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Entenda como a desorganização afeta os seus estudos

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Se você acha que a desorganização não atrapalha em nada a sua vida, você está enganado. Veja os benefícios de ser organizado nos estudos

Publicado no Universia Brasil

Entenda como a desorganização afeta os seus estudos

Crédito: Shutterstock.com
Ambientes limpos e organizados, além de serem mais agradáveis para o cérebro, também oferecem menos riscos de diminuir a sua concentração

Se você é uma pessoa desorganizada, é muito possível que já tenha levado broncas da sua mãe pedindo para que você arrumasse seu quarto, por exemplo. Por mais que você acredite que ser desorganizado não atrapalha em nada a vida, não ter o hábito de arrumar as suas coisas pode influenciar negativamente os seus estudos.

O primeiro efeito prejudicial da sua desorganização nos estudos é na hora de procurar por coisas importantes. Se você procura por uma folha importante que o professor passou e não encontra, é bem provável que esse problema tenha sido causado por você não ter organizado o seu material.

Para resolver essa questão, existem duas possibilidades. A primeira é realizar uma limpeza no final de cada bimestre. Geralmente as instituições de ensino costumam dar as suas provas a cada dois meses e no final desse período o conteúdo é atualizado e outros assuntos são abordados. Por isso, esse é o momento perfeito para se desfazer de coisas que só irão ocupar espaço nos seus armários.

Outra solução é ter pastas divisórias. Elas são baratas e podem ser encontradas em qualquer papelaria. Crie uma divisão para cada matéria, ou professor, e sempre coloque as folhas nas pastas. Além de armazenar tudo que for importante, você não corre o risco e perder o seu material.

O segundo efeito prejudicial da desorganização é no seu próprio quarto. Se você possui o hábito de estudar no seu quarto, o ambiente desorganizado pode diminuir muito a eficiência dos seus estudos.

Ambientes limpos e organizados, além de serem mais agradáveis para o cérebro, também oferecem menos riscos de diminuir a sua concentração. Além disso, um quarto arrumado facilita na hora de encontrar livros e textos na hora dos estudos. Se você fica muito tempo procurando o material necessário para estudar, você perde o foco e prejudica o aprendizado.

Por fim, a desorganização também pode afetar diretamente na entrega de trabalhos. Se você não tem o costume de anotar os dias para entregar os seus trabalhos, você se perde e pode até esquecer que deveria ter feito a tarefa.

Por isso, é essencial que você tenha sempre uma agenda com você, ou pelo menos comece a anotar esses compromissos no calendário do celular. Existem diversos aplicativos que podem ajudá-lo a não esquecer as suas tarefas e organizar as suas pendências. Se você não possui um smartphone, utilize a maneira mais clássica para não esquecer coisas: cole post-its em lugares que você costuma olhar.

Seguindo essas dicas, a desorganização será um problema menos sério para a sua vida estudantil e não prejudicará o seu desempenho. Bons estudos!

Futuro da profissão de jornalista? Robôs já escrevem artigos, revela pesquisa

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Estudioso aposta que, no futuro, robôs vão escrever reportagens

Estudioso aposta que, no futuro, robôs vão escrever reportagens

Publicado no Comunique-se

Não vai demorar muito para que conteúdos jornalísticos sejam produzidos de maneira automática por robôs. É neste futuro que o professor de mídia e comunicações da Karlstad University (Suécia), Christer Clerwall, aposta. O profissional estuda e faz testes para que matérias sejam produzidas por meio de equipamentos eletrônicos. Segundo informações do site da Revista Galileu, Clerwall realizou recente pesquisa com 46 alunos da graduação de jornalismo, que avaliaram textos escritos por jornalistas e robôs. A ideia era analisar a qualidade do conteúdo.

A reportagem, sobre um jogo de futebol americano, passou por alguns ajustes no tamanho, para que ambos tivessem o mesmo comprimento. O professor afirmou que as alterações foram feitas sem que os textos perdessem o sentido. Alguns pontos, como confiável, agradável de ler, informativo e útil foram utilizados nas avaliações. O resultado apontou que o material criado pelo jornalista foi definido como bem escrito, claro e agradável. O produzido pelo software como descritivo, informativo, preciso, confiável e objetivo.

A avaliação final mostrou que, das 27 pessoas que responderam o questionário, 10 disseram acreditar que um jornalista era o autor da nota feita de maneira eletrônica. Dos 18 entrevistados que leram a matéria escrita por um profissional, 10 arriscaram ao dizer que tinha sido escrita por um programa. “Fiquei surpreso com os resultados, até certo ponto. Mesmo que eu soubesse que os textos automáticos eram realmente muito legíveis, pensei que eles seriam considerados piores do que os escritos por um jornalista”, disse o professor.

