Izadora Peter Furtado, 17 anos, foi uma das 104 pessoas no país que chegaram à nota máxima na dissertação do exame

Izadora Peter Furtado, 17 anos, foi uma das 104 pessoas no país que chegaram à nota máxima na dissertação do exame

 

Fernanda da Costa, no Zero Hora

Quando os olhos da pelotense Izadora Peter Furtado, 17 anos, passaram pelo tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015, o nervosismo se transformou em alívio. Não era a primeira vez que a estudante teria de dissertar sobre o assunto da violência contra a mulher, que ela também acompanhava pela mídia. O conhecimento rendeu frutos: a adolescente conquistou nota máxima na prova, mérito de apenas outros103 candidatos no país.

A nota mil é fruto de muita preparação. Amante dos livros desde criança, Izadora herdou dos pais o prazer pelas palavras. De tanto ver o casal com livros, nunca saiu da biblioteca da escola de mãos vazias. Queria seguir o exemplo.Outra vantagem foi ter um pai formado em Letras, que hoje atua como gerente comercial, a quem recorria na hora das dúvidas.

– Desde pequena, eu fui muito incentivada pelos meus pais a ler bastante. Via eles com livros e sentia vontade de ler também. Então, fui cultivando o hábito na escola – conta.

Não há um escritor favorito na lista da adolescente. Ela afirma ser eclética nas escolhas dos autores, mas costuma optar por romances e suspenses.

– A leitura, de forma geral, auxilia na interpretação além do que está escrito e na questão da linguagem, da norma culta padrão. Isso é essencial para todo mundo, é algo enriquecedor – observa a jovem.

Confira as dicas de um dos candidatos que gabaritaram matemática no Enem

No último ano, Izadora passou a exercitar a redação com foco no Enem. Na escola particular, produzia textos a cada duas semanas. No cursinho preparatório, que frequentou de junho a outubro, escrevia uma vez por semana.

– Eu sempre me saía bem, tirava entre 920 e 960, mas nunca tinha tirado nota máxima. Tanto na escola quanto no cursinho, dificilmente davam nota máxima, para poder cobrar mais. Sempre diziam algo que eu podia arrumar, como trocar um pronome, por exemplo.

No cursinho, uma das primeiras atividades propostas à adolescente foi fazer a introdução de uma redação para 12 temas distintos, entre eles o feminicídio. Quando leu a proposta do Enem, de escrever sobre a “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, lembrou do exercício. Seguiu a orientação dos professores, de começar pelo rascunho da redação, quando a cabeça estava “fresca”. Depois, resolveu a prova de linguagens, área em que tem mais habilidade. Na sequência, releu o rascunho da redação com calma, fez alterações e passou o conteúdo a limpo. A prova de matemática ficou por último.

– Meu foco principal foi abordar o argumento histórico, a origem dessa violência. Desde cedo a mulher foi submissa, teve o direito do voto muito depois dos homens, não podia escolher a própria roupa. Não fiquei apenas na violência física, mas na violência em geral – conta a aluna.

Quando saiu da prova, Izadora sentiu-se insegura sobre o resultado da redação. Disse nunca ter imaginado que poderia atingir o patamar máximo. Na segunda-feira, ficou sabendo de outra conquista: foi aprovada em primeira chamada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o curso de Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que planejava cursar desde o primeiro ano do Ensino Médio. Descobriu a profissão em palestras na escola e por meio de conversas com recém-formados.

– É um curso bem amplo, que atinge desde questões agrícolas à área da saúde. Meu interesse maior é pela pela área da saúde – conta a adolescente.

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