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Instituições apostam em software contra plágio

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Programas identificam similaridades entre teses e começam a ser usados na graduação

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Imagem: Google

Paulo Saldaña, no Estadão

A universidade brasileira tem aumentado a preocupação em identificar plágios em trabalhos acadêmicos, com a adoção de softwares que apontam possíveis cópias. Um desses programas já está sendo usado em 35 universidades do País, com o objetivo de analisar pesquisas de pós-graduação e também trabalhos da graduação.

Segundo professores e especialistas em ensino superior, problemas de plágio, como reprodução indevida de trechos e mesmo de ideias, sempre existiu. Mas a internet fez com que a cópia se tornasse mais comum – tanto pelo acesso a um volume gigantesco de informações quanto pela facilidade do Crtl C, Crtl V (atalho do corte e cola).

Com o aumento do problema, surgiram os softwares antiplágio, que funcionam como um grande buscador. Em linhas gerais, eles cruzam o texto entregue com artigos da internet, com um banco próprio de textos acadêmicos e com trabalho dos próprios colegas, no caso de uso do programa na graduação.

“A licença funciona de acordo com o tamanho da universidade e leva em conta o número de alunos, por exemplo”, diz a inglesa Alice Lupton, Gerente de Desenvolvimento da América Latina do Turnitin, o mais popular software antiplágio, que já fechou contrato com 35 universidades brasileiras.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, paga uma licença anual de R$ 18 mil para que a ferramenta esteja disponível para todos os professores. A instituição já usa o dispositivo há três anos. De acordo com o presidente da Comissão Permanente de Avaliação da Unesp, Carlos Roberto Grandini, o uso por parte dos docentes depende de treinamento, que tem sido feito com regularidade. Mas fica a critério de cada profissional decidir se vai usar. “É um grande facilitador em teses, porque não é possível ter o domínio de todo o conteúdo que existe”, diz ele, que adota o software também em aulas de graduação e usava quando foi editor de uma revista científica.

Grandini conta que já recusou dois artigos na revista depois que o software apontou níveis muito altos de similaridade. “Mas o software não diz se há plágio de fato, o professor precisa analisar as indicações de similaridade e avaliar se há um problema”, diz. Segundo ele, ainda não houve casos graves em pesquisas, só ocasiões em que os autores não haviam feito uma citação corretamente. “Esse descuido é comum nos trabalhos de graduação, quando os alunos ainda não sabem como pesquisar, como creditar.” O ITA é outra instituição pública que também adota o software.

Percurso. No início de maio, Alice Lupton percorreu vários Estados brasileiros para apresentar o programa. Segundo ela, o interesse das instituições de ensino e editoras de publicações acadêmicas cresceu com notícias de casos de cópias em pesquisas.

O escândalo mais recente foi com a ministra da Educação da Alemanha, Annette Schavan, que no ano passado deixou o cargo após perder seu título de doutorado por acusações de plágio. “É uma preocupação que ocorre no mundo todo, as instituições estão preocupadas com a reputação”, diz Alice. Só o Turnitin tem contratos com universidades e editoras em mais de cem países. Na Inglaterra, por exemplo, a taxa de uso entre universidades é de mais de 95%.

O Grupo Positivo já usava há alguns anos o programa Farejador de Plágio e adotou em 2013 o Turnitin, inicialmente em um programa de pós-graduação. “Nosso objetivo é garantir a originalidade dos trabalhos. Instruímos o aluno sobre o que é plágio e como evitar, porém, nem sempre isso acontece”, diz o professor Maurício Dziedzic, que coordena o Programa de pós em Gestão Ambiental da Universidade Positivo (PR). Na medida em que os professores vão conhecendo o programa, o uso aumenta.

Introdução. A adoção do caçador de plágios na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) também tem sido paulatina. O uso do software começou em 2013, também na pós-graduação, e o plano é que os professores da graduação comecem neste ano.

“O próximo passo é incluir a graduação. Hoje, acontece apenas em situações em que já foi identificado o problema, de forma reativa”, diz o professor César Augusto De Rose, assessor de Tecnologia da pró-reitoria de pesquisa da PUC-RS.

