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“10 livros para idiotas [?]” e 1 texto para o maior deles – #ARTIGO RESPOSTA

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Gustavo Magnani, no Literatortura

*este é um ARTIGO RESPOSTA. Leia na íntegra e entenderá que eu não ataco os livros, mas os defendo.

Ontem foi publicado um texto na revista bula [de quem sou seguidor e admirador, pra constar] ao qual os colaboradores do literatortura trouxeram ao nosso grupo, para discutirmos. Não demorou muito, então, para eu receber os links direto dos leitores, abismados com tanta bestialidade bobeira em um único artigo de teor cultural. E veja você, leitor, que poucas vezes aqui usamos palavras sem volta, de teor ofensivo ou pesado, prezamos pelo bom senso, equilíbrio e boa argumentação nas matérias cá escritas. Se por vezes erramos? Naturalmente, mas jamais com a intenção de soar pretensioso ou ofender uma classe, enquanto olhamos de cima, desprezando-a.

Foi isso, porém, que fez o publicitário que escreveu o respectivo artigo: 10 livros para idiotas, repleto de falácias, ignorância teórica (e humana, por que não?) da área e uma pretensão, hum, que não faz jus ao conhecimento aplicado no artigo: por isso o título, que espelha a infeliz afirmação do autor que, por sair conclamando idiotice à torto e à direito, acaba apontando pra si mesmo o que tanto condena. – eu questionei, também, se o texto não seria uma sátira, uma grande ironia… e não [o autor até pode vir a dizer algo do gênero, para amenizar a discussão, mas não há pistas pra tal interpretação. O texto não é falacioso pra ser irônico, é falacioso porque é falacioso mesmo]

Diferente do autor de lá, não quero bater o martelo aqui e concluir a discussão que apontarei, pelo contrário, quero apenas enriquece-la e apontar, dentro da fala originária, os erros, contradições e furos que ele cometeu ao conclamar idiota milhões de pessoas – por pura aleatoriedade.

Antes disso, citarei aqui a introdução do autor (mas você pode acessar o texto na íntegra e ler aqui, enquanto vai lendo lá:

Está enganado quem acha que idiotas não leem. A verdade é que boa parte da literatura está voltada para eles, que tratam de transformar autores sem talento em multimilionários. Acontece desde antes do tempo em que seu bisavô era criança. Antes disso, Schopenhauer já dizia que “quem escreve para os tolos encontra sempre um grande público”.

Também é notado que não só os livros ruins conseguem leitores idiotas. Clássicos da literatura, alguns dos livros mais brilhantes já escritos, também carregam esse fardo. Nesta lista, elejo os 10 maiores livros para idiotas, que chamam de burro quem fala “indiota”, mas citam “Harry Potter” como um dos melhores livros já escritos na história.

O teor de verdade absoluta tá aí, deu pra sentir, não? “autores sem talentos em multimilionários”. Tem a citação de um autor renomado (Schopenhauer) – fora de contexto, pra melhorar -, que supostamente corrobora a afirmação, né, pra mostrar como ele encontra base nos gênios. E aí começa a ficar ainda mais legal, pois o autor entra no terreno dos clássicos, trata de escrever um deboche sutil (“indiota” e Harry Potter”) e parte pra lista.

Antes de dissecar, um por um, os livros que ele traz, vou deixar claro que: é óbvio que existem idiotas leitores, como existem idiotas cinéfilos, idiotas fazendeiros, idiotas políticos, idiotas sacerdotes e, pasmem, idiotas publicitários. Isso é algo inerente a estar no mundo, a existir. Sempre terão idiotas. Em todos os lugares. Em todas as classes. Em todas as atividades. Todavia, isso não limpa a barra do autor, pois ele não vai por esse lado, mas para o lado de conclamar a idiotice de todos os leitores que ele cita, sem chance de questionamento ou reflexão. Aponta sua arma e pimba!

