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A escola pública me ensinou a pensar, diz juiz de ação sobre ocupações

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juiz

Publicado em UOL

Enquanto estudantes e representantes do Governo de São Paulo discutiam a reorganização da rede e a ocupação das escolas, o desembargador Coimbra Schimidt acompanhava atento cada fala e cada movimento de protesto na audiência realizada no dia 19 de novembro. Ele é o relator da ação que, apesar do anúncio de suspensão da reforma da rede estadual, ainda tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo e trata de um pedido de reintegração de posse das escolas ocupadas na capital.

Dois dias antes da audiência, o desembargador havia surpreendido os leitores atentos do despacho ao citar a sua própria experiência no movimento estudantil em 1968, quando era aluno do 3º ano do Ginásio Estadual Vocacional Osvaldo Aranha, em São Paulo.

“Tratam-se, no caso, de duas greves durante as quais nós, alunos, permanecemos na escola, com substituição da grade curricular por rica e instigante discussão, coordenada pelos professores da área de estudos sociais, centrada na realidade do país e no particular momento por nós vivido”, escreveu Schimidt em um trecho da decisão em que determinou a tentativa de conciliação entre governo e estudantes em São Paulo.

Ex-aluno da rede, o desembargador lamentou, em entrevista ao UOL, o que chamou de queda do prestígio e da qualidade da escola pública.

“As escolas públicas eram disputadíssimas, havia poucas escolas particulares de qualidade, mas houve uma derrocada do ensino público”, disse. “O ensino público é fundamental, é dever do Estado dar educação. Na prática, hoje, terceirizou [a educação], como fez com a saúde e uma série de coisas. O Estado renunciou à sua competência, talvez a mais importante.”

Sobre a sua participação em protestos estudantis, Schimidt conta que ocorreram entre 1966 e 1968 e que as principal demanda era melhoria no ensino público. “Eu lembro que houve um movimento dos professores, a gente tinha muito respeito pelos professores, o ensino público era um ensino digno, muitos colegas que estão aqui são oriundos do ensino público”, disse o desembargador, que destaca que na sua época as escolas não foram ocupadas.

“Tivemos duas greves, uma foi em apoio aos professores, que entraram em greve em defesa do ensino público. A segunda foi uma greve de estudantes, aí já teve o dedinho da UPES (União Paulista de Estudantes Secundaristas), que voltou agora. Fizemos a nossa greve. Eu lembro que a molecadinha foi fazer uma passeata pelas ruas do Brooklin [bairro da zona sul de São Paulo]”, lembra.

“Aqueles três anos, associados a uma base muito boa que eu tive no colégio de padres no primário, me ensinaram a pensar. E com todo o ensino tradicional que eu enfrentei depois, eu nunca fui um conformista. Eu aprendi a pensar, aprendi a ser gente. Decorar eu não consigo. Mas eu acho que eu aprendi algo essencial do ensino que é aprender a lógica das coisas, não ficar recitando fórmulas pré-concebidas. Esse ensino me transformou no que eu sou hoje”, afirma o desembargador.

Protestos na USP

Na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), Schimidt também participou do movimento estudantil, que abandou logo nos primeiros anos no Largo São Francisco. “Eu quis forçar um movimento de rebeldia dos calouros contra abusos no trote. No final, estava toda a faculdade me cercando e eu sozinho. Não aconteceu nada, mas eu fui humilhado. Eu disse: ‘Não quero mais saber’, foi quando abandonei toda e qualquer militância ativa”.

“Tinha greve na faculdade, eu chegava 7 da manhã. O primeiro do centro acadêmico chegava às 9h30, 10h. Legal fazer greve assim”, ironiza. “A maioria do pessoal era gente completamente alienada, desinteressada, isso no Largo São Francisco”, diz.

Para ele, essas experiências não interferem hoje nas suas decisões como desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo. “No dia em que eu tomei posse como juiz, o meu compromisso deixou de ser com a ideologia e passou a ser com a Constituição”.

Professores no Brasil estão entre os mais mal pagos em ranking mundial

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Números da OCDE mostram que educadores no Brasil recebem menos, têm mais alunos na sala de aula e integram um sistema educacional ineficiente.

