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Ariano Suassuna: “Todo professor deve ter um pouco de ator”

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O consagrado autor concedeu uma entrevista à Nova Escola em 2007, quando contou como se apaixonou por literatura e como nunca deixou os alunos entediados em mais de 30 anos de magistério

Ariano Suassuna, escritor e Secretario da Cultura de Pernambuco
Texto Paulo Araújo

Em 2007, com 80 anos recém completados, o romancista, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna (1927-2014) estava cheio de planos, como a entrevista concedida à revista Nova Escola deixa evidente. Em janeiro daquele ano, ele havia assumido a Secretaria da Cultura de Pernambuco – seu terceiro cargo público -, prometendo continuar na defesa da cultura popular brasileira.

Na época, Ariano se empenhava para colocar em prática o projeto batizado de A Onça Malhada, a Favela e o Arraial, uma iniciativa para levar para os quatro cantos do estado (das periferias das cidades aos rincões do sertão) suas célebres aulas-espetáculo, palestras que por anos fascinaram os brasileiros. Se o escritor já há muito lotava os auditórios em que passava, aos 80 anos ele pretendia convidar o povo simples, “do Brasil real”, para o escutar embaixo de uma lona de circo, acompanhado de bailarinos e músicos. “Sou um pouco ator, como todo professor deve ser”, justifica o “pai” de Chicó e João Grilo, personagens de sua mais célebre obra, O Auto da Compadecida.

Formado em direito e filosofia, ele lecionou durante 32 anos na Universidade Federal de Pernambuco. Em 1999, assumiu a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras e, em 2002, foi homenageado pela escola de samba carioca Império Serrano. “Não vi diferença entre as duas honrarias”, afirma. Ele faleceu em 23 de julho de 2014, depois de sofrer um AVC hemorrágico, aos 87 anos de idade.

Nesta entrevista, concedida em seu casarão do século 19, localizado às margens do rio Capiberibe, no Recife, o criador de histórias como O Santo e A Porca, entre tantas outras que têm o Nordeste como inspiração, falou como se tornou um grande leitor e escritor, comentou a situação da Educação brasileira e disse quais estratégias usava para dar boas aulas desde os 17 anos. Confira e mate as saudades:

Com quantos anos o senhor aprendeu a ler?
Ariano Suassuna: Antes de entrar para a escola, aos 7 anos, orientado pela minha mãe e por uma tia, lá no sertão de Taperoá, na Paraíba. Hoje isso é muito raro, pois as mulheres têm de trabalhar fora, não é?

O hábito da leitura vem dessa mesma época?
Ariano Suassuna: Eu não tenho o hábito da leitura. Eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento. Eu leio com prazer, leio com alegria. O meu pai, que perdi aos 3 anos de idade, deixou de herança para nós uma biblioteca fabulosa para os padrões do sertão naquela época. Tinha de tudo. Ibsen, Dostoiévski, Cervantes, Machado de Assis, Euclides da Cunha. Meus tios também viviam comprando livros em Campina Grande para eu ler. Era Eça de Queiroz, Guerra Junqueira e um título do qual me lembro muito, Dodinho, de José Lins do Rego.

Como começou a escrever?

Ariano Suassuna: Certo dia, eu tive uma prova de Geografia e não sabia nada. Então, resolvi dar as respostas por meio de versos. O professor quis saber quem era aquele aluno e, em vez de me dar uma bronca, me elogiou. Dias depois, ele deu um jeito de publicar no Jornal do Commercio, aqui, do Recife, um de meus poemas que havia mostrado a ele. Em 1947, eu e outro colega fundamos o Teatro do Estudante de Pernambuco, que encenava peças de nossa autoria. Nesse mesmo ano, escrevi Uma Mulher Vestida de Sol e não parei mais.

O senhor usa o computador para escrever?
Ariano Suassuna: Jamais! Escrevo tudo a mão. Minha letra é muito bonita. Acho que a única função do computador foi aposentar as máquinas de datilografia, que já usei um dia. O meu genro é quem lê os originais e depois passa para o computador.