E o que torna tudo isso ainda mais abismal é que não há lógica definida em seu texto, nem lógica interna [de raciocínio, mesmo], nem amparada em qualquer escola de crítica literária. Nada. Há um bocado de falácias, ao qual, tentarei tratar aqui, à pedido do nosso querido leitor, que sempre envia mensagens desejando saber sobre nossa opinião em cima de determinado fato, matéria. E aqui já aproveito para dizer que não há nada pessoal contra o autor do texto base, obviamente.

Antes da lista, dou a palavra para a linguista e colaboradora Cecília García dar uns pitacos técnicos:

“O que foi dito a respeito do valor dos livros tem, inclusive, um equivoco de concepção de letramento. O conceito de sujeito letrado abrange, por exemplo, como um indivíduo lida com o hábito da leitura. Isto é, ler é um hábito adquirido, que tem passos e etapas. Isso significa que, basicamente, (quase) ninguém sai do “Meu pé de laranja lima” para um Ulysses de uma hora para a outra. Existe um processo, uma escada. Livros com a forma mais fácil – como é o caso das sagas adolescentes – são alguns destes degraus e colaboram para que o indivíduo crie o hábito de sentar, ler, manusear o livro, entender a capa, a organização de capítulos. Tudo é letramento e, tendo este hábito cultivado, é mais fácil mediar o processo até os livros de maior valor acadêmico. Todo leitor precisa passar por este processo – na escola, com os pais, os amigos, a avó, enfim. Ler Crepúsculo também é letramento, por mais que haja muita divergência acadêmica sobre seu real valor enquanto arte literária. Só a arte literária e ela por si só não compõem o letramento de ninguém nem tornam ninguém proficiente na leitura”

10- O morro dos ventos uivantes e a contradição que marca toda a falácia do artigo

[10 livros para idiotas – o link do artigo que eu rebato, pra você acompanhar.]

Existe uma contradição tão notável que já deixa perceptível que a matéria ali é totalmente pessoal e sem nenhuma apuração técnica, visto que, ao longo do texto inteiro, é dito que “best-sellers” não servem para nada, mas quando um deles (crepúsculo), cita O Morro dos Ventos Uivantes, de repente, como quem não quer nada, o autor acha ruim (!) que Stephenie Meyer tenha disseminado um clássico (!!!!!), mas… não era esse o ponto da idiotice dos best? que eles não disseminam nada de “útil”?

E depois, o publicitário reclama do fato da capa de uma reedição do livro constar “O livro favorito de Bella e Edward da série Crepúsculo”, ora, eu também achei isso terrível, do ponto de vista de leitor de clássicos. Agora, do ponto de vista mercadológico, foi a referência encontrada pela editora para poder vender a obra.

“Acontece que a memória do clássico de Ellis Bell, pseudônimo da britânica Emily Brontë, está sendo perturbada nos últimos anos.”

Perturbada pelo quê exatamente? Por ser lida…? Ah sim, pois deveria repousar em berço esplêndido e apenas leitores sábios, direcionados, terem a chance de ler a obra. Entendi.

9- “Inferno”, Dan Brown.

Essa eu faço questão de citar na íntegra:

“Inferno”, o mais recente livro do autor best-seller Dan Brown, é a perfeita definição de “mais do mesmo”. O autor escreveu seis livros; são meia dúzia de histórias iguais com panos de fundo diferentes. Só muda o tema (às vezes nem isso) e as informações pesquisadas. Seus livros possuem personagens sempre iguais, superficiais e ordinários. Dan Brown é um autor para se ler de vez em quando, para relaxar a mente, não ter compromisso algum. Adorar Dan Brown é, digamos… idiotice.

A inconsistência argumentativa é, mais uma vez, notável. Há uma descrição bastante comum do que é Dan Brown e do que se trata sua obra – a qual eu não posso falar por mim, pois nunca li um livro dele -, e no final a conclusão de que quem adora Dan Brown é idiota. mas, nesse meio termo existe uma defesa, um “lado positivo”, que ler pra relaxar a mente não tem problema. Ora, existe aí quase uma vergonha em admitir que gosta de ler os textos do Dan.

