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Posts tagged professor

Livro didático infantil sugere que meninas possuem “afinidades” com atividades como “lavar louça” e outras

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Cecilia Garcia, no Literatortura

O lendário professor John Keating, do filme “Sociedade dos Poetas Mortos” inicia uma de suas aulas pedindo para que os alunos rasguem uma parte do manual que é antiquada, retrógrada e até mesmo patética. Honestamente, estou vendo o dia em que esta postura será pré-requisito rasgar páginas de livros didáticos antes de poder dar aula.

O último tiro no pé foi um material da Editora Positivo.

Num exercício de seu material, havia o desenho de um menino e de uma menina, além de uma lista de atividades que devem ser ligadas ao gênero que mais tiver “afinidade” a elas. Pede para ser um fiasco, é claro. Só para se ter uma idéia, as atividades incluem os afazeres domésticos, cuspir no chão, usar saia ou biquíni, jogar futebol ou usar brinco e cabelo comprido. Como ligar estas atividades a um gênero específico? Como ligar afinidade a qualquer tarefa a um gênero? A discussão, embora pareça cansativa, já que estamos em pleno século 21, não poderia ser mais atual e pertinente.

Após a explosão de comentários nas redes sociais, a Editora Positivo fez uma declaração. “Esclarecemos que em nenhum momento a finalidade deste exercício é impor padrões ou corroborar com estereótipos de gênero. A atividade, vale mencionar, é parte de um contexto onde o objetivo é justamente promover o debate para combater relações autoritárias e questionar a rigidez dos padrões. O manual do professor, que acompanha todos os livros da coleção, contém orientações ao docente para conduzir essa atividade. Com o objetivo de evitar más interpretações, no início deste ano a Editora Positivo enviou às escolas conveniadas um adendo para esta atividade.”

É claro que não é minha intenção dizer que a intenção da equipe ao criar este exercício era reforçar valores antigos relacionados a homens, mulheres e gênero. No entanto, esse tipo de exercício faz isso mesmo assim. Imagine um professor tendo que lidar com esta bomba em sala de aula, com algumas dicas e instruções do material, como se este exercício fosse a coisa mais natural do mundo, para uma faixa etária preparada para esta discussão. Não é. Em um Ensino Médio já haveria polêmica, imagine para Fundamental I.

Como faz para explicar que menino também ajuda a limpar a casa, e que, se quiser, pode usar, brinco e cabelo comprido? Além disso, e pior ainda, como se explica que menino é que joga futebol enquanto a boneca é só das meninas? O enunciado não propõe que haja mais de uma possibilidade para cada resposta. Isto é, o aluno é forçado a pensar que as atitudes precisam ser atribuídas a apenas uma das figuras, o que, por exemplo, implica em associar lavar louça a um gênero (quando poderia ser aos dois) e cuspir no chão a um outro gênero (quando, honestamente, não deveria ser a nenhum! Que nojo!).

Na melhor das hipóteses, faltou sutileza. Na hipótese que eu acredito, foi um exercício de extremo mau gosto baseado em princípios ultrapassados, mas que ainda vogam em rodinhas, sob o bom e velho estigma de “É brincadeirinha”. Tem que ser dito, com todas as letras: não é “brincadeirinha” dizer que a mulher lava louça e cuida da casa – é retrógrado. Não é “piada” dizer que homem cospe no chão e tem que curtir carro e futebol – é machista. Isso precisa ser entendido, definitivamente.

Exercício na íntegra: aqui.

Ranking do Enem: exame não mede qualidade do ensino, diz professor

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Pesquisador da USP afirma que o exame nacional perdeu a sua função de servir como uma avaliação do ensino médio brasileiro

Publicado no Terra

Criado em 1998 para servir como uma avaliação da educação básica no Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ganhou novas atribuições a partir de 2009, quando passou a servir como forma de ingresso em instituições de ensino superior. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos idealizadores do exame no final da década de 1990, Nílson José Machado, a prova perdeu a sua principal função e hoje não serve para medir a qualidade do ensino médio das escolas públicas e privadas do País.

Para o especialista em políticas educacionais, a divulgação feita anualmente pelo Ministério da Educação do desempenho por escola no Enem incentiva a criação dos rankings de melhores e piores instituições, que não condizem com a realidade da educação brasileira. “Esses rankings não tem nenhuma consistência, são absolutamente sem sentido.  Se pegarmos as 50 primeiras escolas da lista vamos ver que elas tem uma diferença de 50 pontos, uma diferença absolutamente irrelevante no contexto”, defende.

egundo ele, o problema é que a participação não é obrigatória no Enem, e muitas escolas privadas acabam estimulando que os seus melhores alunos façam a prova para melhorar o desempenho na lista. Além disso, a nota dos alunos não leva em conta as condições sociais de onde está inserida a escola, beneficiando, normalmente, as instituições privadas, com alunos de melhor poder aquisitivo.

