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Posts tagged Preconceito

O que os heróis da literatura infanto-juvenil podem ensinar para a sua carreira

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Livros para crianças e adolescentes estão recheados de ensinamentos válidos também para a vida profissional

Isabella Carrera, na Época

Uma pesquisa divulgada recentemente na publicação científica Journal of Applied Social Psychology constatou que leitores da série juvenil Harry Potter melhoraram, por meio dos livros, suas percepções sobre grupos estigmatizados. O estudo abordou crianças e adolescentes antes e depois da leitura da obra. Os resultados indicaram que aqueles que compreendiam a representação de fanatismo e preconceito nos textos de J. K. Rowling adquiriram uma visão mais tolerante em relação a imigrantes e refugiados, enquanto quem se identificou emocionalmente com Harry demonstrou uma percepção positiva sobre integrantes do grupo LGBT.

A pesquisa foi feita mostrando o efeito do herói juvenil sobre crianças e adolescentes, mas as lições aprendidas com essas histórias não servem só aos menores. Mensagens sobre amor, respeito e inspiração são aplicáveis a qualquer faixa etária. Inspirados pelo estudo sobre Harry Potter, elaboramos uma lista com outros personagens infanto-juvenis e o que eles têm a nos ensinar para a vida profissional.

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PARA QUEM BUSCA MUDANÇAS NA CARREIRA (OU DE CARREIRA)

1O Hobbit

Saia da zona de conforto e siga uma aventura

Bilbo Bolseiro é um hobbit – criatura que, por definição, é acomodada, adora hábitos e odeia sair de casa. Quando o mago Gandalf bate à sua porta um dia e convida-o para uma missão arriscada, ao lado de desconhecidos e passando por territórios perigosos, Bilbo entra em contato com um lado seu que não conhecia: a coragem de mergulhar em uma aventura inesperada e fazer de tudo para ajudar seus amigos.

PARA QUEM ANDA ESTRESSADO

1O incrível Hulk

Controle o lado emocional em momentos de estresse

As HQs de O Incrível Hulk contam a transformação do cientista Dr. Robert Bruce Banner. Depois de ser submetido a radiação enquanto salvava um adolescente em um teste de uma bomba militar, acaba ganhando uma “segunda personalidade”: o Hulk. Obscura e agressiva, ela só emerge em situações de fúria. Para seguir com uma vida normal, Banner precisa aprender a se manter calmo e controlar suas emoções.

PARA QUEM PRECISA PÔR OS PÉS NO CHÃO

1Peter Pan

Amadureça sem perder a inocência e doçura

Um dos heróis infantis mais famosos, Peter Pan é um menino que nunca cresce. Ele vive na ilha mágica da Terra do Nunca com um grupo de amigos, chamados Garotos Perdidos. Lá, eles não têm responsabilidades e passam o dia com sereias, piratas e fadas. Mas quando Peter Pan conhece os três irmãos Wendy, John e Michael, ele começa a refletir sobre o que é ser adulto.

PARA QUEM ANDA POUCO CRIATIVO

1Calvin e Haroldo

Relaxe, solte sua imaginação e divirta-se

O protagonista dessa clássica tirinha é um garoto loiro, de cabelo espetado e muito atrevido. Adora fazer perguntas aos pais e aprontar pela cidade ao lado do seu tigre de pelúcia Haroldo – quem, com a ajuda da imaginação, vira um melhor amigo e fiel escudeiro. Andar de trenó, deitar nas folhas secas, fazer guerra de bolas de neve … Calvin tem a infância despreocupada e junto à natureza que todos nós queríamos ter. Por isso, a cada quadrinho, o leitor se lembra de parar, esquecer os problemas e curtir mais o dia.

PARA QUEM ESTÁ SE SENTINDO BOICOTADO

1As vantagens de ser invisível

Todos passam por problemas e o apoio dos colegas é fundamental

O protagonista Charlie, um garoto sensível de quinze anos, está no primeiro ano do colegial. Ele tenta superar dois eventos traumáticos – o suicídio de seu irmão Michael e a morte de sua tia Helen. Enquanto busca sentido nas duas tragédias, Charlie conhece Mary Elizabeth, Sam e Patrick. Cada um dos três colegas também passa por problemas pessoais e, juntos, eles se sentem felizes e confortáveis para mostrar sua verdadeira identidade, ser quem quiserem ser.