O assunto foi tema da coluna de Gilberto Dimenstein nesta segunda-feira, 10, na CBN. Para ele, a notícia deixará muito jornalista “de cabelo em pé”. “Graças às novas invenções da tecnologia da informação, muitos desses dados puramente descritivos talvez sejam feitos por uma máquina. O que vai ficar para nós seres humanos é fazer matérias com mais charme, emoção e reflexão”.

Obrigatoriedade de biblioteca em escolas não é suficiente para incentivar a leitura

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Estudante lê em biblioteca escolar da rede municipal de Curitiba (Foto: Maurilio Cheli/SMCS/Divulgação)

Estudante lê em biblioteca escolar da rede municipal de Curitiba (Foto: Maurilio Cheli/SMCS/Divulgação)

Lei obriga que até 2020, todas as escolas tenham biblioteca; como só a lei não é suficiente, professor defende que o hábito da leitura por prazer deva ser incentivado ainda na infância pelo contato físico com o livro

Publicado no Administradores

Liderada pelo Instituto Ecofuturo, a campanha “Eu Quero Minha Biblioteca” busca a efetividade da Lei 12.244/2010, que diz que até 2020 todas as instituições de ensino brasileiras públicas e privadas deverão ter uma biblioteca. A campanha reúne a Academia Brasileira de Letras, Conselho Federal de Biblioteconomia, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Instituto de Corresponsabilidade pela Educação, Movimento por um Brasil Literário, Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A, Rede Marista de Solidariedade e Todos pela Educação.

Até 2011, segundo um levantamento realizado pelo movimento Todos Pela Educação, com base no Censo Escolar daquele ano, apenas 33,7% das escolas do país tinham biblioteca. E, segundo outra pesquisa, do Instituto Pró-Livro, 53% dos brasileiros afirmam não ter tempo para ler e 30% não têm interesse ou não gostam de ler.

Para o pedagogo empresarial e professor Marcus Garcia, a relação com o livro deve começar cedo e acontecer em casa e na escola. Segundo ele, para a criança essa relação se constrói e se fortalece também pela cinestesia, isto é, pelo contato físico com o livro. “Ainda na fase pré-alfabética, a associação imediata e decisiva entre leitura e a “magia” do livro é criada por meio da contação de histórias, tendo o professor ou o familiar o livro em mão”, afirma. “A ausência desse contato físico e dessa associação é também responsável pela ínfima quantidade de leitores no Brasil.”

O professor diz ainda que o início do hábito da leitura nos primeiros anos de vida da criança resulta em benefícios à educação e ao desenvolvimento da cognição, raciocínio lógico, interpretação de texto e contexto, capacidade intertextual, fluência na leitura, incremento do vocabulário, capacidade de argumentação, ampliação da capacidade de escrita, entre outros.

Segundo ele, o papel dos pais e da família deve ser estimulado. Os pais podem ser orientados pela escola a fazerem, como “lição de casa”, uma leitura para os filhos de títulos indicados pela escola e também deixar que as crianças escolham outros livros. A dica é persistir nisso até a pré-adolescência e, a partir dos 14 ou 15 anos, quando os adolescentes tendem a buscar uma autonomia que deve ser dada a eles, permitir que façam algumas escolhas sob a supervisão dos pais.

Para o professor Marcus Garcia, a necessidade de uma lei para obrigar as escolas a terem bibliotecas representa a total e absoluta inépcia do Estado, ao longo das últimas décadas, em olhar para o que realmente importa na formação de um povo cidadão.

Ele explica que, entre 1946, no pós-guerra, e 1964, o Brasil passou por um período democrático em que, apesar de os governos privilegiarem as instituições democráticas, foi também um período de grande industrialização e a educação não foi uma prioridade. “Com a tomada do poder pelos militares em 1964, a educação foi direcionada para o objetivo de formar cidadãos trabalhadores e não pensadores”, afirma Garcia. Depois de 1988, com a redemocratização, a escola e a educação continuaram a ser relegadas a um nível de prioridade bastante baixo.

Garcia acredita que o que se vê hoje é reflexo dessa conjuntura histórica, ou seja, nada foi feito para que o hábito da leitura fosse estimulado e estabelecido nos cidadãos que trouxeram o Brasil até os dias de hoje e que, basicamente, são as gerações nascidas entre 1950 e 1990.

