Geladeira cheia de livros foi colocada no Terminal Isidória, em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)

Geladeira cheia de livros foi colocada no Terminal Isidória, em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)

Primeiro local a receber o projeto foi o Terminal Isidória, região sul de Goiânia.
Passageiros podem pegar livros de graça para lerem na estação ou em casa.

Murillo Velasco, no G1

Uma geladeira transformada em biblioteca itinerante foi colocada cheia de livros nesta quarta-feira (19) no Terminal Isidória, em Goiânia. O projeto, chamado de “Gelateratura”, pretende incentivar a leitura na capital. Os passageiros do transporte coletivo vão poder pegar exemplares, levar para casa e depois devolvê-los.

De acordo com o escritor Cristiano Deveras, um dos idealizadores da geladeira, a ideia é que o projeto cresça cada vez mais. “A gente quer que este movimento aumente no sentido das pessoas começarem a trazer mais livros e interagir cada vez mais com estas leituras. É uma plataforma existente no mundo todo que não poderia ficar de fora de Goiânia”, disse.

O Projeto Gelateratura é desenvolvido pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos em parceria com a Oficina Cultural Geppetto, Academia Goiana de Letras (AGL) e Prefeitura de Goiânia. As pessoas podem pegar os livros sem qualquer tipo de controle e levá-los para casa para fazer a leitura.

De acordo com os organizadores, a previsão é utilizar geladeiras recolhidas pelo projeto Cata-Treco para implantar a biblioteca em outros terminais da capital.

Dentro da geladeira há dezenas de livros da literatura clássica mundial e brasileira, com vários exemplares de escritores goianos, como Cristiano Deveras. A presidente da AGL, Lêda Selma, doou 100 livros para a primeira geladeira. Segundo ela, o projeto também é uma oportunidade para a população conhecer a literatura goiana.

“É muito triste você chegar em uma escola e escritores notáveis, conhecidos pela academia, não serem conhecidos pelos estudantes. Este projeto vem pra construir uma nova realidade, democratizar a leitura, a nossa cultura, o bairrismo e também mostrar que a Academia Goiana de Letras não é uma entidade fechada, que nós temos que estar presentes na cultura da população”, disse.

Para o diretor técnico da CMTC, Sávio Afonso, a presença da biblioteca itinerante no terminal faz com que o transporte seja mais humanizado. “Nós devemos valorizar e incentivar a cultura no cotidiano da vida das pessoas. Enquanto eles embarcam e desembarcam no meio da rotina agitada, entre o trabalho e os estudos, acabam por ter também a oportunidade de lidar com um universo gigantesco que é a leitura”, disse.

Josiana de Moura, professora, foi uma das primeiras a pegar livros na geladeira  (Foto: Murillo Velasco/G1)

Josiana de Moura, professora, foi uma das primeiras a pegar livros na geladeira (Foto: Murillo Velasco/G1)

 

Público
Nas primeiras horas em que a geladeira foi instalada no Terminal Isidória, a movimentação de passageiros interessados em pegar livros emprestados já era grande. Entre eles estava a professora Josiana de Moura, de 41 anos. Ela pegou o livro “A Maldição da Cruz”, do goiano Ursulino Leão.

“Eu estou encantada com isso aqui. Livro nunca se esgota, a gente tem que ler sempre mais. É imprescindível ações como esta para incentivar a leitura. Quero pegar toda semana algum. E mesmo lendo muito já achei livro que eu nunca tinha lido, legal demais, infinito”, disse.

Assim com o Josiana, a estudante Carla Boaventura garantiu a leitura da semana, mas com o clássico infanto-juvenil.

“As Crônicas de Nárnia”. “Quero reler este livro, já li antes, vou ler de novo. Acho legal esta história de biblioteca no terminal, porque é um lugar que a gente está todo dia, não precisamos nos deslocar para ir atrás da cultura, ela já fica do nosso lado”, disse a estudante.