A popularização de sua obra literária se deve muito à TV. Como ela pode se tornar um aliado do professor no fomento à paixão pela leitura?
Ariano Suassuna: A TV é um meio de comunicação no qual a oralidade predomina. Se o professor escolher boas adaptações, como a que Guel Arraes fez de O Coronel e o Lobisomem, do meu amigo José Cândido de Carvalho, exibir para os alunos e depois facilitar o acesso ao livro, eu duvido que eles não se interessem. Mas é preciso lembrar de fazer o aluno participar da aula, como se fosse um ator!

Essa era sua estratégia em sala de aula quando lecionava?
Ariano Suassuna: Eu sou professor desde os 17 anos. Sempre fui criativo. Uma das coisas de que fazia muita questão é que meus alunos não se entediassem. Acho que todo professor tem de ter alguma coisa de ator, senão ele não terá sucesso. Sendo somente um expositor de idéias, dificilmente ele chamará a atenção dos estudantes.

Como era seu método de avaliação?
Ariano Suassuna: Na universidade, minhas provas não eram difíceis e nunca reprovei por faltas. Eu não queria que os alunos fossem à aula por obrigação. Fazia questão de nunca fazer chamada e também passava trabalhos que estivessem de acordo com o nível de aprendizado deles.

Hoje muitos professores promovem rodas de conversa com as crianças. O que o senhor pensa dessa prática?
Ariano Suassuna: Acho ótimo! Não tem nada melhor do que desenvolver a oralidade desde cedo. Eu, muito antes de saber ler, já recitava de cor muitos versos de cordel e acompanhava as cantorias de viola em Taperoá, para onde volto sempre. No sertão, a gente fala muito e foi justamente desse falatório todo que tirei inspiração para os meus livros.

Inovações na educação ‘servem de estímulo a professor’, diz OCDE

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Estudo vê ‘indícios’ de benefícios trazidos por inovações na sala de aula; relação não é ‘facilmente comprovável’.

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Inovações – de filosofia, estilo e até de recursos tecnológicos – nas escolas podem ter impacto positivo na valorização de professores e, em alguns casos, nas notas dos alunos em algumas disciplinas.

É o que sugere um estudo-piloto divulgado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o relatório Mensurando Inovação na Educação.

A análise se debruçou sobre 28 sistemas educacionais (entre países, estados americanos e territórios canadenses, Brasil não incluído) no mundo.

Segundo os especialistas da OCDE, ainda que não haja uma relação facilmente comprovável entre inovação e melhorias na educação, “em geral, países com maiores níveis de inovação veem aumento em alguns resultados educacionais, incluindo melhor performance em matemática na oitava série (13 e 14 anos), resultados de aprendizado mais igualitários e professores mais satisfeitos”.

Entre as inovações analisadas estão materiais didáticos, recursos educacionais, estilo de ensino, aplicação de conhecimento na vida real, interpretação de dados e textos, disponibilidade de computadores e sistemas de e-learning nas aulas, novas formas de organizar atividades curriculares e uso de tecnologia na comunicação com pais e alunos, entre outros.

Porém, os investimentos em tecnologia e inovação não são unanimidade entre estudiosos de educação, já que nem sempre esses investimentos se traduzem em melhor desempenho ou em benefícios mensuráveis – e muitas vezes incorrem em aumento de gastos.

Questão de confiança
O autor do relatório, Stephan Vicent-Lancrin, explica à BBC Brasil que de fato não é possível verificar com certeza a relação direta entre inovação e benefícios. Mas há “indícios” de que aquela tenham efeitos positivos na igualdade de oportunidades entre alunos, no desempenho em disciplinas como matemática e, sobretudo, no estímulo a professores.

“Não podemos afirmar com certeza que as notas melhoram graças a inovações na sala de aula. Mas vemos que inovações trazem confiança para (que agentes participantes da educação) promovam outras mudanças”, diz Vincent-Lancrin.

