Contando e Cantando (Volume 2)

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Adélia Prado e o livro Bagagem; como não amar?

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Vinicius Pimenta Silva, no Literatortura

IMPRESSIONISTA

Uma ocasião,

meu pai pintou a casa toda

de alaranjado brilhante.

Por muito tempo moramos numa casa,

como ele mesmo dizia,

constantemente amanhecendo.

No dia 13 de dezembro de 1935, nasceu Adélia Luiza Prado de Freitas. Uma mineira que, depois de muito tempo, se tornaria uma das maiores escritoras do Brasil e receberia a “benção” de Carlos Drummond de Andrade. Foi professora por 24 antes de pensar em escrever seu primeiro livro, mas esse aparente atraso não foi prejudicial, pelo contrário, produziu uma das melhores obras poéticas da atualidade: Bagagem.

Antes de falar do livro propriamente dito, é preciso mencionar que a autora ainda possui outras obras e que Bagagem consiste em seu livro de estreia. E que livro de estreia! São 144 páginas de poesia que retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados por fé cristã e de maneira lúdica. Foi escrito em 1976, quando a autora tinha 40 anos de idade e foi bem criticado por Drummond.

A publicação é composta por cinco partes; o modo poético, um jeito e amor, a sarça ardente I, a sarça ardente II e alfândega. Abaixo segue brevíssima análise de cada uma das partes.

O MODO POÉTICO

Primeira parte do livro que se inicia com uma citação do livro bíblico Salmos

Chorando, chorando, sairão espalhando as sementes.

Cantando, cantando, voltarão trazendo os seus feixes.

Encontraremos nessa primeira parte do livro, o uso de ironia e algumas referências a outros textos como o poema Sete Faces (anjo torto) de Drummond. No poema “COM LICENÇA POÉTICA”, podemos perceber esse intertexto.

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta. Anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou tão feita que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

– dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Com a leitura do poema acima fica ainda mais perceptível a presença do feminino nos textos de Adélia Prado. O nome de seu livro é Bagagem, a autora o escreveu com mais de 40 anos; ela passa a certeza para o leitor daquilo que está escrevendo. A Bagagem que trouxe consigo permite que fale sobre isso de maneira soberana. O eu-lírico dá atenção ao cotidiano heroico da mulher.

Um jeito e amor

Tem início essa segunda parte com um trecho do livro bíblico Cântico dos Cânticos, que é o livro da Bíblia mais discutido em meios acadêmicos por apresentar dúvida temática, falando do amor entre duas pessoas ou entre Cristo e sua Igreja.

Confortai-me com flores, fortalecei-me

com frutos, porque desfaleço de amor.

Torna-se perceptível a mistura sem confusão do profano com o religioso. Ao longo da maioria dos poemas que falam de amor no livro, é possível perceber esse fenômeno.

A SERENATA

(…)

De que modo vou abrir a janela, se não for doída?

Como a fecharei, se não for santa?

Sarça Ardente I e II

São duas partes que apresentam o conflito morte versus alegria. No poema “AS MORTES SUCESSIVAS”, temos a explicação para os nomes dados às duas partes.

(…)

Quem me consolará desta lembrança?

Meus seios se cumpriram

e as moitas onde existo

são pura sarça ardente de memória.

Para entender o que o eu-lírico quis dizer é necessário voltar um pouco no livro e ler o poema em que ela discorre sobre a importância da “moita” em sua vida. Foi um lugar em que passou brincando em sua infância, não existe mais, pois está em chamas; tornou-se uma sarça ardente de memória. Então, no contexto, a sarça não mais é um bom sinal; na bíblia, Deus chama atenção de Moisés através da Sarça ardente, e passa a ser um sinal de mau agouro; lembra a morte de sua irmã, sua mãe e pai.

Alfândega

Composto apenas pelo poema ALFÂNDEGA, temos lirismo e ironia juntos para compor um final único para um livro maravilhoso.

Concluindo

Leitores fiéis da Hora do Poema talvez se queixem da maneira como a reportagem foi disposta. Foi minha intenção, com essa diferente maneira de apresentar um autor, tornar o que lê esse texto interessado por Adélia Prado; por isso tantos recortes dos textos da autora. Por fim, vale a pena mencionar como sempre, que não foi objetivo deste que vos escreve esgotar propostas de análises. Apenas alguns poucos poemas de somente uma obra da autora foram escolhidos para compor essa matéria. Existem ainda diversas trabalhos da autora que de certa forma permanecem intocados e podem resultar em brilhantes textos.

Crianças e adolescentes têm aulas sobre manifestações

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Professor Bernardo Fonseca Machado, 26, dá aula de sociologia no colégio Santa Maria e fala sobre manifestações no Brasil (Avener Prado/Folhapress)

Professor Bernardo Fonseca Machado, 26, dá aula de sociologia no colégio Santa Maria e fala sobre manifestações no Brasil
(Avener Prado/Folhapress)

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Se está difícil para os adultos entenderem o que está acontecendo nas manifestações que tomaram conta do país nos últimos dias, está mais complicado ainda para as crianças e os adolescentes.

