Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Prêmio São Paulo de Literatura

‘Anatomia do paraíso’ é escolhido o melhor romance de 2015

0
Beatriz Bracher foi a vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura com ‘Anatomia do paraíso’ - Leo Martins / Agência O Globo

Beatriz Bracher foi a vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura com ‘Anatomia do paraíso’ – Leo Martins / Agência O Globo

 

Além do prêmio de R$ 200 mil, Beatriz Bracher irá à Feira de Guadalajara

Alessandro Giannini, em O Globo

SÃO PAULO — Beatriz Bracher recebeu na noite desta segunda-feira o Prêmio São Paulo de Literatura de melhor romance do ano, com “Anatomia do paraíso” (Editora 34). Entre os estreantes, Marcelo Maluf venceu na categoria reservada a autores com mais de 40 anos, com “A imensidão íntima dos carneiros” (Reformatório), e Rafael Gallo na de escritores com menos de 40, com “Rebentar” (Record). É a primeira vez, desde a criação do concurso, em 2008, que autores paulistas ganham em todas as categorias.

— Tem prêmios que são muito importantes, mas este tem uma importância maior porque é uma meio de fazer o meu livro chegar ao leitor. Este romance, inclusive, intimida as pessoas, que podem achar muito difícil o fato de ter um poema, “Paraíso perdido”, do John Milton, como tema. Mas não é necessário. Acho que a história tem mais a ver com o aprofundamento das relações entre o homem e a mulher — disse Beatriz.

Além do prêmio de R$ 200 mil, a vencedora desta edição ganhará um bônus: Beatriz participará da Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Gallo e Maluf receberam R$ 100 mil cada um.

— Embora inicialmente o júri tivesse opiniões divergentes, não foi difícil chegar a um consenso, o que indica um corpo de finalistas muito bom e também uma escolha final muito segura. Sobre o fato de serem autores paulistas, é uma novidade para mim, porque não levamos isso em conta em momento algum — disse o escritor Estevão Azevedo, vencedor em 2015 (com “Tempo de Espalhar Pedras”), e que fez parte do corpo de jurados, com o professor Adriano Schwartz, a crítica Elisabeth Brait, a editora Heloísa Jahn e o poeta Ronald Polito de Oliveira.

Escritora, editora e roteirista de cinema, a paulistana Beatriz, de 55 anos, estreou na literatura com “Azul e dura” (2002, 7 Letras). Mas ganhou projeção com seu terceiro livro, “Antonio” (2007, Editora 34), que ficou em terceiro lugar no Prêmio Jabuti e em segundo lugar no Prêmio Portugal Telecom e foi finalista do Prêmio SP de Literatura. “Meu amor” (2009, Editora 34) recebeu o Prêmio Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional, de melhor livro de contos de 2009.

Mais ambicioso dos três romances premiados, “Anatomia do paraíso” conta a história de um jovem estudante de classe média que escreve uma dissertação de mestrado sobre o poema épico “Paraíso perdido” (1667), de John Milton, e seu envolvimento com as vizinhas. Propõe, diz Azevedo, várias camadas de leitura:

— Por um lado, o livro conversa com a literatura, a crítica literária e a tradução; por outro, tem um drama urbano que fala do corpo que sofre e que goza.

FICÇÃO E REALIDADE

“A imensidão íntima dos carneiros” parte de um dado autobiográfico de Maluf, nascido em Santa Barbara D’oeste, em uma família de imigrantes libaneses, para criar um romance de ficção. O autor se coloca como personagem da saga que remonta à história do avô nas montanhas de Zahl, no Líbano, e chega até a ditadura no Brasil.

Em “Rebentar”, por sua vez, Gallo, também paulistano, faz uma prosa realista, na qual não há espaço para a fabulação. No romance, ele conta a história de Ângela, uma mãe que espera pelo filho desaparecido há três décadas e, apesar de tudo, precisa fazer sua vida seguir adiante.

A nona edição do Prêmio São Paulo de Literatura teve finalistas de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco e Rio de Janeiro. Também teve, pela primeira vez, um finalista internacional, o moçambicano Mia Couto, com “Mulheres de cinzas — As areias do Imperador 1” (Cia. das Letras).