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Publicado no G1

O Brasil é o lanterninha em um ranking internacional que compara a eficiência dos sistemas educacionais de vários países, levando em conta parâmetros como os salários dos professores, as condições de trabalho na escola e o desempenho escolar dos alunos.

O ranking é de setembro do ano passado, mas volta à tona no momento em que o governo paranaense aprova uma redução nos benefícios previdenciários dos professores do Estado.

A votação da lei elevou as tensões e levou a um tumulto no qual pelo menos 170 pessoas ficaram feridas após a repressão policial de um protesto de professores em Curitiba. Os professores paranaenses estão em greve desde sábado (25 de abril).

Em São Paulo, professores da rede estadual estão em greve desde 13 de março, reivindicando reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

O estudo internacional foi elaborado pela consultoria Gems Education Solutions usando dados dos mais de 30 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e alguns emergentes, como o Brasil.

Nele, o país aparece como um dos últimos em termos de salário pago aos professores, por exemplo.

O valor que os educadores brasileiros recebem (US$ 14,8 mil por ano, calculado por uma média de 15 anos e usando o critério de paridade de poder de compra) fica imediatamente abaixo do valor pago na Turquia e no Chile, e acima apenas de Hungria e Indonésia.

Os salários mais altos são na Suíça (US$ 68,8 mil) e na Holanda (US$ 57,8 mil).

Os professores brasileiros também são responsáveis por mais estudantes na sala de aula: 32 alunos, em média, para cada orientador, comparado com 27 no segundo lugar, o Chile, e menos de 8 em Portugal.

Combinando fatores como estes com o desempenho dos alunos – entre os piores entre os países pesquisados – a consultoria coloca o sistema educacional brasileiro como o mais ineficiente da lista.

“Nossas conclusões sugerem que o Brasil deveria cuidar do salário dos professores para alcançar o objetivo da eficiência educacional”, diz o relatório.

Para a consultoria, a meta seria um salário quase três vezes maior que o atual.

Deficiências no gasto
Os dados mais recentes da OCDE mostram as debilidades no gasto educacional brasileiro.

Segundo a organização, o gasto do governo brasileiro com educação cresceu rapidamente desde o ano 2000, atingindo 19% do seu orçamento em 2011 – a média da OCDE foi de 13%.

O gasto público com educação chegou a 6,1% do PIB brasileiro, acima da média da OCDE de 5,6%, e à frente da proporção de outros latino-americanos como Chile (4,5%) e México (5,2%).

Porém, o gasto do Brasil com a educação pública foi o segundo menor de todos os países da OCDE e parceiros – US$ 3.066, contra uma média de US$ 9.487. O país ficou em 34º no ranking de 35 países da organização.

Meu filho pode perder o ano, mas professores não devem se calar, diz mãe

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Fabiana Maranhão, em UOL

O filho de 14 anos da promotora de eventos Viviane Domingues, 33, está sem ir à escola desde o começo da semana por causa da greve dos professores da rede estadual do Paraná. No começo do ano, ele passou um mês sem aula também por causa de uma paralisação dos docentes. Apesar disso, Viviane diz apoiar a mobilização.

“É lamentável ver meu filho sem estudar, mas ele pode perder o ano desde que o professores não se calem”, afirma a mãe. Ela estava na quarta-feira (29) no local onde houve um confronto entre a Polícia Militar e professores, no Centro Cívico, em Curitiba, que ela descreve como “massacre”. “Sinto muito pelo meu filho, mas é por uma boa causa”, diz.

No último sábado (25), os professores da rede estadual de ensino decidiram em assembleia decretar greve em protesto contra o projeto de lei do governo do Paraná que altera a previdência dos servidores públicos. A matéria foi aprovada pelos deputados estaduais na quarta-feira e segue para sanção do governador Beto Richa (PSDB).

Entre janeiro e março deste ano, a categoria paralisou as atividades por quase um mês para reivindicar o pagamento de promoções e progressões de carreira.

O pipoqueiro Josué Moraes, 31, estava trabalhando perto da Assembleia Legislativa quando se viu no meio do embate de quarta-feira. “Eu pensei que ia morrer. Meus olhos ardiam. O que eles fizeram foi uma barbaridade. Os professores não tinham arma”, diz.

