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15 artistas e obras que foram censuradas na ditadura militar

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Susana Reis, no Literatortura

Em 21 anos de ditadura militar, a censura teve muito trabalho aqui no Brasil. Segundo o jornalista e escritor Zuenir Ventura, durante os dez anos de vigência do AI-5 (1968-1978), cerca de 500 filmes, 450 peças, 200 livros e mais de 500 letras de música foram proibidas, sem contar as novelas e a censura ao jornalismo. Obras que feriam a “moral e o bom costume”, que criticavam o governo, os problemas sociais brasileiros e que eram considerados comunistas, só poderiam ser liberadas se fossem refeitas, ou eram descartadas na hora. Hoje temos muito contato com essa arte que um dia foi censurada. Conheça então quinze artistas e obras, nacionais e internacionais, que foram censuradas durante a ditadura no Brasil:

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1- Roda – Viva

“Roda-Viva” é um marco na ditadura. Em 1968 a peça de Chico Buarque, que estava sendo encenada no Teatro Galpão, foi invadida por cerca de 100 integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que agrediram os artistas e depredaram o cenário da peça. O espetáculo é um musical, que conta a história de um cantor que decide mudar de nome para agradar o público. Mas nas entrelinhas, a peça criticava o governo do país. Roda – Viva foi censurada por ser desagradável, não seguir a moral e os bons costumes e utilizar palavras de baixo calão. Chico Buarque até foi chamado de débio mental no documento que o censura.

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2- O berço do herói – Dias Gomes

Escrito em 1962 por Dias Gomes, a primeira encenação de “O berço do herói” seria em 1965. Mas isso não aconteceu. A peça tem como plano de fundo a participação brasileira na campanha da Itália e acaba desmitificando a construção dos heróis. Ela foi censurada por desconstruir o mito do herói, em um momento do país onde havia a tentativa de se criar os heróis militares.

3- Roque Santeiro

Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, foi uma adaptação da Rede Globo de “O Berço do Herói” para a televisão e foi censurada com dez capítulos já editados e quase 30 gravados. A justificativa oficial foi a de sempre: ofensa a moral, a ordem pública, aos bons costumes e a igreja. Os militares grampearam uma ligação entre Dias Gomes e Nelson Werneck Sodré, onde Gomes contava ao amigo sobre como a novela era uma forma de enganar os censores e conseguir passar a histórias de “O berço do herói” para os brasileiros. “Roque Santeiro” acabou sendo exibida em 1985, em outra versão.

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4- Laranja Mecânica

É claro que o filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, não foi liberado de primeira nas terras tupiniquins. Barrado pelo governo Médici em 1971, o filme só conseguiu ser exibido no Brasil em 1978. Mas bolinhas pretas cobriam os seios e a genitália dos atores nas cenas de nudez do filme.

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5- Encenação de Romeu e Julieta

Uma encenação de Romeu e Julieta, realizada pelo Ballet Bolshoi, seria transmitida pela TV em 1976, mas acabou sendo vetada pelo ministro da Justiça da época, Armando Falcão. O motivo envolve o comunismo. Como Bolshoi é uma companhia Russa e o país fazia parte da União Soviética comunista, a peça poderia ser comunista também, então não poderia ser exibida no Brasil.

6- Pra Não Dizer que Não Falei das Flores

Em 1968, “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção. Mas isso não foi suficiente para parar a censura. O hino, que claramente incitava as pessoas a buscarem a liberdade, foi vetada ainda em 1968, e só foi cantada de novo em 1979, por Simone.

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7- Cassandra Rios

Cassandra Rios foi a autora mais censurada do Brasil. Seus livros eram eróticos e pornográficos e lidos escondidos por adolescentes e adultos. Em 1976, ela teve 33 de seus 36 livros proibidos pela ditadura. Alguns dos livros censurados foram: A borboleta branca; Breve história de Fábia; Copacabana Posto Seis; Georgette; Maçaria; Marcella; Uma mulher diferente; Nicoleta Ninfeta; A sarjeta; As serpentes e a flor;Tara; Tessa, a gata; As traças; Veneno; Volúpia do pecado; A paranoia; O prazer de pecar e Tentação sexual.

8- Apesar de você – Chico Buarque

Chico Buarque, um dos músicos mais censurados durante a ditadura militar, entra mais uma vez na nossa lista com “Apesar de você”. Chico tinha acabado de voltar do auto exílio na Itália quando lançou a música. O fato curioso, é que a letra da música é claramente uma crítica a ditadura, quase uma ameaça: “Apesar de você amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?[…] Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro!”. Só que parece que os censores não entenderam e aceitaram a desculpa do autor de que a letra era apenas sobre uma briga entre namorados. Só depois de lançado, os militares perceberam o erro e o LP foi recolhido das lojas e as faixas inutilizadas nas rádios.