A realidade é ainda mais profunda que a falta do hábito de ler por prazer. Em janeiro, dados de um relatório da UNESCO deram uma sacudida nos educadores brasileiros: o Brasil tem 13,9% de analfabetos adultos segundo o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos.
O professor alerta que somente as bibliotecas não resolverão o problema da leitura e da educação: “é um processo lento e que demanda ações de incentivo, promoção e fomento, como: clubes de leitura, contação de histórias, pesquisa orientada, olimpíadas de conhecimento, gincanas culturais, projetos disciplinares e interdisciplinares, entre outras iniciativas”.

De acordo com ele, o Estado e seus operadores executivos e legislativos priorizaram construir prédios de escolas com algumas carteiras e quadros de giz, mas esqueceram que são necessários laboratórios, bibliotecas, professores bem formados, bem pagos e bem orientados. “É preciso uma política pública oriunda de um plano de Estado que pense o cidadão e não as próximas eleições”, declara.

As 15 coisas que todo professor deve saber

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Quer se tornar um educador melhor e mais completo para os seus alunos? Conheça os 15 aspectos que todo professor deve saber para ser um bom profissional

Publicado no Universia Brasil

Crédito: Shutterstock.com     O seu método de ensino nem sempre funcionará para todos os seus alunos

Crédito: Shutterstock.com
O seu método de ensino nem sempre funcionará para todos os seus alunos

O sonho de grande parte dos professores é conseguir fazer a diferença na vida dos seus alunos e ajudá-los a conseguir serem melhores pessoas e profissionais. Porém, não é somente ensinando o conteúdo da sua matéria que você conseguirá isso. Veja, a seguir, as 15 coisas que todo professor deve saber para ser um profissional excepcional:

1 – Torne o conhecimento válido

Por mais que você ache que o conteúdo que você dá é essencial para a formação do aluno, nem sempre ele irá achar a mesma coisa. Portanto, faça com que ele veja a importância desse conteúdo no dia-a-dia dele. Nem sempre você conseguirá fazer isso, mas não ensine apenas para passar o conteúdo.

2 – Conheça os seus alunos

O seu método de ensino nem sempre funcionará para todos os seus alunos. É importante que você tente conhecê-los e entenda como cada um deles absorve o conhecimento. Não são todas as pessoas que conseguem digerir o que aprendem escrevendo – alguns precisam somente escutar. Não imponha nenhum tipo de método, pois, assim, eles se sentirão livres para assistir a aula da forma que acreditar ser melhor.

3 – Traga exemplos reais

Se você deseja que os seus alunos entendam de maneira fácil o conteúdo lecionado é importante que você dê exemplos reais para eles. Se você ensina química, por exemplo, leve-os para o laboratório para que eles vejam na prática o que você está dizendo. O contato próximo com a realidade é uma ótima forma de ensinar e digerir qualquer conteúdo.

4 – Não aja como um ditador

É importante que seus alunos sintam que estão em um local confortável para dizer o que pensam e, ao mesmo tempo, respeitem você. Agir com “mão de ferro” não será benéfico para você, nem para eles. Portanto, construa uma imagem respeitosa, mas não seja opressor.

5 – Aprender com os erros

Ensine e incentive os seus alunos a aprenderem com os erros. Se um deles tirou uma nota baixe, dê abertura para que ele tire as dúvidas e saiba onde está errando. Querendo ou não, errar é uma das formas mais eficazes de aprender.

6 – Entenda as limitações

Nem todos os seus estudantes serão extrovertidos e terão facilidade para interagir com os outros alunos. Nem sempre trabalho em grupo funcionará para todas as pessoas. Por isso, saiba quais são os seus alunos introvertidos e forneça uma atenção maior a eles.

7 – Compartilhe o seu plano de aulas

Todos os professores, no início das aulas, devem fazer um plano de aulas até o fim do ano letivo. Por mais que não seja sua obrigação compartilhar isso com os alunos, deixá-los a par dos assuntos que serão abordados ao longo dos meses é importante. Assim, eles saberão quais são os seus objetivos e trabalharão juntamente com você.

8 – Aborde diferentes pontos de vista

Por mais que você acredite em certo ponto de vista, é importante que você passe outras maneiras de abordar um assunto para os seus alunos. Principalmente para professores na área de humanas, falar sobre as diversas maneiras de analisar uma situação é a chave para desenvolver jovens com pensamento crítico.

9 – Forneça material relevantes

Mesmo que você conheça dezenas de livros interessantes para os seus alunos, é essencial que você filtre o que realmente é importante para eles. Não peça muitos materiais diferentes para estudar porque essa é a forma mais eficaz de fazer com que eles percam o interesse em sua aula.

