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Atenção estudante! Veja 120 pegadinhas da língua portuguesa para concurseiros

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Estudante

Publicado no Amo Direito

Investir toda a concentração nas matérias específicas dos concursos públicos e deixar de lado o estudo de língua portuguesa pode ser uma cilada. O português acaba sendo o vilão dos concurseiros.

Confira aqui as 120 pegadinhas da nossa língua portuguesa.

Pegadinha 1: Ela quer se aparecer.
Termo muito usado e completamente errado. Certos verbos são essencialmente pronominais como suicidar-se, por exemplo. Outros, porém, jamais podem ser usados com pronomes, como os verbos da dica anterior, simpatizar ou antipatizar.

Trazemos um desses verbos que jamais são usados com pronome, que é o verbo aparecer. Esse é um típico verbo intransitivo. Não admite voz reflexiva, objetos de espécie alguma. Não se pode aparecer ninguém e, também, aparecer a si mesmo. Escreve-se corretamente, assim:
Ela quer aparecer.

Pegadinha 2: são os banqueiros que acabam lucrando.
Neste tópico de dicas de português para concursos, a expressão é que não é genuinamente um verbo. Trata-se simplesmente de uma locução de realce, que a usamos, evidentemente, para dar destaque à ideia expressa na frase.

Por tratar-se de um mero adorno frasal, essa locução é totalmente dispensável sem prejuízo para o sentido da oração. Exemplo: É os banqueiros que acabam lucrando. = Os banqueiros acabam lucrando. (A igualdade é de significação, é lógico.)

Mais exemplos:

Só nós dois é que sabemos o quanto nos queremos bem. (Letra de canção portuguesa.) Seria ridículo dizer: Só nós dois somos que sabemos o quanto nos queremos bem. A frase original pode ser escrita, sem nenhum prejuízo para a sua significação: Só nós dois sabemos o quanto nos queremos bem.

É eles que representarão o presidente. Essa frase está correta. Estaria incorreta se fosse escrita assim: São eles que representarão o presidente. Se eliminarmos do contexto a expressão de realce é que, veremos que o sentido é o mesmo: Eles representarão o
presidente.

Muito cuidado! Nas questões de português, sobre concordância verbal, as organizadoras de vestibulares e concursos públicos costumam usar, de vez em quando, frases desse tipo, induzindo o vestibulando ou concursando a considerá-las incorretas.

Concluindo, indicamos como escrita correta da frase do topo a seguinte construção:
É os banqueiros que acabam lucrando.
ou
Os banqueiros é que acabam lucrando.

Lembrar: é que – é uma locução de realce.

Pegadinha 3: Inglaterra confirma invasão ao Iraque.
Jamais poderá ocorrer invasão a lugar algum. Porém, o que é possível acontecer é invasão de algum lugar. Escreve-se com correção, assim:

Inglaterra confirma invasão do Iraque.

Veja, a seguir, outros exemplos corretamente escritos:
Invasão de privacidade.
Invasão de domicílio.
A invasão do estádio pela polícia deu-se às 20 horas de ontem.

Pegadinha 4: O acidente aconteceu porque o motorista dormiu no volante.
Para que alguém consiga dormir no volante, é necessário que este seja, no mínimo, do tamanho de uma cama. Convenhamos, volantes desse tamanho ainda não foram fabricados.

Então, melhor seria dormir no banco do automóvel ou, mais adequadamente, em uma cama com mais conforto. Quem dorme bem, dorme em algum lugar. Já “dormir próximo” ou “junto” significa dormir a (preposição) com o respectivo artigo (o ou a). O correto seria escrever:

O acidente aconteceu porque o motorista dormiu ao volante.

A seguir, outros exemplos de frases corretamente grafadas:
A moça dormiu ao computador.
O marinheiro dormiu ao timão.
Romeu dormia à janela de Julieta.

Pegadinha 5: Marcos é um parasita da mulher.
Parasita, com a final, é denominação exclusiva de certas plantas. Para pessoas e animais, usa-se parasito. O correto seria escrever:

Marcos é um parasito da mulher.

Eis outros exemplos de frases corretamente grafadas:
Raquel age como um parasito da mãe.
Há sujeitos que são autênticos parasitos da sociedade.
A pulga é um parasito, como também o é o carrapato.
Precisamos exterminar as parasitas que estão nessa árvore.
As parasitas debilitaram nosso pomar.

Pegadinha 6: Confesso que me simpatizei com ela.
O verbo simpatizar, como também seu antônimo antipatizar não são empregados com pronomes. Portanto, escreve-se correto, grafando-se assim:
Confesso que simpatizei com ela.