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9- Feliz Ano novo – Rubens Fonseca

Foi em 1975 que “Feliz ano novo”, de Rubens Fonseca, foi lançado. Eram cinco contos, com personagens urbanos que se envolviam em situações de extrema violência. Um ano depois, depois de 30 mil exemplares vendidos, o ministro da Justiça Armando Falcão proibiu a venda dos livros. Motivo? Feria a moral e aos bons costumes… Um senador da Arena chegou a dizer que se tratava de “pornografia pura” e incitou a prisão do autor. Rubens Fonseca processou a União por perdas materiais e danos morais. No primeiro julgamento, em 1980, o juiz manteve a proibição e disse que o livro não “feria a moral e aos bons costumes”, mas incitava a violência. O livro conseguiu voltar apenas em 1985.

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10- O Justiceiro – Nelson Pereira dos Santos

O filme “O Justiceiro” foi lançado em Brasília em 1967. O filme era sobre um adolescente rebelde, filho de general rico e aposentado. A menção aos exercito não agradou muito os militares, que retiraram o longa do cinema. Não foram só apreendidas as cópias do filme, como era de costume, mas o rolo original também, que está perdido até hoje. O documento de censura comenta que o filme é uma “propaganda aos transviados” e “mostra bem os cabeludos, com suas ideias erradas”.

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11- Terra em Transe – Glauber Rocha

Em 1967, o filme “Terra em Transe”, do diretor Glauber Rocha, é censurado, com a ordem de recolhimento das nove cópias existentes. O filme narra às contradições do nascimento e da colonização do país imaginário Eldorado, mas faz alusões ao momento político da época. No documento, o censor Manoel Francisco de Souza Leão descreve o motivo da cesura: “Captamos em seu contexto frases, cenas e situações com propaganda subliminar. Mensagens negativas e contrárias aos interesses da segurança nacional. Aspectos de miséria e de luta entre classes, além de uma bacanal e de cenas carnavalescas e de amor são outros pontos inseridos no roteiro – com a finalidade única de enriquecê-lo e torná-lo suscetível ao grande público ávido de novidades na tela. Alguns diálogos chegam a serem agressivos, com insinuações contra a verdadeira e autêntica democracia.”

12- O Bem Amado

A novela “O Bem Amado”, escrita por Dias Gomes, não sofreu veto completamente, mas houve restrições no vocabulário. A censura proibiu que os personagens fossem chamados de “coronel”, porque atingia a patente dos militares. O tema de abertura também foi trocado, saiu a música do Toquinho com o Vinícius de Moraes ‘Paiol de Pólvora’ e entrou uma genérica.

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13- Ney Mato Grosso

Em 1973, quando a banda Secos e Molhados fazia sucesso no Brasil, os três integrantes eram Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo. Mas foi Ney Matogrosso a vítima da censura. Ney possui a voz fina, que se parece muito com a feminina, um aspecto andrógeno e apresentava-se entre plumas, sem camisa. Por esse motivo, a censura proibiu que as redes de televisão filmassem o cantor de perto, podendo apenas dar close em seu rosto.

14- “Tiro ao Álvaro” – Adoniram Barbosa

Em 1973, Adoniram Barbosa resolveu lançar um CD com suas principais canções da década de 50. Porém, parece que a censora tinha problemas com a língua coloquial das letras das música que estavavam no álbum, entre elas, “Tiro ao Álvaro”. A censora fez círculos nas palavras “tauba”, “revorve” e “artormove” e concluiu que a falta de gosto impedia a liberação da letra. Além disso, exigiu-se que o título passasse a ser “Tiro ao Alvo”. As críticas abrangeram outras músicas do cd, e Adoniram resolveu deixar para gravar o álbum mais tarde.

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15- Liberdade, Liberdade

“Liberdade, Liberdade” é uma peça teatral, de autoria de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, que seleciona textos de vários autores sobre o tema que dá a título a peça, entre 30 números musicais. Quatro atores interpretam 57 personagens e se revezam na interpretação de textos de Sócrates, Marco Antônio, Platão, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Geraldo Vandré, Jesus Cristo e outros. Em junho de 1965, o presidente Castelo branco em nota, escreveu a seu sucessor Arthur da Costa e Silva, afirmando que as ameaças da peça eram de aterrorizar a liberdade de opinião. Em 1966, a Censura Federal proíbiu a apresentação de “Liberdade, liberdade” em todo o território nacional. A peça voltou apenas em 2005, quase 40 anos depois da proibição.