De Rose afirma, entretanto, que identificar um plágio não é tão simples. “Existe dificuldade de não tipificar o plágio em um número, por isso o software não pode ser definitivo. Temos de saber qual nível tolerável de similaridade”, diz.

A coordenadora institucional do curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas (Direito-GV), Adriana Ancona de Faria, lembra que o software não é inteligente. “A tecnologia não faz mágica. Ela só detecta o trecho reproduzido. O professor tem de mapear as cópias.”

Especialista em análise de produção científica, o professor Rogerio Meneghini vê com bons olhos o uso mais frequente dos softwares, mas faz uma ressalva em relação à impressão de que vivemos em uma época com mais fraudes. “Não temos informações sobre a extensão desse problema. Talvez o número de casos esteja aumentando na medida em que os softwares têm sido utilizados.”

Pós-graduações interdisciplinares são as que mais crescem

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Programas desse modelo sãos os que mais têm cursos, mas maioria tem nota mínima

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Bárbara Ferreria Santos, no Estadão

Os programas de pós-graduação (PPGs) interdisciplinares são os que mais crescem no País desde 1999, quando a área interdisciplinar foi criada na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC) que autoriza e avalia esses cursos no País. A área é também a maior na Capes hoje, com 296 programas e 374 cursos – cada programa pode incluir mestrado e/ou doutorado. Apesar do crescimento, até 2012, a maior parte dos cursos interdisciplinares (54%) ainda tinha a nota mínima, 3, segundo o último relatório trienal da Capes. Nenhum alcançou a nota máxima, que é 7.

Segundo o professor dos programas de pós-graduação em Desenvolvimento Rural, que é interdisciplinar, e em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jalcione Almeida, entre os motivos que explicam as baixas notas estão a pouca idade dos cursos e o fato de a prática interdisciplinar ser recente nas universidades. “Esses cursos surgem, em boa medida, em centros universitários fora dos grandes eixos, com uma espécie de agrupamento de intelectuais de diferentes áreas, pois as pequenas universidades não conseguem montar um curso disciplinar com poucos professores.”

Além disso, ele explica, as exigências da Capes para a qualidade dos programas é alta. “Os cursos têm de correr atrás para ter uma equipe docente que dê conta e uma proposta que seja alinhada.”

Já para Marlize Rubin Oliveira, professora do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o fato de a avaliação e o financiamento fazerem parte do mesmo processo pode influenciar as notas. “É uma novidade desde a década de 1990 que a avaliação e o financiamento façam parte do mesmo processo. Há um volume de dinheiro para ser distribuído conforme as notas.”

Segundo Marlize, os critérios de avaliação ainda são muito pautados por análises disciplinares e isso prejudica a área. “Avaliar cursos interdisciplinares com critérios disciplinares acaba penalizando esses cursos. Isso vem evoluindo, mas o segundo grande passo pelo qual a área passará será cada vez mais ser avaliada por critérios interdisciplinares.”

Para o diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral, a média dos novos cursos e de novas áreas, quando criados, é menor em relação àquelas que existem há muito tempo e estão consolidadas. “Áreas novas, quando foram criadas, não tinham notas altas, 6 e 7, justamente porque elas são dadas com base em uma referência e uma identificação. Em uma área nova, nem o curso nem a comunidade sabem exatamente como distinguir essa identidade e a qualificação dentro dessa identidade. Isso não aconteceu só em Interdisciplinaridade, mas em Biomedicina e Biotecnologia também, por exemplo”, afirma.

História. A área nasceu em 1999, com o nome de Área Multidisciplinar, por demanda de um grupo de programas que estava mal avaliado em suas áreas porque apresentava aspectos multi e interdisciplinares. Depois, foi criada uma comissão para avaliar os programas, considerando a formação diversa dos professores – principalmente aqueles vindos de universidades que tinham corpo docente restrito – e a realidade dos objetos de pesquisa contemporâneos, que exigem a ampliação dos campos de análise. Em 2008, a área passou a se chamar Interdisciplinar.

O grupo mais representativo no processo de criação da área foi o dos programas de Meio Ambiente. “O nascimento desses programas foi incentivado principalmente pela (Conferência) Rio-92, pois a discussão ‘sociedade e natureza’ estava muito pungente naquela época”, explica Marlize.