Abaixo, seguem outros exemplos de frases corretamente escritas:
Você simpatizou com a moça, mas ela antipatizou com você. Antipatizo com políticos em geral.
Simpatizamos com a nova professora.
Eles antipatizam conosco.

Pegadinha 7: Começou nevar hoje cedo em Urubici.
Certas notícias são dadas de modo negligente, sem nenhuma preocupação com as regras do idioma. O verbo começar forma locução com outro verbo, no infinitivo, por intermédio da preposição a.

Exemplos:

Nice começou a chorar.

Naquela hora, Eliane começou a rir.

Começou a chover.

Eis a frase do topo corretamente escrita:
Começou a nevar hoje cedo em Urubici.

Pegadinha 8: Vou mostrar-lhe meu caderno, mas não repare a desorganização.
O verbo reparar assume dois significados. O que irá determiná-los é a presença ou não da preposição em.

Veja, a seguir:
Com a preposição em significa notar, observar: Repare nos exemplos que damos nesta lição de gramática.
Entre, mas não repare na bagunça.
Posso escrever, porém não reparem em meus erros de português.

Sem a preposição em, significa consertar, indenizar:
O técnico reparou o computador que estava avariado.
A empresa reparou os danos causados.
O juiz condenou o prefeito a reparar os prejuízos sofridos pelos camelôs.
O mecânico reparará o motor do carro.

Então escreve-se corretamente a frase original da seguinte maneira:
Vou mostrar-lhe meu caderno, mas não repare na desorganização.

Pegadinha 9: Residente à Rua Joana Sartóri.
As palavras residente, morador, situado e sua forma reduzida sito não admitem a preposição a para ligar-se ao respectivo logradouro, mas, sim, a preposição locativa em. Não se diz, por exemplo, que um imóvel está situado a Campinas, porém em Campinas.

Veja os exemplos que seguem: O escritório, sito na Rua Filisbina, recebe seus clientes de segunda a sexta-feira. O prédio está situado na Avenida Duque de Caxias. Márcio, morador na Travessa Cotia, prestou depoimento ontem. Resido na Alameda Tabajara.

A frase do topo escrita corretamente fica assim:
Residente na Rua Joana Sartóri.

Pegadinha 10: Costuma se fazer bons negócios nesta feira.
O verbo concorda com o seu sujeito, na voz passiva. Observe que temos dois verbos, um auxiliar e outro, principal.

Veja outros exemplos de uso da voz passiva em situações semelhantes: Não se podem prever essas situações. (Não podem ser previstas essas situações.) Devem-se devolver os crachás ao final do evento. (Devem ser devolvidos os crachás ao final do evento.)

A frase inicial estaria corretamente escrita da seguinte maneira:
Costumam se fazer bons negócios nesta feira.

Pegadinha 11: Não exceda da dosagem alcoólica permitida.
O verbo exceder não admite preposição.
Outros exemplos: O motorista foi multado porque excedeu os limites de peso de carga de seu caminhão. (Errado: O motorista foi multado porque excedeu dos limites de peso de carga de seu caminhão.)
Lotação: 42 passageiros. Não exceda este limite. (Errado: Lotação: 42 passageiros. Não exceda deste limite.)

O certo seria escrever a frase original do seguinte modo:
Não exceda a dosagem alcoólica permitida.

Pegadinha 12: Não fiz o dever de matemática.
Para muitas pessoas, há uma confusão muito grande, envolvendo os significados das palavras dever e deveres. Inicialmente, determinemos suas semânticas, conforme os bons dicionários:
Dever: obrigação;
Deveres: tarefas (sempre no plural).
O exemplo seguinte economiza muita explicação e esclarece a questão:
O dever de cada estudante é fazer seus deveres escolares.

Talvez, esta regrinha ajude a estabelecer com mais clareza a distinção:
Deveres (tarefas) se fazem;
Dever (obrigação) se cumpre.

Outros exemplos:
Ele cumpriu o dever de pai.
O dever de todo militar é servir o seu país.
Deixei de fazer os deveres de geografia.
Ela não dá conta de realizar os deveres domésticos. Precisa de uma empregada.

A frase original, corrigida, fica assim:
Não fiz os deveres de matemática.

Pegadinha 13: O comandante nos disse que ficássemos alertas.
Aqui está uma dica de português para vestibular e concurso, a qual tem gerado muita controvérsia. A palavra alerta pertence à classe dos advérbios e, como tais, é invariável. Não se flexiona para indicar gênero (Ele está alerta.), como também para indicar número (Permaneço alerta. Permanecemos alerta. Eles permanecem alerta.). Só se admite variação, quando substantivada, isto é, quando a palavra estiver acompanhada de artigo (Esqueci os alertas do comandante.).