O filho de Moraes estuda na rede pública. “Estou 100% com eles [os professores]. Eles têm de lutar pelos direitos deles”, declara.

A Poesia Marginal: 10 belos poemas da “Geração Mimeógrafo”

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Diego Santos, no Literatortura

Durante a dura repressão do regime militar brasileiro, muitos artistas tiveram que encontrar meios alternativos para manifestar sua arte ou seus protestos.

Entre tantos artistas, os poetas tiveram um grande destaque a partir do que se chamou “Geração Mimeógrafo”. Como as obras de tais artistas não eram aceitas por grandes editoras ou eram censuradas por órgãos repressivos, eles acabaram aderindo ao mimeógrafo, que era uma tecnologia mais acessível na época.

O mimeógrafo é aquela máquina que faz cópias de papel escrito em grande escala e utiliza na reprodução um tipo de papel estêncil e álcool.

Desta forma, os poetas divulgavam e vendiam seus trabalhos a preços baixíssimos em universidades, praças e ruas.

No ano de 1975, a editora Brasiliense publicou um livro intitulado “26 Poetas Hoje”, divulgando obras e nomes à margem do circuito editorial estabelecido. Esta arte foi chamada de Poesia Marginal e reuniu grandes nomes, até hoje muito estudados!

Nesta lista, você conhecerá 10 poemas e poetas que marcaram toda essa geração e esta história de resistência à ditadura.

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RÁPIDO E RASTEIRO
Chacal

vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida

JOGOS FLORAIS
Cacaso

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)

COGITO
Torquato neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

UMA NOITE
Afonso Henriques Neto

o tio cuspia pardais de cinco em cinco minutos.
esta grama de lágrimas forrando a alma inteira
(conforme se diz da jaula de nervos)
recebe os macios passos de toda a família
na casa evaporada

mais os vazios passos
de ela própria menina.

a avó puxava linhas de cor de dentro dos olhos.
uma gritaria de primos e bruxas escalava o vento
escalpelava a tempestade
pedaços de romã podre
no bolor e charco do tanque.

o pai conduzia a festa
como um barqueiro
puxando peixes mortos

nós
os irmãos
jogávamos no fogo
dentaduras pétalas tranças
fotografias cuspes aniversários
e sempre
uma canção
só cal e ossos
a mãe de nuvem parindo orquídeas no cimento.

RECEITA
Nicolas Behr

Ingredientes:

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles

Modo de preparar

dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração

leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos de gerações
às esperanças perdidas

corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os sonhos
eróticos mas desta vez deixe ferver um
pouco mais e mexa até dissolver

parte do sangue pode ser substituído
por suco de groselha
mas os resultados não serão os mesmos
sirva o poema simples ou com ilusões

TIRA-TEIMA
Bernardo Vilhena

Tire a faca do peito
e o medo dos olhos
Ponha uns óculos escuros
e saia por aí. Dando bandeira

Tire o nó da garganta
que a palavra corre fácil
sem desculpas nem contornos
Direta: do diafragma ao céu da boca

Tire o trinco da porta
liberte a corrente de ar
Deixe os bons ventos levantarem a poeira
levando o cisco ao olho grande

Tire a sorte na esquina
na primeira cigana ou no velho realejo
Leia o horóscopo e olhe o céu
lembre-se das estrelas e da estrada
Tire o corpo da reta
e o cu da seringa
que malandro é você, rapaz
o lado bom da faca é o cabo

Tire a mulher mais bonita
pra dançar e dance
Dance olhando dentro dos olhos
até que ela morra de vergonha

Tire o revólver e atire
a primeira pedra
a última palavra
a praga e a sorte
a peste, ou o vírus?

