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Clássicos da literatura viram audiolivros para deficientes visuais

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Publicado na Folha de S. Paulo

“Ler é sonhar pela mão de outro”, declamou Fernando Pessoa em seu “Livro do Desassossego”. Com o objetivo de transformar esse sonho em realidade e ampliar a facilidade de acesso à informação, a Universidade de São Paulo criou seis audiolivros em formato Daisy (Digital Accessible Information System) para auxiliar estudantes com deficiência visual em sua preparação para o vestibular.

O projeto é uma parceria entre o Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP, o Programa USP Legal, a Editora Martin Claret e a Empresa eDaisy, desenvolvedora do software que possibilita a migração de conteúdos para o formato Daisy, padrão internacional de acessibilidade. A proposta faz parte do Programa de Acessibilidade mantido pelo Sibi, com apoio da reitoria.

“Nosso programa consiste em migrar conteúdos produzidos pela própria comunidade uspiana e dos quais tenhamos os direitos autorais”, explica Sueli Mara Ferreira, diretora técnica do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP.

Os candidatos com necessidades especiais são classificados em cinco grandes grupos, que exigem procedimentos distintos por parte da Fuvest: deficientes visuais, auditivos, físicos, disléxicos e outros tipos.

Neste ano, a Fuvest recebeu um total de 72 inscritos com deficiência visual. Os candidatos solicitam provas em Braille ou ampliadas dos tipos I e II. As provas correspondentes são preparadas por uma equipe com experiência nessa tarefa.

A lista de obras para o vestibular contém nove títulos. Os livros editados pelo projeto foram “Til”(José de Alencar), “Memórias de um sargento de milícias” (Manuel Antônio de Almeida), “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis), “O cortiço” (Aluísio Azevedo), “Viagens da minha terra” (Almeida Garret) e “A cidade e as serras” (Eça de Queirós), todos em domínio público.

Apesar de todos os volumes migrados serem de domínio público, as versões utilizadas pelo projeto são de propriedade da Editora Martin Claret, “que também está preocupada com a questão da inclusão social e cedeu seus direitos gratuitamente”, esclarece Sueli.

“Dentre os conteúdos que busca tornar acessível, o Sibi entendeu como sendo de grande relevância e extensão social a inclusão dos livros exigidos pela Fuvest”, explica a diretora.
Os títulos serão disponibilizados tanto on-line, no site do projeto, quanto em suporte físico, reproduzido pelos grupos parceiros no projeto.

(mais…)

Fundação Casa tem 488 adolescentes inscritos para fazer a prova do Enem

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Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)Jovens da unidade Novo Tempo, em Franco da Rocha, têm aulas para o Enem (Foto: Raul Zito/G1)

Exame será aplicado em 4 e 5 de dezembro nas unidades prisionais.
Internos buscam certificação do ensino médio e vaga na faculdade.

Vanessa Fajardo, no G1

Um grupo de 488 adolescentes que cumpre medidas socioeducativas em 93 unidades da Fundação Casa, em São Paulo, está inscrito para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 4 e 5 de dezembro. É o maior número dos últimos três anos. No ano passado, 105 jovens fizeram as provas.

O aumento, segundo a gerente escolar Neuza Flores, se deve ao fato de que nesta edição muitos internos farão as provas para conseguir a certificação do ensino médio, além dos que vão disputar vaga em universidades ou usar o exame para solicitar bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni). O Enem será aplicado por equipes do Ministério da Educação nos próprios centros de medidas socioeducativas e nas unidades prisionais.

As unidades da Fundação Casa abrigam atualmente cerca de 6.300 jovens infratores. A maioria tem entre 16 e 17 anos, e apesar de já ter idade suficiente para cursar o ensino médio, está entre o 6º e o 9º ano do ensino fundamental. Os jovens chegam às unidades com defasagem no ensino muitas vezes porque abandonaram a escola e retomam os estudos durante a internação, já que a atividade é obrigatória. Grande parte é alfabetizada neste período.

VEJA HISTÓRIAS DE INTERNOS DA FUNDAÇÃO CASA DE FRANCO DA ROCHA QUE VÃO FAZER O ENEM
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1) (Fotos: Raul Zito/G1)

 

‘Quero ser engenheiro de petróleo’
“Tenho 17 anos e estou na Fundação há quatro meses. Perdi meus pais em um acidente de carro, minha irmã é minha responsável. Quero estudar engenharia de petróleo porque algumas pessoas da minha família trabalham nesta área. Vou fazer o Enem para conseguir uma bolsa de estudos e provar que eu não sou o que todo mundo pensa. Posso mudar minha vida se tiver força de vontade, e eu tenho muita.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

‘Enquanto não saio, eu estudo’
“Quero estudar enfermagem porque é uma profissão gratificante, que só faz o bem. Tenho 19 anos, estou na Fundação há mais de um ano. Entrei aqui por um erro do qual me arrependo. Devo sair logo, mas não penso nisso, porque se eu juntar a ansiedade de sair mais a de fazer o Enem, não consigo fazer nada. Enquanto não saio, me dedico aos estudos. Só o aprendizado pode abrir novos caminhos. Já perdemos bastante, aqui é um caminho, uma chance de mudarmos nosso futuro.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

 

‘Vou ser o 1º a entrar na faculdade’
“Sou criativo, me dou bem com comunicação, leio bastante e por isso quero estudar publicidade. Vou fazer o Enem, mas minha maior dificuldade é com matemática. Tenho vontade de vencer e não vou perder as oportunidades. Tenho 18 anos, estou aqui desde março. Se eu me arrisquei por uma coisa ruim, tenho de arriscar para conseguir algo bom. Meu pai é vigilante, minha mãe é doméstica, eles não tiveram sucesso profissional, por isso eu quero ter. Vou ser a primeira pessoa da minha família a entrar na faculdade.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