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:
O comandante nos disse que ficássemos alerta.

Pegadinha 14: Depois de vinte minutos de interrupção, o árbitro deu continuidade ao jogo.
Esta seção de dicas de português para concursos expõe um grande equívoco de uso das palavras Continuidade e continuação, conforme se explica a seguir.
Continuidade — propriedade física da superfície dos corpos;
Continuação — prosseguimento;

Exemplos:
A continuidade do grande espelho do salão foi afetada por uma rachadura na parte superior direita.
A continuidade do leito da ponte foi interrompida por uma trinca de uns dez centímetros, de lado a lado.
Em continuação a esta exposição de razões, falarei, agora, sobre os meninos de rua.
Precisamos dar continuação àquela partida de xadrez, no prazo máximo de cinco dias contados de sua interrupção.
Depois que o aluno alterado retirou-se da sala, o professor deu continuação à aula.

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:
Depois de vinte minutos de interrupção, o árbitro deu continuação ao jogo.

Pegadinha 15: A polícia não pode prendê-lo porque ele é de menor.
Eis uma seção de dicas de português para vestibulares e concursos cuja sutileza muita gente boa não percebe.

O predicativo dessa frase liga-se ao sujeito com auxílio de verbo de ligação sem preposição.

O povo é que construiu essa anomalia. Veja outros exemplos de predicativo:
Ele é sargento do exército.
Ela é maior de 14 anos.
Ela é a rainha do colégio.
Ele é menor de 6 anos.
Meu pai é professor.

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:
A polícia não pode prendê-lo porque ele é menor de idade.

Pegadinha 16: Sou difícil de fazer amizade.
Neste tópico de dicas de português para concursos, a frase já se inicia por uma incoerência, pois ninguém é difícil ou fácil de coisa alguma. Pelo menos, assim se espera. O que é difícil não é a pessoa, mas sim a ação de fazer amizade. O sujeito dessa frase é oracional — fazer amizade — e o predicativo é difícil. O verbo é de ligação — ser.

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:
É-me difícil fazer amizade.
ou
Fazer amizade me é difícil.
ou
Fazer amizade é difícil para mim.

Pegadinha 17: Já comuniquei o chefe que a mercadoria chegou.
Esta pegadinha de português para vestibular e concurso aborda um deslize sutil e corriqueiro, ideal para uma questão de concurso. Não devemos, jamais, comunicar uma pessoa, seja ela quem for. O que se comunica é o objeto da comunicação, isto é, o assunto, o fato ocorrido. Comunica-se, sim, à pessoa um determinado fato.

O verbo comunicar possui dois objetos. Um deles é o objeto indireto, que é a pessoa que recebe a comunicação. A esse objeto o verbo se liga sempre por meio de preposição. O outro complemento verbal é o objeto direto, que representa o fato comunicado.

Veja os seguintes exemplos: Daniel comunicou ao Mário a demissão da antiga secretária
O presidente comunicou ao povo a decisão que tomara quando decidiu o caso.
O marido comunicou à mulher que naquele dia não iria almoçar em casa.

Então, depois da correção da frase inicial, fica assim:
Já comuniquei ao chefe que a mercadoria chegou.

Pegadinha 18: A rapariga está meia aborrecida.
Mais um exemplo de pegadinha que tirou preciosos pontos para a aprovação de muitos vestibulandos e concursandos. Meia, modificando substantivo, é adjetivo e varia em gênero e número.

Exemplos:
Meio litro de água. (metade do litro)
Meia xícara de café. (metade da xícara)
Ele fala em meias palavras. (metade das palavras, como metáfora de “não dizer tudo”)
Ele se expressa em meios termos. (idem, explicação acima)

Meio, modificando adjetivo, é advérbio e, como tal, não varia. Exemplos:
Ela está meio triste.
As duas moças permanecem meio confusas.

Então, depois de corrigida a frase inicial, fica assim:
A rapariga está meio aborrecida.

Pegadinha 19: Mais de um artista cantarão.
Este caso exige-nos atenção redobrada. Embora saibamos que a expressão “mais de um artista” representa, no mínimo, duas pessoas, devemos levar o verbo à forma da terceira pessoa singular cantará, fazendo a concordância gramatical com o numeral um da expressão “mais de um”.

Veja outros exemplos:
Mais de um automóvel foi sorteado.
Mais de uma mulher assistiu à cena.