MUITO OBRIGADO
Francisco Alvim

Ao entrar na sala
cumprimentei-o com três palavras
boa tarde senhor
Sentei-me defronte dele
(como me pediu que fizesse)
Bonita vista
pena que nunca a aviste
Colhendo meu sangue: a agulha
enfiada na ponta do dedo
vai procurar a veia quase no sovaco
Discutir o assunto
fume do meu cigarro
deixa experimentar o seu
(Quanto ganhará este sujeito)
Blazer, roseta, o país voltando-lhe
no hábito do anel profissional
Afinal, meu velho, são trinta anos
hoje como ontem ao meio-dia
Uma cópia deste documento
que lhe confio em amizade
Sua experiência nos pode ser muito útil
não é incômodo algum
volte quando quiser

SONETO
Ana Cristina César

Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

AMOR BASTANTE
Paulo Leminski

quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

OLHOS DE RESSACA
Geraldo Carneiro

minha deusa negra quando anoitece
desce as escadas do apartamento
e procura a estátua no centro da praça
onde faz o ponto provisoriamente

eu fico na cama pensando na vida
e quando me canso abro a janela
enxergando o porto e suas luzes foscas
o meu coração se queixa amargamente
penso na morena do andar de baixo
e no meu destino cego, sufocado
nesse edifício sórdido & sombrio
sempre mal e mal vivendo de favores

e a minha deusa corre os esgotos
essa rede obscura sob as cidades
desde que a noite é noite e o mundo é mundo
senhora das águas dos encanamentos

eu escuto o samba mais dolente & negro
e a luz difusa que vem do inferninho
no primeiro andar do prédio condenado
brilha nos meus tristes olhos de ressaca

e a minha deusa, a pantera do catre
consagrada à fome e à fertilidade
bebe o suor de um marinheiro turco
e às vezes os olhos onde a lua

eu recordo os laços na beira da cama
percorrendo o álbum de fotografias
e não me contendo enquanto me visto
chego à janela e grito pra estátua

se não fosse o espelho que me denuncia
e a obrigação de guerras e batalhas
eu me arvoraria a herói como você, meu caro
pra fazer barulho e preservar os cabarés.

Amazon passa a vender livro em papel no Brasil

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Publicado no UOLphoto-1378249079083-1-0-size-320

A varejista online Amazon lança no Brasil, nesta quinta-feira (21), a venda de livros em papel em português. A empresa já vendia livros digitais aqui. Com um catálogo de 150 mil títulos de 2.100 editoras, a loja terá obras a preços mais baixos que os praticados em livrarias.

Em promoção de lançamento sem data para terminar, o frete será grátis para as compras acima de R$ 69 no país todo. Na cidade de São Paulo, consumidores que adquirirem livros antes das 11h terão a opção de recebê-los no dia útil seguinte. Essa modalidade de entrega, mais rápida que a convencional, só estará disponível para algumas regiões da cidade.

“Decidimos abrir a loja de livros físicos porque já vendemos milhões de livros digitais no Brasil e temos experiência com o consumidor daqui”, disse Alex Szapiro, diretor da Amazon no Brasil. O executivo afirma que uma das condições mais importantes para lançar a loja foi a inteligência do algoritmo da Amazon, que gera recomendações de compra para o cliente baseadas em suas buscas e navegações no site.

O site também inaugura no país uma ferramenta que permite a leitura do livro digital enquanto o livro físico não chega à casa do cliente, o Leia Enquanto Enviamos.

A Amazon chegou ao Brasil em dezembro de 2012, com um catálogo de 13 mil títulos de livros digitais em português. Hoje, são mais de 35 mil títulos. “O segmento de livros digitais deve terminar o ano com uma fatia de 4% a 5% do mercado de livros”, diz Szapiro. “Ainda não é uma parcela muito representativa, mas há dois anos ela era praticamente inexistente.”

Escritores criticam estratégia da Amazon

A empresa do americano Jeff Bezos, é criticada pelo mercado editorial em alguns países por adotar uma estratégia feroz de descontos e promoções.

Na semana passada, mais de 900 escritores americanos assinaram uma carta, publicada no jornal “The New York Times”, na qual afirmam que a Amazon boicota editoras que se recusam a diminuir as margens de lucro, atrasando entregas e retirando seus livros das posições de destaque no site.

Dias depois, mais de mil escritores alemães se manifestaram em carta aberta na internet, dizendo que editoras alemãs também estão sendo prejudicadas.

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