Para o especialista, que participou de uma equipe de 50 pessoas de todo o Brasil que em 1997 lançaram as diretrizes para a avaliação nacional, embora tenha perdido sua finalidade inicial, o exame contribui muito para a mudança no modelo “decoreba” dos vestibulares. “Quando o Enem surgiu, ele acabou inclusive inspirando os vestibulares tradicionais a mudar com o modelo de prova, deixando mais interdisciplinar, com mais análise”. O problema, diz ele, é não se perder e deixar o Enem igual aos vestibulares, com único foco no ingresso no ensino superior.

Pesquisadora critica ‘padrão Enem’ nas escolas

Professora da Faculdade de Educação da USP, Cristiane Gottschalk também é contra o ranqueamento das escolas a partir do Enem. Ela diz que os pais até podem olhar para as notas para decidir qual escola colocar o filho, porém nunca como critério único. A pesquisadora afirma que o mais preocupante nessa lista de colégios é a tendência de que as instituições, principalmente as privadas, acabem utilizando o modelo do Enem como padrão do seu ensino.

“Como todo ranking, o problema é reduzir a avaliação de uma escola a um aspecto só, a saber, o desempenho da média de seus alunos em uma única prova, desconsiderando-se, assim, vários outros fatores fundamentais para a formação do aluno. Em particular, a prova do ENEM torna este processo avaliativo ainda mais dogmático, pois obriga toda escola a adotar uma mesma concepção metodológica, que é a ‘pedagogia das competências'”, analisa.

Ela ainda critica a proposta do governo federal de propor mudanças no ensino médio, tendo como foco um padrão nacional curricular com base nos conteúdos do Enem. “Ao se impor um único método de ensino, estamos impedindo que as escolas partam de seus próprios problemas e de seu contexto particular para elaborarem suas propostas político-pedagógicas de modo a decidirem coletivamente pela concepção pedagógica mais interessante a ser adotada naquela escola específica”.

Em entrevista ao Terra esta semana, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, negou que o governo tenha a intenção de padronizar o ensino no Brasil por meio do Enem, mas considerou ser importante ter uma “base nacional” para as escolas, respeitando a cultura de cada região e as especificidades de cada escola.

Professora diz ser agredida a socos por aluno de dez anos

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Maycon Corazza, no CGN

Uma professora registrou um boletim de ocorrência contra um aluno de dez anos, ontem (24), em Maringá. A mulher afirma ter sido agredida fisicamente e verbalmente pelo garoto na terça-feira (23), durante um passeio de uma escola do Conjunto Santa Felicidade.

O aluno do ensino fundamental teria se revoltado após a professora ter chamado a sua atenção por desobediência. Na versão da vítima, ao ser advertido, o garoto a xingou e a agrediu com socos.

No retorno do passeio as agressões foram relatada à direção da escola que tentou, sem sucesso, contatar a mãe do aluno que, segundo a professora, nunca responde aos chamados da escola. A educadora disse ainda que essa não foi a primeira vez que o garoto apresentou comportamento agressivo.

O caso foi registrado pela Polícia Civil como injúria e será encaminhado ao Conselho Tutelar por envolver um menor de 12 anos. A mãe do garoto deverá ser convocada a prestar esclarecimentos.

Professora brasileira recebe prêmio de ciência promovido pela Unesco

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Marcia Barbosa, professora da UFRG, premiada pela Unesco por descoberta cientifica (foto: divulgação)


Publicado originalmente na Época Negócios

A professora brasileira Marcia Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG), recebeu hoje (19/10) o prêmio L’Oréal-Unesco Para Mulheres na Ciência 2013.

Marcia descobriu uma anomalia na água “que poderia levar a uma melhor compreensão” de uma grande diversidade de fenômenos no mecanismo de dobramento de proteínas, que é essencial para o tratamento de certas doenças.

De acordo com a Unesco e a multinacional francesa de cosméticos, as ganhadoras de 2013, cinco no total, receberão o prêmio de US$ 100 mil no dia 28 de março, na sede central da Unesco, em Paris.

As vencedoras são Francisca Nneka Okeke, da Universidade da Nigéria, Pratibha Gai, da Universidade britânica de York, Reiko Kuroda, da Universidade das Ciências de Tóquio, e Deborah Jon, do National Institute of Standards and Technology da Universidade do Colorado.

“Seus descobrimentos modificam nossa maneira de ver e pensar em numerosos campos das ciências físicas e ampliam as fronteiras da ciência e da tecnologia, podendo transformar nossas sociedades”, disse Irina Bokova, ex-diplomata búlgara e diretora geral da Unesco. “Estas cinco mulheres fornecem ao mundo uma compreensão mais minuciosa do funcionamento da natureza e são fonte de inspiração para todos.”