A demanda dos jovens por mais informações é tão grande que algumas escolas de São Paulo passaram a debater o tema em aulas de disciplinas como história, geografia e redação.

“Abrimos espaço na aula para contextualizar o que está acontecendo. Os estudantes traziam muitas questões”, diz Walter Maejima, professor de geografia do São Luís.

A professora de história do colégio Santo Américo, Raquel dos Santos Funari, sentiu a mesma demanda.

“Eles querem saber o que está acontecendo. Relacionei o tema em aula com manifestações que aconteceram na Europa no século 18”, conta.

A Folha acompanhou uma aula de sociologia no 2º ano do ensino médio no colégio Santa Maria para ver como as manifestações estão sendo tratadas em classe e quais são as questões dos estudantes.

De acordo com o professor e antropólogo Bernardo Fonseca Machado -que escrevia na lousa palavras como “alfabetização política”, “transporte” e “partidos”-, o interesse dos alunos é crescente.

“Quando comecei a lecionar aqui, os alunos nunca tinham participado de nenhuma manifestação. Hoje isso mudou.” Da turma do 2º ano, 10% dos alunos estiveram nos protestos recentes.

Alguns até reclamam por não terem estudado o tema mais cedo. “Deveríamos ter discutido essas questões [como alfabetização política] antes de as manifestações começarem”, disse João Pedro Martins, 16. Os alunos concordaram com a cabeça.

REFLEXÃO POSITIVA

Para a psicopedagoga Neide Barbosa Saisi, da PUC-SP, essa reflexão nas escolas e em casa é “bastante positiva”.

“O que é democracia? O que é participar? Qual é a função da PM na sociedade? Essas questões podem ser debatidas em aula”, explica.

Os alunos, especialmente do ensino médio, relatam os professores, são os mais ansiosos por informações.

“Muitos deles trazem a opinião dos pais”, conta a professora de redação Roberta Baradel. Ela dá aula no Arbos, da rede Uno Internacional, e na escola municipal Oscar Niemeyer, entre outras escolas de São Caetanos do Sul. “Depois do debate, muitos mudam de ponto de vista.”

Mas o assunto não está apenas na sala de aula. Na Escola Internacional Alphaville, por exemplo, os alunos têm se reunido em uma espécie de assembleia, no horário de aula, para discutir o tema.

E fora da escola? Pais e professores devem incentivar os estudantes a participarem dos protestos nas ruas?

“Como mãe, teria medo. É preciso mostrar que há um risco”, diz Saisi, da PUC-SP.

Na cama com Kennedy

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Aos 69 anos, Mimi Alford, que na juventude foi estagiária na Casa Branca, conta nos moldes de literatura erótica a sua relação com o ex-presidente dos EUA

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Antonio Carlos Prado e Ivan Claudio, na Isto É

SEM ROMANTISMO
Kennedy e sua amante Mimi: quando ela foi embora, uma semana antes
do assassinato do presidente, ele a presenteou com broches e colares

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Mimi Alford é uma senhora americana de 69 anos e sete netos. Acaba de lançar o seu primeiro livro no qual se lê em um de seus trechos: “Notei que ele se aproximava cada vez mais. Podia sentir a sua respiração no meu pescoço (…)
Ele estava bem na minha frente (…) colocou suas mãos nos meus ombros e me guiou em direção à beira da cama. Lentamente, desabotoou a parte de cima de meu vestido (…) ele pressentiu que era a minha primeira vez (…).” A escrita segue por esse caminho, e dá para o leitor imaginar por onde vai e para onde vai. Há, no entanto, uma dobra no lençol da história que põe a nu o motivo do sucesso que o livro vem fazendo junto ao público e à crítica de todos os EUA. Mimi não é uma autora que descobriu, somente agora, septuagenária, o seu talento para a ficção erótica, nem se trata de uma velhinha assanhada. Ela é o arquivo, em primeira pessoa, daquilo que até recentemente era o mais enterrado segredo de alcova do ex-presidente americano John Kennedy, assassinado em 1963 aos 46 anos. Durante 18 meses ela foi amante do presidente, e na maioria das vezes ele se relacionou sexualmente com ela, durante o dia, sob os lençóis que na noite anterior dividira com a então primeira-dama Jackie Kennedy. Detalhe da obra: “o presidente nunca beijou na boca”.

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NA CASA BRANCA
Kennedy despacha com sua equipe de imprensa, da qual Mimi (à dir.) fazia parte:
estresse curado com natação e amantes na piscina da sede do governo