Escassez de mulheres no mundo editorial é questionada

0
Ana Luisa Escorel, primeira mulher a vencer o Prêmio São Paulo de Literatura - Fernando Donasci / Agência O GLOBO

Ana Luisa Escorel, primeira mulher a vencer o Prêmio São Paulo de Literatura – Fernando Donasci / Agência O GLOBO

Escritoras se fazem menos presentes no topo das premiações e em antologias

Bolívar Torres, em O Globo

RIO — No último dia 10, Ana Luisa Escorel venceu o Prêmio São Paulo de Literatura. Na semana seguinte, outra escritora, Marina Colasanti, também levou a láurea máxima de um prêmio tradicional, o Jabuti. Aos apressados, pode parecer que as mulheres estão dominando a cena literária. Mas não é bem assim. Logo que se anunciou o resultado do Prêmio São Paulo, Ana Luisa lembrou em seu discurso que, desde a sua criação, em 2008, esta foi a primeira edição a premiar uma autora feminina na categoria principal. O padrão é seguido por outras premiações: entre todos os vencedores do Portugal Telecom, há somente três mulheres (Beatriz Bracher, Marina Colasanti e Cíntia Moscovich), e nenhuma delas levou o prêmio principal. O fato trouxe à tona um tema ainda pouco discutido. Menos publicadas, divulgadas e premiadas, as mulheres sofreriam preconceito no mundo editorial?

— Trabalho com a questão feminina há mais de 20 anos e posso dizer que a situação melhorou bastante — avalia Marina Colasanti. — No passado, o reconhecimento e a presença feminina eram raríssimos. Houve progressos por uma questão de mercado, já que mulheres leem mais, mas também por causa avanço do feminismo e do número de mulheres na pós-graduação.

No início do mês, foi a vez de uma antologia de resenhas sobre escritores, “Por que ler os contemporâneos? — Autores que escrevem o século XXI” (Dublinense), causar polêmica nas redes sociais. Entre os 101 nomes resenhados, apenas 14 eram mulheres (nenhuma brasileira). Um dos editores da antologia junto com Léa Masina, Daniela Langer e Rafael Bán Jacobsen, o escritor Rodrigo Rosp diz que a publicação foi montada sem qualquer preocupação que não fosse a literatura em si.

— Não nos preocupamos se havia excesso ou escassez de homens, mulheres, homossexuais, judeus, índios, negros, americanos, orientais, etc. — defende-se Rosp, lembrando que há nada menos do que 42 resenhistas mulheres na antologia. — Em muitos casos, a escolha de um autor homem partiu das próprias resenhistas. Sabíamos que antologias sempre provocam críticas, então deixamos o processo ser o mais autêntico possível. Para mim, o que houve foi apenas queixa, vulgarmente chamada de “mimimi”, de algumas pessoas que não ficaram satisfeitas com o nosso livro. Vale lembrar que, entre os autores brasileiros selecionados, também não há nenhum negro. E isso não está sendo questionado…

Também premiada nesta edição do Prêmio São Paulo, na categoria autor estreante, Veronica Stigger se diz “chocada” com a disparidade na antologia.

— Chega a ser afrontoso o número inexpressivo de mulheres presentes nesta antologia, ainda mais se levarmos em consideração a quantidade de escritoras em atuação hoje — lamenta. — E mais: trata-se de uma antologia cuja organização está encabeçada por uma mulher, Léa Masina. É chocante como o machismo é incorporado e naturalizado até mesmo pelas mulheres.

Segundo Veronica, a falta de mulheres no topo das premiações literárias do país também reflete um machismo arraigado na cultura brasileira.

— Como o racismo, insistimos em não reconhecer — afirma. — Sempre que é preciso escolher entre um homem e uma mulher, escolhe-se, porque parece “natural” ou “lógico”, o homem. Em suma, a mulher é sempre, literalmente, dispensável: não parece fazer falta, sobra no cômputo final. Ora, o que se está fazendo, ao se deixar essas vozes de fora, é silenciar a singularidade de experiência que uma mulher tem pelo simples fato de ser mulher num mundo todo feito contra ela (para parafrasearmos Clarice Lispector, a única mulher homenageada em doze edições da FLIP), singularidade que uma escritora mulher, acredito, pode reinventar literariamente com maior conhecimento de causa do que um escritor homem. Sempre que é preciso escolher entre um homem e uma mulher, escolhe-se, porque parece “natural” ou “lógico”, o homem. Em suma, a mulher é sempre, literalmente, dispensável: não parece fazer falta, sobra no cômputo final.

Mulheres formam a maior parte do leitorado, mas, paradoxalmente, no Brasil, as autoras enfrentam maiores desafios para a publicação, acredita a agente literária Luciana Villas-Boas. Para a a ex-diretora editorial da Record, os obstáculos para as mulheres já começam nas editoras.

