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Habilidades, não diplomas, definem hoje os melhores talentos, diz CEO do LinkedIn

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Jeff Weiner, CEO do LinkedIn (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images)

Para Jeff Weiner, uma das práticas mais comuns dos recrutadores para analisar currículos não faz o menor sentido

Publicado na Época Negócios

Em processos seletivos, é comum que recrutadores levem em consideração a universidade onde se formaram os candidatos — sobretudo para dar preferência aos que frequentaram as instituições mais renomadas. Para Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, tal prática não faz o menor sentido. Durante uma palestra na ASU GSV Summit, o executivo defendeu o que acredita ser importante analisar na hora de contratar alguém. Segundo ele, o LinkedIn quer alguém com paixão pelo que faz, ética, perseverança, lealdade e mentalidade de crescimento (o “Growth Mindset” sobre o qual tem se falado tanto no mundo corporativo recentemente).

“Estas são qualidades que você não vê necessariamente em um diploma”, defende Weiner. “Há habilidades que tendem a ser completamente negligenciadas quando as pessoas estão examinando currículos ou perfis do LinkedIn. E, no entanto, cada vez mais, achamos que esses são os tipos de pessoas que fazem a maior diferença dentro da nossa organização.”

“Cada vez mais eu ouço esse mantra: habilidades, não diplomas. Não são habilidades que dispensam diplomas. Trata-se apenas de expandir nossa perspectiva para ir além dos diplomas.” Ou seja, três palavras que podem fazer toda a diferença no processo de contratação: habilidades, não diplomas. E faz todo o sentido.

“Nós nos orgulhávamos de no recrutamento ter uma lista incrivelmente curta de universidades, e muitas empresas do Vale do Silício costumavam fazer o mesmo”, disse Weiner. “Certamente não estamos sozinhos. Recentemente, demos uma olhada no perfis do LinkedIn e constatamos que, entre os trabalhadores do setor de tecnologia dentro do Vale, apenas 5% deles tiveram formações não tradicionais”.

Nos últimos anos, no entanto, empresas têm percebido que existe muito talento escondido — e que muitas pessoas inteligentes e apaixonadas estão desprezando o ensino superior tradicional.

“Estamos tentando nos afastar dessa ideia de que todos na equipe de engenharia, e todos no geral, devem ter vindo de uma escola específica ou ter que ter um grau diploma”, disse Weiner. “Sim, diplomas de [ciência da computação] de escolas específicas podem te levar a encontrar um talento incrível. Mas há tanto talento para ser encontrando se as pessoas estiverem abertas buscá-los em lugares diferentes.”

Os 10 melhores livros de negócios em 2016

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Lista elaborada pela Fast Company traz títulos que se destacaram em liderança até novas práticas de trabalho

Publicado na Época Negócios

Se você busca novas maneiras de pensar sobre negócios, obter conselhos inspiradores para sua carreira ou somente analisar o cenário da economia, o ano de 2016 trouxe alguns livros preciosos. De temas como liderança determinada, inovação, startups até autoajuda, as obras discorrem sobre temas importantíssimos para quem quer se manter em dia com as tendências. A lista que elegeu os dez melhores livros de negócio é da revista Fast Company. Confira abaixo:

Grit – O Poder da Paixão e da Perseverança – Angela Duckworth

A carreira de Angela Duckworth como psicóloga e pesquisadora foi em grande parte baseada em torno de dois temas: determinação e autocontrole. Professora da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Angela apontou em uma pesquisa que a determinação, ou “grit” em inglês, é um indicador de sucesso mais certeiro que o talento ou inteligência. É preciso ser determinado, ter garra, ela diz. A determinação é definida por ela como paixão e perseverança para perseguir objetivos de longo prazo. No seu livro Grit: The Power of Passion and Perseverance, que entrou na lista de best-sellers do New York Times, ela expõe argumentos e dicas preciosas sobre o poder da determinação.

Competing Against Luck: The Story of Innovation and Customer Choice – Clayton M. Christensen, Karen Dillon, David S. Duncan e Taddy Hall

Autor do best-seller “O Dilema da Inovação” e considerado o pai da teoria da “inovação disruptiva”, Clayton M. Christensen amplia em seu novo livro e revê as reflexões sobre como as empresas podem continuar inovando à medida que crescem. Ao lado de outros autores, Christensen defende que é preciso descobrir o que leva os consumidores a comprarem determinados produtos e, a partir dessa constatação, pensar em como é possível mantê-los sempre por perto – sem depender apenas do produto. Ou seja, para ele, as empresas não deveriam vender simplesmente benefícios – elas, em si, precisam ser o que atrai os consumidores. Christensen traz cases, como o da Amazon e Airbnb, para fazer suas análises e lançar um novo olhar sobre o mundo dos negócios.