PARA QUEM ANDA TRABALHANDO DEMAIS

1Onde vivem os monstros

Não se esqueça de sua vida pessoal

Com um enredo lúdico, Onde vivem os monstros conta a história de Max, um menino arteiro que, ao se irritar por levar uma bronca de mãe, foge de casa em um barquinho e chega sem querer em uma ilha. Nela, moram criaturas mágicas, que o coroam rei e conversam com ele sobre saudades, ter um lar e amar a família.

PARA QUEM ESTÁ QUASE DESISTINDO DE LUTAR

1Jogos vorazes

Tenha senso crítico e lute pelo que você acredita

Em um dos mais recentes fenômenos teens, Katnis Everdeen e Peeta Mellark vivem em uma comunidade que há anos se encontra sob a ditadura d’ O Capital. Esse governo promove os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show em que crianças devem lutar entre si, matando seus oponentes para conseguir sobreviver. Katnis e Peeta reconhecem o abuso de poder por parte do presidente Snow e têm coragem de se posicionar contra ele, mesmo sabendo o risco que eles correm ao fazê-lo.

PARA QUEM É MUITO RACIONAL

1O maravilhoso feiticeiro de Oz

Siga o seu coração

A obra de L. Frank Baum, eternizada pela versão cinematográfica com Judy Garland, mostra a garotinha Dorothy sendo levada por uma ventania sua fazenda no Kansas para o mundo mágico de Oz. Procurando o que é preciso para voltar para casa, ela descobre que, na verdade, sempre teve em si mesma o potencial para alcançar o que quisesse.

PARA QUEMESTÁ PRECISANDO ENGAJAR A EQUIPE

1Mary Poppins

Obrigações não precisam ser chatas

Mary Poppins é a governanta mais simpática da literatura. Ela é exigente, mas gentil. Ordena às crianças a arrumação da cama e o horário do banho, mas transforma cada tarefa em uma festa. Cobrar e organizar a equipe não significa ser um carrasco!

PARA QUEM PRECISA TRABALHAR EM EQUIPE

1Desventuras em série

Para superar crises, é preciso se unir

A saga literária começa quando os irmãos Klaus, Sunny e Violet Baudelaire perdem os pais em um incêndio e são obrigados a viver com o terrível Conde Olaf, homem interessado apenas em herdar a fortuna da família. Unidos, os três órfãos fazem de tudo para escapar das más intenções do novo tutor e lidar com a perda de seus parentes.

64% de professores relatam bullying entre alunos na internet, diz pesquisa

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Posts de estudantes nas redes sociais afetam relacionamento na classe.
Segundo pesquisa, 40% dos alunos já sentiram medo por ofensas na web.

No Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, professores de todas as disciplinas trabalham a questão das intrigas virtuais nas aulas (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

No Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, professores de todas as disciplinas trabalham a questão das intrigas virtuais nas aulas (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Ana Carolina Moreno, no G1

O bullying na internet entre colegas da mesma escola sai da web e vira problema na sala de aula, segundo pesquisa feita com professores de escolas particulares. De acordo com os dados, 64% dos docentes afirmam que percebem casos de ofensas pela internet entre os seus alunos, e 73% dizem que as publicações feitas pelos estudantes nas redes sociais provocam problemas de relacionamento entre os colegas.

Da parte dos alunos, 16% relataram já ter sofrido preconceito na internet, 23% revelaram que já sofreram insultos ou outras formas de violência na web, 40% já sentiram medo por alguma situação que aconteceu na rede, e 4% admitiram que evitaram ir à escola ou até sair de casa por causa de ameaças ou ofensas sofridas pela web.