— Há no meio editorial a ideia de que toda autora quer ser Clarice Lispector, oferecendo um tipo de pastiche clariceano odiado pelo público — diz Luciana. — Com um número tão inferior de mulheres publicadas, é natural que elas sejam menos contempladas nas premiações.

Segundo a agente, a mulher é, no Brasil, ainda mais discriminada literariamente do que o negro.

— Até porque temas como a violência urbana e a favela, que passam pela raça, são considerados palpitantes. É verdade que, em um segmento muito comercial, de rigoroso entretenimento, como a chamada literatura “de mulherzinha”, ou “chicklit”, ou “novo adulto”, predominam as escritoras voltadas para um público essencialmente feminino. E é o segmento que mais cresce no Brasil.

Fique de olho: eles podem virar imortais

0

Nathália Bottino, no Brasil Post

No mês de julho, a ABL perdeu três grandes nomes da literatura nacional: Ivan Junqueira, João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna. Essas cadeiras passam agora para Ferreira Gullar, Evaldo Cabral de Mello e Zuenir Ventura. E assim a vida na Academia segue. Mas a questão é: quem são os jovens de hoje que vão se sentar nas cadeiras nos próximos anos? Com base numa lista divulgada pela renomada revista literária Granta dos melhores jovens autores do Brasil e finalistas e vencedores de prêmios como o Jabuti e o Prêmio São Paulo de Literatura, fiz uma seleção com os autores promissores que podem virar imortais nos próximos anos. Vale a pena ficar de olho neles! 😉

1

Daniel Galera
Nasceu em 1979, em São Paulo, mas passou a maior parte da vida em Porto Alegre. É um dos criadores da editora Livros do Mal, pela qual publicou o volume de contos Dentes guardados. É autor dos romances Até o dia em que o cão morreu, adaptado para o cinema, Mãos de cavalo, publicado também na Itália, na França, em Portugal e na Argentina, Cordilheira e Barba ensopada de sangue.

Por que ficar de olho?
O garoto venceu o Prêmio Machado de Assis de Romance, da Fundação Biblioteca Nacional, com o romance Cordilheira. Ele está na lista da revista Granta dos melhores escritores brasileiros jovens, é finalista do Prêmio Jabuti de Melhor Romance com Barba ensopada de sangue e venceu, com a mesma obra, o melhor livro do ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura 2013.

1

Ricardo Lísias
Nasceu em 1975, em São Paulo. É autor de Anna O. e outras novelas, Cobertor de estrelas, traduzido para o espanhol e o galego, Duas praças, O livro dos mandarins, atualmente sendo traduzido para o italiano. Em 2012, publicou o romance O céu dos suicidas, depois Divórcio e recentemente lançou Intervenções: álbum de crítica, obra exclusiva no formato digital.

Por que ficar de olho?
Reconhecimento não falta para ele: foi o terceiro colocado no Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira de 2006 com Duas praças, finalista do Prêmio Jabuti de 2008 com Anna O. e outras novelas, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010 e 2013 (com O céu dos suicidas) e finalista do Jabuti 2013 de melhor romance com a mesma obra. Seus textos já foram publicados na Piauí e nas edições 2 e 6 da revista Granta em português, que, aliás, indicou Lísias como um dos melhores autores jovens do Brasil.

1

Tatiana Salem Levy
Tatiana é escritora, tradutora e doutora em estudos de literatura pela PUC-Rio. A autora, que nasceu em Lisboa, mas se naturalizou brasileira e vive no Rio, escreveu o ensaio A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze e os romances A chave de casa, Dois rios, e o infantojuvenil Tanto mar.

Por que ficar de olho?
Seu romance A chave de casa foi finalista do prêmio Jabuti 2008 e deu à autora o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante, além de ter sido publicado em Portugal, França, Espanha, Itália, Turquia e Romênia. Tanto mar venceu o Prêmio ABL de Literatura Infantojuvenil. Além disso, a autora também integra a lista Granta dos melhores escritores jovens do Brasil.

1

Antonio Prata
Nasceu em 1977, em São Paulo, e, além de roteirista, Antonio tem nove livros publicados, entre eles Douglas, Meio intelectual, meio de esquerda, Felizes quase sempre e Nu, de botas. Ele já foi colunista da revista Capricho, do jornal O Estado de S. Paulo e atualmente é colaborador da Folha de S. Paulo.

Por que ficar de olho?
Antonio Prata está entre os melhores escritores jovens do Brasil, de acordo com a revista Granta, seu livro Felizes quase sempre foi finalista do Jabuti 2013 como melhor romance infantil e, com Nu, de botas, venceu o 2º Prêmio Brasília de Literatura na categoria crônicas. (mais…)

Go to Top