“A relação mais forte que observamos foi em relação à satisfação de professores. Mais inovações trouxeram mais motivação.”

As práticas foram estudadas pela OCDE entre 2000 e 2011, no ensino primário e secundário, e o país estudado que mais adotou inovações no período foi a Dinamarca (com 37 pontos no índice calculado pelo órgão), seguido por Indonésia (36), Coreia do Sul (32) e Holanda (30).

Entre as mudanças observadas na Dinamarca estão, por exemplo, aumento no uso de testes-padrão elaborados por professores, e mais intercâmbio de conhecimento entre o corpo docente.

Segundo o relatório, “os sistemas educacionais que mais inovaram são também os mais igualitários em termos de desempenho dos estudantes”. Por exemplo, os da Indonésia e da Coreia do Sul.

Sendo assim, o estudo aponta que há uma “presunção” de que mais inovação desencadeie mais igualdade de oportunidades e aprendizado entre alunos, ainda que isso não possa ser efetivamente provado.

Debate
Mas se a adoção de novas práticas na ciência e na economia produtiva é apontada como um fator importante para a competividade global, na educação essa correlação não é tão simples. O próprio estudo aponta que existem também sistemas educacionais com baixa inovação e alto desempenho.

Ao mesmo tempo, argumentos pró-inovação na educação incluem maximizar o retorno do investimento público, buscar avanços no desempenho de alunos e reduzir a desigualdade de oportunidades entre estudantes, aponta a OCDE.

O relatório diz que, “ao contrário do que se costuma pensar, há um nível razoável de inovação no setor educacional, tanto em relação a outros setores da sociedade como em termos absolutos. Setenta por cento dos formandos empregados no setor educacional consideram seus estabelecimentos como altamente inovadores, índice similar ao da média (do restante) da economia (69%)”.

Segundo Stephan Vincent-Lancrin, o setor educacional apresentou índices de inovação mais elevados do que o restante do setor público, mas são necessários mais estudos para entender exatamente seus desdobramentos no ambiente escolar.

“Estamos tentando colocar o assunto no mapa para entender seu impacto”, diz.

Fonte: G1

Professor enfrenta correnteza para levar crianças à escola na China

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Travessia é considerada único caminho seguro até o colégio.
Com período de chuvas, nível da água sobe muito.

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Um professor de uma escola primária carrega duas crianças em seus ombros e enfrenta a correnteza de rio para levá-las à escola na província de Yunnan, no sudoeste da China.

A travessia do rio é considerada o único caminho seguro para a escola durante o período de chuvas em junho.

Mesmo assim o nível da água sobe muito, tornando impossível a passagem para crianças e obrigando os professores ajudá-las a passar pelas correntezas.

Fonte: G1

Professor diz que deu ‘aula’ para provar não ser ladrão

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Publicado por Folha de S.Paulo

Professor de história da rede estadual, André Luiz Ribeiro, 27, afirma que “deu uma aula de dez minutos sobre a Revolução Francesa” a um grupo de bombeiros para provar sua identidade.

O caso aconteceu, de acordo com seu relato, no último dia 25, na região de Parelheiros, zona sul de São Paulo. O Corpo de Bombeiros nega.

Ribeiro conta que, enquanto fazia sua corrida de rotina, foi confundido com um dos três ladrões que haviam acabado de levar R$ 450 de um bar próximo. “Me acorrentaram na rua. Um grupo de 15 a 30 pessoas me agrediu”, diz.

André Luiz Ribeiro, 27, que disse ter sido confundido com ladrão na zona sul de São Paulo / Ronny Santos/Folhapress

André Luiz Ribeiro, 27, que disse ter sido confundido com ladrão na zona sul de São Paulo / Ronny Santos/Folhapress

O docente afirma que só parou de ser espancado quando uma equipe de bombeiros que passava pelo local conteve os agressores.