‘Só a educação vai mudar minha vida’
“Tenho de conhecer o lado bom da vida para ser alguém, quero entrar na faculdade. Tenho 17 anos e estou na Fundação desde abril. Abandonei a escola no 2º ano por falta de interesse, aí fui ver o outro lado que me trouxe até aqui. Cometi um erro, mas foi passado. Tenho medo de frustrar minha mãe novamente. Só a educação vai ajudar a mudar minha vida e conquistar meus planos.”**Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Casa, este garoto foi desinternado nesta quarta-feira (28), após decisão judicial. Ele terá de retornar à unidade para fazer o Enem.
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

‘Quero me tornar promotor ou juiz’
“Gosto muito de ler, tinha o hábito quando estava lá fora, mas perdi. Me envolvi com o crime e perdi o interesse. Gosto de escrever, de contar histórias. Tenho 18 anos, quero estudar direito e, quem sabe, me tornar um promotor ou juiz. Estou na Fundação desde abril, me arrependo do que fiz porque desiludi a mim e a minha família. Acredito na educação para mudar minha vida.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

‘Quero fazer arquitetura ou mecânica’
“Antes de entrar aqui não prestava atenção nas aulas. Agora tenho mais tempo para me focar. Tenho 18 anos e vou fazer o Enem para entrar na faculdade, esta é a meta. Ainda não sei se quero estudar arquitetura ou mecânica. Estou na Fundação há seis meses, cometi um erro, e estou arrependido.”
CORTADA Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

‘Escolhi radiologia para ajudar pessoas’
“Corria risco lá fora, agora procuro fazer o bem, aproveitar as oportunidades. Escolhi estudar radiologia porque é um meio de ajudar as pessoas. Tenho 18 anos, quero ser alguém no futuro e mudar a visão que a sociedade tem de mim. Consigo prestar mais atenção nas aulas aqui dentro do que quando estava lá fora. Tem menos gente na sala e os professores acreditam na nossa capacidade.”
Educação Fisica Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

 

‘Quero fazer minha mãe feliz’
“Fiquei dois anos fora da escola, não gostava de ir, ou ia e não estudava. Não estava pensando no meu futuro. Minha mãe é empregada, meu pai é pedreiro, tenho três irmãos mais novos e preciso de um emprego para ajudar minha família. Quero fazer minha mãe feliz. Tenho 18 anos, entrei na Fundação em março. Quero fazer educação física, gosto de esporte, jogo basquete e futebol. Estou estudando bastante, mas ainda tenho dificuldade com o vocabulário, não são todas as palavras que entendo.”

Homem de 73 anos tenta Enem pela terceira vez no Ceará

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Wilson Aguiar tenta Enem pela terceira vez

Luana Andrade, no G1

Um senhor de 73 anos vai participar do processo seletivo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste sábado (3) e domingo (4) no Ceará. O professor de mecânica automotiva Wilson Aguiar pretende voltar a estudar para aumentar o salário e se dedicar melhor às aulas que ensina em uma escola de Fortaleza. “Fui convidado para ser professor em uma escola pública e quero estudar para ser melhor nisso. Ganho pouco como um professor que não é formado, precisa ter o anel para ganhar bem, por isso vou fazer o Enem para pedagogia”, conta o senhor de 73 anos.

Na terceira vez fazendo o Enem, seu Wilson disse que participava das provas nos anos anteriores para testar seu conhecimento. Sem se recordar do desempenho, a participação no exame servia como um “medidor de conhecimento”, segundo o professor. “Queria saber se eu estava por dentro dos assunto e se minha carga de conhecimento era boa. Eu fiz a prova despreocupado, mas não me lembro do meu desempenho”, conta, rindo.

Mesmo com experiência no Enem e em vestibulares, o professor não esconde a preocupação com a prova. “Eu não vou mentir. Estou preocupado sim com essa prova. O vestibular não é mais o mesmo da época em que eu fiz. Eu acho que para mim vai ser difícil, mas eu confio no meu conhecimento que adquiri esses anos todos”, arrisca

Wilson Aguiar participou com 400 alunos de um aulão do Enem nesta sexta-feira (2) da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Estudando somente em casa, o professor acredita que o aulão serve para acalmar mais os estudantes. “Esse aulão é bom para a gente se acalmar e ganhar confiança para a prova”, acredita o senhor de 73 anos.

Fátima Rodrigues, 40 anos, faz enem pela primeira vez no Ceará (Foto: Luana Andrade/G1)Fátima Rodrigues, 40 anos, faz enem pela primeira vez no Ceará

Em meio a tanto estudantes jovens, algumas pessoas que passaram da fase de estudos se arriscavam a encarar novamente essa fase. Após 18 anos sem estudar, a autônoma Fátima Rodrigues, de 40 anos, vai fazer a prova do Enem pela primeira vez e sonha em passar em agronomia e trabalhar na área na sua cidade natal em Irauçuba, a 151 km de Fortaleza.

Há dois anos estudando em casa, Fátima se prepara para ser agrônoma e futuramente prestar concurso público para trabalhar em Irauçuba, no interior do Ceará. “Na região está faltando agrônomo e eu queria passar em um concurso público para trabalhar na minha cidade”, conta . O preparo para o exame foi dentro de casa com livros, apostilas e muita dedicação aos estudos. “São dois anos estudando muito em casa. O aulão é só para refrescar minha memória”, confessa Fátima. Passar no Enem para a trabalhadora autônoma seria a realização de um sonho. “Trabalhar com o que eu gosto e na minha cidade seria um sonho”.

Fotos: Luana Andrade/G1

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