Os dados estão na  edição de 2014 da pesquisa “Este Jovem Brasileiro”, realizada pelo Portal Educacional e obtida com exclusividade pelo G1. A pesquisa ouviu 4 mil estudantes de 13 a 16 anos, além de 300  pais de alunos e 60 professores de 36 escolas particulares em 14 estados brasileiros para traçar um perfil sobre o comportamento deles na internet. Eles responderam às perguntas de forma anônima por meio de um formulário on-line. O estudo foi feito em parceria com o psiquiatra Jairo Bouer.

O uso da internet e das redes sociais não só já faz parte diária da vida de 95% dos estudantes que responderam à pesquisa como também ocupa uma parte considerável: 85% deles dizem que passam pelo menos duas horas navegando pelos sites nos quais se relacionam com outras pessoas.

O acesso à web pelos jovens não acontece só em casa ou na rua. O uso exagerado da internet em sala de aula é apontado como a origem de problemas escolares por 80% dos professores que participaram da pesquisa. Mais da metade dos professores (59%) dizem que os alunos de 13 a 16 anos não têm consciência dos riscos aos quais estão expostos na internet. Além disso, esse hábito se tornou a terceira maior preocupação dos professores em relação aos seus alunos –atrás apenas do rendimento escolar e das dificuldades emocionais.

Intrigas virtuais

Gabriela, ao lado de Alexandre, diz que colegas de sala usam o Secret para enviar indiretas ofensivas uns aos outros (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Gabriela, ao lado de Alexandre, diz que colegas de
sala usam o Secret para enviar indiretas ofensivas
uns aos outros (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Alunas do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, contam que a convivência dos amigos do colégio nos ambientes virtuais acabam criando inimizades quando todos ficam cara a cara na escola e mencionaram por cima diversos casos que se passaram com colegas de suas turmas. “As pessoas ficam postando indiretas. Tem o aplicativo Secret (veja como funciona), que todo mundo usa só para criticar os outros”, explicou Gabriela Santini, de 16 anos. Ela diz que a fonte dos comentários é anônima, mas o conteúdo deixa bem claro o destinatário da ofensa, com nome, sobrenome e o colégio em que estuda.

Sua irmã, Sofia, de 14 anos, diz que não tem Secret e mal usa o Instagram. Para ela, a grande graça do computador é buscar notícias de bandas de quem gosta. Para falar com os amigos, ela prefere o Whatsapp no smartphone. Mas, mesmo sem participar assiduamente das redes sociais, Sofia diz que os efeitos das intrigas virtuais chega até seus ouvidos entre uma aula e outra. “Já vi bastante coisa acontecer, mas não me intrometo, só peço para pararem de brigar”, comentou a aluna do 9º ano do ensino fundamental.

As meninas costumam conviver pouco com desconhecidos on-line. Além do Secret, Gabriela usa o Facebook e o Instagram, todos fechados para quem não é amigo dela. Antes de aceitar um desconhecido que pede para segui-la no aplicativo de fotos, ela pergunta para a mãe se é conhecido dela. “Mas se é um desconhecido que estuda no mesmo colégio eu aceito”, disse.

Além dos amigos, os únicos desconhecidos que Eduarda Vitorino Ferreira Costa, de 14 anos, segue no Instagram são celebridades, mas ela costuma aceitar qualquer pedido para ser seguida. Ela relatou apenas uma situação estranha, quando uma dessas pessoas deixou um comentário chamando-a de “linda” em uma das fotos que publicou. “Eu apaguei, mas depois fui ver e era uma menina da minha idade também”, contou.

A jovem também relatou um caso de bullying pelo Facebook que marcou a turma do 9º ano do colégio, motivado por ciúmes. Segundo a jovem, uma menina da sua sala ficou com um colega e outra menina do mesmo ano, que gostava do menino, pediu para as amigas importunarem a primeira garota. “Elas postavam comentários, marcavam a minha amiga, diziam coisas como ‘você quer o chilete que ela mastigou também?'”, relatou Eduarda. O caso, segundo ela, aconteceu em um sábado, e no domingo houve a briga virtual. “Mas as outras pessoas do colégio ficaram contra elas. Na segunda, elas viram que ninguém tinha gostado e apagaram os comentários.”

