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Posts tagged Psiquiatra

Morre aos 74 anos o psiquiatra Içami Tiba

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icami-tiba-psiquiatra-educador-e-colunista-do-uol-educacao-1327017771368_300x300Publicado em UOL

Içami Tiba, 74, psiquiatra, educador e escritor especializado em psicoterapia familiar, morreu neste domingo (2) em São Paulo, capital. Ele estava internado no hospital Síro-Libanês para tratamento de câncer. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em 15 de março de 1941 em Tapiraí (SP), Tiba era filho de imigrantes japoneses. Ele formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo em 1968, onde depois seria professor por mais de 22 anos, sendo 15 deles como docente de Psicodrama de Adolescentes no Instituto Sedes Sapientiae. Em sua clínica particular, na psicoterapia para adolescentes, realizou mais de 77 mil atendimentos.

Autor de 29 livros com mais de 4 milhões de exemplares vendidos, Tiba era referência para muitos pais e educadores e se dedicava também a palestras, tendo participado de 3.400 eventos. Entre as publicações mais famosas estão “Quem Ama, Educa!”, “Adolescentes: Quem Ama Educa!” e “Homem Cobra Mulher Polvo”.

Foi colunista em diversas publicações, entre elas o UOL, Jornal da Tarde, Revista Viva Mais, além de ter um programa semanal na Rede Vida.

O educador deixa a esposa Maria Natércia, os filhos Natércia, André e Luciana e os netos Kaká e Dudu. O corpo será enterrado na segunda-feira (3) às 16h no cemitério do Morumbi, em São Paulo (SP). (Com Estadão Conteúdo)

Claudio Naranjo: “A educação atual produz zumbis”

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O psiquiatra chileno diz que investir numa didática afetiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos e formar seres autônomos e saudáveis

Flavia Yuri Oshima, na Época

O psiquiatra chileno Claudio Naranjo tem um currículo invejável. Formou-se em medicina na Universidade do Chile, especializou-se em psiquiatria em Harvard e virou pesquisador e professor da Universidade de Berkeley, ambas nos EUA. Desenvolveu teorias importantes sobre tipos de personalidade e comportamentos sociais. Trabalhou ao lado de renomados pesquisadores, como os americanos David McClelland e Frank Barron. Publicou 19 títulos. Sua trajetória pode ser classificada como irrepreensível pelo mais ortodoxo dos avaliadores. Ele é, inclusive, um dos indicados ao Nobel da Paz deste ano. É comum, no entanto, que Naranjo seja chamado, em tom pejorativo, de esotérico e bicho grilo. Há mais de três décadas, ele e a fundação que leva seu nome pregam que os educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores. Ele defende que essa é a forma mais eficaz de ajudar todos os alunos – não só os melhores – a efetivamente aprender “e assim mudar o mundo”, como ele diz. Claudio Naranjo esteve no Brasil para participar do evento sobre educação básica Encontro de Educadores.

ÉPOCA – O senhor é psiquiatra e desenvolveu teorias importantes em estudos de personalidade. Hoje trabalha exclusivamente com educação. Por que resolveu se dedicar a esse tema?

Claudio Naranjo – Meu interesse se voltou para a educação porque me interesso pelo estado do mundo. Se queremos mudar o mundo, temos de investir em educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens.

ÉPOCA – Quais os problemas do modelo educacional atual na opinião do senhor?
Naranjo – Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.

A DIDÁTICA DO AFETO O psiquiatra Claudio Naranjo. A educação é a única forma de mudar o mundo (Foto: Divulgação)

A DIDÁTICA DO AFETO
O psiquiatra Claudio Naranjo. A educação é a única forma de mudar o mundo (Foto: Divulgação)

ÉPOCA – Como é possível mudar esse modelo?
Naranjo – Podemos conceber uma educação para a consciência, para o desenvolvimento da mente. Na fundação, criamos um método para a formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisas. O objetivo é preparar os professores para que eles se aproximem dos alunos de forma mais afetiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando suas características pessoais. Comprovamos por meio de pesquisas que esse é o caminho para formar pessoas mais benévolas, solidárias e compassivas. Hoje a educação é despótica e repressiva. É como se educar fosse dizer faça isso e faça aquilo. O treinamento que criamos está entre os programas reconhecidos pelo Fórum Mundial da Educação, do qual faço parte. Já estive com ministros da Educação de dezenas de países para divulgar a importância dessa abordagem.