‘A Culpa É das Estrelas’ é banido de biblioteca escolar

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Os atores Shailene Woodley e Ansel Elgort em cena do filme 'A Culpa É das Estrelas' - Divulgação/VEJA

Os atores Shailene Woodley e Ansel Elgort em cena do filme ‘A Culpa É das Estrelas’ – Divulgação/VEJA

O livro foi proibido para crianças de 11 a 13 anos de uma escola da Califórnia

Publicado na Veja

O livro A Culpa É das Estrelas, do escritor americano John Green, foi banido das bibliotecas de uma escola pública da cidade de Riverside, na Califórnia. Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, a proibição do romance que retrata o relacionamento de dois adolescentes com câncer e que foi adaptado para o cinema aconteceu após a reclamação da mãe de um aluno da Frank Augustus Miller Middle School. Karen Krueger afirmou que estava “chocada” com o fato de um livro que trata de morte e sexo estar disponível para crianças de 11 a 13 anos da unidade.

A escola reuniu um comitê e, por seis votos a um, decidiu remover as três cópias do romance de Green da biblioteca. Desde 1988, a unidade já recebeu 37 reclamações de pais que pediam que outros volumes fossem proibidos, mas só havia banido um livro até agora, The Chocolate War, de Robert Cormier, em 1996. De acordo com o site The Press Enterprise, que entrou em contato com a Frank Augustus Miller, A Culpa É das Estrelas ainda estará disponível nas bibliotecas de escolas de ensino médio da mesma rede.

Em sua página no Tumblr, John Green comentou a proibição. “Estou feliz porque, aparentemente, essas crianças de Riverside nunca vão ser testemunhas da morte já que elas não vão ler meu livro”, escreveu, em tom irônico. “Mas também estou triste porque eu esperava poder introduzir a ideia de que pessoas podem morrer a essas crianças e acabar com suas esperanças de imortalidade.”

Juiz de MG determina apreensão de celulares usados sem permissão na escola

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istockphotomark-roseCarlos Eduardo Cherem, no UOL

Uma determinação do juiz de Ouro Fino (MG), município distante 445 Km de Belo Horizonte, João Cláudio Teodoro, no início do mês proibiu o uso de aparelhos celulares nas salas de aula da Escola Estadual Francisco Ribeiro da Fonseca no município, com 678 alunos do ensino médio, com idades variando entre 15 e 18 anos, nos turnos da manhã e da noite.

A medida é baseada numa lei estadual de 2008 que disciplina o uso de telefone celular em salas de aula, teatros, cinemas e igrejas em Minas Gerais. Pelo dispositivo, “fica proibida a conversação em telefone celular e o uso de dispositivo sonoro do aparelho em salas de aula, teatros, cinemas e igrejas”.

O que gerou a determinação foi o uso abusivo dos aparelhos, sobretudo, durante as aulas. O objetivo da iniciativa, de acordo com a escola e a Justiça, é melhorar o desempenho dos alunos nos estudos.

Pela decisão, os professores podem apreender o celular do aluno e a escola entrega os aparelhos para a Vara da Infância e da Juventude de Ouro Fino. Desde o início de julho, quando entrou em vigor a determinação, 20 estudantes tiveram de buscar, com os pais ou representante legal, seus celulares.

“Como em toda escola do país, ficou uma coisa insuportável. O professor perde tempo, a atenção dos alunos é desviada. Eles estavam usando os celulares com fones (de ouvido) para ouvir música, trocar mensagens em redes sociais e até mesmo conversar”, afirma a diretora da escola Maria Teresa Cunha.

“Os professores me entregavam os aparelhos e eu não sabia o que fazer. Não podia ficar com eles, tinha de devolver. Assim, procurei o juiz para a lei ser aplicada”, afirma a diretora. Ela estima que cerca de 80% dos 678 estudantes da escola tenham celulares. O restante, avalia, é composto de estudantes que moram na zona rural, locais onde comumente os pais não permitem (ou não têm condições financeiras para) que os filhos tenham o aparelho.

A diretora explica, porém, que a iniciativa foi precedida de ampla discussão com os alunos e seus pais, além dos professores e do juiz. “Tivemos muitas reuniões e chegamos à conclusão de que deveríamos usar a legislação proibindo. Cópia dela está afixada no quadro de avisos da escola”.

O juiz João Cláudio Teodoro tem a mesma opinião. “Resolvemos que seria uma medida importante cumprir essa lei dentro de sala de aula. O uso dos celulares estava prejudicando o ensino e a qualidade das aulas. Dispersando os alunos”, disse o juiz.

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