“ah… eu leio sim… mas só pra relaxar a mente, né? Ah… Se eu comprei na pré-venda, com o dobro do preço, tenho edição especial, vou na pré-estreia dos filmes? ah… só pra relaxar a mente”

Isso pra não cair no mérito da “adoração”. Até parece conspiração religiosa. Vixi, aí já virou trama do Dan Brown e não pode, pra não sermos idiotas.

8-Assim Falou Zaratustra (Friedrich Nietzsche)

Vamos na íntegra, que é curtinho.

Um exemplo de um livro e escritor genial que é lido por um grande público idiota. Nove entre dez idiotas que querem falar sobre filosofia citam Nietzsche. A razão, confesso, desconheço, mas o fato sempre me incomodou. Talvez seja pelo seu conhecido ateísmo. Existe muito ateu fanático atualmente. Quer algo mais idiota?

tem até dados do Ibope ali. Nove entre dez. E daí que nove entre dez que vão falar de filosofia citam Nich? O que isso tem a ver com “Assim falou zaratustra”, confesso, desconheço, mas o fato me incomodou.

7-A Hora da Estrela (Clarice Lispector)

Ainda acaba que, por isso (popularização nas redes sociais), muita gente se interessa e busca conhecer os autores. O livro oficial desse público é “A Hora da Estrela”, muito porque o livro não chega nem a cem páginas. Esse status pop de Clarice Lispector se elevou ainda mais, recentemente, entre o público adolescente no Brasil por causa do seriado Malhação. Uma das personagens costumava soltar frases aleatórias e remetê-las a Clarice. “Então a anta pisca o olho e os burros vem atrás” — Fatinha Lispector.

Se ele admite que muita gente se interessa e BUSCA os livros (algo que eu nem sei se realmente acontece), por que, então, partindo do pressuposto estabelecido, isso é ruim? Que seja 100, 200 páginas, porque é ruim, eu não entendi. E a crítica velada de que “A Hora da Estrela” é só o livro preferido por ter 100 páginas, desmerece um pouquinho uma das obras mais aclamadas de Clarice, não?

Outra coisa interessante é citar a personagem de Malhação. E agora agradeço por ter televisão na academia, porque eu me lembro exatamente de uma citação de Clarice, onde, pra mim, pareceu muito mais ironia/piada dos roteiristas do que algo a ser levado a sério. Faltou um tiquinho de interpretação aí, também. Quem diria, em…

Para você ver como era tudo uma ironia, brincadeira das roteiristas, pode clicar aqui, ou só acompanhar o diálogo que eu transcrevi de uma das cenas do vídeo, e você verá:

Fatinha: ”Como diria Clarice Lispector: pau que nasce torto nunca se endireita”

Menino: não viaja

Menina: Fatinha, essa frase não foi da Clarice Lispector, não. Essa é de uma letra do “É o tchan”

Vale se informar antes de sair atirando pro lugar errado, ou, caprichar na interpretação.

6 — Saga Crepúsculo (Stephenie Meyer)

Tanto já se disse sobre “Crepúsculo” que falar mal já virou clichê, mas uma saga que mistura história de monstros com romance platônico e que, incrivelmente, consegue ter seus livros entre os mais vendidos do mundo por anos, merece um lugar cativo entre os maiores livros para públicos idiotas.

existem inúmeros motivos pra questionar a qualidade literária de Crepúsculo, mas o autor não concede nenhum, pra que, né? TUDO IDIOTAA!!

5 — O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

um fator inusitado está seduzindo boa parte dos leitores do autor irlandês: a homossexualidade […] O que se vê ultimamente é um culto à memória de Wilde mais pela sua herança de mártir do que pela sua capacidade intelectual. E não é incomum ouvir palavras proferidas por seus personagens na boca de seus leitores sem nenhum traço de personalidade.