ÉPOCA – E qual foi a recepção?
Naranjo – A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação me recebem muito bem. Eles concordam com meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades. Estou mais esperançoso com o novo ministro da Educação de vocês (Renato Janine Ribeiro). Ele me convidou para jantar, para falarmos sobre minhas ideias. É a primeira vez que a iniciativa parte do lado do governo. Ele é um filósofo, pode fazer alguma diferença.

ÉPOCA – Para quem decidiu ser professor, não seria natural sentir amor, compaixão e vontade de cuidar do aluno?
Naranjo – Uma vez dei uma aula a um grupo de estudantes de pedagogia na Universidade de Brasília. Fiquei muito decepcionado com a falta de interesse. Vendo minha expressão, o coordenador me disse: “Compreenda que eles não escolheram ser educadores. Alguns prefeririam ser motorista de táxi, mas decidiram educar porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque (mais…)

Especialistas tentam explicar sucesso de “50 Tons” em congresso de neurociência

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50-tons-de-cinza

Publicado no UOL

Qual a justificativa para o sucesso dos livros “50 Tons de Cinza”? A trilogia (que vai até virar filme) atraiu tanta gente por que sugere práticas sexuais que podem apimentar relações, ou por que reflete uma tendência que ganhou espaço na população? O tema, picante, foi discutido por neurocientistas no 9º Congresso Brasileiro de Cérebro Comportamento e Emoções, que termina neste sábado (29), em São Paulo.

Para a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex – Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, o fenômeno pode contribuir, sim, para tornar um comportamento que antes considerado alternativo como algo convencional, mas isso só deve acontecer se o sucesso de “50 Tons” sair das páginas e chegar, por exemplo, às novelas.

Ela ressalta que, não por acaso, a última versão do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sigla em inglês) amenizou a descrição do sadomasoquismo e deixa claro que nem toda prática sexual “diferente” representa um problema que deva ser tratado.

Diferentemente das edições anteriores da  “bíblia” da psiquiatria, a quinta edição do DSM aponta critérios específicos para que o prazer em causar ou sentir dor seja classificado como transtorno. Em resumo, um sadomasoquista só deve buscar tratamento se essa preferência sexual estiver causando algum prejuízo para sua vida ou para a de terceiros. Em outras palavras, se a prática for consensual e segura, como pregam os praticantes, não há por que ser considerada doentia.

“Mas isso é diferente da pessoa que é prisioneira dessa situação”, comenta Abdo. Quem só consegue obter algum tipo de prazer por meio da dor provavelmente foi vítima de abuso ou presenciou formas de violência na infância – pelo menos essa é a hipótese mais aceita por especialistas.

O geneticista Renato Zamora Flores, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, outro palestrante do congresso, afirma que essa associação foi confirmada em muitos estudos. Mas ele  também chama atenção para o fato de que dor e prazer estão juntas em algumas áreas do cérebro. “A dor controlada pode servir para ‘acordar’ o cérebro porque estimula o sistema límbico”, explica. Ele, contudo, acredita que o sadomasoquismo de “50 Tons” não passa de um modismo.

Vale lembrar que, em 1952, o DSM classificou oficialmente a homossexualidade como transtorno mental. Após críticas durante a década seguinte, a orientação sexual deixou de ser considerada doença, contanto que o indivíduo não tivesse conflitos em relação a isso – o que foi chamado de “homossexualidade egodistônica”. Só em 1987 é que a homossexualidade saiu da “bíblia” dos psiquiatras. E, em 1990, deixou de ser considerada doença para a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Esquizofrênico registra em livro a experiência de enlouquecer

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Cláudia Collucci, na Folha de S.Paulo

Ex-aluno de física e de filosofia da USP, Jorge Cândido de Assis carrega no corpo das marcas da esquizofrenia. Aos 21, durante uma crise, ele se jogou contra um trem do metrô e perdeu uma perna.

