crise desde a Operação Lava-Jato, é essencial para a educação e a saúde do país, duas áreas irrigadas pelos recursos oriundos da exploração de petróleo. Mais tarde, na cerimônia de transmissão do cargo, o próprio ministro afirmou que a pasta contribuirá para o ajuste fiscal, sem detalhar o que será adiado, mas recorreu aos dividendos do pré-sal como um reforço previsto para o caixa.

Ao se comprometer com o ajuste desejado por Dilma, Janine destacou que os programas “essenciais e estruturantes” do MEC serão preservados, repetindo o que disse mais cedo a presidente. Ele explicou que o ajuste “não é um fim em si mesmo”, mas um caminho para buscar melhorias na educação.

Apesar da garantia de que não haverá cortes em programas importantes da pasta, o novo ministro afirmou que o MEC está fazendo “um levantamento do que pode ser adiado sem maiores prejuízos”. Janine, entretanto, não deu detalhes do que será alvo da tesoura governamental. Ele destacou que “erros” no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e no Pronatec já foram corrigidos.

Questionado sobre sua declaração de que a presidente Dilma tem “concepção de governo inquietante, porque é, no limite, autoritária”, Janine disse que as críticas, feitas antes de ser convidado para o MEC, foram construtivas.

— Não considero que eu aderi ao governo. Considero que fui convidado pelo governo para desempenhar um determinado papel, para contribuir. Se você faz críticas e é convidado a tentar resolver os problemas que você criticou, que direito você tem de negar? — disse Janine.

Ele foi bem recebido por educadores, que festejaram a chegada do professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP) ao cargo. Mas há temores de que os cortes no orçamento do MEC atinjam investimentos importantes. Outro erro, apontado por especialistas, é colocar todas as fichas nos recursos do pré-sal.

— Com a crise, o petróleo sozinho não vai dar conta. Regulamentar o imposto sobre grandes fortunas, ampliar as alíquotas que já existem relacionadas à renda e patrimônio e ampliar os investimentos a partir dos estados e municípios são medidas que podem garantir os investimentos na área — afirma Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Para Thiago Biscuola, economista da RC Consultores, não seria prudente se fiar no bom desempenho da Petrobras, ao menos no curto prazo. A empresa, diz o especialista, é extremamente competitiva, mas a sua recuperação depende dos desdobramentos da Operação Lava-Jato.

— O cenário de preços é desfavorável. Não há indicação de que o barril retorne ao patamar de US$ 100 — afirmou Biscuola. — Independentemente da crise de governança, todas as empresas do setor tiveram que rever seus planos de investimento, inclusive a Petrobras. E com o preço da commodity menor, os royalties, que viriam para financiar a educação, também são menores.

Autor de vários estudos sobre gastos na educação, o professor da USP José Marcelino Rezende Pinto avalia que a visão de que recursos vindos da Petrobras poderiam financiar a educação requer cautela, pela própria natureza do negócio. Para ele, a Petrobras pode ser vista, no máximo, como uma das fontes para o setor.

— Temos uma carga tributária de 30% do PIB. Não é possível que não possam ser reservadas verbas para a educação deste montante — ilustra. — Sou otimista quanto a recursos. Acredito que, quando se quer, se consegue.

Sobre projetos tocados pelo antecessor, Cid Gomes, o secretário-executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, descartou uma edição on-line do Enem. Ano que vem, de acordo com ele, poderá haver um Enem digital apenas para os chamados “treineiros” — alunos que ainda não terminaram o ensino médio, mas fazem a prova para treinar.

A posse do novo ministro foi prestigiada por pessoas ligadas à educação. Targino de Araújo, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), afirmou que tem boas expectativas em relação à gestão de Janine. Paulo Speller, secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), também comemorou a chegada do acadêmico, afirmando que os cortes orçamentários são “passageiros” e não comprometerão a melhoria do ensino. Para Vírginia Barros, presidente da União dos Estudantes (UNE), o novo ministro se mostra aberto ao diálogo.

Janine anunciou ontem Jesualdo Pereira Farias, reitor da Universidade do Ceará, como o novo secretário de Educação Superior do MEC. E Paulo Gabriel Soledade, reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, assumirá a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade da pasta. (Colaboraram Eduardo Vanini, Sérgio Matsuura e Washington Luiz)

Evaldo Cabral de Mello assume lugar de João Ubaldo na ABL nesta sexta

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O escritor Evaldo Cabral de Mello é um dos mais destacados historiadores do Brasil (Foto: Tomás Rangel/Folhapress)

O escritor Evaldo Cabral de Mello é um dos mais destacados historiadores do Brasil (Foto: Tomás Rangel/Folhapress)

Diplomata e historiador irá suceder João Ubaldo Ribeiro na cadeira 34.
Cerimônia acontece nesta sexta-feira (27) na sede da ABL, no Rio.

