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Currículo brasileiro de história é ‘insuficiente’, diz ministro da Educação

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Publicado em Folha de S.Paulo

O ministro Aloizio Mercadante (Educação) afirmou nesta segunda-feira (11) que o conteúdo do currículo de história proposto na base nacional comum é “insuficiente” e, portanto, deve sofrer alterações, como defendem especialistas.

“Não podemos ter um currículo que não valorize a história ocidental, a democracia, a separação de poderes, os direito e garantias individuais (…). São todos valores da cultura ocidental, que é a cultura predominante na nossa matriz”, afirmou após coletiva de imprensa.

A disciplina foi alvo de fortes críticas, diante da maior ênfase na história das Américas e África em detrimento da “visão europeia”, por exemplo. Mercadante ponderou, entretanto, que essa ressalva não deve “servir de pretexto” para deixar de fora um conteúdo que é “excluído historicamente”.

Em setembro, uma primeira proposta de um currículo nacional foi divulgada pelo MEC e desde então está em consulta pública. Na semana passada, a Anpuh (Associação Nacional de História) foi convidada a participar do debate.

Até aqui, a proposta de um currículo para toda a educação básica recebeu 9,4 milhões de sugestões. “A UnB [Universidade de Brasília] vai fazer uma triagem para ver a qualidade e a natureza das contribuições”, disse o ministro.

Fonte especial facilita a leitura de disléxicos

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Letras afinadas e outras diferenças marcam proposta de um designer alemão

FONTE PARA PESSOAS QUE TÊM PROBLEMAS COM DISLEXIA (FOTO: REPRODUÇÃO)

FONTE PARA PESSOAS QUE TÊM PROBLEMAS COM DISLEXIA (FOTO: REPRODUÇÃO)

Rennan A. Julio, na Revista Galileu

Um designer alemão decidiu criar uma fonte específica para facilitar a vida das pessoas com dislexia. Ajustando-se às dificuldades de leitura – proporcionadas por uma formação diferenciada do encéfalo –, as letras foram desenhadas para não se “moverem” com tanta frequência. “Pessoas com dislexia inconscientemente trocam, rodam e espelham letras em suas mentes”, disse Christian Boer.

“Letras tradicionais tornam esse problema ainda pior, pois são baseadas em outros designs mais antigos. Isso cria ‘letras-gêmeas’ para pessoas com dislexia”, conta o designer. Chamada de “Dislexie”, a fonte de Boer prima por diferenciar letras parecidas como “b” e “d” – ambas possuem formatos desiguais e são inclinadas para o lado.

Além disso, todas as letras são afinadas em cima. Para Boer, essa é uma técnica “capaz de fazer a pessoa disléxica não rodar as letras”. A fonte criada por Boer pode ser instalada por este link aqui.

LETRAS GÊMEAS COM CARACTERÍSTICAS DIFERENTES NA DISLEXIE (FOTO: REPRODUÇÃO)

LETRAS GÊMEAS COM CARACTERÍSTICAS DIFERENTES NA DISLEXIE (FOTO: REPRODUÇÃO)

“Eliminar ‘ç’, ‘ch’, ‘ss’ é uma grande besteira”, diz linguista

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Publicado por Bianca Bibiano em Veja

Ideia circula em grupo de estudo do Senado. Embora negue proposta, senador defende revisão do acordo ortográfico que sequer entrou plenamente em vigor

Grupo de trabalho no Senado vai analisar implantação da reforma ortográfica e propor mais mudanças (Thinkstock/VEJA)

Grupo de trabalho no Senado vai analisar implantação da reforma ortográfica e propor mais mudanças (Thinkstock/VEJA)

Nesta semana, uma discussão sobre (mais) uma nova reforma ortográfica da língua portuguesa veio a público revelando uma proposta esdrúxula. Segundo a versão que circulou, um grupo do Senado defenderia uma “simplificação” do idioma escrito propondo para isso que palavras grafadas com “ç”, “ss”, “sc” e “xc” passassem a ser redigidas exclusivamente um “s”; o “h” no início das palavras, por sua vez, seria suprimido — “homem” viraria “omem”. Isso evitaria confusões na hora de escrever. O senador Cyro Miranda (PSDB-GO), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado Federal, que de fato debate uma revisão da reforma que entrou em vigor em 2009, nega que defenda a aposentadoria do “ç”, “ss”, “xc” e assim por diante. “Tudo não passou de um mal-entendido”, diz Miranda.

Segundo ele, a proposta é de autoria de Ernani Pimentel, professor de língua portuguesa, dono da rede de cursos preparatórios Vesticon. Pimentel faz parte do grupo de trabalho técnico do Senado formado em 2013 para revisar o acordo ortográfico de 2009. Também fazem parte do grupo os senadores Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) e o também professor Pasquale Cipro Neto. “As ideias do Pimentel não representam a opinião do grupo. Não há nenhuma proposta nesse sentido tramitando na Casa”, diz Miranda.

