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Posts tagged Prosa

Os cem autores indicados por José Mindlin

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Lista de 1993 tem prosa, poesia, clássicos, contemporâneos, História e crítica

Foto: IstoÉ

Foto: IstoÉ

Publicado em O Globo

José Mindlin achava muito difícil escolher só cem livros prediletos. Nesta lista, incluída no livro “A loucura mansa de José Mindlin”, que a Editora USP lança em novembro, ele adotou uma solução intermediária: em vez de cem títulos, escolheu cem autores; e indicou um livro de cada, mas ressaltando que outros livros também podem ser de interesse para o leitor. Feita em julho de 1993, a ideia da lista era é abrangente, incluindo prosa e poesia, clássico e contemporâneos, além de indicações no campo da História e da crítica literária.

Confira:

As Mil e Uma Noites

Adélia Prado – Bagagem

Alain-Fournier – Grande Meaulnes

Alexandre Dumas – Os Três Mosqueteiros

Anatole France – A Ilha dos Pinguins

Antonio Candido – Formação da Literatura Brasileira

Antônio Vieira – Sermões

Balzac – A Comédia Humana

Barbara Tuchman – A Torre do Orgulho

Baudelaire – As Flores do Mal

Beaumarchais – Teatro

Benjamin Constant – Adolfo

Bernard Shaw – Teatro (com prefácios)

Boccaccio – Decameron

Camões – Lírica e Os Lusíadas

Camus – A Peste

Carlos Drummond de Andrade – Poesia Completa

Casanova – Memórias

Castro Alves – Poesia Completa

Cecília Meirelles – Poesia Completa

Cervantes – Dom Quixote

Cyro dos Anjos – O Amanuense Belmiro

Defoë – Robinson Crusoé

Dickens – Grandes Esperanças

Diderot – Jacques, o Fatalista

Dostoiévski – Crime e Castigo

Eça de Queirós – Os Maias

Elisabeth Barrett Browning – Poemas

Emily Brontë – O Morro dos Ventos Uivantes

Emily Dickinson – Poemas

Érico Veríssimo – O Tempo e o Vento

Ésquilo – Teatro

Eurípides – Teatro

Fernando Pessoa – Poesia Completa

Fielding – Tom Jones

Flaubert – Educação Sentimental

García Márquez – Cem Anos de Solidão

Gilberto Freyre – Casa-Grande e Senzala

Gógol – Romances

Gonçalves Dias – Poesia Completa

Graciliano Ramos – Vidas Secas

Gregório de Mattos – Obra Poética

Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas

Guy de Maupassant – Contos

Helena Morley – Minha Vida de Menina

Herman Hesse – O Lobo da Estepe

Homero – Odisseia e Ilíada

Jane Austen – Orgulho e Preconceito

João Cabral de Melo Neto – Poesia Completa

Jorge Amado – A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água

Jorge Luis Borges – Biblioteca de Babel

José de Alencar – O Guarani

José Lins do Rego – Menino de Engenho

José Saramago – Memorial do Convento

Joseph Conrad – Lord Jim

Julio Cortázar – O Jogo da Amarelinha

Kafka – O Processo

La Fontaine – Contos e Novelas

Lima Barreto – Triste Fim de Policarpo Quaresma

Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Manoel de Barros – Gramática Expositiva do Chão

Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Bandeira – Poesia Completa

Mário de Andrade – Macunaíma

Marivaux – Teatro

Molière – Teatro

Montaigne – Ensaios

Montesquieu – Cartas Persas

Nathaniel Hawthorne – A Letra Escarlate

Olavo Bilac – Poesias

Oscar Wilde – O Retrato de Dorian Gray

Oswald de Andrade – Serafim Ponte Grande

Paul Éluard – Poemas

Paulo Prado – Retrato do Brasil

Pedro Nava – Memórias

Platão – Diálogos

Proust – Em Busca do Tempo Perdido

Rachel de Queiroz – O Quinze

Raul Pompeia – O Ateneu

Rimbaud – Poesias

Rousseau – Confissões

Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil

Shakespeare – Teatro

Sófocles – Teatro

Stendhal – O Vermelho e o Negro

Sterne – A Sentimental Journey

Suetônio – Vida dos Doze Césares

Swift – As Viagens de Gulliver

Tchékhov – Romances e Contos

Thomas Mann – A Montanha Mágica

Tolstói – Guerra e Paz

Turguêniev – Romances

Vargas Llosa – Conversa na Catedral

Verlaine – Poesias

Vicente de Carvalho – Poemas e Canções

Victor Hugo – Os Miseráveis

Vinícius de Moraes – Poesia Completa

Virginia Woolf – Orlando

Voltaire – Romances

Concurso Cultural Literário (77)

