Projeto Redigir: comunicação, cidadania e amor na USP. Inscreva-se!

Heloísa Iaconis, no Literatortura

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Há um ano e meio, entrei na USP e, desde o meu primeiro semestre, faço parte de um projeto lindo cuja alcunha é Redigir. Das belíssimas coisas que a universidade tem me proporcionado, o Redigir é, sem dúvidas, uma das melhores. Trata-se, sucintamente, de um curso, semestral e gratuito, baseado na Comunicação e na Cidadania, utilizando ferramentas da Língua Portuguesa. O objetivo essencial é fazer com que os educandos melhorem a sua comunicação, escrita e/ou falada, e contextualizem os instrumentos comunicacionais em prol do exercício – diário! – cidadão. As aulas apresentam conceitos de gramática e redação, além de debates sobre temais atuais. Os encontros ocorrem na universidade, semanalmente, na Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA). O curso é voltado para jovens e adultos, os quais tenham concluído o Ensino Fundamental e não tenham estudado em universidades públicas. Um detalhe importante: o candidato tem que ter, no mínimo, 16 anos e não há idade limite. A seleção é feita levando em consideração critérios socioeconômicos. A partir do dia 17 de julho, as inscrições para o próximo semestre estão abertas!

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Histórico do projeto

O Redigir é um projeto de extensão da Universidade de São Paulo. Foi idealizado em 1999 por alunos da graduação de jornalismo da ECA. Em um primeiro momento, era direcionado às formalidades da língua portuguesa e à redação para o vestibular. Com o passar do tempo, a proposta transformou-se e adquiriu um caráter mais amplo. Atualmente, alunos voluntários de diversos cursos da ECA (Jornalismo, Educomunicação, Turismo, Publicidade e Propaganda, por exemplo) atuam como professores. O foco é a comunicabilidade e a compreensão da língua como um mecanismo vivo. O projeto tem como professor responsável o docente Thiago Salla e possui o apoio do Fundo de Fomento às Iniciativas de Cultura e Extensão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP.

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O Redigir é amor

Permita-me tecer umas pequenas digressões e, de memórias em memórias, contar um pouco dos motivos que me fazem amar tanto o Redigir. Como já pontuei, faço parte do projeto desde que comecei a estudar na ECA, no início do ano passado. Lembro-me que fiquei encantada com as propostas que sustentam o Redigir. “Paixão à primeira vista”, “bateu, grudou”, sabe como é? Pois bem. Sempre gostei da língua portuguesa e, graças aos professores maravilhosos que tive ao longo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, desenvolvi uma paixão pelo português que, atualmente, determina muitos dos caminhos que sigo. Todavia, não é de hoje que sei da precariedade que assola a educação em grande parte do Brasil e tenho consciência da sorte que tive por ter encontrado educadores que colocaram disposição e amor em seu trabalho (e, certamente, eles continuam utilizando a mesma receita). Infelizmente, uma minoria possui a mesma oportunidade que pontuou o meu processo de formação. Então, logo que me foi apresentado o projeto, tive a certeza de que, em meio a tantas outras entidades e grupos no âmbito universitário, tinha achado o meu lugar (além da graduação em si).

No primeiro semestre de 2014, monitorei os encontros de uma turma. Nova ainda no projeto, a cada aula crescia a minha convicção de querer ser educadora e a sensação de pertencimento perante ideias que me são tão caras. Até que, no segundo semestre, assumi, ao lado de um amigo, uma sala. A partir desse momento, não consegui mais imaginar a minha vida na ECA sem estar dando aula no Redigir. Dessa forma, imersa em uma eterna luta para conciliar as inúmeras tarefas que tenho, agora caminho para a minha terceira turma nesse próximo semestre. Ironicamente, apesar de tratar-se de um curso de comunicação, falta-me palavras para expressar quantas alegrias o Redigir me traz. Situações que, aos olhos de muitos podem parecer banais, fazem o meu dia: quando percebi que um aluno entendeu a aula e acertou, por exemplo, os exercícios sobre crase; quando um educando que, outrora mal lia, diz que devorou, entendeu e amou “Vidas Secas”; quando uma aluna, no fim do encontro, pediu emprestado um livro da Clarice Lispector; quando os educandos criaram os seus próprios poemas e se abriram para a poesia. Os meus sábados de manhã tornaram-se bem melhores. Acredite, eu poderia, facilmente, ficar horas relatando vários causos que me alegram demais envolvendo participantes do curso.