Defendida pelo senador ou não, ideia de mexer no “ç” e no “h” não encontra amparo junto a um dos maiores linguistas do Brasil. “É uma grande besteira. A ortografia é influenciada tanto pela história da língua como por seu registro oral. Ela guarda suas raízes latinas e gregas e não pode ser alterada apenas levando em conta a fala atual”, diz Ataliba de Castilho, assessor do Museu da Língua Portuguesa e professor das Universidade de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp).

O linguista questiona ainda um argumento defendido por Pimentel para suprimir “ç” e “h”: o de que o corte facilitaria a aprendizagem escolar. “A dificuldade de alfabetizar não diz respeito à grafia das palavras, mas sim ao método de ensino do professor, que precisa ajudar o estudante a compreender as diferenças entre língua falada e escrita. Mudar as letras não muda esse processo.”

A última reforma ortográfica entrou em vigor em 2009, introduzindo mudanças como o fim do trema e da acentuação em palavras como ideia e assembleia. Embora escolas, editoras de livros e publicações, entre outros, já tenham assimilado as novas regras, Miranda conseguiu, em 2012, negociar com a presidente Dilma Rousseff o adiamento do prazo final para adoção das novas normas. Ao invés de 1º de janeiro de 2013, o prazo foi prorrogado para 1º de janeiro de 2016.

Vitorioso na primeira empreitada, o senador propôs a criação do grupo de trabalho do qual faz parte Pimentel. O objetivo é rever as normas gramaticais estebelecidas no acordo firmado em 2008 pelas nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). E propor mais mudanças. “Há muitas críticas ao fato de que grupos da sociedade, como professores e linguistas, não terem sido consultados sobre as mudanças”, diz Miranda. “Faremos reuniões com representantes da CPLP e para criar uma nova proposta de adequação da ortografia e uma votação para saber quais países desejam aderir ou não ao acordo ortográfico.”

A discussão não faz sentido algum, na visão de Castilho. “Editoras, imprensa e até empresas de softwares já adaptaram todos os seus produtos, como previa a lei. Continuar discutindo a mudança é desconsiderar o gasto financeiro desse processo”, diz. Ele diz ainda que a discussão ignora o trabalho dos linguistas Antonio Houaiss e Malaca Casteleiro, que, na década de 1990, delinearam a proposta da ortografia introduzida em 2009. “Foi um trabalho amplo, com participação da sociedade civil, da academia e do poder público, ao contrário do que diz o grupo de trabalho do Senado.”

Ainda que o Senado continue a arquitetar uma contrarreforma ortográfica, pouco poderá ser feito no sentido de mudar o que foi acordado em 1990 e reiterado pelos oito países em 2008. O Instituto Internacional de Língua Portuguesa, órgão da CPLP, é o único responsável por preparar o Vocabulário Ortográfico, documento de referência nos oito países. “Nada poderia ser feito no Congresso brasileiro para mudar esse fato”, afirma Castilho.

Bibliotheca, uma proposta de design decente para a Bíblia

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Finalmente será possível apreciar (ao invés de apenas estudar) a história bíblica

Jacqueline Lafloufa, no B9

Esquece a religião e foca no livro: a Bíblia é terrível. Cheia de números para marcar início e fim de versículos, texto disposto em colunas, aquelas letras tão apertadinhas e as folhas que, de tão finas, quase se rasgam. Uma experiência de leitura bem ruim, se compararmos com a leitura de um livro impresso clássico.

Interessado em conquistar para a história bíblica a mesma atenção dada pelos leitores a outros livros e títulos, o designer de livros Adam Greene imaginou qual seria um novo design, que pudesse fazer da Bíblia um livro menos hermético.

O resultado é o projeto Bibliotheca, que foi colocado para arrecadar fundos em um financiamento coletivo no Kickstarter. A proposta é bem interessante: transformar a Bíblia em uma ‘série’ de livros, divididos em volumes mais confortáveis de carregar, e com um visual que facilite a leitura. O cuidado de Adam é tanto que ele chegou a desenvolver uma fonte própria para o projeto, que traz o detalhe da letra manuscrita para a tipografia. Também saem as marcações de versículos, e ficam apenas os capítulos e as páginas, como em um livro tradicional. Nada de colunas também: o texto segue corrido pela página, como em qualquer outra literatura tradicional.

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A proposta não é oferecer uma nova ‘versão universal’ da Bíblia, inclusive porque as referências de livros, capítulos e versículos são importantes para o estudo litúrgico, mas são irrelevantes para quem quer apenas acompanhar o conteúdo da Bíblia como uma história contada por diversos personagens. Cada um dos elementos do design da coleção Bibliotheca foi pensado para criar uma boa experiência de leitura, e não de pesquisa ou estudo.

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Novo e Velho Testamento foram divididos em quatro volumes, e até o texto foi adaptado para facilitar a compreensão, removendo termos arcaicos e substituindo-os por alternativas contemporâneas. Com 4 dias para o término do crowdfunding, é possível perceber que existe sim um grande público para propostas como essa – no Kickstarter, já foram arrecadados mais de 573 mil dólares para o desenvolvimento da coleção, quantia bem maior do que os 37 mil solicitados por Greene para viabilizar o projeto.