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capa indesejadas

LEIA UM TRECHO

Crimes brutais marcam um verão sueco

Suécia, meados de um verão chuvoso. O inspetor Alex Recht e sua equipe, auxiliada pela analista criminal Fredrika Bergman, começam a investigar o que parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso se transforma rapidamente no pior pesadelo da equipe de investigadores.

“Ohlsson sem dúvida vai se juntar a Jo Nesbø na maioria das listas de leitura obrigatória da literatura policial escandinava.” Booklist (EUA)

“De escrita elegante e com um grupo de detetives extremamente humanos, a trama de Indesejadas entra no nosso inconsciente do jeito que só os bons thrillers são capazes.” Daily Mail (Reino Unido)

“Prosa, trama e caracterização impressionantes… Os leitores vão ficar ansiosos para continuar na companhia da intrigante protagonista Fredrika Bergman.” Publishers Weekly (EUA)

Vamos sortear 3 exemplares de “Indesejadas“, lançamento da Vestígio.

Para concorrer, basta completar a frase: “Quero ler ‘Indesejadas’ porque…” (use no máximo 3 linhas).

Se usar o Facebook, por gentileza deixe seu e-mail de contato.

O resultado será divulgado dia 29/7 neste post.

Boa sorte! 😉

***

Parabéns aos ganhadores: Ana Paula da Silva PintoSidney FurlanRenato Neves

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] em até 48 horas.

Elmore Leonard (1925-2013) e a glória

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Sérgio Rodrigues, no Todoprosa

A morte do escritor americano Elmore Leonard, hoje, aos 87 anos, me levou a buscar um post de pouco menos de um ano atrás (que vai reproduzido abaixo na íntegra) em que saudei sua chegada a uma certa glória literária oficial, na forma de uma condecoração da National Book Foundation e do lançamento de seus livros pela Library of America. A conclusão era a de que o reconhecimento, merecido, era melhor para o establishment do que para Leonard – embora fosse bom para os dois. Essa impressão é ainda mais forte hoje.

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Fiquei muito feliz com a notícia (em inglês) de que o escritor americano Elmore Leonard, 86 anos, autor de um punhado dos melhores romances policiais e de faroeste de todos os tempos, vai receber a medalha da National Book Foundation pelo conjunto da obra, uma honraria que costuma ser abiscoitada por escritores mais “sérios” como John Updike, Gore Vidal e Toni Morrison. Além disso, a Library of America reunirá seus policiais em três volumes de capa dura.

Pode ser que esses passos no sentido da canonização não signifiquem muita coisa para o ex-publicitário recluso que vive há décadas de seus livros, produzidos ao ritmo de um por ano e em muitos casos adaptados para o cinema e a TV. (Fala-se muito em “Jackie Brown”, um Tarantino menor, mas meu Leonard cinematográfico preferido é Get Shorty/“O nome do jogo”, de Barry Sonnelfeld.)

Estamos falando de um sujeito avesso a qualquer tipo de pose, que projeta uma imagem de artesão e que nunca precisou reivindicar o título de “intelectual” para se levar a sério. De todo modo, as homenagens de agora não são propriamente uma surpresa. Elmore Leonard virou uma instituição cultural americana, ganhou elogios públicos de ninguém menos que Saul Bellow e certa vez ouviu de Martin Amis que “sua prosa faz Raymond Chandler parecer desajeitado”.

Recebê-lo em suas fileiras com medalha e tudo significa muito mais, com certeza, para o mainstream das letras americanas, que desse modo demonstra uma saudável abertura sobre as muitas faces do fazer literário.