Do mesmo modo, é feita a concordância de frases do tipo Menos de dois alunos fizeram a prova. Nessa frase, embora compreendamos que a expressão “menos de dois alunos” representa, quantitativamente, um aluno; a concordância também é gramatical, com base no numeral dois da expressão “menos de dois alunos”, e não ideológica, isto é,
com a ideia ou sentido que a frase puder sugerir.

Outros exemplos:
Menos de dois livros, foram queimados no incêndio.
Menos de duas moças saíram antes de o espetáculo se findar.

Então, depois de corrigida a frase inicial, fica assim:
Mais de um artista cantará.

Pegadinha 20: Eu nasci há trinta e cinco anos atrás.
Esta pegadinha nos lembra uma famosa música dos anos setenta — Eu nasci há dez mil anos atrás. Há excesso nessa frase! Quando ocorre excesso desse tipo, dizemos que existe redundância, isto é, repetição viciosa, que só empobrece a linguagem de quem a comete. O verbo haver, por si só, já representa “tempo transcorrido”, a palavra atrás é redundante. Deve-se, portanto, escolher — ou se escreve há, do verbo haver, ou atrás.

Então, depois de corrigida a frase inicial, poderia ser escrita de duas maneiras:
Eu nasci há trinta e cinco anos.
ou
Eu nasci trinta e cinco anos atrás.

Pegadinha 21: Viemos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento pelo grande favor que nos fizeram.
Neste caso, apresenta-se um verbo comumente usado de maneira errada em algumas de suas formas. Nesta oportunidade falaremos apenas sobre um desses deslizes cometidos com o uso indevido do verbo vir. Ninguém diz: “estivemos aqui, nesta hora.”
Diz-se, porém, no tempo certo: “estamos aqui, nesta hora.” Se é “nesta hora” que o fato ocorre, então, o verbo deve estar no presente.

Então, depois da correção, tem sua frase inicial assim escrita:
Vimos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento pelo grande favor que nos fizeram.

Pegadinha 22: O político que se pode confiar ainda não nasceu.
Este é erro próprio da fala popular, linguagem que não está nem aí para a regência verbal. Erros desse tipo são muito explorados em provas de vestibulares e concursos públicos. Esteja alerta, caro leitor. A regência do verto confiar exige a preposição em, pois quem confia, confia em alguém, e não confia alguém.

Este tópico, depois da correção, tem sua frase inicial escrita assim:
O político em que se pode confiar ainda não nasceu.

Pegadinha 23: Traze-me uns pastelzinhos.
Neste tópico, focalizamos um aspecto muito explorado em provas de vestibulares e concursos públicos – o plural dos diminutivos em -zinho -, que é feito do seguinte modo:
A – leva-se o substantivo ao plural em seu grau normal: pastéis;
B – retira-se o s final: pastei;
C – acrescenta-se -zinhos, e pronto: pasteizinhos.

Outros exemplos:
Pãezinhos
Carreteizinhos
Limõezinhos
Caracoizinhos
Aneizinhos

Depois da correção, a frase correta fica assim:
Traze-me uns pasteizinhos.

Pegadinha 24: O relógio marcou meio-dia e meio.
Esta pegadinha que, de vez em quando, figura em provas de vestibular e concurso, sempre acaba tirando candidatos do páreo. A palavra que se refere a horas é meia e não meio. Diz-se nove horas e meia, vinte horas e meia e assim por diante. Então, depois da correção, temos a seguinte frase:
O relógio marcou meio-dia e meia.

Pegadinha 25: Ao comer, tenha cuidado com os espinhos de peixe.
Esta pegadinha apresenta mais uma popularização errônea de uma palavra. Peixe não tem espinhos. Isso é próprio de certas plantas e, quando muito, do porco-espinho. Peixe tem espinhas. É bom estar preparado para a ocorrência de casos como o desta dica, em provas de vestibular e concurso.

Então, depois da correção, temos a seguinte frase:
Ao comer, tenha cuidado com as espinhas de peixe.

Pegadinha 26: Nossa situação está russa.
Esta pegadinha nos adverte para não confundir estado físico ou mental com estado político. Russa refere-se à Rússia. Quando se quer dizer que a situação está feia, diz-se que está ruça (com ç), que significa a cor pardacenta, escura. Em provas de vestibular e concurso, não é raro questões desse gênero.

Então, depois da correção, temos a seguinte frase:
Nossa situação está ruça.

Pegadinha 27: O juiz leu os 3º, 4º e 5º parágrafos.
Eis um tema frequentemente cobrado em provas de vestibular e concurso — a concordância nominal. A frase em destaque, acima, está mal formulada quanto ao aspecto da concordância nominal. Mesmo que haja uma lista ou uma série de elementos antes do artigo, este deve concordar com o elemento mais próximo. O artigo deve ficar no singular, diante de palavra no singular.