Em entrevista ao The Verge, Greene diz acreditar que o crescimento da venda de livros digitais não vai necessariamente acabar com a produção de livros de papel, e que essa pode ser uma oportunidade para criar volumes físicos esteticamente melhores. “Se usarmos os formatos digitais para conteúdos mais efêmeros, e reservarmos a ‘reverência’ de um livro físico para uma literatura mais perene, eu acho que veremos o ressurgimento de livros belíssimos”, especula o designer.

Os kits mais luxuosos do projeto também trazem um dos meus sonhos de consumo literários: um timbrador com um ex libris customizado, feito especialmente para o apoiador do Bibliotheca.

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Acho que até o Papa Francisco apoiaria esse redesign bíblico, hein?

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dica do João Marcos

O plano que evoluirá uma biblioteca para além dos livros

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Mario Aguilar, no Gizmodo

Bibliotecas costumam ser lugares para leitura. Mas as coisas não são mais tão simples assim. Em Washington DC, capital dos Estados Unidos, foi anunciada uma proposta vencedora para a renovação da biblioteca central histórica. E trata-se de um plano ambicioso para transformar o edifício em um lugar onde ideias nascem – e as coisas são de fato feitas.

Em uma cidade cheia de monumentos e edifícios governamentais, a Biblioteca Memorial Martin Luther King Jr. é um raro exemplo de modernismo. Inaugurada em 1972, o prédio foi o último idealizado pelo famoso arquiteto Ludwig Mies van der Rohe – e é um excelente exemplo do estilo de Mies: uma estrutura primariamente horizontal e classicamente proporcional.

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Mesmo antes dos projetos de restauração, a biblioteca começou a se preparar para o futuro. No ano passado, ela substituiu parte dos livros por uma área chamada “Digital Commons”, com 60 PCs, 16 iMacs uma maquina de livros expressa, uma impressora 3D, e, o mais importante de tudo, espaço para 140 pessoas se sentarem e ligarem os próprios computadores.

Foi o primeiro passo para institucionalmente reconhecer o que bibliotecários e observadores casuais sabem há muito tempo: que a livraria não é mais um lugar onde pessoas vão para buscar livros. Na verdade, não é um lugar onde pessoas vão para fazer uma única coisa. É um lugar onde pessoas vão para fazer várias coisas, seja para usar computadores públicos em busca de emprego, ou estudantes e profissionais que querem um espaço silencioso para fazer algum trabalho.

Em resumo, o design de 40 anos de idade da biblioteca pode ser um marco histórico, mas ela precisa de uma reformulação geral, com serviços e áreas para servir um papel comunitário muito mais amplo do que o inicial. Em outras palavras, ela precisa ser totalmente refeita, e apenas uma parte ou outra será salva.

A proposta vencedora para renovar a biblioteca, uma ação conjunta da Mecanoo Architecten, da Holanda, e da Martinez+Johnson Architecture, de Washington DC, definiu o seguinte: a biblioteca precisa de uma reformulação de algo com uma função para algo multifuncional, um lugar que pode abrigar tudo desde espaços educacionais a salas de reuniões e, é claro, também precisa de espaço para livros.

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Por dentro do prédio de Mies, os arquitetos propuseram que cada andar deve ter seu propósito próprio. O subsolo vai ser lar do impressionante “Centro de inovação e prototipagem”, um espaço flexível com pisos de concreto industrial, paredes móveis e espaço para workshops e aulas. No térreo, o “Mercado da cidade” terá apresentações, uma área de atuação, um café e uma livraria – é o tipo de espaço no qual as pessoas se movem casualmente como parte da vida na cidade.

O segundo andar é dedicado a um centro educacional, onde ficarão os livros da biblioteca. Acima dele, os arquitetos propuseram um espaço para leitura, seguido de um andar de história com coleções especiais e um espaço para exibições. Por fim, no topo, um novo deck e espaço com jardim.

Estruturalmente, o edifício será adaptado e todas as paredes não-estruturais serão trocadas por vidro ou eliminadas totalmente. Assim, o edifício terá mais iluminação natural.

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Um dos aspectos mais controversos do plano, no entanto, é o fato de que ele transformará o edifício em um espaço misto público-privado, e grupos protestam contra qualquer envolvimento privado nele, mesmo que uma ou outra parceria privada possa ser, de alguma forma, benéfica. Como o WAMU lembra, os administradores há muito reclamam que o enorme edifício é caro e complicado para se manter. Uma das porções opcionais da proposta, um espaço privado, provavelmente para residencias, seria construído acima da estrutura de Mies.

Mas essa controvérsia em relação a público e privado deve ser encerrada com a necessidade de financiamento. Até agora, o prefeito de Washington DC, Vincent Gray, só destinou US$ 103 milhões de dinheiro público para o projeto, o que é muito abaixo do que os US$ 250 milhões estimados para a execução completa.

Também é importante ressaltar que a proposta vencedora não é nada além de um conceito neste momento. As empresas vencedoras foram escolhidas devido ao conceito apresentado, e acredita-se que é o mais adequado às necessidades da comunidade e da biblioteca, mas os detalhes ainda precisam ser negociados e certamente serão modificados. Vamos torcer para que este projeto ambicioso seja feito.

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