A consolidação desses cursos fez com que nascesse da área interdisciplinar uma outra: a de Ciências Ambientais. Entre 2009 e 2010, 47 cursos migraram das interdisciplinares para as ambientais.

Em 2012, a área interdisciplinar estava dividida em quatro câmaras temáticas: Sociais e Humanidades (30% dos cursos); Engenharia, Tecnologia e Gestão (24,5%); Saúde e Biológicas (23,6%); e Desenvolvimento e Políticas Públicas (21,9%). Essa mesma configuração se mantém até hoje.

Há dois anos, a área passou a ter programas em todos os Estados. O número aumentou, mas a distribuição porcentual por região teve pouca variação. A maior parte dos programas em 2012 estava concentrada no Sudeste, um total de 119. O Estado mais representativo é São Paulo, com 60 programas, seguido do Rio de Janeiro, com 36. A Região Norte, embora seja a que tem menos cursos (24), é a que mais cresce: 84,6% entre o triênio 2007-2009 e 2010-2012.

Crescimento. Para quem está em um programa interdisciplinar, a possibilidade de analisar um mesmo objeto de pesquisa sob a esfera de diferentes áreas do conhecimento é um reflexo da realidade social e também da academia.

Essa foi a opção de Anália Ribeiro, de 47 anos, aluna de mestrado do programa Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades do Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos (Diversitas) da Universidade de São Paulo (USP).

“Escolhi um curso interdisciplinar porque o meu tema de pesquisa é o enfrentamento ao tráfico de pessoas. Liderei equipes multidisciplinares nos âmbitos federal e estadual, em São Paulo, com políticas públicas sobre o assunto. Essa visão transdisciplinar do curso me possibilitou delinear a pesquisa e me deu segurança para avaliar o tema”, diz Anália.

Já David de Oliveira Lemes, de 39 anos, chefe do Departamento de Computação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorando no programa interdisciplinar Tecnologias da Inteligência e Design Digital (Tidd) na mesma instituição, procurou desde a graduação áreas interdisciplinares.

“Ir para o Tidd foi quase uma extensão da minha graduação em Tecnologias e Mídias Digitais na PUC, um curso pioneiro por essa integração entre áreas. Fiquei atraído porque a natureza desse mundo digital, da internet e dos games, é multidisciplinar. Dá para ver que os jogos têm arte, história, roteiro e muita programação.”

Programas para iPad ajudam estudantes a ler Shakespeare

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Charles Isherwood, na Folha de S.Paulo

Pobres dos professores de inglês atuais, que precisam encarar salas lotadas de adolescentes que passam o tempo atualizando seus status no Facebook, usando o Snapchat ou fofocando via SMS sobre a mais recente perfídia de um falso amigo.

Tentar instilar nos estudantes um interesse apaixonado (ou mesmo passageiro) por Shakespeare jamais foi a tarefa mais fácil para os professores. Com todas as distrações digitais agora existentes, o desafio de despertar o interesse dos estudantes pelas peças do dramaturgo com certeza se tornou mais difícil.

O discurso abreviado estimulado pelas mensagens de texto e pelo Twitter fica muito distante dos densos monólogos shakespearianos. Um divertido cartum de Roz Chast, publicado anos atrás pela revista “New Yorker”, brincava com a distância entre as gerações atuais e Shakespeare. Na versão de Chast, Romeu e Julieta conversam por meio de mensagens de texto, e a cena da sacada termina assim:

Julieta: xoxoxoxo fui t vjo dpois
Romeu: xoxoxoxo xau

Um novo projeto chamado WordPlay Shakespeare tenta aproveitar a aptidão dos estudantes para as novas tecnologias, e seu apego a elas, para ajudá-los a se envolver mais facilmente com as peças. Criados pela New Book Press, os livros eletrônicos de US$ 9,99 podem ser baixados no iTunes e por enquanto estão disponíveis em diversos formatos para Mac e iPad.

Os livros combinam o texto integral das peças a versões em vídeo produzidas especificamente para a série. Quando você abre o “livro”, uma página de texto aparece na metade esquerda da tela, como aconteceria em um livro convencional. Na metade direita, basta clicar para assistir a um vídeo da cena em questão.