Hoje, aos 49 anos, cinco crises psicóticas, ele dá aulas sobre estigma em um curso de psiquiatria e acaba de lançar um livro no qual descreve a experiência de enlouquecer. “Entre a Razão e a Ilusão” (Artmed Editora) foi escrito em parceria com o psiquiatra Rodrigo Bressan e com a terapeuta Cecilia Cruz Villares, da Unifesp.

Leia o depoimento dele.

*

“Tive uma infância tranquila, jogando bola na rua. Aos 14 anos, entrei na escola técnica e já sabia trabalhar com eletricidade. Adorava física.

Em 1982, prestei vestibular para física na USP e não passei. Em 1983, fiz cursinho, prestei de novo e não passei.

Consegui uma bolsa no cursinho, passei perto e não entrei de novo. Foi um ano depressivo para mim. Eram os primeiros sinais da esquizofrenia, mas eu não sabia.

Eu me isolei, tinha delírios. O desfecho foi trágico. Numa manhã de domingo, entrei na estação do metrô Liberdade. Escutei uma voz: “Por que você não se mata?”. Me joguei na frente do trem.

Acordei três dias depois no hospital sem a minha perna direita. Tinha 21 anos.

Foi bem sofrido, mas coloquei toda minha energia e determinação na reabilitação. Quatro meses depois, já estava com a prótese.

Sozinho, voltei a estudar para o vestibular e passei em física e fisioterapia na Universidade Federal de São Carlos. Meu sonho era desenvolver uma prótese melhor e mais barata do que as versões que existiam naquela época.

Jorge Cândido de Assis, 49, no departamento de psiquiatria da Unifesp, em São Paulo / Danilo Verpa/Folhapress

Jorge Cândido de Assis, 49, no departamento de psiquiatria da Unifesp, em São Paulo / Danilo Verpa/Folhapress

Um dia, em 1987, cheguei em casa e ela havia sido arrombada. Tive que ir até a delegacia dar queixa e reconhecer os objetos furtados.
Isso desencadeou a segunda crise psicótica. Tinha delírios de grandeza, alucinação, mania de perseguição.

Fui internado em Itapira durante um mês. Saí de lá com diagnóstico de esquizofrenia, medicado mas sem encaminhamento. Um dos remédios causava enrijecimento da musculatura e eu não conseguia escrever. Então parei de tomar a medicação e comecei a fazer tratamento em centro espírita.

Voltei a estudar em São Carlos. Depois da crise, perdi muitos amigos por puro estigma. Comecei a trabalhar, paralelamente aos estudos, mas ficou pesado demais. Preferi desistir do curso.

Em 1993, prestei vestibular na USP e passei. Foi mágico, a realização de um sonho. Continuei trabalhando, mas cheguei num ponto de saturação e desisti do curso.

Minha vida foi perdendo o sentido, vivia por viver. Me sentia vazio de emoções.

Nesse período, fazia parte de um grupo de pesquisa na USP. Mas, por uma série de divergências, o grupo se desfez. Ao mesmo tempo, meu namoro acabou. Esses dois fatores desencadearam minha terceira crise.

Foi uma crise também com delírios, alucinações, isolamento. Fiquei um mês internado. Foi aí que comecei a me tratar de esquizofrenia de fato. Além das medicações, fazia psicoterapia, terapia ocupacional e prestei vestibular para filosofia na USP. Passei. Sentia-me tão bem que disse: “Superei a esquizofrenia. Vou parar com os remédios”.

Minha mãe morreu em 2002 e, em seguida, tive a minha quarta crise, que também foi controlada com remédios. É como começar do zero.