O homem é comercial? Muito. É também um baita escritor, um subversivo do maniqueísmo que costuma engessar a literatura de gênero, um estilista do inglês ianque – frequentemente intraduzível, o que prejudica sua apreciação por aqui – e um mestre do ritmo narrativo que dá a impressão de ter em casa como enfeite de aparador a pedra filosofal do pulso da história, aquilo que outros escritores tateiam a vida inteira para encontrar e perder de novo.

Pode-se dizer de Leonard, sem mudar uma vírgula, o que Chandler disse de Dashiell Hammett: “Ele tinha estilo, mas seu público não sabia disso, porque o estilo vinha numa linguagem que não se supunha capaz de tais refinamentos”.

Sim: eu também gosto de literatura “difícil”. Também sei que, às vezes, dificuldades abissais se escondem sob a facilidade aparente. Isso é bem mais difícil de perceber, mas quem gosta de dificuldade não perde nada por tentar.

A maldição da resenha mal-humorada

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Maltratar ou ignorar livros de sucesso é sempre uma péssima ideia

Danilo Venticinque, na Época

Acompanhei, por obrigação e com uma enorme preguiça, as críticas da imprensa internacional ao livro Inferno, de Dan Brown. Torço para que o leitor tenha escapado. São textos que não explicam nada sobre o sucesso internacional do autor, mas explicam muito sobre a perda de prestígio dos críticos. Segundo eles, Dan Brown é prolixo, repetitivo e tem um estilo pedestre. Por que, então, seus livros vendem centenas de milhões de exemplares?

Na coluna anterior, sobre a importância dos best-sellers, faltou mencionar que a crítica é uma das principais fontes do discurso contra autores que fazem sucesso – ou do silêncio a respeito deles. Há uma enorme dificuldade para lidar com livros que vendem bem.

É uma lição que o jornalismo de cinema – ao menos o bom jornalismo de cinema – aprendeu há algumas décadas. Um bom crítico sabe que não pode julgar um blockbuster de Holywood e um filme independente com os mesmos critérios. Não se trata de estabelecer uma diferença de qualidade entre os dois, mas de avaliar de forma diferente obras que têm propostas distintas. O brilhante Roger Ebert, primeiro crítico de cinema a receber um prêmio Pulitzer, sabia fazer isso como poucos. Escrevia com sensibilidade sobre cineastas como Terrence Malick, mas também era capaz de divertir-se com os filmes de James Cameron.

O mesmo vale para a literatura. Analisar a prosa de Dan Brown e criticá-lo por seu estilo é como criticar Os vingadores por sua história leve e ritmo acelerado. Nenhum crítico de cinema capaz de se levar a sério faria isso. É algo tão despropositado quanto criticar Morangos silvestres pela falta de explosões e perseguições de carros.

Os leitores e espectadores sabem o que esperar de cada filme e de cada livro. O único desorientado é o crítico. Quem reclama da prosa pedestre de Dan Brown deveria, antes, respirar fundo e tentar se divertir com o enredo de seus livros. A vida não precisa ser sempre tão séria.

Há os que criticam os sucessos comerciais por princípio, na tentativa de fazer o público ler obras literárias mais profundas. É um esforço vão. O extrato bancário de Dan Brown é a prova de que ninguém deixará de ler um livro divertido por causa de uma resenha mal-humorada. Chega a ser ridículo ver jornais com centenas de milhares de leitores se engajarem numa campanha contra autores que vendem centenas de milhões de livros. É muito mais produtivo analisar Dan Brown como um fenômeno de entretenimento e tentar ajudar o leitor a escolher o que ele lerá depois de Inferno. Há livros bons nas listas de mais vendidos. Elogiá-los é muito mais útil do que criticar os livros supostamente ruins.

No Brasil, as resenhas mal-humoradas de best-sellers são mais raras do que no exterior. A postura usual aqui é fingir que eles não existem – sobretudo se são autores nacionais. É algo que só existe no jornalismo cultural. Se uma multidão ocupa uma grande avenida numa manifestação, os cadernos de política do dia seguinte inevitavelmente trarão manchetes sobre isso. É uma regra básica. O que se faz nas páginas dedicadas à literatura equivale a desprezar a multidão e, em vez disso, elogiar a beleza de uma outra avenida, vazia, a quilômetros de distância. É um perigoso exercício de ignorar notícias, e um flerte com a irrelevância.