Retrato de William Shakespeare, maior dramaturgo de língua inglesa / Associated Press

Retrato de William Shakespeare, maior dramaturgo de língua inglesa / Associated Press

Alexander Parker, o editor chefe da New Book Press, disse que vê esse formato como maneira ideal de aumentar a capacidade dos estudantes para compreender a complexidade da linguagem de Shakespeare. “O tablet”, ele diz, “serve muito bem para combinar mídias que antes não se combinavam”, no caso texto e vídeo. “Se você tem o texto e uma cena um ao lado do outro, as duas experiências se reforçam mutuamente”.

Até o momento, a editora lançou apps para “Macbeth” e “Sonho de Uma Noite de Verão” —duas das peças de Shakespeare que costumam ser tema mais frequente de trabalhos escolares. Outra dupla de peças que muitas vezes serve como primeiro encontro entre estudantes e Shakespeare —”Romeu e Julieta” e “Júlio César” — estão em pré-produção.

Um teste breve me convenceu dos méritos do projeto, ainda que haja aspectos que requeiram alguma familiarização. O app é enxuto, bem produzido e fácil de operar. Se você clicar na metade direita da tela branca, verá atores vestidos em roupas modernas dando vida às palavras —no caso de “Macbeth”, com discretos toques visuais escoceses. (Coincidentemente, Francesca Faridany, que trabalha em uma remontagem de “Macbeth” em cartaz na Broadway, como a feiticeira Hécate, interpreta Lady Macbeth na versão WordPlay da peça.)

Mesmo para adultos, a linguagem de Shakespeare pode ser desafiadora, e as inúmeras notas de pé de página que algumas edições de seu trabalho apresentam podem intimidar. A cada vez que a pessoa encontra uma palavra ou frase que desconhece, ela deixa a peça de lado para que possa pesquisar o significado. Depois, é preciso retomar o texto do ponto em que a leitura foi suspensa. Para os estudantes, é claro, isso pode ser ainda mais incômodo, e faz de Shakespeare uma tarefa tão cansativa que trigonometria parece brincadeira de criança, em comparação.

Mas boa parte do sentido das falas de Shakespeare pode ser iluminado facilmente pela interpretação dos atores, ainda que parte da linguagem continue a ser remota. A sintaxe que parece confusa e impenetrável lida no papel, subitamente adquire significado ao ser interpretada por um ator, e o WordPlay Shakespeare oferece aos estudantes a oportunidade de assistir ao espetáculo movendo apenas um dedo. Muitas das obscuridades do discurso de Shakespeare podem ser esclarecidas quando a interpretação oferece contexto.

Ainda que seja muito fácil de usar, o WordPlay Shakespeare também pode frustrar. Se um monólogo ou cena se estende por mais de uma página (como é muito comum), e você estiver assistindo à cena, os atores subitamente desaparecem quando chegam à fala na qual a página se encerra. É preciso deslizar a tela para a próxima página e ativar o vídeo de novo para continuar a assistir.

Obviamente, isso é bem menos satisfatório dramaticamente do que assistir a um dos grandes monólogos de Macbeth na íntegra. Por enquanto, não há maneira de apertar o botão de “começar” e ver o texto correndo na íntegra automaticamente, sem que o usuário tenha de adiantá-lo página a página.

Como os livros foram projetados de forma a permitir que os estudantes leiam o texto e o ouçam, os atores muitas vezes declamam lentamente diálogos altamente dramáticos que, no palco, seriam feitos com mais urgência. Quando, em “Macbeth”, a notícia da morte do rei se espalha pelo castelo, não sentimos a sensação de caos, horror e medo que é possível ver em uma encenação teatral, para mencionar um exemplo.

Mas Parker enfatiza que o objetivo do projeto não é produzir entretenimento —afinal, existem inúmeras peças e filmes sobre as obras de Shakespeare já disponíveis—, mas sim ajudar os estudantes a compreender a linguagem que ele usa.

