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‘O ensino não está pronto para receber superdotados’, diz professor

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Estimativa aponta que até 39 mil crianças sejam superdotadas no Paraná.
Dessas, apenas 526 em idade escolar recebem acompanhamento.

Instituto de Educação do Paraná foi o primeiro local a ter uma sala específica para atender os alunos no estado (Foto: Samuel Nunes/G1)

Instituto de Educação do Paraná foi o primeiro local a ter uma sala específica para atender os alunos no estado (Foto: Samuel Nunes/G1)

Samuel Nunes, no G1

A Organização Mundial da Saúde estima que de 3% a 5% da população mundial pode ser chamada de “superdotados”. No Paraná, de acordo com a Secretaria de Educação (Seed), o número de alunos com essa condição, entre o 6º ano do ensino fundamental e o 3º ano do ensino médio, pode chegar a 39 mil pessoas.

Para o professor André Ribas, que há quase nove anos cuida da primeira sala de recursos destinada ao atendimento desses alunos no Paraná, um dos problemas que dificulta a identificação desses alunos está no próprio ensino. “A escola ainda é a mesma que eu frequentava há 20 anos, que meus pais frequentavam há 40. O ensino não está pronto para recebê-los”, acredita Ribas.

A preocupação dele é compartilhada pela Secretaria da Educação. Segundo a técnica pedagógica Denise Matos Lima, que trabalha no Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional, um dos motivos para o atendimento ainda não ter alcançado números maiores é a dificuldade de identificação dos alunos e a novidade que o atendimento diferenciado a eles representa na pedagogia. “As universidades ainda não formam os professores para identificar os alunos que possuem altas habilidades. Eles costumam receber formação justamente para o contrário, ajudar os alunos que têm dificuldades”, diz.

Ribas diz que materiais usados com os alunos geralmente são doados (Foto: Samuel Nunes/G1)

Ribas diz que materiais usados com os alunos geralmente são doados (Foto: Samuel Nunes/G1)

Descobrindo superdotados

O professor Ribas diz que um dos primeiros locais em que os alunos superdotados são identificados é dentro das próprias famílias. Ele explica que, para essas crianças, a fase dos “porquês” nunca passa. “Elas são mais curiosas e estão sempre questionando tudo e todos. Costumam chamar os professores de burros, às vezes não gostam de ir à escola, o que é óbvio, já que elas selecionam o que querem aprender. Quando algo não lhes interessa mais, passam para o próximo tópico”, conta.

Caso haja uma identificação das habilidades cognitivas do aluno, a criança é encaminhada para a sala de recursos. Dali, ela vai para uma avaliação com um psicólogo, que emite um laudo apontando os pontos em que a criança está acima da média e aqueles em que ainda precisa ter um acompanhamento melhor. “Nós também trabalhamos para deixar essa área [deficitária] o mais próximo possível da média dos demais alunos”, pontua Ribas.

Quando o laudo chega às mãos do professor que coordena a sala de recursos, é preciso encontrar formas de adaptar os materiais às habilidades que o aluno possui. Para isso, são usadas diversas ferramentas que variam desde jogos até projetos acadêmicos, em parceria com outras instituições de ensino e com a comunidade.

Atendimento

A sala comandada por Ribas funciona no Instituto de Educação do Paraná Erasmo Pilotto, em Curitiba. O projeto atualmente atende todo o público interno do colégio, mas em casos especiais acaba recebendo alunos de outras unidades de Curitiba. A escola possui alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

Na sala, os alunos desenvolvem vários projetos que tentam se adaptar às necessidades e às curiosidades de conhecimento que os alunos possuem. Um deles, por exemplo, é uma oficina de robótica, que funciona em parceria com a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR). Nela, três alunos do ensino médio tentam montar um pequeno robô para participar de uma competição. A iniciativa é patrocinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Da mesma forma que aqueles que possuem dificuldades de aprendizagem, os alunos superdotados necessitam de acompanhamento diferenciado. No Instituto de Educação, a sala de recursos funciona no contraturno escolar.

O espaço, segundo Ribas, se adapta às necessidades de cada aluno. O professor pontua que a metodologia usada por ele contempla a superdotação pelas áreas de conhecimento. “Ninguém é bom em tudo. Ao todo, são 11 tipos de inteligência que a gente considera. Alguns são melhores em determinadas áreas, mas deficientes em outras”, diz o professor.