Exemplos:
Este cartório serve a 2ª e 3ª varas de família.
A revogação atingiu o 4º, 5º, 6º e 7º artigos da antiga lei.
Estamos discutindo o I e II itens do contrato.
A 1ª, 2ª e 3ª séries terão aulas de educação física.

Então, depois da correção, temos a seguinte frase:
O juiz leu o 3º, 4º e 5º parágrafos.

Pegadinha 28: O chefe reclamou porque a secretária não tinha entregue o relatório.
Nesta pegadinha, temos que considerar que existem duas línguas faladas no País — a culta e a popular. Esta é falada sem nenhuma preocupação com o idioma, enquanto aquela cujo conhecimento é exigido em provas de vestibular e concurso, subordina-se às normas da língua portuguesa falada no Brasil. O verbo entregar possui dois particípios — entregue e entregado. Com os verbos ter e haver, usa-se entregado. Por outro lado, a forma entregue é usada com os verbos ser e estar.

Exemplos:
A moça não havia entregado o bilhete.
João já tinha entregado as passagens.
Uma lista nova é entregue todas as manhãs.
Não se preocupe, a encomenda foi entregue.
A mercadoria está entregue.

A frase acima, depois de corrigida, fica assim:
O chefe reclamou porque a secretária não tinha entregado o relatório.

Pegadinha 29: Ele se acorda às seis horas todos os dias.
Nesta frase o pronome se está tornando a frase incoerente, isto é, o emprego desse pronome é inadequado. Em provas de vestibular e concurso público, esse tipo de ocorrência provoca a chamada incoerência textual ou linguagem inconsequente.

Ninguém acorda a si mesmo! Cada indivíduo, simplesmente, acorda ou, então, é acordado por alguém, algum som alto, um terremoto etc. Agora, decididamente, acordar a si mesmo é proeza que escapa à habilidade humana.

A frase equivocada, depois de corrigida, fica assim:
Ele acorda às seis horas todos os dias.

Pegadinha 30: O governo vai criar novos impostos.
A expressão criar novos é da mesma família de subir pra cima, descer pra baixo, chutar com os pés etc. Já que não é viável criar nada velho, escreva-se, pois, apenas criar, e pronto! A frase inicial, depois de corrigida, fica assim:

O governo vai criar impostos.

(mais…)

Professoras dão cinco dicas de ouro para interpretar textos do Enem

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Felipe Branco Cruz, no UOL

Embora o número de analfabetos no Brasil tenha diminuído nos últimos 15 anos, cerca de 65% daqueles que sabem ler e escrever ainda têm algum tipo de dificuldade, conforme apontou uma pesquisa feita pelo IBGE no ano passado. As professoras de português Beatriz Pacheco, do Centro Universitário de Barra Mansa, e Alexandra Mansur, do Colégio Interativo de Volta Redonda, ambos do Sul Fluminense, conhecem de perto essa realidade.

Para tentar revertê-la, as duas começaram a se reunir semanalmente para montar materiais didáticos de leitura e redação. O resultado desses encontros foi o livro “Leitura: Um Jogo de Estratégias”, lançado neste mês pela editora Folio Digital. “Tínhamos o desejo de tornar o contato do indivíduo com o texto mais significativo, colocando essa escrita ao alcance do leitor e possibilitando, assim, que a ‘entrada’ dele no texto fosse menos traumática”, explica Alexandra.

De acordo com as autoras, o livro foi feito para ajudar estudantes de todas as idades com o foco no Enem (Exame Nacional do Ensino Médico) e contém diversos exercícios guiados com as respostas no final. “[O Enem] é totalmente baseado na inteligência e na construção do conhecimento, principalmente na capacidade de interpretar e contextualizar os problemas do cotidiano. Sendo assim, exige preparo abrangente, que envolve ler de tudo e a maioria dos livros didáticos não trazem um trabalho sistemático com a leitura”, afirma Beatriz.

A pedido do UOL, as professoras elaboraram cinco dicas para ajudar na hora da leitura.
Veja como se dar bem na interpretação de texto

1 Separar fato e opinião
Separe fato de opinião, assim fica mais fácil ler de forma crítica. Se o trecho lido pode ser comprovado, é fato; se pode ser refutado, trata-se de opinião. Há palavras como advérbios, adjetivos, pronomes que são marcas de opinião. É interessante também pensar em opiniões que se opõem à que foi lida para exercitar a capacidade argumentativa.