“Não estávamos interessados em representações vistosas ou espetaculares”, ele diz. “Para o nosso interesse, em uma primeira aproximação com a obra de Shakespeare, a ênfase deve estar na linguagem. O objetivo do projeto é ter como foco a dicção, significado e clareza da linguagem, e creio que os nossos atores cuidem bem disso”.

Eu concordo com a avaliação: embora ninguém vá esquecer sua interpretação favorita de “Macbeth” ou “Sonho de Uma Noite de Verão” ao assistir aos vídeos, os atores (a maioria dos quais, mas não todos, norte-americanos) falam a linguagem das peças com a lucidez de atores clássicos bem treinados. Por mais vívida e quente que seja, uma interpretação como a de Al Pacino para o Shylock de “O Mercador de Veneza” provavelmente não ajudaria os estudantes que estão simplesmente tentando conectar linguagem e significado, em Shakespeare.

SHAKESPEARE DIGITAL

O trabalho da WordPlay Shakespeare não é a única tentativa de criar versões “vitaminadas” de suas peças para consumo em novas mídias. A Luminary Digital Media, em colaboração com a editora Simon & Schuster e com a biblioteca Folger Shakespeare Library, criou uma série de peças de Shakespeare para o iPad que combinam texto e gravações em áudio. Os títulos disponíveis incluem “Macbeth” e “Sonho de Uma Noite de Verão”, bem como “Otelo” e “Romeu e Julieta”. (“Hamlet” está em produção.)

As versões, vendidas a US$ 11,99, tem a vantagem de permitir que você leia (ou ouça) cenas inteiras, ou mesmo a peça inteira, de uma vez, sem interrupção. Elas também oferecem funções de redes sociais, permitindo que o leitor faça anotações e as compartilhe com seus amigos no Facebook. (Fico imaginando quantas pessoas apertarão o botão “like” para algo assim, mas deixemos para lá.)

Como no caso das peças do WordPlay Shakespeare, ouvir as palavras pode ajudar a esclarecer o significado, mas não gostei nada da barra cinzenta que mostra as palavras que estão sendo ditas. Ela mais distrai que ajuda, mas, se você está mais ouvindo que lendo, e quer começar e largar a leitura só nos trechos que lhe interessam, o indicador visual pode ser útil. Além disso, se você estiver só lendo e ouvindo em modo contínuo, fique atento à função sleep do iPad, que desativa a tela depois de certo tempo, já que você não estará virando páginas manualmente.

Com apenas dois títulos até o momento, o projeto WordPlay Shakespeare não está tão avançado quanto o concorrente, mas Parker diz que as reações foram positivas. “A resposta que encontramos é que nosso trabalho torna as peças muito mais compreensíveis, mas sem dilui-las”, ele diz.

E embora a inspiração do projeto seja pedagógica —antes de aceitar emprego na New Book Press, Parker foi “tecnólogo da educação” na Universidade Harvard por 12 anos—, o produto obviamente não tem rotulação de idade. Estudar as peças de Shakespeare é um esforço que dura a vida toda, e o WordPlay Shakespeare pode servir muito bem a pessoas que deixaram a escola há muito tempo. Os apps podem encontrar audiência maior nas salas de estar, ocupadas por pessoas cada vez mais familiarizadas com a tecnologia, do que nas salas de aula.

“Alguns adultos a quem mostrei o app tiveram reação parecida: ‘Como eu queria ter tido algo assim quando estava estudando Shakespeare'”, diz Parker, acrescentando que ele mesmo compartilha do sentimento.

Embora eu ocasionalmente me incline ao desânimo diante da influência cada vez mais pesada da tecnologia nova sobre a literatura, tenho de admitir que sinto a mesma coisa. A molecada de hoje, para quem datilografar em uma máquina de escrever seria provavelmente considerado um exercício fatigante, realmente não faz ideia de quanto as coisas são fáceis hoje em dia.

Testes de ortografia e redação eliminam candidatos a estágio

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Entre cursos com maior reprovação estão pedagogia, jornalismo e turismo.
Falta de leitura e hábitos gerados pela internet são fatores motivadores.

Marta Cavallini, no G1

Quem concorre a uma vaga de estágio precisa ficar atento ao conhecimento e domínio da língua portuguesa, pois os testes ortográficos e as redações são os que mais reprovam, de acordo com levantamento do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube). Atualmente, várias empresas estão com milhares de vagas abertas e os processos seletivos estão a todo vapor – clique aqui para ver a lista de programas de estágio e trainee.

