Contando e Cantando (Volume 2)

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Como um livro entregue na solitária transformou preso em aluno de uma das principais universidades dos EUA

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Reginald Dwayne Betts foi preso aos 16 anos por roubo à mão armada - arquivo pessoal

Reginald Dwayne Betts foi preso aos 16 anos por roubo à mão armada – arquivo pessoal

 

O americano Reginald Dawyne Betts era um garoto estudioso que nunca havia tido problemas com a Justiça – até cometer um “erro terrível” em dezembro de 1996, aos 16 anos.

Publicado na BBC Brasil

Um homem estava dormindo em seu carro no estacionamento do shopping de Springfield. Eu e um amigo o roubamos à mão armada e levamos seu carro”, conta ele.

“No dia seguinte, voltamos ao shopping para fazer compras e levantamos suspeitas por termos usado o cartão de crédito de outra pessoa. Saímos correndo, mas a polícia nos pegou.”

Betts foi preso e enviado a um reformatório juvenil. Três meses depois, foi julgado como adulto.

O juiz do caso chegou a dizer, antes de dar a sentença, que não tinha ilusões de que a prisão ajudaria Betts.

“Naquele momento pensei que ele me deixaria ir para casa, mas em seguida ele disse que eu poderia tirar algo bom dessa experiência, se assim o quisesse.”

Betts acabou provando que o juiz tinha razão. Hoje, aos 35 anos, acaba de se formar em Direito pela Universidade Yale, uma das instituições de maior prestígio dos Estados Unidos, é um poeta de sucesso. Ele diz que a virada em sua vida veio quando estava atrás das grades.
‘Milagre’

Condenado a nove anos de prisão, ele diz ter sido mandado várias vezes para a solitária por infrações como xingar um guarda ou se recusar a ser trancado em sua cela.

Uma dessas ocasiões provocou uma mudança radical em sua vida. “Algumas vezes acontecem coisas que parecem um milagre, e essa é uma delas.”

Ele conta que, em geral, livros eram vetados na solitária. Mas a regra não valia para detentos mantidos nesse regime para sua própria proteção.

“Você podia gritar para que alguém te mandasse um livro, e um completo estranho te enviava o que ele tinha”, afirma Betts.

Em uma dessas ocasiões, uma antologia de poemas escritos por negros, intitulada “Poetas Negros”, chegou às mãos do jovem detento. “Aquilo mudou minha vida.”
‘Valor à escrita’

Ler o poeta Etheridge Knight enquanto estava preso ensinou a Betts o 'valor da palavra escrita'

Ler o poeta Etheridge Knight enquanto estava preso ensinou a Betts o ‘valor da palavra escrita’

 

Um dos poetas que Betts leu foi Etheridge Knight (1931-1991), que escreveu sobre o período em que passou preso. “Ele não ficou culpando os outros, mas descreveu seus próprios problemas, experiências e vícios. Ele me fez dar valor à palavra escrita”, diz Betts.

“Knight, em especial, foi um sujeito que virou poeta na prisão e fez sucesso com seus textos após ser libertado. Ler ele e outros poetas me fez decidir ser também um poeta.”

Betts diz que isso o ajudou a aguentar o tempo que passou na prisão e, após sua libertação em 2005, o levou para um caminho completamente diferente.

Cinco anos depois, ele estava casado, tinha dois filhos e um emprego, estudava Literatura na faculdade e havia publicado livros antes de completar 30 anos.

Ele é o autor de “Uma Questão de Liberdade: Memórias de Aprendizado, Sobrevivência e Amadurecimento na prisão” e das coleções de poemas “Shahid Lê a Palma da Própria Mão” e “Bastardos da Era Reagan”.
Interesse pelo Direito

O período na prisão também despertou nele o interesse pelo Direito, mas ser advogado não era exatamente um objetivo de vida.

Mas Betts passou a vislumbrar essa possibilidade quando escrevia um dos seus livros de poesia na biblioteca da escola de Direito de Harvard.

“Quando estava na prisão, havia feito um curso básico de Direito, escrevi uma petição de habeas corpus por conta própria, trabalhei na biblioteca de livros jurídicos. Ao voltar para casa, participei a atuar como ativista. Meu mundo já estava dividido entre Direito e Literatura.”