2 Encontrar pistas textuais
Um texto traz pistas contextuais, por isso, ao ler uma palavra desconhecida, o leitor não deve ir correndo consultar o dicionário. Antes disso, deve tentar descobrir o seu significado, analisando como essa palavra é usada no contexto em que se encontra e que outras palavras da mesma sentença podem ajudar a descobrir o sentido produzido.

3 Extrair a ideia central
Quando o texto é uma notícia, é preciso extrair a ideia central e identificar as secundárias, ou seja, os detalhes que nos ajudam a entender a informação mais importante. Para isso, é fundamental fazer as seguintes perguntas: O quê? Onde? Por quê? Quando? Quem? Que quantidade? Como?

4 Distinguir causa de consequência
Alguns gêneros textuais abordam relações de causa e consequência. Um leitor habilidoso busca reconhecer esses diferentes eventos e separá-los. Para isso, pergunta-se: que evento motiva o outro? A resposta a essa pergunta é a causa, a razão que provoca outro evento. Se o texto não traz as causas de forma explícita, é possível reconhecê-las acionando o conhecimento de mundo.

5 Levantar hipóteses de leitura
Ao ler um trecho qualquer de um texto, informações são dadas ao leitor. Um leitor habilidoso reflete sobre o que leu e formula hipóteses sobre o que acontecerá. Mas atenção, é preciso sempre checar se as hipóteses levantadas são válidas. Para isso, pergunte sempre: ?A expectativa se confirmou?”, pois muito do que prevemos não se confirma.

Saiba o que fazer nos dias da segunda fase da Unicamp 2016

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Veja dicas de alimentação, planejamento e o que fazer na hora da prova

Publicado no Guia do Estudante

A partir deste domingo (17), às 13h, ocorre a segunda fase do vestibular 2016 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Serão três dias de provas, cada um com duração de 4h. As três provas são idênticas para todos os quase 16 mil candidatos: no primeiro dia, prova de redação, português e literatura; no segundo, prova de história, matemática e geografia; no terceiro, prova de química, física e biologia.

Com a proximidade da prova, outras coisas além do estudo viram prioridade, como descanso, alimentação e muito planejamento. Para isso, fique ligado nas dicas que o GUIA preparou para você saber o que fazer antes e durante a maratona de provas!

Na véspera

Mesmo que dê vontade de dar uma última estudadinha, procure evitar pegar nos livros no dia anterior. Faltando tão pouco tempo para a prova, isso só provocaria mais estresse para o dia seguinte. Por isso, o mais recomendável é que você descanse bastante: durma, assista ao seu seriado favorito, vá ao cinema, encontre os amigos.

Quanto à alimentação, você provavelmente já sabe que é muito pouco recomendável que se faça extravagâncias no almoço do dia do vestibular, mas essa dica também deve ser seguida nos dias anteriores a ele. Nem precisamos dizer para você passar longe da feijoada, não é?

Planejamento

Decida já se você vai de carro ou transporte público. Veja bem qual ônibus pegar e programe quanto tempo de antecedência é necessário para sair de casa, levando em conta que você deverá chegar uma hora antes do início da prova (ou seja, às 12h). Lembre-se também de separar a documentação necessária no dia anterior (veja na tabela abaixo).

O que você pode levar
Documento oficial com foto (RG ou equivalente) – obrigatório
Foto 3×4 (apenas no primeiro dia) – obrigatório
Caneta preta em material transparente, lápis preto, borracha, régua transparente e compasso
Relógio analógico
O que você não pode levar
Aparelhos celulares e eletrônicos quaisquer
Relógios digitais
Corretivo, lapiseira, caneta marca texto, bandana, lenço, boné, chapéu

Não esqueça de checar a previsão do tempo e verificar que tipo de roupa deverá vestir para que o clima não o incomode. Na hora de escolher as peças que vai usar, lembre-se de dar prioridade absoluta ao seu conforto. Agora, só resta uma coisa a fazer: dormir! Nada de ir para a balada ou ficar até tarde no computador. Nos dias anteriores, não abra mão das oito horas de sono. Lembre que serão três dias de prova: para aguentar uma maratona dessa, o mínimo que você deve estar é descansado.

Nos dias de prova

No dia do vestibular, evite acordar em cima da hora para não ter que sair correndo. Procure levantar mais cedo, tomar um café da manhã equilibrado e planejar bem o que vai comer no almoço (já dissemos, nada de comida pesada). Separe também o lanche e a bebida que vai levar para a prova: leve aquilo que mata a sua fome e que te deixa confortável, procurando evitar, novamente, comidas muito gordurosas.