Uma das etapas da seleção, o teste ortográfico, aplicado em forma de ditado, reprovou mais os estudantes de nível médio técnico de escolas públicas em 2012. Em relação aos universitários, a reprovação atinge mais os que estudam em instituições particulares e dos cursos de pedagogia, jornalismo e matemática (veja abaixo reprodução dos testes disponibilizados pelo Nube).

Já na redação, a reprovação foi maior entre os estudantes de 15 a 18 anos e do ensino médio no ano passado. Entre os cursos de nível superior, a maior reprovação está entre os cursos de turismo, educação física e publicidade.

Os homens tiveram desempenho pior que as mulheres tanto no teste ortográfico quanto na redação.

Teste ortográfico
O estudo realizado durante todo o ano de 2012 com 7.219 estudantes revela que 2.081 candidatos (28,8%) não tiveram êxito no teste ortográfico e foram eliminados. O teste foi aplicado na forma de ditado, com 30 palavras do cotidiano, como “seiscentos”, “escassez”, “artificial”, “sucesso”, “licença” e “censura”. Era considerado reprovado quem cometesse mais de sete erros. O índice de reprovação entre as mulheres ficou em 26,6%, e entre os homens, em 32%.

Os mais novos, com idade entre 14 e 18 anos, tiveram melhor desempenho, com 75% de aprovação, superando outras faixas como a de 19 a 25 anos (68,9%), 26 a 30 anos (69,2%) e acima de 30 anos (71,2%).
Alunos do ensino médio técnico tiveram o pior desempenho – em torno de 37% cometeram mais de 7 erros, seguidos dos estudantes do superior tecnólogo (30%), médio (29%) e superior (28,5%). Estudantes de nível médio e técnico de escola pública tiveram desempenho pior (30%) se comparados aos das instituições particulares (17%). Entre os universitários, cerca de 30% dos jovens de escolas privadas foram reprovados, contra apenas 19% das faculdades municipais, estaduais ou federais.

Os cursos com maior índice de reprovação são pedagogia (50%), jornalismo (49%), matemática (41,4%), psicologia (41%) e ciência da computação (40%). Com maior aprovação estão os cursos de comércio exterior (83%), medicina veterinária (82%), relações públicas (80%), engenharia de produção (80%), nutrição (75,5%), engenharia elétrica (74,5%) e direito (74%).

Redação
Pesquisa realizada durante todo o ano 2012 com 1.147 participantes mostra que as mulheres tiveram maior índice de aprovações na redação, com 85,5%. Entre os homens, o índice foi de 80,7%. A reprovação é maior entre os estudantes de 15 a 18 anos (27,5%) em relação a 19 a 25 anos (16,5%). No ensino médio, o índice de reprovação é de 26,1%, e no superior, de 17,4%. Os cursos de direito (90%), engenharia civil (88%) e engenharia mecânica (86%) têm o maior índice de aprovação. Já os de turismo (66%), educação física (33%) e publicidade (27,5%) têm os piores índices.

Justificativas
“Impressiona o fato de os jovens na fase da universidade registrar erros graves na grafia. Apenas 25% dos brasileiros mantêm o hábito da leitura. O reflexo é percebido antes do ingresso no mercado de trabalho. Muitos ficam pelo caminho e são excluídos das chances de construírem uma carreira, por terem pouca intimidade com as palavras”, diz Erick Sperduti, coordenador de recrutamento e seleção do Nube.

Para Sperduti, o bom desempenho das mulheres na redação pode ser explicado pelo fato de as candidatas se interessarem mais pela leitura, seja em romances ou revistas. “Assim, absorvem um maior repertório de palavras e estabelecem uma maior concordância no momento de elaborar uma redação”.

Já em relação ao fraco desempenho dos estudantes do nível médio e técnico no teste ortográfico e na redação, Sperduti afirma que “o jovem ainda não possui uma variedade de vocabulário, dificultando a elaboração de um bom texto. Somado a esse fator, temos a falta de interesse em escrever. Navegar na web, ouvir rádio e ver televisão são mais atrativos para esse público”, explica.