10 – Utilize recursos tecnológicos

Aproveite os benefícios que a tecnologia pode trazer para as suas aulas e utilize-os para melhorar o ensino. Recursos visuais como vídeos e imagens podem enriquecer o conteúdo lecionado, além de ajudar os alunos que possuem memória visual. Veja, também, sites que oferecem lições e exercícios gratuitos e compartilhe com os estudantes.

11 – Desperte a curiosidade

Faça com que os seus alunos sintam curiosidade sobre o assunto que você está ensinando. Faça perguntas e traga informações curiosas para que, assim, eles tenham vontade de aprender mais e até conhecer o assunto mais a fundo.

12 – Dê feedbacks construtivos

Se o seu aluno está sentindo dificuldade para compreender um assunto, dê um feedback construtivo. Diga exatamente em que aspectos ele precisa melhorar e invista em um bom relacionamento entre professor e estudante.

13 – Compartilhe dicas e macetes

Por mais que nem sempre os macetes farão com que eles aprendam o conteúdo, é por meio dessas dicas que eles poderão obter resultados melhores. Não deixe de passar a lição completa, porém, se existe um caminho mais fácil, compartilhe com os seus alunos.

14 – Crie hábitos

Desenvolver hábitos duradouros para os seus alunos é o segredo para que eles tenham bons resultados em provas e trabalhos. Quer que eles sejam mais rápidos na hora de realizar testes? Dê exercícios em sala de aula e faça um controle do tempo. Fazer esse tipo de atividade várias vezes, durante alguns meses, irá incorporar o hábito de serem mais velozes em seu cotidiano.

15 – Dê espaço

Criar um espaço para que os estudantes se sintam a vontade pode ajudá-los a ter um melhor desempenho em provas e consigam absorver mais facilmente o conhecimento. Portanto, caso possível, dê algumas aulas fora da sala e não tenha medo de reorganizar as carteiras. Quanto mais espaço livre, melhor.

“O bom professor é o que faz o aluno aprender por si”, diz matemático Salman Khan

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salmakhan

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

O matemático norte-americano Salman Khan não baseia suas aulas em nenhum teórico da educação como Jean Piaget. Mesmo assim, consegue uma proeza: prender a atenção dos alunos –e são milhões de alunos.

Criador do Khan Academy, plataforma de estudos na internet que direciona os estudos dos usuários a partir de exercícios básicos, ele defende que o conhecimento não deve estar em caixinhas.

Ou seja: quem gosta de matemática pode, sim, ter aptidão para letras ou história.

E pode aprender as áreas do conhecimento juntas.

“O processo de aprendizagem é um só”, diz o especialista que acaba de lançar no Brasil a tradução do livro “Um Mundo, uma Escola” (Editora Intrínseca, R$ 29,90).

Também acaba de chegar ao Brasil a própria Khan Academy. A Fundação Lemann lançou neste mês a versão em português do material (http://pt.khanacademy.org).

Isso inclui 100 mil exercícios de matemática e mil videoaulas de várias áreas do conhecimento –o que corresponde a 20% do total de vídeos em inglês.

Abaixo, a entrevista exclusiva para a Folha, concedida por meio do Skype.

*

Folha – Como surgiu a ideia de colocar aulas na internet?

Salman Khan – Uma sobrinha minha de 12 anos começou a ter problemas em matemática na escola e eu ofereci ajuda. Isso foi em 2004. Eu morava em Boston, e ela morava em Nova Orleans. Então, começamos a falar por telefone e pela internet. O processo ajudou, e o aprendizado dela em sala foi se acelerando. Depois eu comecei a trabalhar em ferramentas para ajudá-la. A Khan Academy surgiu de uma tentativa de simplesmente ajudar meus sobrinhos na escola. Comecei com ela, depois passei a ajudar os irmãos dela.

Em 2005 registrei o domínio do Khan Academy na internet, passei a postar os vídeos com as aulas, meus amigos começaram a assisti-los e divulgá-los. A coisa ganhou escala e o mundo inteiro começou a assistir os vídeos e fazer os exercícios [hoje a plataforma educativa traz 100 mil exercícios de matemática e quase cinco mil videoaulas sobre várias disciplinas].

E o que aconteceu com sua sobrinha que tinha problemas com matemática?

Ela se deu bem em matemática, melhorou muito e rapidamente. Ela acabou se dedicando à escrita.

Acho que ela é uma boa escritora porque ela é boa em matemática. Penso que as duas atividades estão relacionadas, ambas são similares e utilizam muito o cérebro. Hoje ela estuda escrita no Sarah Lawrence College (EUA).

Baseado nessa ideia de multidisciplinaridade que você, que é matemático, também dá aulas de disciplinas como história na Khan Academy?