Coordenadores de colégios de São Paulo ouvidos pelo G1 compartilham das preocupações apontadas pelos professores na pesquisa. “Há um uso muito indiscriminado e pouca percepção da internet como espaço público”, disse André Meller, coordenador do Colégio Oswald de Andrade. “O que você posta está indo para uma rede mundial, e os alunos postam sem ter essa dimensão.” O colégio, porém, procura não “demonizar” as redes sociais e aplicativos mais usados pelos adolescentes. “O papel da escola é ajudar o aluno a perceber o bom uso da ferramenta.”

Para Valdenice Minatel de Cerqueira, coordenadora do Departamento de Tecnologia Educacional do Dante Alighieri, apesar de os adolescentes estarem anos-luz à frente dos adultos em relação ao conhecimento e uso habitual dessas tecnologias, falta neles a experiência e a maturidade para lidar com os aspectos da internet relativos à convivência. Por isso, ela diz que uma das tarefas da escola é mostrar aos adolescentes informações para as quais muitas vezes nem os pais atentam.

Uma delas é o mito do anonimato. “Tecnicamente a gente sabe que não é possível, mas as pessoas embarcam na ilusão do anonimato”, explicou. Outro conceito trabalhado pelo colégio é a relação do tempo na internet. “As coisas jamais são apagadas das redes sociais, e o tempo digital pode ser constantemente revivido.”

Pais se preocupam menos
De acordo com a pesquisa, para os pais, o comportamento dos filhos na internet é o quarto motivo de preocupação, atrás dos problemas emocionais, da violência e das notas no colégio, e à frente das drogas, do cigarro, do álcool e da sexualidade.

Mas só 16% dos pais afirmaram que seus filhos já enfrentaram problemas ou dificuldades na escola ou com seus amigos por causa do que fizeram nas redes sociais.

A advogada Claudia Mestieri, de 43 anos, é mãe de Gabriela e Sofia. Embora ela saiba que as filhas usam as redes sociais, ela mesma se diz contra o Facebook e decidiu não manter um perfil no site. “Elas são um pouco tranquilas, eu não vejo muito problema. Mas de vez em quando checo o que elas fizeram”, afirmou ela, admitindo que busca no histórico do navegador os sites visitados pelas filhas. Seus irmãos que têm Facebook também procuram observar o comportamento das duas sobrinhas. “Elas usam para falar com os amigos, e eu alerto sempre dos problemas”, disse ela.

A administradora de empresas Janiara Vitorino Arruda, de 39 anos, faz o mesmo com a filha Eduarda, de 14, mas diz que se preocupa menos que o pai com o que a adolescente faz on-line. “Ele faz de tudo para pegar meu telefone desbloqueado”, afirma Eduarda, que ganhou seu primeiro celular aos 4 anos. A mãe diz que as duas conversam normalmente, mas não sabe se a filha esconde coisas dela. “Ela não conta porque eu não pergunto, mas ela é muito estudiosa, nunca faz nada errado”, explicou Janiara. “Eu conto tudo para a minha mãe. Não conto o que é irrelevante, mas se tem a ver comigo eu falo”, diz a filha.

Claudia Mestieri, mãe de Sofia, não tem Facebook, mas checa o histórico de buscas das filhas na internet (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Claudia Mestieri, mãe de Sofia, não tem Facebook,
mas checa o histórico de buscas das filhas na
internet (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Alunos evitam o papo sobre a web

Para 40% dos adolescentes que participaram da pesquisa, não é preciso ter conversas com seus pais sobre segurança na internet, e metade não usa qualquer tipo de filtro para controlar quem pode ver as fotos que publicam nas redes sociais.

As escolas, porém, se preocupam em tratar a questão de forma transversal. No Dante, as equipes que atuam com a tecnologia educacional e com a orientação e o aconselhamento incluem questões como o anonimato, o respeito ao próximo e até aspectos legais do conteúdo postado nas redes. Os demais professores também podem lidar com os temas nas suas aulas. Além disso, os alunos do ensino médio –que recebem tablets pessoais para uso pedagógico, e o colégio instituiu um comitê de alunos que se reúne com a direção toda semana e aborda as questões técnicas e comportamentais.