Entre 2003 e 2007, participei de um grupo de pacientes com esquizofrenia em que discutíamos a doença, as vivências, as formas de comunicação. Em 2005, o [psiquiatra] Rodrigo Bressan me convidou para participar das aulas dele contando a minha experiência pessoal, sobre o estigma. Em 2007, surgiu o projeto do livro sobre direitos de pacientes com esquizofrenia.

Foi um processo de criação intenso durante 18 meses. Em 2008, o Rodrigo me convidou para deixar de ser paciente e entrar para a equipe dele. Foi uma grande oportunidade.

No início do ano passado, fui palestrar em Londres sobre o nosso trabalho. Quando estava voltando, fizemos uma escala em Madri.

Sentia muita dor na perna e pedi uma cadeira de rodas. Esperei e nada.

Tirei a perna mecânica, coloquei na bolsa e fui pulando até a sala de embarque. Todo esse estresse me levou à quinta crise. Ela foi rapidamente controlada, mas é um processo difícil retomar a rotina anterior, ressignificar as coisas para que a vida faça sentido.

Depois das crises, tenho que renascer das cinzas. Muitas pessoas desistem. Precisa de uma grande dose de esforço para reconstruir a vida.

A medicação ajuda, mas não é garantia. Consigo lidar com as demandas da vida, mas nunca sei se o que sinto é ou não da doença.

Não ouço mais vozes, mas tenho autorreferência. Penso que tudo ao meu redor tem a ver comigo. Se ouço um barulhinho lá fora, acho que pode ter câmera escondida.

Se as pessoas estão conversando no corredor, acho que estão falando sobre mim.

O delírio é inquestionável, você acredita nele. Mas tenho clareza do que é autorreferência, deixo para lá.

Tenho que saber os meus limites. O referencial para a gente é o mundo exterior, a relação das pessoas.

Muitas vezes, o início das crises não é percebido. Por isso é importante dividir com o médico, com a família.

O estigma também é muito prejudicial. Ser apontado como o louco ou ser desacreditado só piora. A esquizofrenia é uma doença crônica, que afeta as emoções, os relacionamentos, as vontades.

Tenho sorte de ter uma família unida, que me apoia. Isso dá sentido à minha vida.

Olho para trás e confesso que me sinto frustrado por ter começado duas vezes física, em duas das melhores universidades, e não ter concluído.

Mas fico feliz com o trabalho de poder ajudar outras pessoas com a minha história. As pessoas sofrem no Brasil pela falta de locais para a troca de informações.

Minha meta agora é construir uma rede de associações de apoio a pacientes com esquizofrenia.

Eu não sou só a doença, e a doença não me define.

Tenho que lidar com a esquizofrenia, mas ela não é a parte mais fundamental da minha vida.”

Psiquiatra autora de best-sellers é acusada de plágio

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Laura Capriglione, na Ilustrada

Supercampeã de vendas de livros, uma espécie de diva da autoajuda psiquiátrica, a médica Ana Beatriz Barbosa Silva é autora de obras que caíram no gosto da classe média, como “Corações Descontrolados” e “Mentes Ansiosas”, ambos editados pelo selo Fontanar, do grupo editorial Objetiva.

Outro lado: Advogado da autora diz que é coincidência

Avaliações do mercado livreiro dão conta de que essas obras venderam, respectivamente, 50 mil e 200 mil exemplares. Pois dois psiquiatras acusam as obras de Ana Beatriz de serem “plágios estarrecedores”.

O advogado Sydney Limeira Sanches, que representa a parte acusada, rebate: “Não reconhecemos nenhuma violação de direitos autorais”.

O próximo passo dessa guerra será dado na semana que vem, quando a médica psiquiatra Ana Carolina Barcelos Cavalcante Vieira promete entrar na Justiça com ação de indenização por danos morais e materiais contra Ana Beatriz e a Objetiva.

A psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva durante entrevista no "Programa do Jô"

A psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva durante entrevista no “Programa do Jô”

Mais fotos aqui.

Ana Carolina diz que, lendo o livro “Corações Descontrolados”, constatou, “estupefata”, que um capítulo que havia escrito a pedido da própria Ana Beatriz fora editado “sem qualquer crédito”.