Gabriela Passos é uma das alunas atendidas no Instituto de Educação do Paraná, em Curitiba (Foto: Samuel Nunes/G1)

Gabriela Passos é uma das alunas atendidas no Instituto de Educação do Paraná, em Curitiba (Foto: Samuel Nunes/G1)

Competição de robôs

Gabriela de Abraão Passos, de 15 anos, é uma das alunas que participam do projeto. Ela conta que procurou, por conta própria, há um ano, a sala de altas habilidades porque se interessou na ideia de aprender sobre computação. Antes de aprenderem robótica, os alunos passaram por outra oficina, de programação.

“Eu sempre tive curiosidade. Gosto de descobrir várias coisas e por isso acabei entrando no projeto”, diz Gabriela. A menina diz que sempre sentiu mais facilidade nas matérias de Química, Física e História. “São temas que eu gosto bastante”, conta. Segundo ela, os meses que passou aprendendo a programar já fizeram pensar em seguir a carreira como engenheira de computação.

Da parte da UTFPR, duas alunas do curso de engenharia de computação ministraram aulas ao grupo do Instituto de Educação. Kaya Sumire Abe e Bianca Alberton passaram os últimos meses explicando aos alunos o processo de construção de um robô.

Bianca diz que o grupo não teve o rendimento esperado na oficina e acha difícil que consigam montar o robô a tempo da competição, que deve ocorrer em cerca de um mês. “Acho que um dos motivos foi porque não conseguimos passar como se fazia a programação. Mesmo assim, o pessoal da faculdade de engenharia demora bastante a conseguir. Mas para o próximo ano acredito que eles já consigam montar um”, diz.

Teatro, jogos e outras atividades são usadas para incentivar as áreas de inteligência dos alunos (Foto: Samuel Nunes/G1)

Teatro, jogos e outras atividades são usadas
para incentivar as áreas de inteligência dos alunos
(Foto: Samuel Nunes/G1)

Objetivos do atendimento

O sucesso ou fracasso no concurso de robôs, porém, não é o que move os objetivos da sala de recursos. De acordo com Ribas, o projeto visa ajudar os alunos com altas habilidades a se encontrar e a se relacionar melhor com os colegas. “Muitos deles chegam aqui e dizem ‘esse é um lugar em que vão me entender’”, conta o professor.

Segundo ele, a maior parte desses alunos é incompreendida pelos colegas e até por alguns professores, que os veem como pessoas problemáticas. “Ele [aluno] é incompreendido, porque a gente não tem paciência para ouvir”, diz.

É a situação de Gabriela, por exemplo. A menina diz que os conflitos com professores sempre foram constantes. “Às vezes, não concordo com o que eles dizem ou com a forma como ensinam”, lembra.

Mitos dos superdotados

Um dos principais mitos em relação aos alunos superdotados é chamá-los de gênios. “Gênio é aquele que deixou alguma contribuição para a sociedade. Steve Jobs foi um gênio? Isso depende do ponto de vista. Do ponto de vista do design e do modo de se usar computadores, sim”, argumenta Ribas. Para ele, o conceito de “gênio” é relativo e depende do contexto em que se avalia cada caso.

Da mesma forma, os alunos superdotados nem sempre tiram as maiores notas em todas as matérias na escola. “Tem muitos superdotados que tiram zero e reprovam, seja por não gostarem da matéria, seja por pirraça ou até por dificuldade em entender aquele conteúdo”, diz.

Tem muitos superdotados que tiram zero e reprovam.”
André Ribas, professor

‘Altas habilidades’ X ‘superdotados’

Embora pareça pequena, existe uma diferença de significados entre os dois termos. Ribas explica que o conceito de aluno superdotado trabalha apenas com dois tipos de inteligência e privilegia a facilidade acadêmica das crianças. Dessa forma, pessoas que têm a possibilidade de se destacar em outras áreas, acabavam sendo excluídas do atendimento especial. “Um jogador de futebol pode um superdotado, mas isso não significa que ele seja bom na escola”, pontua.

Segundo ele, o termo “altas habilidades” é o que mais tem aparecido entre as pessoas que estudam o tema atualmente. Esse conceito atua nas várias inteligências que as pessoas podem desenvolver. Assim, conforme o professor, é possível pensar em atividades que possam ampliar as habilidades cognitivas específicas de cada aluno, evitando, inclusive, que saiam da escola.

