Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Diferente da televisão em que podemos ver muitos personagens secundários que eventualmente chegam a protagonizar um spin-off da série principal, ou dos quadrinhos onde os sidekicks dos heróis sempre conquistam uma revista só deles, os coadjuvantes da literatura infelizmente não compartilham dessa mesma sorte, e costumam perecer no limbo sem nunca ter todo o seu potencial devidamente explorado nos livros. Eles são como aquelas crianças que são escolhidas apenas para completar o time na aula de educação física.

Sobre os protagonistas nós já sabemos tudo que é necessário, afinal, já existem livros e sagas inteiras sobre eles. Mas os personagens secundários podem ser ainda mais interessantes do que se imagina, e justamente por tudo que se ‘desconhece’ sobre eles.
Convictos que de alguns desses coadjuvantes estão devidamente prontos para sair em aventuras solo, selecionamos aqui cinco deles que merecem ter seus próprios livros.

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Mycroft Holmes (Sherlock Holmes , de Sir Arthur Conan Doyle)
O irmão mais velho de Sherlock não só é ainda mais brilhante que ele, como também mantém um misterioso trabalho junto ao governo britânico, podendo ser retratado como um espião ou algum tipo de agente secreto. Mas infelizmente Mycroft faz apenas algumas pontas na série moderna de Sherlock na bbc, e surge apenas em quatro histórias originais de Sir Conan Doyle sobre o mundo fascinante do detetive. Genial, socialmente inepto e ainda por cima agente do governo? Na minha opinião, esse é um personagem que está pedindo por um livro próprio, e deveria receber mais atenção.

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Legolas (O Senhor dos Anéis, de J RR Tolkien)
Com a vantagem de poder viver centenas de anos afinco, o elfo seria o cronista perfeito para narrar mais aventuras na saudosa Terra Média. Com a trilogia forçada de ‘O Hobbit’ nos cinemas, vimos que a longevidade da sua raça permite encaixar Legolas em praticamente qualquer momento da cronologia do universo de Tolkien, e tudo isso sem envelhecer ou perder suas habilidades em batalha. É claro que, devido a forma complicada como o filho de Tolkien administra os seus espólios, provavelmente não estaremos vivos para ver algo assim.

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Professor Van Helsing (Drácula, de Bram Stoker)
Se contarmos com todas as fan fictions já escritas sobre Drácula, com certeza encontraríamos algum livro sobre o notório caçador de vampiros Van Helsing. É claro, tem aquele filme ‘adolescente’ com o Hugh Jackman, mas que não serve de exemplo para o que estamos propondo no momento. A questão é que Stoker poderia ter investido um pouco mais no sucesso gerado por Drácula, e ter aproveitado esse personagem (que chega a ser tão popular quanto o próprio conde vampiro) para escrever outras histórias sobre suas estranhas pesquisas. Uma tática que Anne Rice soube usar muito bem na sua literatura. (mais…)