No Oswald, segundo André Meller, os professores são incentivados a mostrar outros usos das redes sociais aos alunos, sempre respeitando a idade mínima determinada pelos próprios sites. Um exemplo é a criação de grupos no Facebook destinados a um certo tema pesquisado em um projeto. Mas a escola também mostra para os alunos que há outras ferramentas úteis na internet além das redes sociais, e o próprio colégio desenvolve algumas delas.

Os celulares e tablets não são proibidos e podem ser usados sempre que há um fim pedagógico para eles, como o acesso a sites de pesquisa ou de reprodução de um vídeo, por exemplo. “As ferramentas entram no momento que está combinado”, diz Meller.

Nenhuma das alunas ouvidas pelo G1 admitiu ter publicado conteúdo ofensivo sobre terceiros na web. Mas, de acordo com os dados da pesquisa, 72,5% admitiram já ter mentido na internet e 37% disseram que já agiram de modo agressivo ou ofensivo com alguém pela web. Os alunos concordaram que a internet torna mais fáceis a agressão, o preconceito e as mentiras, e 37,5% já se arrepederam de algum conteúdo que publicaram.

Para Valdenice, do Dante, hoje vivemos em uma cultural digital “que ninguém escolheu” e, por isso, é preciso definir com os mais jovens algumas regras de conduta para que eles não se percam por trás do anonimato. “É papel da escola trazer os alunos para o mundo dos adultos. E é assim que o mundo dos adultos funciona”, diz Valdenice.

Psicólogos descobrem surpreendente efeito de Harry Potter sobre os leitores

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Duda Delmas Campos, no Literatortura

Que o nosso Harry é o marco de uma geração, tanto para trouxas como para bruxos, já sabíamos. E que foi um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos também. Mas psicólogos descobriram que o poder e influência de Harry são muito, muito mais amplos e benéficos do que imaginávamos: três estudos recentes afirmam que Harry Potter é capaz de reduzir a intolerância de jovens para com grupos estigmatizados, como homossexuais, refugiados e imigrantes (além de nascidos trouxas, é claro).

Os estudos estão reunidos em um artigo no Jornal de Psicologia Social Aplicada e foram realizados na Itália e no Reino Unido. É importante conhecer sua localização para que nos situemos quanto a uma Europa onde, devido à crescente imigração e à crise política e econômica, movimentos xenófobos e uma extrema direita altamente conservadora têm-se erguido, ameaçando o frágil panorama sociopolítico do continente. E isso apenas aumenta a relevância d’O Menino-que-sobreviveu e seus quase mágicos efeitos sobre os leitores.

Um primeiro estudo, na Itália, submeteu 34 alunos de quinta série a um invejável curso de imersão de 6 semanas sobre Harry Potter. Os pesquisadores fizeram com que os estudantes preenchessem um questionário sobre imigrantes, para então dividi-los em dois grupos, que leram passagens selecionadas da saga. Um grupo discutiu preconceito e intolerância como temas dos livros, enquanto o outro, que era o grupo de controle, não. Ao fim, os primeiros mostraram “melhores atitudes em relação aos imigrantes”, mas apenas caso se identificassem com nosso Eleito, Harry.

Já a outra pesquisa italiana envolveu 117 alunos de Ensino Médio e obteve como resultado que a identificação emocional do leitor com Harry estava associada a uma percepção mais positiva sobre a comunidade LGBT. Finalmente, o estudo britânico, feito com alunos de universidades, não encontrou relações entre o vínculo do leitor com Harry e a visão acerca dos refugiados, mas concluiu que estudantes cuja identificação com Voldemort havia sido menor apresentaram “melhores atitudes em relação a refugiados”.

De uma maneira mais geral, os pesquisadores atribuíram à série a otimização da capacidade do leitor de assumir a perspectiva de grupos marginalizados, de observar a sociedade sob outra ótica que não a dominante. Além disso, afirmaram que, com o auxílio de professores, crianças pequenas conseguiram entender que o apoio de Harry aos “sangue-ruins” era uma alegoria à própria intolerância na vida real.