Outros locais de ensino

A Secretaria de Educação informou que as salas especiais de atendimento aos alunos superdotados estão disponíveis em 28 cidades do Paraná. Ao todo, 54 escolas oferecem o serviço. Denise Matos diz que o objetivo da Secretaria da Educação é expandir o projeto aos poucos, até chegar a outras cidades. “Nosso primeiro passo é formar um grupo de multiplicadores, que possam passar os conhecimentos nessa área a outros professores”, diz.

Ela ainda revela ainda que a Secretaria da Educação e o Conselho Brasileiro para a Superdotação estão organizando um congresso internacional sobre o tema, que deve ocorrer em Foz do Iguaçu, em 2014. “A escolha da cidade foi justamente para ampliar a nossa atuação nas cidades da região. Nesses eventos, além de professores, sempre aparecem pais interessados no tema”, conta.

Abaixo, você pode conferir a lista de cidades que disponibilizam a atenção especial. Nos núcleos regionais de educação é possível saber quais escolas estão aptas a receber os alunos que apresentam superdotação. De acordo com a Secretaria da Educação, nenhuma escola particular dispõe de atendimento especializado.

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Filho de operário, ex-servente se torna escritor e se prepara para lançar o sexto livro da carreira, em São João de Meriti

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Publicado por Extra

Na certidão de nascimento, ele é Cláudio Alves, homem nascido e criado em São João de Meriti. Nos livros, ele é Lasana Lukata, escritor de cinco livros. O mais recente deles é “Urdume” — o segundo de sua trilogia —, que foi lançado em janeiro deste ano.

— Este é um nome angolano, significa poeta caçador. Antes de “Urdume”, escrevi “Exercício de Garça”. O que completará a trilogia é o livro “Azul-Ardósia”, que já está pronto e deve ser lançado no dia 21 de agosto — explica o autor.

Além desses livros, ele escreveu “Meu Cartão Vermelho & Outras Crônicas”, “Separação de sílabas” e “Caçada ao Madrastio”.

— Me pai era mestre de obras e já fui seu servente. Ele era analfabeto e queria ver o filho puxando um “balde de palavras” (e não de massa) em outra obra: a literária — destaca, orgulhoso, Lasana Lukata.

Biógrafo de Clarice Lispector vai escrever sobre a vida de Susan Sontag

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Publicado por Ilustrada

O escritor Benjamin Moser, 36, que já escreveu sobre a vida de Clarice Lispector (1920 – 1977), foi confirmado como autor de uma biografia autorizada da escritora Susan Sontag, famosa romancista norte-americana morta em 2004, aos 71 anos.

O escritor Benjamin Moser, bide biografia de Clarice Lispector, que se prepara para mergulhar na vida de Susan Sontag (Leticia Moreira/Folhapress)

O escritor Benjamin Moser, bide biografia de Clarice Lispector, que se prepara para mergulhar na vida de Susan Sontag (Leticia Moreira/Folhapress)

O filho de Sontag, o também escritor David Rieff, e o agente literário Andrew Wylie fizeram questão que Moser fosse o autor da biografia de Sontag.

O livro que escreveu sobre Clarice Lispector, “Why This World”, foi finalista do National Book Critics Circle Award, em 2009.

Por e-mail ao “New York Times”, Benjamin Moser, que mora na Holanda, disse que o livro deve levar entre três e quatro anos para ficar pronto.

“Quando comecei a ler tudo que Sontag já publicou, me dei conta que da quantidade de coisas que escreveu e fez”, disse.

“É difícil imaginar uma outra escritora que tenha vivido tão intensamente.”

Registre sua vida em um diário ou morra

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Roberta Fraga, no Livros e Afins

Não sei ao certo se isso vale, na verdade, foi um ardil para atrair uma leitura de, quem sabe uns dois parágrafos deste post. O fato é que me martela na cabeça a ideia de escrever em diários e como eu nunca consegui estou aqui divagando. Parece assim uma visão tão romântica: posso até ver a moça abrindo, sorrateira, o diário que esconde num lugar bem secreto (que é embaixo do travesseiro), com aquela chave tão secreta (que seu irmão mais novo nem usa porque abre com um clipe), escrevendo com uma caneta tão discreta e sóbria (aquela prateada com brilhinhos e pompom rosa na ponta e que balança mais fortemente, quando no diário é lembrando o nome daquele garoto – ou garota – especial).