Veja como a matéria não possui nem lógica interna. O Retrato de Dorian Gray, segundo o autor, figura entre os seus 10 livros para idiotas. Mas a crítica dele é dirigida aos leitores “sem nenhum traço de personalidade” …? Falta nexo, falta coerência, falta tato literário, falta sentido. Só não falta ataque gratuito e presunção.

4 — Justin Bieber: A Biografia

Biografias geralmente não são grandes obras literárias e o que se pode dizer da biografia de, na época, uma criança de 16 anos? Biografias deveriam ser feitas apenas para grandes personagens da história na maturidade ou fim de suas vidas, pois praticamente toda sua estória já estaria escrita. Acontece que, para se aproveitar dos milhões de fãs idiotas que possui, Justin Bieber decidiu fazer mais dinheiro e lançar um livro sobre seus 16 anos de vida. O que me deixa horrorizado é que nem sempre são crianças que compram esse tipo de livro.

Eu acho um absurdo Justin ter lançado uma biografia com 16 anos? Lógico. provavelmente ele não viveu nem 1/4 de sua vida. Porém, chamar seus milhões de fãs de idiotas é de um ataque ridículo. Minha prima de 10 anos era uma idiota por ler um livro de 300 páginas, então? Será mesmo? 10 anos.

3 — Porta dos Fundos / Não faz Sentido: Por Trás da Câmera

De sensações do Youtube para escritores best-sellers, os comediantes do Porta dos Fundos e o vlogger Felipe Neto parece que decidiram aventurar-se em novas mídias para fazer um pouco mais de dinheiro explorando seu enorme público idiota. Pessoalmente, acho que eles estão certos mesmo, errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida.

Esse elitismo literário, crendo que só “grandes obras” devem ser publicadas e circular pelas livrarias, é o que afastou e continuará afastando as crianças, os jovens, o grande público, da literatura. Esse pensamento é vexatório, totalmente preconceituoso e soberbo. Além disso, o autor diz que “errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida”, mas admite que ler Dan Brown “pra relaxar” pode. Ora, ora, ora…

2 — Kafka para Sobrecarregados (Allan Percy)

“Livros de autoajuda já são, essencialmente, destinados a pessoas idiotas”

Não vou citar o resto. Parei por aí. Eu, Gustavo Magnani, detesto autoajuda, mas conheço pessoas de uma inteligência absurda que são leitoras assíduas do gênero. Além de que, a dona de casa, a mulher que trabalhou o dia inteiro, o pai que chegou do serviço, o pai que cuidou do filho, eles que querem só sentar, ler um livro “fácil”, “didático”, eles são idiotas? Sério mesmo?

A conclusão é de que, então, um leitor de autoajuda está destinado a idiotice suprema e irremediável. Me assusta, realmente me assusta, pessoas que supostamente leem tanto, terem uma visão tão preconceituosa, fechada, limitada, como se tudo precisasse encaixar nos seus parâmetros de vida e inteligência. O problema não é da autoajuda, não, o problema é a falta de ajuda que esses seres tiram dos clássicos que tanto veneram – muitas vezes sem a menor noção do que realmente estão lendo.

1 — Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James)

“Sim! Ele ainda reina soberano entre os (a) idiotas do mundo.”

Não se preocupe, há um candidato a ocupar esse trono, autor.

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Por que eu fiz questão de tratar ponto por ponto? Para mostrar que não, nenhum leitor é idiota por ler determinado livro, seja erótico, seja biográfico, seja autoajuda, seja lá o que for.

adj. 2 g. s. 2 g.