Here’s the Plan: Your Practical, Tactical Guide to Advancing Your Career During Pregnancy and Parenthood – Allyson Downey

A despeito de vermos mais ambientes de trabalho como espaços amigáveis e até com clima familiar, as mulheres ainda enfrentam dificuldades quando ficam grávidas. Em seu livro, Allyson Downey combina conselhos práticos sobre como lidar melhor com os problemas decorrentes da intersecção do trabalho com a vida pessoal. “O resultado é um livro prático, honesto e que traz um bom guia para as mulheres – ou homens também – na hora em que decidem tornar-se mães e pais. “É uma obra rara que discute as preocupações inerentes a esse momento”, analisa a Fast Company.

Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World – Cal Newport

Cal Newport traz um olhar diferente sobre como se manter focado no trabalho em um “mundo distraído” – uma análise que envolve a demanda atual pelo profissional multitarefa. Para Newport, ser um “multitarefa” não é algo necessariamente positivo, mas uma forma de agir que nos deixa cognitivamente menos eficiente. O livro é uma espécie de guia que traz passo a passo para reforçar nosso ofoco e tornar o trabalho mais efetivo e, consequentemente, de melhor qualidade. É preciso estar complemente imerso naquilo que se está fazendo – ao invés de ficar “pulando” de uma tarefa para outra. O livro recebeu prêmios e indicações – best-seller de negócios pelo Wall Street Journal e melhor livro de negócios de 2016 pela Amazon.

Disrupted: My Year in the Startup Bubble – Dan Lyons

Em seu livro Disrupted: My Year in the Startup Bubble, Dan Lyons narra a experiência de passar um ano dentro de uma startup – algo completamente disruptivo para ele. Lyons trabalhou grande parte de sua vida em redações, mas foi despedido da Newsweek após completar 50 anos. Sem saber o que fazer, ele decidiu mudar sua carreira e foi trabalhar na companhia de vendas de software HubSpot, onde os funcionários tinham metade da idade dele. Best-seller do New York Times, o livro traz sua experiência pessoal, mas também reflexões sobre cultura corporativa e como reinventar uma carreira.

The Signals Are Talking: Why Today’s Fringe Is Tomorrow’s Mainstream – Amy Webb

A empreendedora Amy Webb ficou famosa após divulgar constatações de um estudo pouco usual que fez: como os sites de namoro funcionam na prática. Suas teorias, que partiram de uma decepção pessoal com esse tipo de site, fizeram sucesso por colocá-los como grandes bancos de dados. Ou seja: havia muitos insights que poderiam ser extraídos quando a análise feita fosse matemática – e não passional. O novo livro segue essa percepção, mas com outro foco: Amy Webb reflete sobre elementos antes periféricos e sem tanta importância, que tornaram-se altamente comuns e aceitáveis. Com tanta informação e acesso, é impossível prestar atenção em tudo. A partir disso, ela apresenta cases de sucesso, como a Nintendo, até de fracassos, como a BlackBerry, para mostrar como não devemos perder o foco e nos mantermos atentos a tendências e movimentos que surgem.


Whiplash: How to Survive Our Faster Future – Joi Ito e Jeff Howe

Diretor do MIT Media Lab, Joichi “Joi” Ito, une-se ao veterano editor da Wired Jeff Howe para analisar como as pessoas podem se adaptar melhor e sobreviver em um mundo que muda tão rapidamente e que é tão difícil de quantificar. Os autores defendem que a crença que os humanos têm em várias coisas e assuntos os impedem de estar mais abertos às novidades que surgem. O livro traz nove princípios para ajudar a estar mais disposto e pronto para aprender, adaptar e mudar.