Há algumas semanas, no Fórum das Letras de Ouro Preto, o editor Ivan Pinheiro Machado citou o sucesso dos livros de bolso da L&PM como um exemplo de como os jornais têm pouca influência sobre as vendas. A coleção ultrapassou os 30 milhões de exemplares, mesmo sendo rotineiramente ignorada na imprensa. No ano passado, quando revistas e jornais se comoviam com o lançamento da antologia de jovens autores brasileiros pela Granta, a editora Record oportunamente lançou a coletânea Geração subzero, com textos de 20 autores “congelados” pela crítica e adorados pelo público. Estavam lá os vampiros de André Vianco, o fenômeno infantojuvenil Thalita Rebouças e sucessos recentes da literatura fantástica, como Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Carolina Munhóz. Todos conquistaram os leitores sem a ajuda da crítica. Bom para eles – e péssimo para os críticos.

Numa época em que qualquer um pode publicar sua opinião na internet e centenas de blogs divulgam boas resenhas de best-sellers, há vários caminhos para o futuro da crítica. Ignorar as preferências dos leitores certamente é o pior deles.

Conheça 13 conselhos do transgressor Chuck Palahniuk sobre escrever

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“Escreva os livros que você deseja ler”

Guilherme Carmona, no Literatortura

Nos últimos vinte anos, poucos autores têm dado socos na mente do leitor como Chuck Palahniuk o fez. Com um estilo pontuado por frases curtas e uma linguagem feroz e irônica, a prosa do autor brinca constantemente com inversões no tempo da narrativa e explora temáticas controversas, anárquicas e, por vezes, violentas. As atmosferas por ele criadas parecem oscilar entre o bizarro e o cômico, e são palcos onde a sociedade de consumo e a alienação dela proveniente são os principais objetos de crítica. Seu trabalho mais conhecido é o livro Clube da Luta, que a adaptação para o cinema em 1999 veio a consagrar como fenômeno cult. Palahniuk gosta de intitular seu trabalho de Ficção transgressional, ou transgressiva.

Além do trabalho autoral, o escritor e jornalista Chuck Palahniuk frequentemente compartilha seu bocado de experiência com os leitores por meio de ensaios, palestras e workshops. O autor começou a carreira por volta dos 30 anos, quando passou a frequentar uma oficina literária liderada pelo escritor Tom Spanbauer. Na época, Palahniuk só conseguia escrever durante seus períodos de tempo livre, pois trabalhava como mecânico para uma empresa fabricante de veículos. Além disso, foi difícil encontrar quem publicasse seus primeiros trabalhos, muitas vezes taxados como perturbadores.

Este conjunto de conselhos do autor parte de uma coleção de 36 ensaios datados de 2005. A despeito de a produção literária tratar-se de um processo muito particular, Chuck Palahniuk consegue abordar, no apanhado de dicas a seguir, assuntos cotidianos de um escritor, como o público, a solidão, o experimentalismo, a necessidade de paixão e envolvimento com seus livros.

Abaixo segue o trabalho de Chuck, traduzido exclusivamente para vocês:

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“Vinte anos atrás, uma amiga e eu fomos até o centro de Portland no Natal. As grandes lojas de conveniência: Meier & Frank… Frederick & Nelson… Nordstroms… cada uma das grandes vitrines exibia uma cena simples, bonita: um manequim vestindo roupas ou uma garrafa de perfume de pé sobre a neve falsa. Mas as janelas na loja J.J. Newberry, droga, elas eram abarrotadas com bonecas e ouropel e espátulas e kits de parafusos e travesseiros, aspiradores de pó, cabides de plástico, gerbils, flores de seda, doces – você entende o que quero dizer. Cada um das centenas de objetos diferentes era tabelado com um círculo descolorido de papelão. E, caminhando por lá, minha amiga, Laurie, deu uma longa olhada e disse, “A filosofia de decoração de janelas deles deve ser: ‘se a janela não parecer bem o bastante – coloque mais’.” (mais…)

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