Creio ser de importância ímpar salientar a troca de saberes entre alunos e educadores. Para mim, é enriquecedor ter contato com pessoas tão diferentes. Digo sempre aos que foram meus educandos o quanto aprendo com eles. Exercito pontos como responsabilidade, paciência e desenvolvo a minha formação como ser humano. O ambiente em sala de aula é elaborado a partir de princípios de igualdade entre professores e alunos, em uma esfera na qual todos possuem a palavra e são parte do diálogo proposto. Mais do que regras gramaticais, os envolvidos mergulham em universos como o da literatura, relacionando o português com diversas vertentes da arte e com os seus mundos particulares. Debatendo questões como língua viva, preconceito linguístico e variantes linguísticas, além de fomentar discussões críticas acerca de assuntos em voga, cria-se um quadro no qual o educando possa olhar a si mesmo como um sujeito da própria língua (e de sua pátria) e, portanto, capaz de se comunicar para reivindicar, protestar, construir e transformar a sua realidade, tornando-se um indivíduo multiplicador de conhecimentos. Em suma, é claro que em apenas um semestre não é possível ensinar tudo o que há na língua portuguesa (até porque os educadores são universitários e, não professores formados); o Redigir almeja ser um pontapé para que o interesse pelo português, pela leitura e pela escrita floresça em cada um que passar pelo curso.

Ademais, deixo aqui o meu sincero agradecimento aos membros do projeto: os que não fazem mais parte, os que eu só conheço por nome, os que me receberam quando entrei, os que iniciaram essa caminhada junto comigo, aos que acabaram de ingressar. Obrigada por tentarmos levar o conhecimento para fora dos muros da universidade. Muito obrigada. Agradeço também aos educandos incríveis que tive, os quais extraíram de mim sorrisos e lágrimas de emoção. Gratidão. Um dia, ouvi a seguinte sentença: “o Redigir é amor”. Na ocasião, pensei: “o que será que isso exatamente quer dizer?”. Um ano e meio depois, tenho a alegria de compreender, de compartilhar de sentimento semelhante e de acreditar demais em tudo que faço no projeto. De fato, o Redigir é amor.

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Ficou interessado(a)? Conhece alguém que gostaria de participar do Redigir? Inscreva-se e ajude a divulgar o projeto! Todos os selecionados serão recebidos com carinho, poesia e abraços. Abaixo, as informações necessárias para o processo de inscrição:

Curso GRATUITO de Comunicação e Cidadania: INSCRIÇÕES!

Datas: 17, 18, 24, 25 e 31 de julho; 01 de agosto.
Horários de atendimento: Sextas 9h-14h e 18h-21h; Sábados 9h- 13h.
Endereço: Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP – Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Bloco 2 – Sala 13.
Telefone: (11) 3091-1499 – disponível apenas em horários de atendimento para inscrições.
Documentos: cópia de RG, cópia de comprovante de renda de todos que contribuem financeiramente na casa e cópia de comprovante de escolaridade do último nível cursado (ensino fundamental, médio ou superior, se houver).
Turmas: no ato da inscrição, o candidato pode optar pelos seguintes horários:

  • Terça (noturno) – das 19h30 às 22h30.
  • Quarta (matutino) – das 9h às 12h.
  • Sábado (matutino) – das 9h30 às 12h30.

No nosso site, você encontra uma descrição detalhada do projeto, de nossa filosofia com os conteúdos apresentados durante o curso. Acesse também a página do Redigir no facebook!