Com relação ao bom desempenho dos estudantes de 14 a 18 anos no teste ortográfico, o coordenador diz que esses estudantes têm mais contato com a língua portuguesa por ainda estarem no período de formação.
Entre as palavras grafas de forma errada nos testes ortográficos, Sperduti cita rejeitar com “G” no lugar do “J”, flexível com “QUIC” no lugar do “X”, assessoria com um “S” apenas, licença com “S” no lugar do “C”, exceção sem o “C”, ressaltar com um “S” apenas e transição com “C” no lugar do “S”. “Dá a entender que não conhecem as palavras”, diz.

Sperduti considera que a única saída para reverter o mau desempenho é a prática da leitura e o hábito de escrever as ideias. “O desafio para os futuros profissionais não é apenas concluir o curso, mas mostrar domínio do nosso idioma”, diz.

De acordo com o coordenador de recrutamento, é importante organizar os assuntos a serem redigidos. “Tudo precisa ter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão, ou seja, um começo, meio e fim”, diz Sperduti. Ele afirma ainda que não se deve escrever em 1ª pessoa, com expressões como “eu acho”, “eu penso”, “eu acredito”. “Muitos são reprovados porque não releem o que escreveram, não revisam para corrigir os erros antes da entrega. A pressa, neste caso, só prejudica”, diz.

Para o coordenador, a internet pode contribuir com os erros. “Abrevia-se muito as palavras, escreve-se com rapidez, quer fazer as coisas de forma rápida, não revisa, esse sentido de urgência pode prejudicar”, diz. Entre os principais erros nas redações estão ortografia e concordância, redações curtas, com menos de 15 linhas, fuga ao assunto proposto, texto sem começo, meio e fim. “Os candidatos têm de 40 a 50 minutos para fazer a redação, dá tempo de fazer e revisar, mas muitos terminam em 15 minutos”, diz.

De acordo com Sperduti, a seleção de estagiários se dá da seguinte forma: depois de selecionar os candidatos pelo perfil técnico, por meio de triagem no cadastro da entidade, as empresas geralmente aplicam testes presenciais, que são compostos da apresentação pessoal (o candidato fala dele mesmo, de seus dados pessoais, de suas competências do currículo e de suas características); atividade em grupo, com o desenvolvimento de case e apresentação – nessa etapa é feita a avaliação de competências; e em seguida testes de raciocínio lógico, ortográfico, redação e inglês.

O que mais reprova é o teste ortográfico e redação, seguido das atividades em grupo, segundo ele. “Muitos candidatos nem sabem para qual empresa estão concorrendo. Por outro lado, outros estão ali por causa da empresa, porque têm vontade de seguir carreira nela, e isso conta bastante”, diz Sperduti.

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Teste ortográfico do Nube para o curso de administração, cujo número de acertos foi de 5 (Foto: Reprodução)

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Teste ortográfico do Nube para o curso de arquitetura e urbanismo, cujo número de acertos ficou em 9 (Foto: Reprodução)

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Teste ortográfico do Nube para o curso de recursos humanos (Foto: Reprodução)

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Teste ortográfico do Nube para o curso de engenharia de produção, cujo número de acertos ficou em 9 (Foto: Reprodução)

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Teste ortográfico do Nube para o curso de técnico em administração, cujo número de acertos ficou em 5 (Foto: Reprodução)

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Teste ortográfico do Nube para o curso de engenharia de produção, cujo número de acertos ficou em 11 (Foto: Reprodução)

Nos EUA, aulas durante as férias oferecem mais do que reforço

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Cursos oferecidos durante o verão são reformulados e misturam conteúdos acadêmicos e culturais

Publicado por Último Segundo

Há poucos anos, escolas de todos os Estados Unidos estavam cortando as aulas de férias de verão por falta de orçamento. Agora, apesar dos desafios orçamentários permanecerem, muitos distritos estão reformulando os cursos de férias, tornando-os algo além de um exercício obrigatório de recuperação.