Pronto. Minha visão romântica disso! Romântica? Romântica nada, romântica uma ova (essa expressão é do tempo da minha avó), escrachada! Deve ser por isso que não consigo me imaginar escrevendo um diário. Olha que já tentei… Tá! Tentei duas vezes, mas quando vi, grandes dilemas pessoais (do tipo não estou mais aguentando a depilação a cera, gente isso é sério!) misturarem-se com lista de compras encabeçadas por cebolas, vi que a coisa não ia para frente.

Escrever diários é para os fortes. Ninguém quer ler seu diário para saber se você está com problemas financeiros ou dos roncos intermináveis do seu marido, das birras do seu filho e sua dificuldade com elas, do seu chefe exigente, dos conflitos modernos femininos, quando aquela maquiagem caríssima te deu alergia. E olha que esse último conflito pode dar ainda pano para a manga (outra expressão da grandma), se você ousou comprar (por sentimento de justiça digno e autocomplacente) a bendita maquiagem no cartão de crédito do seu solícito (ou desatento) marido, ou namorado, ou peguete, ou ficante, ou tico-tico no fubá, ou amigo colorido, ou sei lá o que você tenha (amante virtual, amante platônico, Gasparzinho ou cunhado ou cunhada mesmo – neste último caso já cheira a vingança… Pronto: outro dilema pessoal desinteressante).

As pessoas querem grandes dramas (reais ou não, razão pela qual, se for escrever um diário, minta bastante), querem grandes personagens, grandes fatos. As pessoas querem saber que você guarda dinossauros no banheiro ou se no seu armário (closet para aumentar a carga dramática) você guarda esqueletos, vampiros, zumbis, corpos ou cabeças encolhidas. É isso! Coisas fantásticas o bastante para fugir do lugar comum: a falta de vagas no estacionamento da escola do seu filho.

Seja gentil com os fatos, mas não exatamente fiel a eles. Certa vez, no antigo Programa Livre, comandado pelo Serginho Groisman, o entrevistado, nada menos que Fernando Sabino, disse que começou a escrever porque mentia demais. E fez isso por sugestão de seu pai. Viu que funciona?

Tenha muita seriedade com uma atividade como esta. Poker face é para o fracos, tenha um semblante translúciso, em se tratando de segredos pessoais. Faça com que as pessoas suponham que você é bem informado, ao tomar suas notas (usando aquela carinha). Leve a sua atividade a sério. Tem que parecer sério. Mas cuidado, para não parecer tão bem informado assim: sua vida pode correr riscos.

O fato é que toda essa abobrinha tem que ser impactante para o bem ou para o mal.

Eu sei, eu sei, este material seria para falar de grandes diários da história, mas o cotidiano me empurrou para cá: a vala comum dos desesperados! Então, vou ficar mesmo por aqui que é para não acabar revelando uma ou outra página daquele meu diário que vou começar hoje… Nem tem páginas o danando… Mas, aquele caderninho da Hello Kitty bem que é fofo, né?

Aí vem as preciosas dicas e lista, porque tenho mania de listar coisas

Se for escrever um diário:

* minta muito, minta bastante: minta datas (você não conseguirá escrever todos os dias e nem terá paciência para isso), minta fatos (aumente, reduza, invente, simplesmente de modo que você seja uma heróina, ou herói, desses sempre injustiçados, mas cobertos de razão), minta pessoas (se está faltando pessoas, invente-as em número e qualidade), melhore ou piore as pessoas que existem;

* faça daqueles segredos cabeludos ainda mais cabeludos, mas deixe claro no registro que é de outra pessoa e não seu;

* vitimize-se;

* use registros de grandes personagens de grandes histórias como sendo seus, claro, guardadas as devidas proporções, porque se você for enfrentar moinhos de vento na cozinha sua credibilidade pode cair um pouco e você poderá acabar sendo interpretado equivocadamente quanto a sua saúde mental;

* se a mentira for muito absurda, use-a como recurso de comparação, metáfora ou hipérbole;

* crie crises que não existiram de verdade, mas se certifique de encerrá-las em tempo hábil e de modo final e convincente;

* lembre-se de escrever ao final do diário, bem no finalzinho, que se trata de uma obra de ficção e que qualquer semelhança é mera coincidência;

* plante dúvidas atrozes na cabeça do leitor;

* finja que esconde o diário muito secretamente;

* finja que é sério;

* solte a criatividade.

* não leve necessariamente a sério tudo o que eu falei;

* em caso de incêndio, queime primeiro o seu manuscrito.

E a conversa era para ser séria…

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