A segunda era das máquinas – Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee

Imagine um mundo onde as máquinas nos liberem para conseguirmos trabalhar em projetos que amamos – sem nos preocuparmos com burocracias e rotinas que sugam nossa produtividade. Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee mostram que há um caminho que pode ser trilhado em nome disto em The Second Machine Age: Work, Progress, and Prosperity in a Time of Brilliant Technologies (A segunda era das máquinas). Os autores apresentam inovações em robótica, inteligência artiificial, entre outros. Não deixa de ser uma visão utópica, mas que já traz dicas sobre como a tecnologia pode revolucionar a maneira como trabalhamos – e mais rápido do que pensamos. O livro entrou para a lista dos best-sellers do New York Times, Washington Post e Wall Street Journal.


The New Alpha: Join the Rising Movement of Influencers and Changemakers Who Are Redefining Leadership – Danielle Harlan

Renegando os truques e imagem já desenvolvidos que livros de liderança costumam trazer, a fundadora do Center for Advancing Leadership and Human Potential apresenta uma visão mais autêntica sobre como desenvolver a liderança. Trata-se de um livro motivacional, com conselhos até holísticos e simples de seguir, como o de se exercitar mais. Mas o livro traz dicas consistentes com boa dose de autoajuda.


The Content Trap: A Strategist’s Guide to Digital Change – Bharat Anand

Se você acha que um livro sobre conteúdo serve apenas para fazer cochilar, pense bem. O professor da Harvard Business School, Bharat Anand, discute em seu livro The Content Trap: A Strategist’s Guide to Digital Change como criar conexões através de produção de um conteúdo. Uma estratégia que é muito melhor, segundo ele, do que ficar gastando tempo e recursos para criar o melhor conteúdo. Ele mostra histórias reais sobre como a era digital trouxe oportunidades novas para aqueles que querem aumentar conexões ou benefícios para seus negócios e marcas.

‘Brasil tem boas práticas na educação, mas tem de compartilhá-las pelo país’

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Especialista britânico defende que Brasil crie ambiente de colaboração entre as escolas e incentive aprendizado baseado em problemas reais, que torne o ensino mais eficiente e próximo ao aluno.

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Publicado no G1

Em tempos de crise econômica e austeridade, é ainda mais importante para o Brasil criar um ambiente em que a educação avance e que boas práticas existentes possam ser compartilhadas, diz o especialista britânico David Albury, que participa de projetos educacionais em diferentes partes do país.

Albury é professor visitante de Estudos de Inovação no King’s College, em Londres, diretor da Global Education Leaders’ Partnership (comunidade de líderes e consultores em educação) e presta consultoria a redes de ensino em 13 países.

Na cidade gaúcha de Viamão (RS), ele participa de um plano na rede municipal a partir da metodologia chamada de problem-based learning (ensino baseado em problemas), em que questões relevantes aos alunos e suas comunidades são o ponto de partida para o aprendizado prático e para a busca de soluções pelos próprios estudantes.

Albury esteve em São Paulo recentemente para participar do seminário “Liderança e Inovação na Educação”, da Fundação Santillana. Ele conversou com a BBC Brasil por telefone:

BBC Brasil – Como é o projeto do qual o senhor participa em Viamão (RS)?

David Albury – Pela (metodologia de) “ensino baseado em problemas”, os estudantes participam de projetos e os usam para adquirir conhecimento. Os projetos levantam questões (relativas à comunidade), e os estudantes apresentam ao restante da escola o resultado das pesquisas.

Os estudantes ficam realmente motivados e ganham mais aptidão a aprender, pesquisar, desenvolver habilidades.

BBC Brasil – Como melhorar o desempenho dos estudantes brasileiros, atualmente muito mal posicionados em rankings internacionais de educação?

Albury – De fato é um grande problema: como dar a todos os estudantes do país as habilidades e os conhecimentos que eles precisam para serem bem-sucedidos e prosperarem no século 21.

A primeira coisa é dar condições e apoio para que as escolas e professores desenvolvam boas práticas de ensino, usando exemplos do Brasil e de outras partes do mundo.

É preciso fazer com que as escolas trabalhem juntas de modo que sintam que estão colaborando com um ensino do século 21. Se você cria esse ambiente nas instâncias municipais, estaduais e federal, acho que o (cenário do) país é promissor.

Há centenas de exemplos de inovação de grandes escolas, mas é preciso criar as condições para que essas práticas sejam compartilhadas.

BBC Brasil – Que boas práticas viu no país?

Albury – Fiquei impressionado em especial com uma escola de Viamão em que os estudantes, em grupos, estão realizando projetos nas comunidades ao redor (por exemplo, com reciclagem e arte nas aulas). Dá para ver pelo seu envolvimento que eles estão aprendendo a pesquisar e a resolver problemas.