Chegue cedo. Você pode achar que conhece bem o caminho até o local de prova, ou que é perto da sua casa e basta sair meia hora antes do fechamento dos portões. Mas não se engane: você nunca sabe que tipo de imprevisto pode acontecer. Se você chegar mais cedo, não vai acontecer nada, apenas terá que esperar um pouco mais. Mas, se você atrasar, pode encontrar os portões fechados e perder a prova. Não arrisque!

Na prova

Reserve dois momentos de cinco a dez minutos para comer, se esticar e ir ao banheiro. Pode ser que você fique desesperado com essa sugestão, afinal, são minutos a menos de prova! No entanto, as pausas são muito necessárias para que você retome o foco e a atenção que vão caindo ao longo do exame. Se você levanta um pouco e come alguma coisa, é como se estivesse entrando novamente para fazer a prova, impedindo o sono de vir.

Agora, respire fundo. Você se preparou bastante durante o ano e o sucesso é apenas a consequência disso. Estaremos torcendo! Boa sorte!

Próximas datas Unicamp
Provas de habilidades específicas 25 a 28/1
Divulgação da primeira chamada 12/2
Matrícula da primeira chamada 13 e 14/2
Divulgação da segunda chamada 16/2
Matrícula da segunda chamada 18/2

Consultoria: Professor Alexandre Linares, do Cursinho Henfil; Professores Célio Tasinafo e Wander Azanha, do Oficina do Estudante.

Fuvest 2016: ‘Paro de estudar só para ver os fogos’, diz aprovada na 1ª fase

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Estudantes mudam planos no fim de ano para se dedicarem ao vestibular.
Provas da segunda etapa acontecerão nos dias 10, 11 e 12 de janeiro.

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Publicado em G1

Os estudantes que foram aprovados para a segunda fase da Fuvest mudaram os planos para o fim de ano. Como foco, não pensam em festejar natal ou ano novo: querem mesmo é comemorar a aprovação para a Universidade de São Paulo no dia 2 de fevereiro, quando a primeira chamada será divulgada.

A lista de convocados para a segunda fase foi publicada na sexta (18). Dos 142.724 inscritos, foram classificados 25.967 candidatos. Do total, 2.192 são treineiros.

Jhesika Pena, de 19 anos, busca uma vaga no curso de geologia. Ela foi convidada para viajar ao Guarujá, no litoral de São Paulo, e aproveitar as férias com uma amiga. Mas preferiu recusar – sua prioridade são os estudos. “Sempre abdiquei da diversão. É só um momento. Prefiro perder o lazer, mas saber que me dediquei ao máximo. É melhor do que, depois, me arrepender de não ter estudado o suficiente”, diz.

Ela garante que no dia 31 de dezembro vai continuar se preparando para a Fuvest. “Só vou parar para ver os fogos por uns cinco minutos. Depois retomo”, conta. “Não posso perder essa chance. Só vou descansar na véspera da segunda fase.”

Candidata a uma vaga em engenharia civil, Thais Perpetuo, de 19 anos, também disse “não” ao namorado, Philip di Simone, quando ele propôs uma viagem. O casal iria a Belo Horizonte, no ano novo, para visitar os parentes. “Decidimos que é melhor ficar aqui em São Paulo para eu me concentrar melhor. Vou ficar estudando, mas paro só nos dias 24, 25 e 31. Já me matei muito, preciso descansar um pouco pelo menos nesses dias”, conta a jovem.

Ela enfrenta uma maratona de vestibulares – além da USP, tenta ser aprovada também na Unicamp, na Unesp e, como última opção, na faculdade privada Mackenzie. Mesmo deixando de lado momentos de lazer, ela conta com o apoio de Philip para estudar. Ele cursa engenharia mecânica na Unicamp. “Ele tem facilidade com exatas, então me ajuda muito”, afirma.

“Saí da escola pública e levei um choque no cursinho”
A mudança nos planos de fim de ano também foi a opção de Denise Ribeiro, de 20 anos. Ela focou no preparo ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para tentar uma vaga na Ufscar. E se surpreendeu quando viu seu nome na lista de aprovados para a segunda fase da Fuvest.

Desde sexta (18), quando o resultado foi publicado, ela intensificou os estudos.
“Não vou viajar, já sabia que precisaria abrir mão disso. Não estou ligando muito para as datas comemorativas. Tenho pouco tempo para estudar e preciso aproveitar esses dias”, conta.