1. Que ou quem se mostra incapaz de coordenar idéias. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

2. Que ou quem denota estupidez. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

3. Que ou quem apresenta idiotia. [retirado de priberam]

Acredite, você não é incapaz de coordenar ideias por ler 50 tons de cinza, crepúsculo, porta dos fundos. Essa crença de que todo livro precisa acrescentar, diretamente, algo palpável em sua vida, é conto da carochinha. A literatura não foi feita pra ser uma caixinha de conhecimento facilmente codificado: “olha só, aqui eu li 1984 e não serei mais manipulado pelo governo!!!”… vai nessa, bobinho.

Aprendi [sabe quando alguém define algo que você sente, mas nunca conseguiu definir, expressar?] em uma aula sobre Bakhtin, com um dos melhores professores que já tive, que, primeiro, a arte deve ser sentida. É você e ela, amigo. No livro, é você ali, sentado, deitado, em pé, encurvado, e ela, sempre disposta, a te entregar emoção. Pode ser Dostoiévski, Machado ou Rowling. O sentimento é entre você e o livro. A técnica, o “CONHECIMENTO” são secundários, bem vindos, mas secundários. Um romance pode conter a sabedoria do mundo, mas se ele não for um bom romance, não será bem recebido pelo leitor [e quando falo de bom romance, é de uma forma abstrata. bom romance pra você é diferente de bom romance pra mim].

A recepção da obra pelo indivíduo, é muito mais importante para ele, como Ser, do que a análise crítica de tal livro. A crítica fica pra gente, que ama e adora esse assunto [sim, eu me incluo, pois por mais que defenda a suma e máxima importância da recepção individual, sou um grande aficionado por teoria e crítica literária. Porém, esse sou eu, é um adendo que funciona PRA MIM e pode não funcionar pro Zé – e não, não é de extrema importância que o Zé tenha noção das ferramentas teóricas. É de extrema importância que o Zé seja confrontado, tirado do lugar comum, emocionado. ISSO é importante. Acima de qualquer coisa.]

Quantas histórias você já não ouviu de livros que, literalmente, mudaram a vida das pessoas? Pode ter sido Os Sofrimentos do Jovem Werther, O Apanhador no campo de centeio, ou A Cabana, Kairós, Ágape. E como se mede isso? Como se mede o impacto que um livro pode ter na vida de uma pessoa, por pior que o livro seja para você? Qual a importância disso perante a interpretação da ironia machadiana?

Nós, que amamos teoria e clássicos, não devemos, de maneira alguma, subirmos num pedestal e lá de cima julgarmos os incultos leitores de best-seller, pois pareceremos bestiais, presunçosos, tolos… idiotas: incapazes de coordenar idéias.

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p.s: para deixar claro – por que eu me dei ao trabalho de escrever um artigo sobre o assunto, você pode se perguntar. Bem, tanto pela interessante discussão que tivemos no grupo, quanto pelo pedido dos leitores, quanto pela reação nos comentários da matéria, quanto pelo alcance e, principalmente, pela paixão em discutir literatura e a cultura em questão: Bakhtin neles!

p.s2: não quis, de maneira alguma, ofender pessoalmente o autor do texto, apenas confrontar suas ideias.

Concurso Cultural Literário (9)

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As entrevistas com Elizabeth Bishop, que compõem este livro, revelam-nos a pessoa especial que era ela: discreta, ciosa de suas opiniões – que exigia ver transcritas com absoluta fidelidade –, consciente, portanto, de sua responsabilidade como escritora. As opiniões que emite nessas conversas deixam evidente a integridade intelectual dessa mulher, que o acaso da vida trouxe para perto de nós, brasileiros.

Dessas conversas ressalta também que Elizabeth Bishop tinha plena compreensão da importância da poesia, consciente do fazer poético que dominava magistralmente. Não obstante – e isso nos dá a medida da poetisa que era – sabia que, na criação do poema, além da lucidez, interferem fatores incontroláveis que lhe dão a verdadeira dimensão e que se poderia chamar de espanto.

Por tudo isso, este livro será certamente um caminho para o leitor chegar à Elizabeth inspirada que encontramos em seus poemas.