De acordo com a ONG National Summer Learning Association, 25 dos maiores distritos escolares do país desenvolveram programas para o curso de verão que vão além do tradicional reforço. Escolas públicas da cidade de Nova York oferecem no verão opções que misturam conteúdos acadêmicos com enriquecimento cultural, como aulas intensivas de artes e um programa que combina aulas com estágio remunerado.

NYT Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville

NYT
Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville

Em Jacksonville, o ano letivo terminou há três semanas, mas Roshelle Campbell continua levando seu filho Gregory para um dia de aulas cheio. Gregory, de 6 anos, é um dos mais de 300 alunos que vão passar seis semanas de suas férias de verão na escola Mathis, mas não porque foi mal nas provas. “Ele sempre foi muito esperto. Acho que a educação é muito importante e não quero que ele perca oportunidades durante as férias de verão”, diz a mãe.

Mesmo em distritos com graves problemas fiscais, como Baltimore, Chicago, Filadélfia, Pittsburgh e San Francisco, autoridades da educação conseguiram ajuda da organizações filantrópicas, particularmente daquelas que acreditam que as aulas nas férias podem ajudar os estudantes com condições sociais desfavorecidas. “Conheço vários alunos de escolas públicas que estão na Europa ou em acampamentos. Isso é ótimo, mas temos de pensar se todas as crianças têm acesso e oportunidades, se não passam o dia em casa vendo desenhos e comendo porcarias”, diz Nikolai Vitti, superintendente das escolas públicas do distrito de Duval.

Cada vez mais os educadores veem o verão como uma época para reforçar o conteúdo que as crianças – incluindo tanto as de alto desempenho quanto as que apresentam dificuldades – aprendem durante o ano letivo. Junto com leitura, matemática e ciências, as escolas têm oferecido atividades de artes e músicas, vela, esgrima e karatê, além de passeios a museus e teatros.

Pesquisas mostraram que os estudantes regridem durante as férias, perdendo em média um mês de instrução por ano, com a chamada queda de verão afetando desproporcionalmente os alunos de renda mais baixa. A falta de programas de qualidade durante o verão também afeta famílias em que ambos os pais trabalham, deixando as crianças com poucas opções durante os longos meses de folga.

Enriquecer os cursos de verão “deveria ser parte da educação pública até que conseguíssemos reorganizar o calendário escolar tradicional, que não se encaixa mais na vida dos americanos”, diz Harris M. Cooper, professor de educação na Universidade Duke. “Acrescentar 20 dias de aula por ano e ter vários intervalos curtos em vez de um único longo período de férias se encaixa melhor com a forma que as famílias vivem e no jeito que as crianças aprendem.”

Em um esforço para avaliar que tipo de programa produz melhores resultados acadêmicos, a Wallace Foundation iniciou um estudo em vários distritos, com 5.700 alunos que vão entrar no quarto ano. O estudo vai comparar os resultados em testes padronizados ao longo de dois anos, assim como fatores comportamentais, como a habilidade dos alunos de trabalhar em grupo e persistir nas tarefas.

NYT Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias

NYT
Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias

Em uma manhã recente, na escola fundamental de Mathis, sete estudantes do quarto ano estavam juntos em um computador da biblioteca para escrever o script de um curta metragem que eles produziriam mais tarde. O professor de inglês andava entre grupos de estudantes, fazendo gentilmente sugestões de edição e ajudando na pontuação. “Isso é muito mais divertido do que a escola”, disse Asi’yon Brinson, 9 anos.

Ao escrever o script o aluno usa as habilidades acadêmicas, mas de um jeito mais divertido do que em um exercício regular das aulas de inglês. “Eles nem percebem que estão aprendendo a escrever”, diz a diretora da escola, Angela Maxey. Segundo ela, o programa também está servindo como uma espécie de laboratório para novas ideais pedagógicas. “Era assim que a escola deveria ser durante o ano inteiro”, afirmou.

Mas Angela foi contundente sobre o fato de que ter o financiamento de uma ONG permitiu iniciativas improváveis normalmente, como dar festas de sorvete para os alunos. “Você pode dizer que poderíamos usar o dinheiro de outra forma. Mas as crianças estão sorrindo, elas não tem faltado e estão aprendendo. Parte do esforço é motivar as crianças a aprender durante o verão.”

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