Ele se inscreveu para faculdades de Direito e foi aceito em várias, entre elas quatro das universidades do grupo de elite dos Estados Unidos, a Ivy League, do qual Yale faz parte.

“Eu havia estado preso, e todos sabiam disso. Mas, quando me formei, fui escolhido para carregar a bandeira e liderar minha classe na entrada da cerimônia. Isso foi muito legal.”
Inspiração

Betts não esconde seu passado dos filhos. Recentemente, convidado a dar uma palestra na escola do filho mais velho, fez uma consulta a ele.

“Perguntei o que deveria falar, e ele sugeriu que falasse de mim. Respondi que, se citasse meus livros, teria que abordar meu período na prisão. Ele disse que deveria fazer aquilo, pois poderia ser inspirador para alguém”, diz Betts.

“Então, é meu filho quem me inspira hoje. Porque é fácil sentir vergonha de alguém que foi preso, mas ele sabe que alguém pode ter sua redenção: ir para a prisão e tornar-se uma pessoa diferente. Ele sabe quem sou hoje e que não deveria esconder os meus erros.”

Preso envia carta à editora com pedido de exemplar de livro

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Anthony Steffen, ator brasileiro, cuja biografia foi solicitada pelo preso à editora. Wikimedia Commons

Anthony Steffen, ator brasileiro, cuja biografia foi solicitada pelo preso à editora. Wikimedia Commons

 

Cristina Luckner, no Quem Inova

Uma boa história de bangue-bangue é capaz de nos fazer viajar para os cenários do velho oeste com seus duelos entre pistoleiros, saloons e a imagem dos rolos de feno dançando com o vento sobre o chão de terra. Era nesse cenário que um detento da penitenciária de Araraquara entrava quando abria o exemplar do livro “Anthony Steffen, a saga do brasileiro que se tornou astro do bangue-bangue à italiana”. O livro é a biografia do brasileiro Antonio Luiz de Teffé, ator de filmes westerns spaghetti, sucesso no Brasil e no mundo.

O detento, porém, não sabe como termina a história de seu ídolo. O exemplar havia sido emprestado por um companheiro de cela que foi transferido de presídio e levou a obra na bagagem, sem que ele pudesse terminar a leitura. Foi então que o rapaz, condenado a sete anos de prisão por tráfico de drogas (e que fazia isso por conta do vício, como ele narra), resolveu enviar uma carta à Matrix Editora com a solicitação de doação de um exemplar do livro. Na carta, o detento pede também “Bem-vindo ao inferno”, porque ficou sabendo do livro, e muitos presos se interessam em conhecer mais detalhes da luta de Vana Lopes – essa “mulher de fibra” nas palavras do remetente – para prender Roger Abdelmassih.

“Estou enviando a doação. O rapaz ainda tem dois anos de pena a cumprir. Já livre do vício, como ele conta, e com muita leitura, sei que será uma pessoa a mais para construir uma sociedade melhor”, diz Paulo Tadeu, editor da Matrix. Obrigada, Paulo. A gente também concorda que, com muita leitura, ele poderá contribuir para essa sociedade melhor, que todos desejamos.

Arquivo pessoal/Paulo Tadeu

Arquivo pessoal/Paulo Tadeu

 

Arquivo pessoal/Paulo Tadeu

Arquivo pessoal/Paulo Tadeu

Aluno de universidade britânica é preso por hackear sistema para melhorar notas

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Quatro dispositivos foram instalados para rastrear o que era digitado

Estudante foi preso por 4 meses - Divulgação

Estudante foi preso por 4 meses – Divulgação

Publicado em O Globo

Um aluno que invadiu os sistemas de computador de sua universidade para melhorar suas notas foi preso por quatro meses. Imran Uddin, 25, escondeu quatro dispositivos que rastreiam o que é digitado em computadores da Universidade de Birmingham para roubar logins pessoais, disse a polícia em Midlands Ocidentais.

Ele, então, teria usado as informações para acessar o sistema de notas e melhorar as suas em bioquímica. No entanto, foi descoberto quando um professor percebeu uma das caixas pretas e retangulares no computador, secretamente gravando tudo que era teclado.