Há outros projetos em andamento pelo país, como o Escola Digital (plataforma gratuita com videoaulas, jogos e outros recursos de apoio à educação), que ajuda muitas escolas no Brasil a desenvolver recursos digitais e usar tecnologia.

BBC Brasil – Como disseminar mais essas práticas? Uma boa escola pode ajudar uma que não vá tão bem?

Albury – Muito do meu trabalho é ajudar grupos (de determinadas escolas) a se juntarem e compartilharem (seu trabalho), reunindo os professores e elaborando workshops que resultem na criação, em conjunto, de práticas de trabalho com os estudantes.

Espero conseguir também trazer processos e redes de contato do redor do mundo para ajudá-los nesse processo colaborativo e a pesquisar com os próprios estudantes o que eles acham relevante em sua educação.

BBC Brasil – O país ainda tem uma enorme desigualdade na educação. Como combater isso?

Albury – Mesmo nas escolas (que trabalham) em circunstâncias muito difíceis, mesmo nas escolas cujas crianças vêm de famílias muito pobres, é possível criar um ambiente fantástico de aprendizado, que envolva o estudante e o permita desenvolver habilidades básicas.

Claro que é algo de longo prazo, mas o que temos de fazer é juntar a energia e paixão dessas escolas e desses professores.

O governo tem o papel de criar condições para que escolas, professores e entidades parceiras possam colaborar e compartilhar o conhecimento, atravessando fronteiras estaduais.

Não é só uma questão de achar projetos (bem-sucedidos), mas conectá-los para que se tornem ações mais poderosas de aprendizagem.

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BBC Brasil – Podemos melhorar a educação no atual ambiente de austeridade e cortes de gastos na educação?

Albury – Claro que algumas mudanças são muito mais difíceis de serem feitas quando há grandes cortes. Mas sei, a partir de exemplos ao redor do mundo e até de alguns lugares no Brasil, que se você (valorizar) o trabalho e o comprometimento de professores que querem ter um impacto no ensino dos alunos, é possível fazê-lo mesmo em tempos de austeridade.

Muitos estudos mostram que quando países estão diante de dificuldades econômicas, a principal prioridade deve ser fomentar a capacidade dos jovens para que eles se tornem agentes da economia.

Então, em tempos de dificuldades econômicas, é ainda mais importante criar um ambiente em que a educação possa melhorar.

BBC Brasil – O ensino médio é considerado a etapa mais problemática atualmente e convive com altas taxas de evasão e defasagem.

Albury – Temos de ser honestos: a principal razão pela qual tantos estudantes desistem da escola é que eles simplesmente não acham a educação oferecida relevante para suas vidas.

Muitas vezes não é que o estudante esteja desconectado da escola, mas sim que a escola está desconectada dele.

Isso é abordado no “aprendizado baseado em problemas”: criar projetos que despertem o interesse dos jovens, que lhes façam sentir que o aprendizado é realmente relevante para ele e sua comunidade.

Nosso trabalho como educadores e líderes é desenvolver modos que permitam aos estudantes aprender dessas experiências (práticas), focadas em questões que tenham sentido. É assim que você reduz taxas de evasão e aumenta a adesão.

BBC Brasil – O Reino Unido realizou uma reforma educacional alguns anos atrás. Podemos tirar alguma lição dela?

Albury – A primeira lição é: se você liberar o potencial de professores e estudantes para desenvolver boas práticas, ficará surpreso com o poder das inovações que eles produzem.

A segunda é que a reforma focou muito em dar autonomia a cada escola. O que aprendemos desde então é a importância da colaboração, de facilitar que as escolas trabalhem juntas – dar liberdade para as escolas para que elas consigam desenvolver boas práticas mas também apoio com ferramentas, estrutura e condições de compartilhar suas experiências.