Publicado no G1

O diplomata e historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello toma posse nesta sexta-feira (27) na Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele assumirá a cadeira 34, antes ocupada por João Ubaldo Ribeiro, que morreu em julho do ano passado.

Evaldo Cabral de Mello nasceu no Recife em 1936 e atualmente mora no Rio de Janeiro. Estudou Filosofia da História em Madri e Londres e é considerado um dos historiadores brasileiros mais destacados. Ele se especializou em História regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII, tema que permeou muitos de seus livros.

Diplomata, Evaldo serviu nas embaixadas do Brasil em Washington, Madri, Paris, Lima e Barbados, e também nas missões do Brasil em Nova York e Genebra, e nos consulados gerais do Brasil em Lisboa e Marselha.

Sua primeira obra, Olinda restaurada foi publicada em 1975. Em seguida publicou O norte agrário e o Império (1984), Rubro veio (1986), O nome e o sangue (1989), A fronda dos mazombos (1995), O negócio do Brasil (1998), A ferida de Narciso (2001) e Nassau: governador do Brasil Holandês (2006), este para a Coleção Perfis Brasileiros, da Companhia das Letras. É organizador do volume Essencial Joaquim Nabuco, da Penguin-Companhia das Letras.

Evaldo foi eleito membro da ABL em 23 de outubro do ano passado, com 36 votos, na sucessão do acadêmico, romancista, cronista, jornalista e tradutor João Ubaldo Ribeiro. A cadeira 34 havia sido ocupada antes por João Manuel Pereira da Silva, fundador – que escolheu como patrono o sacerdote, poeta e autor de diversas obras líricas de caráter filosófico Sousa Caldas –, Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior), Lauro Severiano Müller, Dom Aquino Correia, R. Magalhães Jr. e Carlos Castelo Branco.

Na cerimônia de posse nesta sexta-feira, o acadêmico, professor e escritor Eduardo Portella fará o discurso de recepção. Antes, Evaldo Cabral de Mello discursará. Logo depois, o Presidente da ABL, o acadêmico Geraldo Holanda Cavalcanti, convidará o decano para entregar a espada, o Acadêmico Alberto da Costa e Silva, para fazer aposição do colar, e o Acadêmico Alberto Venancio Filho, para entregar o diploma ao novo imortal.

Jornalista e escritor Zuenir Ventura toma posse na ABL nesta sexta-feira

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Jornalista vai ocupar a cadeira 32, que era de Ariano Suassuna.
Zuenir Ventura tem 83 anos e foi eleito em 2014 com 35 votos.

Publicado no G1

Zuenir Ventura vai tomar posse na ABL nesta sexta (Foto: Reprodução/TV Globo)

Zuenir Ventura vai tomar posse na ABL nesta sexta
(Foto: Reprodução/TV Globo)

Zuenir Ventura vai tomar posse na cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio, nesta sexta-feira (6), às 21h. O novo acadêmico foi eleito na sucessão do dramaturgo, poeta e romancista Ariano Suassuna, que morreu no dia 23 de julho de 2014. Ventura foi eleito no dia 30 de outubro o mesmo ano com 35 votos.

O jornalista e escritor mineiro tem 83 anos e há 51 é casado com Mary Ventura, com quem tem dois filhos: Elisa e Mauro.

Carreira
Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir Ventura é jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Colunista do jornal O Globo, ingressou no jornalismo como arquivista, em 1956. Nos anos 1960 e 1961 conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu vários cargos em diversos veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.

No fim de 1969, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.

Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro 1968 – o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou Cidade partida, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem. Em fins de 1998, publicou O Rio de J. Carlos e Inveja – Mal Secreto, que foi lançado depois em Portugal e na Itália. Já vendeu cerca de 150 mil exemplares. Em 2003, lançou Chico Mendes – Crime e Castigo.

Seus livros seguintes foram Crônicas de um fim de século e 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. No cinema, codirigiu o documentário Um dia qualquer e foi roteirista de outro, Paulinho da Viola: meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe. Suas obras mais recentes são Minhas histórias dos outros, 1968 – o que fizemos de nós e Conversa sobre o tempo, com Luis Fernando Verissimo. Seu livro mais recente é o romance Sagrada Família.

Em 2008, Zuenir Ventura recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

Ao comentar sua série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, The New York Review of Books classificou o autor como “um dos maiores jornalistas do Brasil”. A revista inglesa The Economist definiu-o como “um dos jornalistas que melhor observam o Brasil”.

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