Obviamente, no entanto, a simples leitura dos livros pode não ser o único fator para explicar a melhora na percepção de minorias, afinal, estamos trabalhando com algo relativamente abstrato. Ainda assim, é inegável que somos e refletimos aquilo que lemos, ouvimos, vemos e sentimos e, nesse sentido, é inegável que sejamos modificados pelos estímulos que recebemos. Não só isso, mas em última instância as pesquisas acabaram comprovando aquilo que sempre foi o “carro-chefe promocional” dos livros e da arte em geral: eles transformam. Livros têm a capacidade de contemplar e transmitir sentidos e valores que aos poucos e espontaneamente se tornam intrínsecos ao seu alvo, sem todo o falso moralismo que outros veículos podem oferecer.

Todo o caso lembra muito uma citação do autor inglês G. K. Chesterton, usada até como epígrafe de “Coraline”, do também britânico, Neil Gaiman: “Contos de Fadas são mais que verdadeiros: não porque nos ensinam que dragões existem, mas porque nos ensinam que dragões podem ser combatidos.”. Nessa situação específica, deixe o Rabo Córneo Húngaro, o Verde Galês e o Meteoro Chinês para o Carlinhos (Charlie) Weasley e leia, no lugar deles, preconceitos, intolerâncias e estigmas, pois, como afirmou a própria J. K. Rowling, muito acuradamente: “Os livros de Potter são, em geral, um prolongado argumento pela tolerância e um prolongado pedido pelo fim do preconceito.”. Então que ergamos a nossa própria Fonte dos Três Irmãos Mágicos, em nome da igualdade de todos.

Ah, Harry, obrigada por salvar os mundos várias vezes.

Harry Potter ensina tolerância, dizem pesquisadores

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Harry-Potter-ensina-tolerância-dizem-pesquisadores

Publicado no Portal Ponta Grossa
Um garoto com um raio na testa, um menino com uma família que enfrenta dificuldades financeiras e uma garota esperta que não sente que pertence inteiramente à sua sociedade. E, claro, todos os três são bruxos. O enredo da série de livros Harry Potter, segundo estudo de psicólogos de diferentes universidades europeias, além de instigar a imaginação dos leitores, estimula que jovens apresentem mais tolerância e qualifiquem suas percepções sobre grupos estigmatizados, como homossexuais, imigrantes e refugiados.

Para tanto, o grupo de pesquisa, que reuniu cientistas das Universidades de Modena e Régio Emília, Padova e Verona, na Itália, e Greenwich, na Inglaterra, conduziu o estudo em três etapas. Na primeira delas, foi realizada pesquisa com 34 estudantes do que equivaleria ao 5º ano do ensino fundamental, que participaram de um curso de seis semanas estudando e discutindo os livros da série.

No início, os pesquisadores aplicaram questionários com as crianças sobre a percepção delas sobre os imigrantes, tema de importante discussão nos países do estudo. Os estudantes foram divididos e dois grupos, que leram trechos selecionados dos livros. O primeiro grupo discutiu preconceito e intolerância, assumindo eles próprios como personagens do livro, interpretando as passagens como se fossem parte da turma e o próprio Harry. O outro grupo fez o mesmo, só que sem a interpretação dos personagens. Como resultado, aferiu-se que as crianças que se identificavam como Harry, apresentaram melhora expressiva na forma de perceber e agir em relação aos imigrantes.

Em um segundo momento, com 117 estudantes do ensino médio de uma escola italiana, os pesquisadores perceberam que a ligação emocional dos alunos com o personagem de Harry fazia com que os jovens fossem mais tolerantes à população LGBT. E, em uma terceira etapa, dessa vez com estudantes universitários, percebeu-se que a identificação com Harry não fazia os estudantes mais tolerantes aos refugiados. Contudo, indicou que aqueles que tinham menor conexão com o Lorde Voldemort – o vilão da história – melhoraram significativamente suas percepções e atitudes em relação à população em situação de refúgio.