Ela também acusa Ana Beatriz de ter reproduzido, em “várias e várias passagens”, trechos de outros textos de sua autoria, inclusive um que escreveu e publicou no site da clínica Medicina do Comportamento (www.medicinadocomportamento.com.br ). A clínica pertence a Ana Beatriz e nela Ana Carolina trabalhou como pesquisadora.

Avisados da queixa de Ana Carolina em novembro de 2012, Ana Beatriz e a Objetiva tomaram providências rápidas: substituíram os trechos contestados e providenciaram uma segunda tiragem de “Corações Descontrolados”. Saiu no mês passado.

Segundo o advogado José de Araújo Novaes Neto, que representa os dois acusadores de Ana Beatriz, a tentativa de “emendar” o livro não reparou o problema: “Eles não fizeram uma errata, não notificaram os leitores. Para piorar, os textos de substituição são simples camuflagens para mascarar ainda mais o evidente plágio cometido”.

“LIVRO IGUAL”

A acusação de Ana Carolina soma-se à do médico Tito Paes de Barros Neto, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, autor do livro “Sem Medo de Ter Medo” (Casa do Psicólogo, 2000). Segundo Barros Neto, no início de 2012, uma amiga procurou-o para dizer que tinha lido um livro “igual” ao dele.

O pesquisador começou sua busca pela obra “igual” até que topou com “Mentes Ansiosas”, de Ana Beatriz (2011). “Tomei um susto. O plágio era muito cara de pau. Ela fez simplesmente um ‘copy-paste’ [copia e cola].”

Em outubro passado, o juiz Fernando Bonfietti Izidoro, depois de analisar o livro de Barros Neto e de confrontá-lo com o de Ana Beatriz (“Mentes Ansiosas”), decidiu liminarmente suspender a comercialização deste último.

Assim o juiz explicou o porquê: “A análise das duas obras revela semelhanças notórias, sendo que ambas apresentam diversos excertos longos com praticamente o mesmo conteúdo, simplesmente com alterações no estilo da escrita”. “Mentes Ansiosas” foi retirado do mercado.

A propositura da ação do médico Barros Neto contra a psiquiatra Ana Beatriz e a editora Objetiva inclui 53 páginas de reproduções de textos, a título de provar o plágio. Ainda não foi julgado o mérito.

CAMINHO DAS ÍNDIAS

A psiquiatra surge com frequência na imprensa (já deu entrevistas inclusive à Folha) e na televisão. Chegou a aparecer, falando de bullying, em um capítulo da novela “Caminho das Índias”, da amiga Gloria Perez, em 2009. Nesse folhetim, ela também atuou como consultora, tendo ajudado a construir uma personagem psicopata (Yvone).

“Autora com mais de 1 milhão de livros vendidos”, conforme afirma em seu site, a psiquiatra foi ao “Programa do Jô” (Globo), ao “Marília Gabriela Entrevista” (GNT), ao “Mais Você”, de Ana Maria Braga, e ao “Altas Horas” (ambos na Globo). No último fim de semana, estava no “Domingão do Faustão” (Globo), participando do quadro “Divã”. “A Ana Beatriz já é nossa sócia aqui”, disse Faustão ao apresentá-la.

Em uma entrevista publicada pela “Veja” em 2009, Ana Beatriz disse sofrer de transtorno do déficit de atenção (TDA), que combateu em um primeiro momento à base de remédios.

“Usei a medicação por cinco anos consecutivos. Hoje, quando escrevo um livro, volto a tomá-la no último mês. É a hora em que junto todas as informações e preciso ter mais senso crítico”, disse ela.

“Que tipo de senso crítico é esse?”, pergunta-se Barros Neto. “Senti-me indignado, com raiva. Queria que ela fosse em cana por não conseguir minimamente seguir as normas, as leis, as regras. Ela burlou tudo”, disse ele.

TRECHOS

Abaixo, compare passagens dos livros de Ana Beatriz Barbosa com textos de outros dois médicos: (mais…)

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