[risos] Eu acho que sou uma pessoa multidisciplinar. E acho que a maioria das pessoas também pode ser. É como eu disse: eu não acredito que matemática ou escrita sejam diferentes. Ambos usam partes importantes do cérebro. É isso que quero passar aos meus filhos.

Eles não se veem como pessoas de humanas, de exatas ou de biológicas. Eles se veem como estudantes, como pessoas que podem aprender e se envolver com o que quiserem. Não acredito que o conhecimento seja segmentado em caixas.

Essa maneira conectada e multidisciplinar é uma nova forma de ver a educação?

Na verdade, não. Esse era o modelo da educação há cerca de 200 anos. Mas era um modelo muito caro porque as pessoas tinham mestres individuais, não daria para fazer uma educação de maneira massiva como é feita hoje.

Há, claro, ganhos no novo modelo educacional com professores por áreas do conhecimento ensinando um grupo de alunos. Mas estamos, sim, retomando ideias antigas de educação.

O que temos de novo agora são as tecnologias que nos permitem retomar esses padrões de educação que foram dispensados ao longo do tempo. E temos escala. No Khan Academy nós não estamos falando de um milhão de pessoas, mas sim de dez milhões de usuários que estão no sistema de ensino e que integram o Khan Academy na sua rotina de aprendizado. Isso é inovador.

Grandes universidades americanas como MIT e Harvard passaram a disponibilizar cursos na internet recentemente. Elas foram influenciadas pela proposta da Khan Academy?

A ideia de oferecer educação de graça e em qualquer em qualquer lugar está relacionada de alguma maneira. A diferença é a maneira como estamos fazendo. Os cursos on-line massivos de plataformas como o edX e Coursera [que trazem cursos abertos de universidades como MIT, Harvard e Caltech] são focados em digitalizar cursos que já existem presencialmente. Ou seja, de colocar on-line algo que já existia.

Além disso esses cursos têm data para começar e terminar. Nós somos mais focados em como prover às pessoas conhecimento. Vamos mostrar para você onde você precisa ir e você irá, no seu tempo e nas suas condições.

Mas assim como o edX, a Khan Academy está mostrando um caminho para o qual a educação está seguindo, sem fronteiras na internet.

Sim, estamos definitivamente em um novo mundo. Nos últimos dez ou cinco anos qualquer pessoa pode aprender algo que decidiu estudar se tiver acesso à internet. O truque é: como relacionamos o aprendizado na internet e o que se aprende presencialmente com o contato com os professores?

Ainda não temos resposta.

O que é uma escola boa?

É uma escola que tem professores incríveis e que oferece a eles uma estrutura suficiente para que trabalhem com os alunos possibilidades de explorar o conhecimento.

É preciso dar a eles flexibilidade de tempo para que eles não sejam obrigados a ensinar determinado assunto em determinado tempo.

Os alunos precisam aprender com os professores como direcionar seu próprio estudo. E aí entra a tecnologia. O professor não deve usar tecnologia somente porque alguém mandou que o fizesse.

Os professores sabem usar tecnologia em sala de aula?

Todos temos de aprender. Primeiramente é preciso que a tecnologia esteja presente na sala de aula. É o primeiro passo. Isso deve começar a acontecer cada vez mais.

Você disse que boa escola é a que tem “professores incríveis”. O que é isso?

Muita gente associa um professor incrível com alguém que dá aulas sensacionais. Eu acho o contrário.

Um professor incrível é o que conhece profundamente o assunto que pretende passar, mas que entende que precisa passar ao estudante ferramentas para que ele descubra o conhecimento por si só. O bom professor na verdade é um ótimo guia.

Você dá aulas presenciais?

Não. Apenas para amigos e para a família [risos]. Eu já dei aulas no passado, muito antes da Khan Academy, mas nunca pensei em seguir minha carreira nesse sentido.

Então você nunca estudou para ser um professor?

Não.

Como surgiu a ideia de traduzir o material da Khan Academy para o português?

Nós fomos procurando pela Fundação Lemann há alguns anos e achamos a ideia ótima. Eu visitei o Brasil com a minha família, conheci um pouco do contexto local e falamos da tradução.

Somos um dos piores países do mundo em matemática, segundo o exame internacional Pisa. A Khan Academy pode ajudar os brasileiros?

Não posso fazer promessas, mas posso dizer que existe essa mesma expectativa aqui nos Estados Unidos.

Vocês sobrevivem apenas com doações?

Sim. Temos suporte da Fundação Bill & Melinda Gates, do Google e de grandes empresas e de pessoas físicas. Qualquer moeda ajuda.

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