O programa Para as Mulheres e a Ciência, que em 15 anos já premiou 77 mulheres, inclui, a cada ano, uma série de bolsas de estudos voltadas para pesquisas internacionais, regionais e nacionais.

Professor brasileiro ganha menos que metade do salário dos docentes dos países da OCDE

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Karina Yamamoto, no UOL

Um professor brasileiro do fundamental 2 (6º a 9º anos) ganhou, em média, US$ 16,3 mil por ano em 2009. Enquanto isso, na média, um profissional com formação e tempo de experiência equivalentes recebeu US$ 41,7 mil nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Se for levada em consideração a situação do professor da rede pública, a comparação fica ainda pior. A média anual é U$ 15,4 mil. Os salários dos docentes brasileiros foram calculados, com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional Amostra de Domicílios) 2010 pela Metas – Avaliação e Proposição de Políticas Sociais a pedido do UOL. Já os dados da OCDE foram divulgados no começo de setembro no relatório anual Education at a Glance (“Olhar sobre a Educação” em tradução livre).

“Salário é o principal [fator de atração para carreira docente]”, afirma o pesquisador Rubens Barbosa de Camargo, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). E os estudos – além da experiência prática – confirmam e reafirmam a importância do professor na qualidade da educação.

“Há muitos licenciados [profissionais com licenciatura que podem dar aulas] que deixam a profissão. Melhorando o salário, não só atrai a juventude como pode trazer de volta esses professores”, diz Camargo.

Para a economista Fabiana de Felício, da consultoria Metas – Avaliação e Proposição de Políticas Sociais, a questão que se coloca é: como selecionar bons professores se a profissão não é valorizada. “É uma atividade desgastante e [dar aula é] um compromisso inadiável. Tem de pagar um salário compatível [para que valha a pena ser professor]” , diz Fabiana.

Diferença com outros profissionais
Pelos cálculos da consultoria Metas, o salário médio de um professor da rede pública com curso superior e com, pelo menos, 15 anos de experiência (US$ 15,4 mil) não chega a metade (48,5%) da remuneração dos demais profissionais (US$ 31,7 mil) no Brasil.

No caso dos profissionais do fundamental de modo geral a diferença é um pouco menor. O salário anual médio de um professor da rede pública (US$ 13,1 mil) é 54,7% do médio das demais profissões (US$ 24,4 mil) com a mesma formação e o mesmo tempo de serviço.

Os números são ruins, mas já foram ainda piores. “Com a introdução do Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério] que depois virou o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], o professor deixou de ter salários acintosos”, diz Camargo.

Essa desproporção é comum mesmo nos países ricos da OCDE. Na média, os países da OCDE pagam a seus professores 85% do valor com que remuneram os demais profissionais da etapa equivalente ao fundamental 2.

Na Finlândia, país tido como exemplo pela qualidade da educação, um professor secundário com 15 anos de experiência tem salário praticamente equivalente ao restante da força de trabalho (98%). Dos 30 países com dados disponíveis, apenas quatro têm proporções na casa dos 50%. São eles: Islândia (50%), República Tcheca (53%), Estônia (57%) e Hungria (58%).

Em comparação com os países da OCDE, o Brasil está entre aqueles com menor investimento anual por aluno do grupo, sendo o terceiro que menos investe por aluno no pré-primário (US$ 1,696) e no secundário (US$ 2,235) e o quarto colocado no primário (US$ 2,405).

PNE
Uma das 20 metas do documento original do PNE (Plano Nacional de Educação), elaborado no final de 2010, diz respeito à remuneração dos professores. Segundo o documento a 17ª meta das 20 propostas é “valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente”.

O PNE, que deveria estar em vigor no período de 2011 a 2020, ainda se encontra na Câmara dos Deputados. A disputa que mais tem causado o atraso de sua aprovação é o percentual de investimento em educação. Movimentos em defesa da educação apontam para 10% do PIB (Produto Interno Bruto).

No último capítulo dessa novela, a meta de investimento em educação subiu de 7,5% para 8% do PIB e criou a possibilidade de elevar esse percentual a 10%, caso metade dos recursos do pré-sal, a serem investidos na área, representem 2% do total.

Segundo um relatório elaborado pela Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), o salário dos professores abocanham um valor equivalente a 1,5% do PIB nos dias de hoje. “Com 2% do PIB seria possível alcançar a média dos outros trabalhadores”, avalia Rubens Barbosa de Camargo. Segundo ele, a valorização do magistério passa ainda por melhoria nas condições de trabalho, como infraestrutura de qualidade e diminuição do número de alunos por sala.

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