O livro se chama “Era uma Vez um Segredo – Meu Caso com o Presidente John F. Kennedy” (no Brasil, editora Objetiva).
Mimi conta que tinha 19 anos e era virgem quando se relacionou pela primeira vez com o chefe de Estado que publicamente apontava mísseis para a Baía dos Porcos e secretamente disparava seus hormônios pela Casa Branca – e dizia a seus assessores “ela dorme feito um bebê”, enquanto traçava planos bélicos ou de paz. Nessa época Mimi acabara de ser contratada como estagiária do Departamento de Assessoria de Imprensa da sede do governo, era inexperiente profissional e sexualmente e, no quesito beleza, não chegava aos pés de outra famosa amante do presidente, a atriz Marilyn Monroe. Mas a Casa Branca tem lá os seus mistérios, vai saber, tem sua química própria, e o certo é que Kennedy olhou para ela e daí por diante, quase todos os dias, caiu na piscina da ala residencial para relaxar. Era ele cair, e a assessora “foca” caía também. O primeiro mergulho começou assim: o “assessor especial para assuntos de alcova”, que, segundo a autora, se chamava Dave Powers, disse-lhe uma tarde ao pé do ouvido: “O presidente vai à piscina. Aceita lhe fazer companhia?” Sim, Mimi aceitou, era o seu quarto dia de trabalho. Nos vestiários, um detalhe chamou-lhe a atenção: a coleção de maiôs dos mais diversos tamanhos, o que a fez concluir que, não só na política mas também nas dimensões das mulheres, o presidente era sim democrata.

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ESTADO E ALCOVA
Mimi revela no livro que o presidente apontava mísseis para a Baía dos Porcos
e disparava hormônios na Casa Branca ao mesmo tempo

A água da piscina era mantida a 32 graus (prescrição médica para as dores nas costas de Kennedy), e quando eles emergiram desse mergulho de estreia ele a convidou para uma “visita guiada” pelo segundo andar da Casa Branca.
Dois daiquiris, e então veio o mergulho sem água, no quarto de Jacqueline “decorado em azul-claro”.

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LIVRO BOMBA
Mimi conta em seu livro todo o envolvimento que teve com Kennedy:
“Foi tudo sexual”

Kennedy gostava da água, e Mimi lembra que foi numa sessão de hidromassagem que veio à tona a porção voyeur do presidente com quem se relacionou até uma semana antes de ele ser assassinado: Kennedy ordenou-lhe que fizesse sexo oral em Powers (o alcoviteiro da piscina, lembra?) porque “ele estava um pouco tenso”. Detalhe: o presidente fez questão de ficar olhando a felação. Mimi decidiu contar agora toda a sua história porque fora citada em uma biografia de Kennedy publicada há dez anos. Não conta quanto recebeu para pôr na tela do computador e imprimir as suas memórias, mas dá para se ter uma ideia, já que um produtor de filmes lhe ofereceu US$ 1 milhão pelos direitos. “Não me arrependo de nada que fiz”, escreve Mimi. “Nosso relacionamento foi sexual.” Quando a coisa esfriou, ela decidiu se casar com um amigo do interior americano e disse adeus ao presidente, que a presenteou com dois broches de ouro e diamante, colares e um bilhete no qual dizia: “Calorosa consideração e profunda gratidão.” Tudo protocolar. Como já foi dito, o presidente não beijava na boca.

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Escritora diz que Yoko Ono é feia e oportunista

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as_6090755437030669Escritora azeda a festa de Yoko Ono

Antonio Carlos Prado e Thaís Botelho, na IstoÉ

A artista plástica Yoko Ono comemorou 80 anos na semana passada. Azeda a sua festa o lançamento do livro intitulado “Reaching Out With No Hands, Reconsidering Yoko Ono” (Alcançando sem as mãos, reconsiderando Yoko Ono).

Foi escrita por sua admiradora Lisa Carver que faz um panorama sobre sua careira. Mas justamente por ser fã, Lisa não fala meias verdades. Diz que Yoko é feia, oportunista e esquisita. Muita gente está dando os parabéns. Para a escritora. Ela acredita ter reabilitado Yoko para a vida além de John Lennon.

TV Câmara exibe hoje documentário sobre o escritor Rubem Alves

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O teólogo e educador Rubem Alves é personagem da 'Série Memórias', da TV Câmara(Imagem: Augusto de Paiva/AAN)

O teólogo e educador Rubem Alves é personagem da ‘Série Memórias’, da TV Câmara
(Imagem: Augusto de Paiva/AAN)

Publicado no Comunique-se

Em homenagem ao escritor e jornalista Rubem Alves, a TV Câmara produziu um documentário que traz  relatos de como  a trajetória do também pedagogo se mistura com a educação contemporânea no Brasil. Dirigido por Dulce Queiroz, o material faz parte da ‘Série Memórias’, que traz a biografia de grandes personalidades brasileiras. O filme será exibido no próximo sábado, 19, às 21h.

Intitulado “Rubem Alves – O professor de espantos”, o filme aborda algumas fases da vida de Alves. Primeiro, o pastor da Igreja Presbiteriana que vê sua fé ruir em pleno regime militar ao ser vítima da cumplicidade entre Estado e Igreja.  Depois, o mundo acadêmico, onde revela-se educador e filósofo, para, finalmente, encontrar-se na maturidade e dedicar-se à literatura e a poesia.

Partidário das ideias de Paulo Freire e em constante diálogo com pensadores e poetas como Nietzsche, Bachelard, Robert Frost e Adélia Prado, o “jardineiro” Rubem Alves semeia ideias tão “revolucionárias” que acabam provocando a crítica e o desprezo de muitos setores da intelectualidade brasileira e também a cumplicidade de todos os que são apaixonados pela Educação, explica a emissora.

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