Ainda como resultado do estudo, os pesquisadores perceberam que além dos resultados expressivos em relação a alguns grupos sociais, de maneira geral, os leitores da série apresentaram melhora na forma de perceber e reconhecer grupos marginalizados. Os autores, que publicaram o estudo na Revista de Psicologia Social Aplicada, periódico relevante na área, ainda afirmaram que, com o estímulo de um professor – envolvido no estudo -, os estudantes conseguiram entender que o constante apoio demonstrado por Harry aos “sangue ruim” (pessoas bruxas filhos de não-bruxos, os “trouxas”) e mestiços (pessoas filhas de bruxos e trouxas) era uma alegoria à intolerância na vida real.
O livro

Na série, além do perfil de defensor dos “trouxas, mestiços e sangue ruim”, Harry se mostrava companheiro de Ron, que embora filho de bruxos, vinha de uma família com variadas dificuldades financeiras. “A Hermione era bastante tolerante também. O trio – Ron, Harry e Hermione – lutava pelos direitos dos demais como um todo”, afirma Daiane Santos, 28, que leu a saga ainda adolescente.

Para a jovem, em Harry Potter o leitor encontra um mundo onde tudo é possível, para todo mundo, independente da realidade e contexto de cada um. “Mesmo caricatos, os personagens diferentes são os que contam e transformam a história”, explica, discutindo que, para ela, a magia da literatura reside justamente na possibilidade do encontro com outras realidades. “Leio porque quero me encontrar em outros cenários, me ver em outras situações. É aí que penso como eu seria se fosse diferente, o que eu faria, como eu agiria nessa situação, e isso transforma a forma como eu me vejo e como eu vejo os outros”, justifica.

Beatriz Ribeiro Fraga, 12, estudante do 8º ano de uma escola na capital paulista, concorda com a ideia de que livros de fantasia como Harry Potter são sempre um convite a perceber e reconhecer a importância do diferente na sociedade. “Nessas histórias percebemos que as pessoas juntas, cada uma de um jeito, com as suas características , quando se unem, conseguem vencer seus desafios”, discute.

E, para a garota, os livros, independentemente do gênero, são sempre um convite para que o leitor se reconheça e descubra muito sobre si mesmo. “Os livros fazem com que a gente pense sobre quem somos e podem nos mostrar que podemos ser quem somos, e que também podemos nos transformar”.

Harry Potter ensina a lutar contra o preconceito

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Pesquisa revela o que os fãs da série já sabiam: ler as aventuras do ‘menino que sobreviveu’ faz de você uma pessoa melhor

(FOTO: FLICKR/ ESCALLA)

(FOTO: FLICKR/ ESCALLA)

Luciana Galastri, na Revista Galileu

Uma pesquisa, publicada noJournal of Applied Social Psychology, mostra que a leitura de Harry Potter ensina crianças a lutar contra o preconceito. De acordo com os psicólogos responsáveis pelo estudo, da Universidade de Modena e Reggio Emilia, ler a série torna mais favorável a percepção de jovens sobre minorias como imigrantes, homossexuais e refugiados.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores criaram um experimento em três fases. Na primeira, ministraram um curso de seis semanas sobre o universo de Harry Potter para 34 alunos da quinta série (também queríamos um curso desses quando estávamos na escola). Depois os estudantes receberam um questionário – e os que se disseram interessados pelas aulas e sabiam mais sobre o mundo bruxo se mostravam mais favoráveis a situação de imigrantes na Europa.

A segunda parte do estudo analisou 117 estudantes do ensino médio – novamente, aqueles que leram e gostaram de Harry Potter tinham opiniões positivas sobre questões homossexuais. E a terceira etapa analisou estudantes do Reino Unido e mostrou que os Potterheads ‘que se identificavam menos com o personagem de Voldemort’ (que, lembrando, quer um mundo dominado por bruxos, onde pessoas sem poderes mágicos não teriam lugar) também se preocupavam com refugiados.

Aparentemente, a maior conquista de Harry não é derrotar Voldemort. Sua luta para manter os trouxas seguros, assim como os bruxos que não são “sangues-puros”, se reflete no pensamento de fãs da série, transpostos no mundo real como um posicionamento mais forte e positivo em relação às minorias. Infinitos pontos para a Grifinória!

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