Denise deseja seguir a área de ciências sociais para trabalhar com projetos de educação. Ela recebe o bônus na nota da Fuvest por ser negra e ter estudado durante o ensino médio inteiro em escolas públicas. Aos 16 anos, começou a trabalhar como instrutora de inglês em uma escola de idiomas – e, com o salário, conseguiu pagar as mensalidades de um cursinho particular.

Ela investiu o dinheiro que ganha no trabalho para comprar livros e um notebook, usado para pesquisa. No dia 31, pelo menos durante o período da manhã, seguirá estudando. Seus pais a apoiam, mas acham que ela deveria descansar mais. “Eles cursaram só até o ensino fundamental, não têm noção de como é difícil passar na faculdade. Eu explico que preciso me esforçar muito para conseguir”, conta.

A jovem percebeu que poderia atuar profissionalmente para diminuir a desigualdade na qualidade de ensino. “Eu saí da escola pública e levei um choque no cursinho, que é mais de elite. Percebi que, realmente, as cotas são necessárias. Estamos em desvantagem, somos marginalizados, querendo ou não. Muitos que estão na USP são brancos e teriam condições de pagar uma faculdade particular. Eu não teria”, conta Denise.

Provas do primeiro dia foram mais exigentes que anteriores

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Questões do exame cobraram muito conteúdo dos estudantes, avaliam professores

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Publicado em O Globo

Igualdade de gênero, crise hídrica, questão ambiental e até mesmo a “obsessão das selfies” são temas atuais e presentes na realidade dos brasileiros, que como o esperado marcaram presença na edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mas, as questões a que foram submetidos os candidatos que fizeram as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza no primeiro dia do exame, ontem, para a surpresa de professores e alunos não ficou restrita aos assuntos cotidianos, ao contrário, abordaram temas específicos. Na opinião de professores do curso online QG do Enem e da rede de ensino Eleva Educação que corrigiram as provas deste sábado a pedido do GLOBO, o Enem deste ano pode ter sido um dos mais exigentes dos últimos anos.

— Caíram conteúdos que nunca haviam aparecido em edições anteriores, com questões mais difíceis e mais elaboradas que nos anos anteriores. Ao menos em Ciências da Natureza, essa foi a prova mais difícil dos últimos anos. Houve uma questão sobre interferência de ondas que nunca foi cobrada no Enem e não costuma aparecer em outros vestibulares do Rio— afirmou o professor de física, Fábio Oliveira— É um conteúdo super específico, que geralmente não é nem ensinado profundamente nos colégios. Essa questão deve ter feito muitos alunos não saberem o que fazer. É um conteúdo que mesmo o bom aluno não deve ter estudado.

Bastante comentada pelos estudantes, a prova de Química também apresentou surpresas na edição deste ano. De acordo com o professor de Química, Leonardo Fillipe, apesar da prova manter a contextualização com a realidade vivenciada pelos candidatos, ela se tornou mais complexa:

— Apareceram questões sobre reações orgânicas, algo que raramente é cobrado. Houve muitas questões sobre isso. Além disso, a química verde, que é algo que nunca havia sido cobrado, apareceu O Aluno deveria ter uma noção de como cada vez gerar menos poluentes nas reações. Não sei se é audacioso dizer, mas talvez essa tenha sido a prova mais conteudista dos últimos tempos, mudou bastante a cara. Não perderam a contextualização, mas estão focando em diversos nichos.

Em biologia, o professor Pedro Sultano também apontou temáticas novas como perguntas sobre o sistema excretor e funções básicas de organelas celulares.

— Com o passar dos anos, a prova vem melhorando em termos de conteúdo e aprofundamento da matéria. A prova vem assumindo uma nova cara— avaliou.

A parte de Ciências Humanas foi bastante elogiada pelos professores, que classificaram o Enem como uma prova “extremamente bem feita”. Segundo o professor de História, Marcelo Tavares, a prova trabalhou assuntos importantes, que estão na “crista da onda”, de maneira complexa.

— Em alguns pontos foi mais difícil que no ano passado, mas uma prova de muita qualidade. A questão com texto de Simone de Beauvoir leva em consideração manifestações da década de 60 em favor da igualdade de gênero, que levanta um ponto super atual: a luta em favor não só da liberdade sexual, mas principalmente da igualdade de gênero— analisou.

Outro ponto inusitado, foi o fato da Geografia física ter sido mais explorada que a Geografia política. O professor Thiago Fernandes chamou atenção também para o fato de questões de perguntas sobre geopolítica internacional não terem aparecido.

— Houve uma cobrança muito forte de geografia física, algumas questões com nível de cobrança de terminologia bem alto. Especialmente de temas como erosão e conservação do solo— comentou.

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