Uma investigação interna foi iniciada e descobriu-se mais três – incluindo um ligado a uma máquina em uma área segura do campus que teoricamente só é acessível aos funcionários.

A polícia foi chamada e os detetives da Unidade Regional de Crime Cibernético decifrou os dados e chegou à conclusão de que Uddin estava acessando o sistema usando contas de funcionários para melhorar suas notas. No tribunal, ele foi culpado por seis delitos pela Lei de Desvio de Informática.

“A audácia de Uddin de instalar não apenas um, mas quatro desses dispositivos mostrou quão determinado ele estava em falsificar para conseguir uma nota melhor”, disse o detetive Mark Bird.

Condenado a 124 anos, preso da Paraíba estuda “para ser uma pessoa melhor”

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Valternilson Arruda Ribeiro, 38, já está há 17 anos na cadeia (foto: Beto Macário/UOL)

Valternilson Arruda Ribeiro, 38, já está há 17 anos na cadeia (foto: Beto Macário/UOL)

Aliny Gama, no UOL

Valternilson Arruda Ribeiro, 38, é um dos alunos mais ativos do Campus Serrotão da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba), em Campina Grande. Ele frequenta as aulas do curso preparatório para o Enem, faz curso técnico pelo Pronatec, também oferecido pela UEPB, e participa do projeto de leitura e escrita em grupo.

Quando começou a cumprir sua pena, há 17 anos, ele não havia sequer terminado o ensino fundamental, tinha feito até o 6º ano. Ribeiro não é de falar muito nem gosta de comentar os crimes que o levaram a uma condenação de 124 anos e nove meses. Foram cinco homicídios. Ele apenas comenta que não fará nada semelhante quando sair de lá.

“Viajo nos pensamentos e não me sinto preso quando estou aqui na universidade”, afirma. “Estou traçando planos para minha nova vida, pois terei de aprender a andar de novo quando sair da cadeia e quero recomeçar com o estudo.”

Ele diz que o esforço é “para se tornar uma pessoa melhor”. Segundo a legislação, ele ficará livre quando completar 30 anos de cárcere, tempo máximo de prisão no país. “Estou vivendo uma nova etapa que me levará à nova vida quando sair da cadeia. Quando cumprir minha pena, eu quero esquecer tudo de errado e começar minha vida a partir dali”, conta Ribeiro.

Campus dentro da prisão

A UEPB instalou o primeiro campus universitário dentro de uma prisão em 2013, mas os cursos de nível superior serão implantados de acordo com a demanda dos presos em 2015.

“Estamos trabalhando para que pelo menos três cursos sejam escolhidos para iniciar as aulas de graduação”, explicou a coordenadora do Campus Avançado do Serrotão, Aparecida Carneiro. Como a escolaridade dos prisioneiros era baixa, a coordenação optou por começar seu trabalho oferecendo aulas de educação básica. Em 2014, cem estudantes fizeram o Enem contra 16 no ano anterior.

As graduações oferecidas serão definidas em fevereiro no PPP (Plano de Políticas Públicas) da instituição, que reúne alunos da UEPB, professores e também os presos. A coordenação do campus explica que a iniciativa tem como objetivo contribuir diretamente para a ressocialização dos internos.

Atualmente, o campus avançado atende cem dos 450 presos da unidade masculina e quase todas as 84 presas da unidade feminina do Serrotão.

Detentos cursam ensino superior no MS

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Preso que se formou pagou faculdade com trabalho realizado na biblioteca do presídio

preso

Publicado no R7

Durante dois anos e meio, detentos de uma penitenciária no Mato Grosso do Sul tiveram a oportunidade de estudar na cadeia. Com o sistema de ensino à distância, José Carlos de Santana, um dos presos que conseguiu cursar faculdade, se formou em Processos Gerenciais.

A colação de grau ocorreu nesta semana e Santana comemora a conquista.

— Vai construindo o seu conhecimento. Você vai vendo que é capaz de ir mais além.

A faculdade foi paga com o dinheiro que ganha no trabalho realizado na biblioteca do presídio. Ele é responsável por monitorar a saída dos livros levados para as celas.

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