Ferreira Gullar

3 exemplares de “Conversas com Elizabeth Bishop” serão sorteados em mais um Concurso Cultural Literário que preparamos especialmente pra você que aprecia bons livros.

Para participar, basta completar a frase: “Gosto de ler poesias porque…”.

O resultado será divulgado no dia 10/9 às 17h30 neste post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

Importante: Se você participar pelo Facebook, por gentileza mencione um  e-mail de contato.

***

Parabéns aos ganhadores: Meg Heloise, Iletrado e Iara Barros. =)

Por gentileza enviar seus dados completos p/ livros[email protected] em até 48 horas.

Universitária em cadeira de rodas perde aula por falta de acesso

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Estudante de Arquitetura da Unifor, em Fortaleza, fica impedida de chegar à sala porque rampa do prédio é íngreme demais
Relato de aluna no Facebook ganha apoio de milhares de internautas

William Helal Filho em O Globo

Lorena diante da rampa de acesso ao prédio Reprodução do Facebook

Lorena diante da rampa de acesso ao prédio Reprodução do Facebook

RIO – A estudante Lorena Melo Martins, de 22 anos, faz faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Fortaleza (Unifor), mas está enfrentando dificuldades para frequentar o curso devido aos problemas de acessibilidade do prédio, na capital do Ceará. Ela passou por uma operação no joelho e, obrigada a usar uma cadeira de rodas, não consegue chegar à sala de aula porque a rampa até o segundo andar é íngreme demais. Depois de perder várias aulas, a aluna fez um relato sobre seu drama no Facebook. O post já tem mais de 6,2 mil compartilhamentos e 170 comentários.

“Todos os dias venho pra aula e não consigo chegar nas salas de aulas por causa da péssima acessibilidade da universidade”, conta ela, antes de descrever com detalhes os diversos apelos feitos à Unifor e os constragimentos que sofreu. “Já me humilhei, chorei e perturbei as pessoas aqui na universidade por uma coisa que é minha de DIREITO! Não só minha, mas de TODOS!”.

De acordo com seu texto na rede social, Lorena pediu à coordenadoria do curso para passar sua turma a uma sala no térreo. Mas, em vez disso, a direção deixou à disposição três pessoas para ajudá-la a subir a rampa todos os dias. No começo, deu certo, ainda que de mal jeito, mas, nesta segunda-feira (12), a aluna chegou ao local no horário certo e não havia ninguém para ajudar. Depois de um telefonema, veio um funcionário.

“O segurança demorou 20 minutos pra chegar. Mesmo assim, ele não conseguiu me levar, pois tenho 1,80m e sou gorda. Impossível subir a rampa do bloco C”, critica a estudante, que perdeu a aula nesse dia. “Já é a terceira semana de aula que começo perdendo”.

O direito de ir e vir é de todo brasileiro, previsto no Artigo 5 da Constituição Federal. A Lei de Acessibilidade, criada em 2004, exige que toda construção de uso coletivo ofereça facilidades a cadeirantes. De acordo com o arquiteto Arthur Fortaleza, da Unifor, a faculdade tem cerca de 20 blocos. Nove deles foram construídos em 1972. Nestes, as rampas de ligação com os andares superiores são mais íngremes do que as demais. Os alunos sentem a diferença mesmo caminhando. Para pessoas em cadeira de rodas, ele reconhece, é bem complicado.

– Até o momento, todos os problemas que aconteceram por causa das rampas haviam sido contornados, com mudanças de salas. Mas isso não foi possível neste caso. Estamos para apresentar à diretoria um plano que prevê melhorias na acessibilidade do campus – diz Artur.

Já a estudante termina seu relato com um desabafo.

“Enfim, a Unifor é uma das maiores universidades particulares do Nordeste, é um local de uso coletivo, ou seja, tem OBRIGAÇÃO de ser acessível. Amigos arquitetos e estudantes da Unifor, gostaria de pedir a ajuda de vocês para, juntos, termos uma universidade acessível para todos. Isso é NOSSO direito!”

Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos

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Publicado no Folha do Sertão

Título original: Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos; Curioso pra saber o que há nele? Veja

Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos; Curioso pra saber o que há nele? VejaImagine qual seria a sua curiosidade ao se deparar com um livro de apenas 2 cm² e 1 mm de espessura.

Certamente, você ficaria com muita vontade de descobrir o que está sendo dito nele — e não precisa se sentir culpado, pois a sensação seria a mesma para a grande maioria das pessoas. Mas como fazer para ler algo assim? Apenas com os olhos humanos seria impossível.

Na Universidade de Iowa (Estados Unidos), um livro com as dimensões que foram mencionadas anteriormente foi encontrado em uma biblioteca que reúne mais de 4.000 obras em miniatura. A bibliotecária responsável pelo encontro afirma que ele estava na caixa de “microminiaturas”, sendo ainda menor do que os outros itens que estariam na mesma coleção.

Só era possível identificar a capa, que mostra uma cruz dourada em meio a uma superfície vermelha. Com isso, havia grandes chances de o pequeno livro ser uma versão reduzida de uma bíblia, mas a bibliotecária Colleen Theisen queria ir além. Como informa o The Atlantic, Theisen recebeu a ajuda de Giselle Simón para colocar a obra em um microscópio da Biblioteca de Iowa, conseguindo identificar qual era a editora do livro.

Com isso, conseguiram chegar ao nome da Toppan Printing. Rastreando e cruzando informações, conseguiram descobrir que o livro foi lançado na Feira Mundial de Nova York de 1965. Mas ele não era uma obra independente, pois fazia parte de um conjunto com uma versão maior do mesmo texto: o primeiro capítulo do Gênesis (livro da Bíblia) escrito pelo Rei James para a igreja Anglicana.

Concurso cultural literário (3)

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Juntas no amor, na dor e no rock’ n’ roll

Nina, Pâmela e Manuela são jovens adultas que chegam aos 30 anos de idade mantendo uma amizade desde os tempos de escola. Amigas inseparáveis, continuam curtindo as músicas da Legião Urbana – a trilha sonora de suas vidas – e, apesar de terem tomado rumos muito diferentes, elas conseguem se encontrar todas as quintas-feiras para a Noite do Batom, quando colocam o papo em dia, apoiam-se, dão risadas, trocam confidências e, é claro, falam mal dos desafetos, já que ninguém é de ferro.

Pâmela, já casada, é muito bem-sucedida profissionalmente, não tem problemas financeiros e parece ter a vida perfeita. Mas só parece. Manuela é separada. Casou-se um dia para esquecer o grande amor da sua vida e não foi feliz, e hoje parece não ligar mais para as questões do coração. Mas só parece. Nina é a solteira que tem uma atração irresistível por cafajestes, que sempre a fazem sofrer. Implora para que Santo Antônio a ajude a ser feliz no amor, o que parece impossível. Mas só parece.

Em uma Noite do Batom incomum, Manu inventa a OFI (Operação Faxina Interna) para ajudar Nina a superar mais um relacionamento frustrado. Junto de mais dois amigos, partem para uma divertida viagem que mudará para sempre a vida de todos. Com reviravoltas, aventuras e desventuras, será impossível você não se identificar com essas amigas, que, como todos nós, são imperfeitas em seus defeitos e problemas, mas perfeitas demais para não querermos repartir com elas as dores, as alegrias, os sonhos e a realidade de uma vida inteira.

Chegando mais um “Concurso cultural literário”.

Para concorrer, basta completar na área de comentários a frase “Ser amigo é…”. Entre os participantes, 3 leitores vão ganhar o livro “Amigas (im)perfeitas“.

O resultado será divulgado no dia 20/8 às 17h30 aqui no post e no perfil @livrosepessoas.

Boa sorte!

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Parabéns aos ganhadores: João Bellini, Isabelle Vitorino e Maysa Lemos!

 

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