Por estar sem documento, Ribeiro afirma que lecionou Revolução Francesa para provar ser professor. “Foi um dos bombeiros que pediu”, diz.

O Corpo de Bombeiros disse que as declarações “são improcedentes” e que “em nenhum momento houve desrespeito ou deboche”.

Mesmo assim, Ribeiro foi preso e indiciado sob suspeita de roubo qualificado -por uso de arma de fogo e ação em grupo. Foi solto após dois dias, por decisão da Justiça.

Segundo o delegado André Antiqueira, o dono do bar disse à polícia que o professor participou do roubo.

“À Polícia Civil cabe ir atrás dos outros dois autores. É a Justiça quem vai dizer, com base nas provas, se ele é ou não autor desse crime”, diz.

Professor no Brasil se sente sozinho, diz pesquisadora

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ProfessoralousaKarina Yamamoto, no UOL

“O professor no Brasil se sente sozinho, ele tem muito pouco apoio, se compararmos sua situação com a dos seus colegas na OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico]”, afirma pesquisadora brasileira Gabriela Moriconi.

“Ele não recebe a preparação adequada durante a faculdade [50% não tem didática para tudo o que ensina], não foi formado para lidar com os problemas práticos da sala de aula [40% diz não ter treinamento para a prática] e não tem o apoio suficiente [nos países ricos, há aconselhamento profissional e psicológico para os alunos, por exemplo]”, completa Moriconi.

Pesquisadora da FCC (Fundação Carlos Chagas), Moriconi faz parte do time responsável pela nota sobre o Brasil na Talis, pesquisa da OCDE com 34 países e territórios para mapear as condições de trabalho dos professores. O levantamento foi divulgado na manhã desta quarta (25), em Paris.

Os resultados da pesquisa internacional chamam atenção também para a carga horária média desses profissionais – no Brasil, o docente trabalha cerca de 25 horas semanais nas aulas contra a média de 19 horas dos países que participaram do estudo.

“Na maioria dos países da OCDE, o professor trabalha em uma única escola, em tempo integral e leciona, em média, 19 horas na semana. Aqui no Brasil, o número de alunos com o qual o professor trabalha quase dobra se pensarmos que os docentes ensinam 25 horas e em salas com mais alunos. Fora a grande parcela que diz trabalhar como professor em tempo parcial, o que significa que ele pode ter um outro trabalho para o qual deve dedicar seu tempo”, diz Moriconi.

E ela propõe um questionamento: “Diante dos dados [de gasto de tempo com planejamento de aula], ficam algumas perguntas: mesmo que ele queira, será que o professor brasileiro consegue preparar uma aula em que os alunos tenham tantas oportunidades de aprender quanto dos seus colegas em países da OCDE? Ele tende a ter mais turmas, já dá seis horas a mais de aula em média, mas gasta o mesmo tempo com planejamento”.

Dedicação

Em sala, o professor usa 67% do seu tempo para dar aula — em 20% do tempo está mantendo a disciplina e em 12% cuida de questões administrativas como distribuir material ou conferir a presença dos alunos. Para se ter uma ideia, na Finlândia, país considerado bom exemplo na educação, os docentes dão aula em 81% do tempo.

“No Brasil, via de regra, as redes contratam o professor para ser um dador de aula, o que pode ocorrer em diversas escolas, de modo fragmentado”, diz Moriconi a respeito do nosso sistema com um currículo fragmentado e pouca valorização da carreira desse profissional.

“Em muitos outros países, o professor é contratado para ser um profissional daquela escola específica, que atua de diversas formas para que os alunos tenham a oportunidade de aprender: tanto na sala de aula, quanto sendo um tutor que acompanha a vida escolar de um grupo de alunos, ou sendo o mentor de outro professor menos experiente, seja assumindo a responsabilidade por alguma política da escola (como a política de comportamento dos alunos, por exemplo), etc. Por isso, a carga horária de aulas é menor e parte do tempo é utilizado para que o professor não só se prepare melhor para suas aulas, mas também desempenhem essas funções.”

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