Em busca de boas práticas de educação, jovem percorre 58 cidades em 6 meses

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Jovem viajou quase seis meses por 15 Estados brasileiros e o Distrito Federal em busca de práticas educacionais inspiradoras

Caio Dib viajou em busca de experiências educacionais inspiradoras. Entre os lugares que visitou, está o Ceará (foto). Hoje ele dá consultorias e palestras (Foto: Arquivo pessoal)

Caio Dib viajou em busca de experiências educacionais inspiradoras. Entre os lugares que visitou, está o Ceará (foto). Hoje ele dá consultorias e palestras (Foto: Arquivo pessoal)

Marcelle Souza, no UOL

Assim que concluiu a faculdade de jornalismo, Caio Dib, 23 anos, deixou o emprego, pegou a mochila e decidiu partir para uma aventura pessoal e profissional. Não procurava aprender outra língua nem conhecer outro país. Viajou quase seis meses por 15 Estados brasileiros e o Distrito Federal em busca de práticas educacionais inspiradoras.

“Em um momento de minha vida, não via mais sentido em ficar mais tempo dentro do escritório do que conhecendo essas diferentes realidades e conversando com pessoas”, afirma Dib, que atualmente dá consultorias e palestras.

Antes de sair de São Paulo, consultou amigos e usou a sua própria experiência em institutos de educação para mapear mais de 70 cidades. “A ideia inicial era que a viagem durasse três meses, mas, para o desespero da minha mãe, fui ampliando e fiquei seis meses na estrada”, diz.

A lista de escolas mudou muito durante as suas andanças e, no final, o percurso teve 58 municípios. Aos poucos, percebeu que as pessoas que conhecia pelo caminho poderiam indicar experiências tão ou mais interessantes do que as mapeadas no início da viagem. “Fui sozinho, mas pouco tempo eu fiquei sozinho de verdade”, afirma.

“Eu não tinha filtro quando saí daqui. Podia ser escola pública, privada, pré-escola ou educação de jovens e adultos. Eu queria encontrar coisas que vão além do óbvio”.

Deixou de lado os indicadores de qualidade, como o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), e foi atrás de iniciativas que tinham impacto não só na escola, mas também nas famílias e na comunidade. “Eu busco praticas que façam a diferença na vida das pessoas”.

As práticas foram escolhidas de acordo com três critérios: trabalhar de maneira equilibrada com conteúdo e desenvolvimento real para a vida, realizar trabalhos que impactem pessoas dentro da escola e na comunidade e  ter relacionamento com a realidade local.

Histórias viraram um livro

Assim que voltou, Dib montou um site, que tem um mapa com as escolas visitadas, e acaba de publicar o livro “Caindo no Brasil”, que reúne 13 práticas inspiradoras –nove instituições e quatro histórias de pessoas envolvidas com a educação.

“Uma das [práticas] que mais me chamou a atenção foi a Vivendo e Aprendendo, em Brasília. É uma escola associativa de educação infantil que trabalha muito com o aprendizado a partir da vivência e da relação com o outro”, afirma. “É uma escola que desenvolve futuros adultos conscientes e com habilidades e competências que a sociedade demanda, como trabalho em equipe, empatia, responsabilidade, autonomia”.

No caminho, conheceu o Colégio Oficina, em Salvador, que desenvolve atividades para estimular o desenvolvimento da argumentação e do olhar crítico pelos alunos, e a Escola do Sesc no Rio de Janeiro, uma escola-residência que prioriza multiculturalidade e oferece cursos técnicos para estudantes do ensino médio. “Todas as iniciativas têm problemas, o grande negócio é ver as soluções”, afirma.

No livro, Dib conta também histórias de pessoas que conheceu durante a viagem. “A Dayse foi a primeira de sua comunidade a entrar na universidade e mostrou como é importante olhar todos os alunos como pessoas cheias de potencial. O Seu Luiz, analfabeto porque precisaria andar 2 horas para chegar na escola durante a infância, está ajudando a filha a concluir o ensino técnico (um salto educacional enorme em uma geração) e mostrou como os saberes populares e cotidianos são tão importantes quando as letras e números”.

A publicação só foi possível a partir de uma “vaquinha” virtual, em que Dib arrecadou mais de R$ 30 mil com a ajuda de 300 apoiadores. “A viagem foi feita por pessoas. Se não fossem as dicas, os cafés, toda a colaboração on e off-line, não seria como foi. Quis fazer uma campanha de financiamento coletivo justamente para enfatizar que a mudança acontece no plural”.

O dinheiro do financiamento também possibilitou a doação de um livro para cada Estado e o desenvolvimento de uma nova plataforma de mapeamento de boas práticas, que será lançada ainda no segundo semestre. “É preciso olhar para os bons exemplos, aprender com eles e fortificar as redes”, afirma Dib.

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